sexta-feira, 24 de abril de 2015

Tertúlia sobre Poliamor promovida pela ILGA - a gravação

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Cerca de duas horas e meia de tertúlia gravadas para todxs poderem ouvir, mesmo quem não esteve lá fisicamente!



Partilhem, divulguem e ouçam... sem esquecer de comentar, claro!

O PolyPortugal deseja agradecer à ILGA Portugal o convite feito e o espaço disponibilizado para uma conversa que mobilizou muita gente.


domingo, 19 de abril de 2015

Tertúlia sobre Poliamor no Centro LGBT

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O PolyPortugal vai estar presente em mais uma tertúlia sobre Poliamor, desta vez a convite da ILGA Portugal, já no próximo dia 23 de Abril às 19h30, no Centro LGBT em Lisboa.

Vem conversar connosco sobre como se ama no plural e pensar nas ligações entre poliamor e orientação sexual.

Com a participação de duas pessoas do PolyPortugal: Fátima Marques, terapeuta psico-corporal e promotora do projecto "Saúde para todos", e Inês Rôlo, poliamorosa e activista poly e LGBTQIA.


segunda-feira, 2 de março de 2015

Registo da Tertúlia promovida pela JS-Amadora

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O PolyPortugal esteve representado na tertúlia organizada pela JS Amadora, no passado dia 28 de Fevereiro, através do Daniel Cardoso. O interesse foi tanto, por parte da audiência e de tod@s @s participantes, que a tertúlia acabou a estender-se por cerca de quatro - produtivas! - horas. Da Psicologia à Antropologia, passando pelo Direito e pelas experiências pessoais e investigação, o poliamor foi debatido e comentado de uma forma profundamente política.




Ouçam também a gravação aqui ou aqui em baixo!



sábado, 21 de fevereiro de 2015

JS Amadora à conversa sobre... Poliamor

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A Juventude Socialista Amadora convidou o PolyPortugal a co-dinamizar uma tertúlia sobre poliamor, junto com profissionais de várias áreas. E vai ser já no próximo sábado, dia 28 de Fevereiro, pelas 15:30. Acedam ao evento no Facebook AQUI para terem mais informações.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Cuidado com o engate disfarçado de "poliamor"

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Acredito que muita gente pense que sou uma espécie de "evangelista" do poliamor, e que passo o meu tempo a tentar converter gente a "transformar-se" em poly. Acho que mais depressa investia o meu tempo a tentar falar com pedras, tinha mais piada.

Algo que passo bastante mais tempo a fazer é a tentar afastar pessoas que conheço e que vêm ter comigo pedir-me conselho, do poliamor. Ou, vá lá, de pessoas que usam o poliamor como desculpa para fazer valer o seu privilégio e os seus interesses pessoais.

Aconteceu algo do estilo há alguns dias. Uma rapariga que conheço veio-me pedir ajuda porque um rapaz, interessado nela, queria estar numa relação "poliamorosa" com ela, sendo que ela se identifica como pessoa monogâmica.

Primeira coisa que eu lhe disse: não entres numa relação poly por ele, entra por ti, porque tu queres. Poliamor não é um sacrifício que se peça a alguém, tal como a monogamia não o deve ser. Mas foi na segunda coisa que eu lhe disse que acertei de facto na mouche. Disse-lhe que ela tinha que perceber muito bem, na prática, o que é que ele entendia como uma "relação poliamorosa".

Vou parafrasear algumas das coisas que - segundo ela - ele usou como argumentos para expor o seu ponto de vista:
Trata-se de perceber que nós, como seres sexuais mas também como parceirxs, queremos muitas coisas. A versão que eu gosto é aquela em que se tem um/a namorado/a com quem se está plenamente, e socialmente também. Mas se houver atracção por mais alguém, pode-se chamar essa pessoa para se 'divertir' com o casal... ou então haver um interesse que seja diferente do que é pelo parceiro primário, e aí fala-se sobre isso e está tudo bem, e acontece algo entre duas das pessoas, mas nunca há ciúmes porque sabe-se sempre que és tu que és amada... e depois pode-se partilhar os detalhes todos do que aconteceu, ou nenhuns se se preferir.
 Eu quando li isto tive quase um ataquezinho de coração. E disse-lhe qualquer coisa do género: "POR AMOR DA SANTINHA, CORRE NA DIRECÇÃO CONTRÁRIA MUITO BUÉ HIPER-MEGA DEPRESSA". Com caps lock e tudo. (Pronto, está bem, disse só "hmm...". Mas juro que pensei isto tudo.)

Isto é o que acontece quando malta hetero sem sensibilidade nenhuma para privilégio de género começa a usar o poliamor como desculpa para querer fazer das suas.

Ora senão vejamos:
  1. "Nós [...] queremos muitas coisas" - O rapaz abre logo a salva com uma generalização total para tentar justificar que, pronto, ele é simplesmente igual a toda a gente, e que portanto os seus desejos são naturais, e acabou a conversa;
  2. "A versão que eu gosto" - Há muitas versões, mas ao invés de falarmos sobre o que é que poderia ser o nosso ponto de encontro, entra-se logo com uma visão redutora com uma série de pacotes incorporados, nomeadamente...
    1. Parceirxs primárixs: mantém-se o "privilégio de casal" e abre-se uma avenida para o tratamento de outras pessoas, fora do casal, como dispensáveis, secundárias; nos casos em que surge algum problema, a opção por definição é proteger "o casal" e o resto das pessoas que se... lixem;
    2. Aproveitamento sexual: a primeira preocupação do rapaz foi poder usar qualquer interesse que exista para ter o seu fornecimento de ménàges a trois... esqueçam lá o quão estranho ou assustador é alguém começar a fazer planos sexuais com terceiras pessoas que nem sequer são tidas nem achadas para o caso, mas já têm o seu lugarzinho reservado... e nenhum voto sobre se aquilo que farão sexualmente vai ou não ser relatado a terceiras pessoas...
    3. Opções extra: a haver um encontro que não seja a três, supõe-se/define-se logo que vai ser à partida diferente do que se sente pelx "primárix"... porque obviamente toda a gente pode logo adivinhar o que vai sentir por pessoas hipotéticas que ainda nem sequer conheceu!
  3. "E está tudo bem e não há ciúmes" - Esta é parecida à anterior: "poliamor" é estar sempre tudo bem... claro... porque, mais uma vez, toda a gente sabe à partida o que vai sentir e como vai reagir e toda a gente sabe que basta carregar num botão e, puff!, lá se vai toda a programação mononormativa com que levámos a vida toda, e os ciúmes e as inseguranças...
Estão a ver o potencial épico para manipulação psicológica? "Ah, estás a aparecer em público muito ligada a esta pessoa, mas o teu primário sou eu, não pode ser!" "Ah, aquilo que estás a sentir está demasiado próximo daquilo que sentes por mim, não pode ser!" "Ah,estás a sentir ciúmes? Mas uma boa pessoa poliamorosa não sente ciúmes! Não pode ser!"

Dis-pa-ra-te.

Não. Com pessoas "poliamorosas" destas, venham as relações monogâmicas saudáveis, críticas e auto-reflexivas.

PS - Não sou das pessoas que defende que "todas as formas de não-monogamia são fixes". Tal como nem todas as formas de monogamia são fixes. Qualquer estrutura relacional que sirva para roubar autonomia e entrar em jogos de manipulação (geralmente através de linhas hierárquicas, de privilégio, de "casal") não é fixe.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Um Ano de Poliamor

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Há 3 dias, eu e o meu companheiro fizemos um ano de namoro.
Hm, um ano não é grande coisa, né? Passa a correr. Ainda para mais se estou a trabalhar e os dias passam mais depressa do que consigo processar. A maioria dos casais que conheço tem mais de um ano de namoro, neste momento. Um ano é average, o checkpoint por onde passa qualquer relação "séria". Certo? Já tive outras relações que chegaram a esse marco.

Com um detalhe: pela primeira vez, nós não somos um casal. Estamos numa relação não-monogâmica ética que funciona com o consentimento de todas as pessoas afectadas. E por ser a minha primeira relação fora da conformação mononormativa, este aniversário não é um qualquer.

Um ano de poliamor. O primeiro aniversário da minha primeira relação poliamorosa.

E dizer isto por si só não chega.
Não é apenas o mesmo que dizer "fiz um ano de namoro, só que além de nós podemos estar/estamos com outras pessoas". Poliamor não é sinónimo de "muitxs namoradxs". A forma de estar no poli, como em qualquer outra relação, muda de pessoa para pessoa. E o impacto que descobrir esta orientação relacional teve em mim foi também único, e poucas pessoas o compreendem (conto pelos dedos de uma mão as que conheço e sei que passaram por algo semelhante).

Toda a minha vida fui confrontada com situações em que me sentia atraída, interessada ou até mesmo apaixonada por mais do que uma pessoa em simultâneo. Inclusive quando tinha namorado. Claro está que nunca falei disto a ninguém. Não é propriamente fácil, se considerarmos que estou inserida numa sociedade heteromononormativa e a mínima menção de desconforto com o facto de estar com alguém sem saber muito bem porquê era um gatilho para um chorrilho de julgamentos tais como "isso não é amar a sério", "tu fartas-te muito facilmente das pessoas" ou "isso é normal, é só uma fase, depois passa".

Sabes qual é a sensação de passares mais de dez anos da tua vida convencidx de que algo em ti não funciona bem e deves estar estragadx/ter um problema fisiológico/psicológico, só porque não te identificas com aquilo que te é vendido como "amor verdadeiro"? Sabes qual é a sensação de duvidares da tua própria capacidade de amar porque a forma como o fazes não é "normal"? E sabes qual é a sensação de teres noção de que não és normal, mas como não tens nome para aquilo que estás a sentir e mais ninguém à tua volta o sente ou partilha contigo não sabes como falar disso? Tudo porque não tens um nome, uma palavra, para chamar ao sentimento/situação. Tudo porque não conheces os nomes das coisas que são constantemente apagadas e invisibilizadas, tidas como aberrantes, anti-naturais e, em alguns casos, criminosas.

O meu actual companheiro foi a primeira pessoa a tirar-me esse peso dos ombros, a aliviar-me essa asfixia. Com essa pessoa, pude exclamar "Ah! Existe um nome para o que estou a sentir! Não sou a única!" - não me interpretes mal, no entanto. A primeira vez que vi a palavra poliamor, não sabia nada sobre o assunto e achei que era uma parvoíce que nunca poderia resultar - sabes qual é a sensação de estares tão convencidx de que se não sentes como é suposto sentir tens de te obrigar a sentir até conseguires ser normal? Sim, estava em auto-negação. Eu era a pessoa mais ciumenta que conhecia (qualquer ex-namorado meu pode confirmar as minhas crises de ciúmes).
Quer isto dizer que as minhas relações anteriores foram uma farsa? Wow, calminha lá. Longe disso. Precisamente por gostar tanto das pessoas com quem estava e achar que a ideia de namoro convencional como a única forma de namoro sério estava certa, sentia-me horrível por começar a gostar de mais alguém ao mesmo tempo e não aguentava continuar nessa relação.
Era excruciante estar com uma pessoa, gostar dela e de outra ao mesmo tempo, e não poder partilhar isso com ninguém porque... não era "suposto" isso acontecer. Era também excruciante não perceber o que se passava comigo, não perceber porque é que eu funcionava de outra maneira.

Até que um dia comecei a falar com ele, e pela primeira vez me foi dito que não existe uma forma correcta de amar. Não há uma check list de elementos que têm de existir naquilo que sentes para se poder chamar amor ou amizade, tal como uma relação íntima não se distingue nem se limita apenas por ter uma componente romântica associada a uma componente sexual. E por tudo isto, eu não estava "estragada" nem a "funcionar mal" - simplesmente não me identificava com a monogamia.
Tal como não há nada de errado com alguém que nunca se apaixonou, ou com alguém que ama a mesma pessoa há 30 anos e nunca se apaixonou por mais ninguém, ou mesmo com quem nem sequer tem interesse em ter relações íntimas nem sexuais nem românticas. Ninguém tem o direito de me dizer que o que estou a sentir está errado ou tem este ou aquele nome porque ninguém melhor do que eu própria sabe o que sinto.

E depois de me começar a conhecer melhor e aceitar-me a mim mesma como sou, coisas extraordinárias começaram a acontecer. Era como se tivesse esfregado dos olhos uma névoa teimosa e as coisas começassem aos poucos a ficar mais definidas e claras. Para chegar onde estou neste momento, passei por muitos momentos de dúvida, de auto-questionamento, de frustração, de sofrimento, de mudança, de adaptabilidade, de descoberta. Acho piada quando dizem "just be yourself" quando eu, para poder ser eu mesma, tive de mudar. Ainda estou nesse processo, ainda sou um rebento verde - e mais pequena me sinto quando penso nas relações poliamorosas que existem há décadas, com pessoas que trabalham arduamente para a visibilidade desta conformação relacional. E, ainda assim, é fantástico conhecer-me melhor do que nunca, e descobrir que consigo sentir compersão pelas companheiras do meu companheiro. Não vim dar numa de proselitista e pregar como o poliamor é superior às outras formas de relação - mas numa relação monogâmica nunca teria a oportunidade de fazer amizades com punaluas. E é aqui que, para mim, o poli diverge da descrição de uma simples relação romântica mas com várias pessoas - todas as pessoas que fazem parte da constelação da qual também sou parte têm relações diferentes umas com as outras. O que o meu companheiro tem comigo tem uma dinâmica diferente da que tem com outra companheira, assim como a minha relação com cada uma delas é diferente, da mesma forma que a maneira como elas se relacionam entre si é única de pessoa para pessoa. Para além disto, todxs lutamos para equilibrar diferenças de poder. Todos comunicamos e buscamos o consentimento de todos - e aqui entram estratégias de comunicação mais complicadas, porque não é fácil conciliar consentimento, com comunicação, com os limites de toda a gente. Aprendi não só a falar mais, mas melhor. Aprendi a distinguir os momentos em que é preciso comunicar dos momentos em que é preciso dar espaço. E continuo a aprender.

Para mim, ser poliamorosa não é apenas poder amar mais pessoas. É também poder amar de mais maneiras diferentes. É ter o poder de conhecer os meus próprios limites e dá-los a conhecer sem recear ser julgada, porque todas as partes envolvidas sabem que toda a gente tem necessidades diferentes. É respeitar e sentir-me respeitada, aceite, compreendida e amada de uma forma que nunca senti antes. É poder ter uma postura com que me identifico realmente sem ter medo de ser reprimida outra vez. É poder falar sem ter medo de ser silenciada. É poder sentir-me livre - porque para mim ser livre é poder escolher.

É, além de algo intrínseco, a minha escolha.

Um ano de ser mais eu. Um ano de ser mais feliz. Um ano de fazer aquilo que escolhi fazer.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

"Tanto Para Conversar" e Poliamor

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No dia 24/11/2014, passou na RTP2 um episódio do programa "Tanto Para Conversar" que juntou Júlio Machado Vaz e Gabriela Moita, dois dos maiores nomes da sexologia em Portugal, e Daniel Cardoso, do PolyPortugal, a conversar sobre poliamor e não-monogamias consensuais.

Vejam o vídeo aqui, comentem e divulguem!