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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Oh, whistle and I will come to you, my lad!

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Ameacei começar e continuar a falar de trios há quase um ano...e na verdade este texto tem também quase um ano (sou vaga de propósito acerca das datas para proteger a identidade das pessoas a que diz respeito.)

"Continuo por aqui muito contente com o meu trio, uma das componentes da minha vida emocional raramente aborrecida. Estava relutante em falar disto porque ainda não definimos a coisa, e até porque precisamente o não ter definido a coisa com elas me estava a fazer comichão, a mim, académica empedernida. Até que tive uma epifania, por voz de uma delas, a mais prática e mais "novata" nestas andanças não monogâmicas, a propósito do sentimento que tem acerca de ter uma neta que é, para os mais técnicos de vós, a neta da ex-namorada: «Eu não quero saber o que é que vocês lhe chamam ou mesmo eu cá por dentro lhe chamo, mas o que me interessa é o que eu faço ou que esperam que eu faça. Estou-me a borrifar como se chama a relação que tenho com ela. Eu só sei que a minha neta precisa de mim, apita, assobia, ri ou chora, e eu estou lá no mesmo instante».

sábado, 21 de agosto de 2010

Poly Girls On Queer Unite

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"Agora, ao contrário, estamos em casa. Mas o em-casa não preexiste: foi preciso traçar um círculo em torno do centro frágil e incerto, organizar um espaço limitado. (…) Eis que as forças do caos são mantidas no exterior tanto quanto possível e o espaço interior protege as forças germinativas de uma tarefa a ser cumprida, de uma obra a ser feita. Há toda uma actividade de selecção aí, de eliminação, de extracção, para que as forças íntimas terrestres, as forças interiores da terra, não sejam submersas, para que elas possam resistir ou até tomar algo emprestado do caos através do filtro ou do crivo do espaço traçado. (…) Agora, enfim, entreabrimos o círculo, nós o abrimos, deixamos alguém entrar, chamamos alguém, ou então nós mesmos vamos para fora, nos lançamos. Não abrimos o círculo do lado onde vêm acumular-se as antigas forças do caos, mas numa outra região, criada pelo próprio círculo. Como se o círculo tendesse a abrir-se para um futuro, em função das forças em obra que ele abriga."

Começa quando fechas a porta do quarto para poderes ouvir a tua música. A música é instrumento da tua territorialização. Por exemplo, o ostinato da equipa de futebol proclamando "Ahhh Portugal olé, portugal olé, portugal olé, portugal olé" e demarcando as fronteiras. Ou "First I was afraid I was petrified" ou "A formiga no carreiro vinha em sentido contrário". O som afirma-nos, é o nosso canto específico, anunciando à passarada a música da nossa territorialidade.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Trios: Hemingway

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Continuemos, que a inspiração não dá para mais, a série sobre trios, reais, imaginários, literários, ou tudo junto. Hoje deixo vos com Hemingway e o seu "Garden of Eden". Segundo consta é uma história que o próprio Hemingway suprimiu em vida, e que nunca chegou a acabar até à sua morte. Passa-se na Cote d'Azur nos anos 20, e conta a história de, imaginem, um escritor, a sua mulher, e os jogos entre eles enquanto partilham uma mulher mais nova. Dizem por aí os especialistas que é autobiográfico... foi reeditado recentemente.


terça-feira, 29 de setembro de 2009

E é lá com eles…

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Em tempos, a minha amiga Maria João Cruz e eu resolvemos usar as nossas competências de escrita num projecto que nos poderia fazer ganhar bastante dinheiro: letras para música pimba. Decidimos assinar Lena & Macário (seríamos, assim, os Lennon / McCartney do mundo pimba tuga) e começámos a escrever para esse universo.

Rapidamente verificámos que o pimba não é para todos, e para escrevermos pérolas de javardice sobre gajas boas intercaladas com romance xaroposo ainda precisávamos de comer muita papa de milho com Bisolvon.

Na sequência deste projecto surgiu-me, entre outras coisas, o seguinte, que acabou por ser uma espécie de hino em defesa da liberdade e diversidade sexual e emocional, e que deixo aqui para a posteridade electrónica:

ANTES QUE ACABE
(É LÁ COM ELES)

Já conheci quem gostasse de quem gosta | que não gostem muito delas. | Já conheci quem se sentisse disposta | a três paixões paralelas.

Ele há de tudo | e muito mais: | histórias de amor, não há duas mesmo iguais.

E, vai-se a ver, é de noite que há de tudo. | Chego ao balcão, ponho-me à escuta. | Entra cerveja, sai desabafo. | Do macho-puta | à fêmea Safo, | é de noite que eu os ouço, | porque é de noite que se vê o fundo ao poço.

E está na hora de falar do Serafim – | o que é amante da mulher do Zé Cerqueira –, | que, em noite de bebedeira, | soltou-se e disse-me assim:
Eu quero viver a vida com uma mosquinha morta | que não me coloque entraves a casar atrás da porta.

E é lá com ele, | ele é que sabe. | O amor, é bom que comece antes que acabe.

E, já agora, vou falar também da Alice – | a minha amiga que vivia com a Joana –, | que, em noite de carraspana, | se abriu comigo e me disse:
O que eu quero é conhecer um ilustre desconhecido | que faça de mim um homem e queira ser meu marido.

E é lá com ela, | ela é que sabe. | O amor, é bom que comece antes que acabe.

E, sem demora, vou falar do Evaristo – | o meio-irmão da meia-irmã da Catarina –, | que, uma noite de cardina, | abriu a guelra e vai disto:
Eu quero ser um casal e viver uma vida a dois, | nos bons e nos maus momentos, sozinho com os meus botões.

E é lá com ele, | ele é que sabe. | O amor, é bom que comece antes que acabe.

Vamos embora, que eu quero é falar da São – | a namorada temporária do Pitosga –, | que, em noite de grande tosga, | vomitou a confissão:
Eu quero ser solitária e passar a vida em festas; | afagar-me a noite inteira e depois dormir a sesta.

E é lá com ela, | ela é que sabe. | O amor, é bom que comece antes que acabe.

Julgo que agora vou falar do Zé Gaspar – | a maior esponja que eu conheço assim de perto –, | que, em noite de bar aberto, | conseguiu filosofar:
Eu quero ter quem me aqueça como um cobertor de lã, | e já estou a ficar maluco por uma linda astracã.

E é lá com ele, | ele é que sabe. | O amor, é bom que comece antes que acabe.

E vai-se a ver, é de noite que eu os ouço, | porque é de noite que se vê o fundo ao poço.

E o Serafim? | É lá com ele. | E então a Alice? | É lá com ela. | E o Zé Gaspar? | É lá com ele, | ele lá sabe. | O amor, é bom que comece antes que acabe. | O amor, é bom que comece antes que acabe. |
O amor, é bom que comece antes que acabe.