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domingo, 31 de março de 2013
Debate - Poliparentalidades
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O grupo PolyPortugal vai estar, dia 6 de Abril, no debate promovido pelo Clube Safo, sobre Poliparentalidades!
Numa altura em que a família nuclear com pai, mãe e filhos é um ideal que se distancia cada vez mais da realidade e num momento em que tantxs vivem já os seus afectos e laços de formas tão diversas, o Clube Safo propõe uma tarde de conversa sobre poliparentalidades. Queremos falar sobre parentalidades diversas, famílias monoparentais, famílias arco-íris, famílias poly. Este debate vai reflectir sobre as vivências diversas do que é família, sobre as mudanças que se têm vindo a verificar e sobre como pais e filhos vivem novas configurações relacionais. Famílias com duas mães, com dois pais, com vários adultos responsáveis e cuidadores são experiências reais que mostram como as pessoas estão a escolher os seus caminhos muito além da normatividade.
Pretendemos com este debate esclarecer o conceito de poliparentalidades, estendendo-o às famílias LGBTQ e poliamorosas, apontando as alterações legais mais recentes e os acontecimentos que cada vez mais colocam estas questões no espaço público. Mas este não é um debate apenas teórico: pais, mães e filhxs estarão presentes para falar do seu dia-a-dia e das suas vivências familiares.
Com a participação de Fátima Marques, Fabíola Cardoso, Daniel Cardoso e Alistair Grant.
Contamos com a presença de todxs para abrir novos caminhos à diversidade e às famílias que estamos a fazer todos os dias! Link para o evento no Facebook.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Palestra sobre Poliamor e Psicologia em Évora - o registo
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A palestra "Poliamor e Psicologia", organizada pelo NEPUE, foi ontem, dia 28 de Fevereiro, em Évora. A quem não pôde estar lá, fica aqui o registo, em vídeo, de um evento que contou com cerca de 70 participantes, e bastante debate!
A representar o PolyPortugal estiveram o Daniel Cardoso e a Sofia Correia.
Deixem as vossas impressões nos comentários!
Algumas informações extra podem ser encontradas aqui, também.
A representar o PolyPortugal estiveram o Daniel Cardoso e a Sofia Correia.
Deixem as vossas impressões nos comentários!
Algumas informações extra podem ser encontradas aqui, também.
sábado, 2 de abril de 2011
Reequilíbrio
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Em termos de poliamor, de amor e intimidade, ou relações no geral, não sei o que é melhor ou pior, normal ou anormal, e isso cada vez me interessa menos. Por outro lado, saber o que é autêntico e me faz sentir viva, interessa-me cada vez mais.
É difícil escrever sobre a minha identidade afectiva. Quero, mas bloqueio. Há demasiada emoção e as palavras não conseguem corresponder. Tenho medo de ser mal compreendida, mal interpretada. Aprendi pela experiência que isso é possível, até provável, e sobretudo doloroso.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Porque falham as explicações
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Dou por mim, como devem imaginar, a explicar imensas vezes o que é o poliamor, e que sentido faz, etc etc etc. E nem sempre consigo estar a ter estas conversas na net, onde simplesmente envio um link para o site do Franklin Veaux e a partir dessa base tento rearticular algumas das perguntas que as pessoas me fazem.
Fora isso, e quando se está offline, há uma série de argumentos e mecanismos retóricos mais ou menos utilizados de forma generalista para tentar explicar ou desconstruir uma série de noções de base. Ainda assim, é um processo complicado. Complicado fundamentalmente porque esses tais pressupostos, esses dogmas de base que definem a própria definição do que é o amor ou do que são relações amorosas (ou do que é a fidelidade, and so on...) são, no poliamor, repensados.
Fora isso, e quando se está offline, há uma série de argumentos e mecanismos retóricos mais ou menos utilizados de forma generalista para tentar explicar ou desconstruir uma série de noções de base. Ainda assim, é um processo complicado. Complicado fundamentalmente porque esses tais pressupostos, esses dogmas de base que definem a própria definição do que é o amor ou do que são relações amorosas (ou do que é a fidelidade, and so on...) são, no poliamor, repensados.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Aquela coisa do sexo...
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Ando doente com esta coisa da educação sexual na escola. Não há reunião em que não se fale disto. E o ritual é quase sempre o mesmo. O Director de Turma aborda o tema com o tom de “tem de ser, há aqui este assunto…”. A maior parte dos professores baixa os olhos. O professor de Ciências diz qualquer coisa que quase sempre me irrita. E quando se pergunta quais os professores que querem participar no projecto, só falta ouvir os assobios para o ar. Nas primeiras reuniões ofereci-me. Depois comecei a perceber…
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Oh, whistle and I will come to you, my lad!
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Ameacei começar e continuar a falar de trios há quase um ano...e na verdade este texto tem também quase um ano (sou vaga de propósito acerca das datas para proteger a identidade das pessoas a que diz respeito.)
"Continuo por aqui muito contente com o meu trio, uma das componentes da minha vida emocional raramente aborrecida. Estava relutante em falar disto porque ainda não definimos a coisa, e até porque precisamente o não ter definido a coisa com elas me estava a fazer comichão, a mim, académica empedernida. Até que tive uma epifania, por voz de uma delas, a mais prática e mais "novata" nestas andanças não monogâmicas, a propósito do sentimento que tem acerca de ter uma neta que é, para os mais técnicos de vós, a neta da ex-namorada: «Eu não quero saber o que é que vocês lhe chamam ou mesmo eu cá por dentro lhe chamo, mas o que me interessa é o que eu faço ou que esperam que eu faça. Estou-me a borrifar como se chama a relação que tenho com ela. Eu só sei que a minha neta precisa de mim, apita, assobia, ri ou chora, e eu estou lá no mesmo instante».
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Digest: o que ando a aprontar (to be continued)
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Resolvi lentamente voltar às lides organizativas. Fiz cerca de dois anos de pausa. Após a co-organização da marcha do orgulho no Porto, e de muitos encontros poly em Portugal e na Alemanha, e muita outra tralha mais, precisei, por motivos de saúde, de uma pausa. Agora lentamente começo a esticar os músculos organizativos e apetece-me começar a meter o bedelho nisto e naquilo.
Comecei-me a interessar, via "a minha vida poly", por constelações familiares alternativas, e pela co-educação. E a partir de certo ponto, desvinculei o tema poly do tema da co-educação e comecei a interessar-me por constelações alternativas em volta ou dirigidas à "gente miúda", ou em que isto seja priorizado em relação às relações entre a "gente graúda" (aka "adultos").
Comecei-me a interessar, via "a minha vida poly", por constelações familiares alternativas, e pela co-educação. E a partir de certo ponto, desvinculei o tema poly do tema da co-educação e comecei a interessar-me por constelações alternativas em volta ou dirigidas à "gente miúda", ou em que isto seja priorizado em relação às relações entre a "gente graúda" (aka "adultos").
segunda-feira, 7 de junho de 2010
"e as crianças, senhor?": Campo "quem vive com quem"
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Mais um evento que não é directamente poly mas bastante poly relevante.
Trata-se do acampamento "Quem vive com quem" (Who lives with who, why and how), que trata simplesmente de abordar os temas e definições acerca de família e vida privada, nunca esquecendo que por muito privada que seja, não deixa de ser prementemente político. Nomeadamente, quando se toca no tema "crianças", mesmo em sectores revolucionários, geralmente vem associado todos os termos habituais como "família nuclear", "pais", "família de referencia" e outras soluções ou constelações são geralmente consciente ou inconscientemente ignoradas.
Para quem pensa noutras constelações, ou já passou do pensamento à prática, este é um sitio para partilha de experiências e conspiração de utopias. Possíveis, claro.
25.07-01.08.2010, perto de Berlim.
http://werlebtmitwem.blogsport.de/camp-2010/english/
Trata-se do acampamento "Quem vive com quem" (Who lives with who, why and how), que trata simplesmente de abordar os temas e definições acerca de família e vida privada, nunca esquecendo que por muito privada que seja, não deixa de ser prementemente político. Nomeadamente, quando se toca no tema "crianças", mesmo em sectores revolucionários, geralmente vem associado todos os termos habituais como "família nuclear", "pais", "família de referencia" e outras soluções ou constelações são geralmente consciente ou inconscientemente ignoradas.
Para quem pensa noutras constelações, ou já passou do pensamento à prática, este é um sitio para partilha de experiências e conspiração de utopias. Possíveis, claro.
25.07-01.08.2010, perto de Berlim.
http://werlebtmitwem.blogsport.de/camp-2010/english/
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Bebé com seis cabeças… ou com seis pais?
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Este fim-de-semana vi várias calamidades naturais e humanas, como por exemplo as enxurradas na Madeira ou a manifestação pela família tradicional com slogans brilhantes do calibre de "A natureza diz não" ou "Gosto tanto dos meus avós" (alguém vai ter de me explicar esta…) e a presença sempre lustrosa da extrema direita. Sim, os tempos estão de feição a quem acha que é democrático permitir uma manifestação de pessoas que acham que se devem limitar os direitos a outras pessoas, ou julgar ou emitir opiniões sobre a vida privada de outrem. A condizer com isto, podia aparecer um título no jornal a condizer com tantos portentos e sinais certos de Apocalipse, como "Bebé com seis cabeças". Mas não, nada disso, aparece antes "Bebé com seis pais" e parece coisa mais agradável ao nosso palato poly:
(fonte: TimeOut, tip da underscore)
Um bebé com seis pais
Já ouviu falar da família tradicional? Pois esqueça tudo. Bruno Horta explica porquê.
Que acontece a um casal quando decide ter filhos? Desiste do lado divertido da vida? É nessa altura que entra realmente na idade adulta? E se esse casal for constituído por duas lésbicas e partilhar a intimidade com um amigo gay, que será o pai biológico da criança?
Atenção: na peça "Com o Bebé Somos Sete", que a companhia Escola de Mulheres apresenta até ao fim do mês no Clube Estefânia, o facto de o casal ser lésbico e polígamo não é sequer um tema. É apenas um dado adquirido. Os temas, analisa a encenadora, Marta Lapa, são outros: “Fala, de forma muito bonita, sobre homoparentalidade e pergunta o que é a normalidade nas relações e qual o caminho a seguir pelas pessoas, quaisquer pessoas, quando estão na iminência da paternidade.”
O texto original (And Baby Makes Seven) foi escrito em 1984 pela dramaturga americana Paula Vogel e estreado nesse ano em Nova Iorque. Vogel é presença constante nas produções da Escola de Mulheres, que já apresentou cinco peças da sua autoria, contando com esta. “É uma escritora de temas interventivos, ou fracturantes, como se queira chamar, uma escritora brilhante, que consegue disparar para vários lados ao mesmo”, explica Marta Lapa.
As três personagens que vemos em palco são, na verdade, seis. Anna, Peter e Ruth (Cristina Carvalhal, Margarida Gonçalves e Sérgio Praia) são adultos mas albergam neles alter-egos infantis, que os dominam por completo. Raramente têm conversas sérias. Passam a vida a inventar situações imaginárias para as suas personagens e brincam uns com os outros como crianças. O que não impede que vão deixando cair, aqui e ali, potentes frases adultas, obviamente políticas. “Vocês não podem estar contra a verdade”, diz uma delas, no meio de uma discussão. “Podemos, sim senhor, isto é uma democracia”, respondem-lhe.
No fundo, são três adultos, em triângulo amoroso, que não querem deixar de ser crianças. Mas desejam um filho e têm medo que a criança os obrigue a desistir do lado divertido e infantil em que vivem.
Nesta fábula, ou tragicomédia, como lhe chama a encenadora, é ainda aflorado o tema da sida, talvez devido ao contexto da época em que foi escrita — o início da epidemia nos EUA. A peça é apresentada numa altura em que o casamento e a adopção gays estão na ordem do dia. Mas isso, no dizer da encenadora, “é apenas uma feliz coincidência”. “Já tínhamos pensado nesta produção há mais de um ano, quando não se sabia se esta temática estaria em discussão na sociedade portuguesa”, esclarece.
Com o Bebé Somos Sete, de Paula Vogel. Clube Estefânia, R Alexandre Braga, 24. Qui-Sáb, 21.30; Dom, 16.00. Bilhetes: 10 euros.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Trios, mais um livro e mais confidências na primeira pessoa
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Ameacei comecar e continuar a falar de trios há cerca de duas semanas....
Continuo por aqui muito contente com o meu trio, uma das componentes da minha vida emocional raramente aborrecida. Estava relutante em falar disto porque ainda não definimos a coisa, e até porque precisamente o não ter definido a coisa com elas me estava a fazer comichão, a mim, académica empedernida. Até que tive uma epifânia, por voz de uma delas, a mais prática e mais "novata" nestas andanças não monogamicas, a propósito do sentimento que tem acerca de ter uma neta que é a neta da ex-namorada: "Eu não quero saber o que é que vocês lhe chamam ou mesmo eu cá por dentro lhe chamo, mas o que me interessa é o que eu faço ou que esperam que eu faço. Estou me a borrifar como se chama a relação que tenho com ela. Eu só sei que a minha neta precisa de mim, apita, assobia, ri ou chora, e eu estou lá no mesmo instante".
E sim, se calhar não é preciso ir buscar o arsenal de nomes e definições.. Somos amigas? Somos amantes? Queremos ser amantes? Queremos ser amigas? o que é que isso interessa se se calhar até temos nomes iguais para práticas diferentes ou nomes diferentes práticas? se calhar a coisa é toda simplificada por concordarmos no que queremos fazer juntas e no que queremos dar umas às outras. E o resto fica para discutir ociosamente num dia de chuva preguiçosamente passado em casa.
E para quem tudo isto é muito pessoal, fica mais um livrinho mais ou menos indiscreto acerca de trios. Para quem leu o seu Jack Kerouac "On the Road" e tem olho para especular para além das aparências, o livro Off the Road: Twenty Years with Cassady, Kerouac and Ginsberg by Carolyn Cassady nao trará surpresas. Trocando por miúdos, a mulher de Neal, e amante de Jack, conta a sua versão dos acontecimentos que deram origem a "on the Road" e da sua vida com o seu marido - o modelo para a personagem Dean Moriartry. Por um lado ela revela claramente o que se passa entre Jack e Neal, mas apenas sugere ambiguamente uma relação física entre os dois homens.
E sim, se calhar não é preciso ir buscar o arsenal de nomes e definições.. Somos amigas? Somos amantes? Queremos ser amantes? Queremos ser amigas? o que é que isso interessa se se calhar até temos nomes iguais para práticas diferentes ou nomes diferentes práticas? se calhar a coisa é toda simplificada por concordarmos no que queremos fazer juntas e no que queremos dar umas às outras. E o resto fica para discutir ociosamente num dia de chuva preguiçosamente passado em casa.
E para quem tudo isto é muito pessoal, fica mais um livrinho mais ou menos indiscreto acerca de trios. Para quem leu o seu Jack Kerouac "On the Road" e tem olho para especular para além das aparências, o livro Off the Road: Twenty Years with Cassady, Kerouac and Ginsberg by Carolyn Cassady nao trará surpresas. Trocando por miúdos, a mulher de Neal, e amante de Jack, conta a sua versão dos acontecimentos que deram origem a "on the Road" e da sua vida com o seu marido - o modelo para a personagem Dean Moriartry. Por um lado ela revela claramente o que se passa entre Jack e Neal, mas apenas sugere ambiguamente uma relação física entre os dois homens.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Tenho aqui uma dor...
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Às vezes tenho uns ataques agudos de “que lindo que seria um mundo poliamoroso”. E esta semana deu-me isto duas vezes. Apanha-me aqui esta zona toda, desde a boca do estômago até ao coração. Socos num e apertos no outro.O primeiro ataque deu-me a ver a reportagem da SIC, “Filhos de pais em guerra”. Entre outras coisas, a prova de como o ciúme, a despeita e o medo irracional de ser menos amado se podem revelar completamente destrutivos. O final da reportagem pára qualquer digestão em curso.
O segundo achaque foi ontem na escola, a ouvir uma Directora de Turma informar-me do background dos alunos. Eu que acho sempre estas informações importantes, saí de lá sem saber se não preferia ter ficado na ignorância. O rol de desgraças e desamores que me foi desfiado sobre 27 criaturas que algum dia terão sido inocentes, deixou-me a engolir em seco. Quase todas as histórias passavam pelo capítulo “os pais divorciaram-se” e apenas uma incluía o “dão-se todos bem”. As outras incluíam episódios de abandono, alienação parental, instrumentalização e maus tratos psicológicos.
Num artigo que li há uns tempos, a jornalista imaginava como teria sido a história Clinton-Lewinski, se os envolvidos fossem poliamorosos:
“O presidente explica, com graça e dignidade, que ele e Monica estão apaixonados e que a primeira-dama tem conhecimento do relacionamento desde o início. Hillary diz à imprensa que aprova o relacionamento, com base na sua própria amizade e carinho por Monica. Esta junta-se a eles, e explicam que o seu relacionamento é uma tríade poliamorosa, em que os três são parceiros iguais, e que está aberta à inclusão de futuros parceiros. Quando a imprensa, chocada, pretende saber como isso afectou a filha, Chelsea responde que agora tem três pais, que os ama a todos, e que tudo isto lhe ensinou muito sobre os benefícios de ser completamente honesta em todos os seus relacionamentos.”
E também eu dei por mim, nas duas ocasiões, a fantasiar como todas aquelas histórias podiam ser radicalmente diferentes. Com outros problemas, talvez. Porque o poliamor está longe de ser a panaceia para todos os males.
Mas a mera possibilidade de que as coisas possam ser diferentes, que nem todas as relações amorosas tenham que acabar em ódios militantes, não seria já um caminho pelo menos mais equilibrado? Se em vez de acabar, as coisas pudessem evoluir para outras formas, se as crianças deixassem de ter dois pais em casa para terem quatro ou mais, mesmo em casas diferentes.
Porque, como diz uma psicóloga na reportagem da SIC, a estabilidade provém da flexibilidade, e não de dormir todos os dias na mesma cama.
O segundo achaque foi ontem na escola, a ouvir uma Directora de Turma informar-me do background dos alunos. Eu que acho sempre estas informações importantes, saí de lá sem saber se não preferia ter ficado na ignorância. O rol de desgraças e desamores que me foi desfiado sobre 27 criaturas que algum dia terão sido inocentes, deixou-me a engolir em seco. Quase todas as histórias passavam pelo capítulo “os pais divorciaram-se” e apenas uma incluía o “dão-se todos bem”. As outras incluíam episódios de abandono, alienação parental, instrumentalização e maus tratos psicológicos.
Num artigo que li há uns tempos, a jornalista imaginava como teria sido a história Clinton-Lewinski, se os envolvidos fossem poliamorosos:
“O presidente explica, com graça e dignidade, que ele e Monica estão apaixonados e que a primeira-dama tem conhecimento do relacionamento desde o início. Hillary diz à imprensa que aprova o relacionamento, com base na sua própria amizade e carinho por Monica. Esta junta-se a eles, e explicam que o seu relacionamento é uma tríade poliamorosa, em que os três são parceiros iguais, e que está aberta à inclusão de futuros parceiros. Quando a imprensa, chocada, pretende saber como isso afectou a filha, Chelsea responde que agora tem três pais, que os ama a todos, e que tudo isto lhe ensinou muito sobre os benefícios de ser completamente honesta em todos os seus relacionamentos.”
E também eu dei por mim, nas duas ocasiões, a fantasiar como todas aquelas histórias podiam ser radicalmente diferentes. Com outros problemas, talvez. Porque o poliamor está longe de ser a panaceia para todos os males.
Mas a mera possibilidade de que as coisas possam ser diferentes, que nem todas as relações amorosas tenham que acabar em ódios militantes, não seria já um caminho pelo menos mais equilibrado? Se em vez de acabar, as coisas pudessem evoluir para outras formas, se as crianças deixassem de ter dois pais em casa para terem quatro ou mais, mesmo em casas diferentes.
Porque, como diz uma psicóloga na reportagem da SIC, a estabilidade provém da flexibilidade, e não de dormir todos os dias na mesma cama.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Ainda cabe mais um?
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Ontem dei por mim a tentar explicar a alguém que tinha acabado de conhecer algo que, por me ser tão visceral, me custa pôr em palavras. Porque é que me faz sentido que uma pessoa, que já tem uma casa e um namorado com quem vive, considere abdicar dessa privacidade para ir viver com mais pessoas. Todas elas com casa própria, coisas próprias, gostos e personalidades próprias. Suspeito que esta pergunta, como outras, surja regularmente. E suspeito que me vá engasgar mais vezes. Que as palavras que me saiam da boca me pareçam sempre insuficientes para descrever o que talvez tenha sido sempre o meu sonho de família e comunhão.
Hoje vi um programa da TV3 no qual entram duas pessoas que conheci de perto e mais duas que espero conhecer em breve. Formam uma família. Duas mães, um pai e uma bebé. Conhecendo alguns pormenores de como a relação evoluiu, primeiro a dois, depois a três e por fim a quatro (e acredito que não se fiquem por aqui), não posso deixar de me emocionar com a felicidade deles.
Acredito mesmo que há vida para além do modelo pai-mãe-filhos, ou casal, ou viver-sozinho, e que pode ser uma vida feliz. Acredito que o ser humano possui uma capacidade infinita de partilha e de aprendizagem com os outros. E que cada um de nós se pode tornar todos os dias melhor pessoa se rodeado de amor, apoio e estímulos variados.
Hoje vi um programa da TV3 no qual entram duas pessoas que conheci de perto e mais duas que espero conhecer em breve. Formam uma família. Duas mães, um pai e uma bebé. Conhecendo alguns pormenores de como a relação evoluiu, primeiro a dois, depois a três e por fim a quatro (e acredito que não se fiquem por aqui), não posso deixar de me emocionar com a felicidade deles.
Acredito mesmo que há vida para além do modelo pai-mãe-filhos, ou casal, ou viver-sozinho, e que pode ser uma vida feliz. Acredito que o ser humano possui uma capacidade infinita de partilha e de aprendizagem com os outros. E que cada um de nós se pode tornar todos os dias melhor pessoa se rodeado de amor, apoio e estímulos variados.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
sentir-me frubbly
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entretanto passou uma semana e o meu filho já chegou de londres, de onde trouxe a sobrinha de nove anos. fui ao aeroporto, junto com a mãe dele, claro, buscá-los... depois de uma visita rápida ao macdonalds (as sandes da ba deixaram muito a desejar!), levámos a sobrinha dele para casa da mãe dela e depois de babarmos tod@s uns minutos sobre o irmãozito, que dormia alegremente, esse filho da mãe com outro pai, estivemos a combinar a festa dos dez anos da nossa jovem... de maneira a ser usufruída por tod@s.
para os filh@s de mães e pais polypraticantes e/ou polysimpatizantes a vida realmente é-lhes muito facilitada, se compararmos com a vida de muitas, naturalmente não todas, crianças e jovens filh@s de pais e mães separad@s.
férias! por exemplo... pois bem é uma altura crítica para muitas crianças e jovens. quando deviam estar descansad@s a pensar em curtir uns dias de férias com o pai e depois com a mãe, ou vice-versa, muit@s estão a ser alvo de guerras violentas entre esses mesmos pais, normalmente resultantes de situações amorosas mal resolvidas entre el@s, que nada têm a ver com @s filh@s.
numa grande maioria de casos o verdadeiro problema por detrás destas situações é o ciúme... uma das partes sente-se "traída" pela outra, ou depois de um divórcio "civilizado" ele... ou ela, muito embora seja normalmente ele, "refaça a vida" e está o caldo entornado! e rapidamente se chega à guerra... e quem sofre? @s filh@s... claro.
aprendi, na minha profissão e na vida, que é sempre melhor manter as coisas simples.
não chegamos a um consenso, nas nossas muitas discussões em grupo, sobre uma tradução para a palavra compersion ou feeling frubbly, mas não ficamos com qualquer dúvida sobre o seu significado. se calhar neste contexto poderíamos pensar que quer dizer o oposto de ciúme. gosto da ideia de me sentir frubbly com o bem estar de outra pessoa, se ainda a amo, mesmo que o contexto desse amor tenha mudado.
é tão mais simples se nos autorizamos a nós próprios a amar as pessoas que queremos, sejam el@s quant@s forem e ao mesmo tempo sentirmos-nos bem com o amor que essas pessoas tenham por outr@s... sentirmos-nos frubbly...
para os filh@s de mães e pais polypraticantes e/ou polysimpatizantes a vida realmente é-lhes muito facilitada, se compararmos com a vida de muitas, naturalmente não todas, crianças e jovens filh@s de pais e mães separad@s.
férias! por exemplo... pois bem é uma altura crítica para muitas crianças e jovens. quando deviam estar descansad@s a pensar em curtir uns dias de férias com o pai e depois com a mãe, ou vice-versa, muit@s estão a ser alvo de guerras violentas entre esses mesmos pais, normalmente resultantes de situações amorosas mal resolvidas entre el@s, que nada têm a ver com @s filh@s.
numa grande maioria de casos o verdadeiro problema por detrás destas situações é o ciúme... uma das partes sente-se "traída" pela outra, ou depois de um divórcio "civilizado" ele... ou ela, muito embora seja normalmente ele, "refaça a vida" e está o caldo entornado! e rapidamente se chega à guerra... e quem sofre? @s filh@s... claro.
aprendi, na minha profissão e na vida, que é sempre melhor manter as coisas simples.
não chegamos a um consenso, nas nossas muitas discussões em grupo, sobre uma tradução para a palavra compersion ou feeling frubbly, mas não ficamos com qualquer dúvida sobre o seu significado. se calhar neste contexto poderíamos pensar que quer dizer o oposto de ciúme. gosto da ideia de me sentir frubbly com o bem estar de outra pessoa, se ainda a amo, mesmo que o contexto desse amor tenha mudado.
é tão mais simples se nos autorizamos a nós próprios a amar as pessoas que queremos, sejam el@s quant@s forem e ao mesmo tempo sentirmos-nos bem com o amor que essas pessoas tenham por outr@s... sentirmos-nos frubbly...
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
o poly explicado às criancas?
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Sacado daqui, em grande falta de tempo para escrever algo novo :-)
Sugestão de leitura: Else-Marie and her seven daddies
Para quem acha que um estilo de vida poliamoroso é algo que se deve levar às escondidas e de preferência que as crianças não fiquem a saber, é melhor parar de ler AQUI e JÁ. Para os outros, fica esta sugestão deliciosa de um livro para crianças com temática poliamorosa: Else-Marie and her seven daddies. Aproveitem a silly season para oferecer alguma coisa finalmente inteligente a alguém. Este livro por exemplo.
Else Marie tem sete pais em vez de um. E quando descobre que eles a vão buscar à escola, apercebe-se de repente de que a sua vida, que até então lhe parecia tão normal, não é como a dos outros meninos. Lindo. Era isto que eu estava a precisar de ter (empowerment) antes de enfrentar a minha família na sua faceta mais mononormativa.
Ler aqui a crítica de um leitor (muito bem escrita) no site da Amazon.
Sugestão de leitura: Else-Marie and her seven daddies
Para quem acha que um estilo de vida poliamoroso é algo que se deve levar às escondidas e de preferência que as crianças não fiquem a saber, é melhor parar de ler AQUI e JÁ. Para os outros, fica esta sugestão deliciosa de um livro para crianças com temática poliamorosa: Else-Marie and her seven daddies. Aproveitem a silly season para oferecer alguma coisa finalmente inteligente a alguém. Este livro por exemplo.Else Marie tem sete pais em vez de um. E quando descobre que eles a vão buscar à escola, apercebe-se de repente de que a sua vida, que até então lhe parecia tão normal, não é como a dos outros meninos. Lindo. Era isto que eu estava a precisar de ter (empowerment) antes de enfrentar a minha família na sua faceta mais mononormativa.
Ler aqui a crítica de um leitor (muito bem escrita) no site da Amazon.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
família?
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um dos meus filhos, o frederico, viajou hoje de manhã... foi ter com um dos irmãos mais velhos, o salvador, que vive em londres com a namorada, a conceição.foi lá passar uns dias de férias e na volta vai trazer a isabel, filha do salvador e da maria, que tem nove anos, que também lá está de férias.
mas o salvador não é meu filho, é filho da filipa e do antónio.
eu e a filipa é que somos pais do frederico e eu sou também pai do pedro e do luís.
a joana é a mãe do pedro e a constança é mãe do luís.
eu e a joana somos bons amigos e a filipa e a joana também, assim como eu e o antónio. a constança é que está um pouco mais afastada, mas tem uma relação cordial com a filipa, pedro, frederico e salvador.
o luís e a isabel têm a mesma idade e quando estamos todos juntos brincam até à exaustão.
a minha mãe, a tal coitada do filho assim, quando ainda era viva, mantinha uma firme amizadade com a joana, filipa, constança, antónio, helena, luísa e com os netos, incluindo o salvador, claro!
a mariana, mãe da filipa, é que se baralha um pouco com os "genros" e antes que acerte com o nome debita a lista.
é lógico que ao longo do tempo tem havido outras pessoas que têm atravessado as nossas vidas... nem todas têm tido uma participação tão intensa, mas não deixam, por isso, de ter o seu lugar nos nossos afectos.
nota: alguns dos nomes não são os verdadeiros, o resto sim!

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