terça-feira, 22 de Julho de 2014

Carta Aberta à ERC, Ordem dos Médicos, Associação CASA e canal MVM

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Considerando...
Que Manuel Damas se apresentou, no passado dia 16/07/2014, no seu programa “Sexualidades, Afectos e Máscaras”, nº. 31, transmitido no canal MVM, das 21:30 às 22:30, enquanto médico e enquanto sexólogo e que, a partir dessa posição, o mesmo fez afirmações que a) não apresentam sustentação científica ou são contra o state of the art científico que lhes diz respeito, b) são redutoras e patologizantes de uma minoria, aproximando-se do discurso de ódio, c) envolveram o apelo à auto-mutilação e, potencialmente, ao suicídio, contra os códigos deontológicos vigentes, tanto médico como para a Comunicação Social; apresentamos abaixo uma descrição detalhada dos eventos perante os quais vimos apresentar queixa pública:
  • Afirmou, à revelia do Manual para os Mídia sobre Prevenção do Suicídio publicado pela Organização Mundial de Saúde, à revelia do Código Deontológico da Ordem dos Médicos Portuguesa (no seu artigo 57º), e à revelia do Protocolo de Cooperação celebrado no presente mês entre a Entidade Reguladora para a Comunicação Social e o Plano Nacional para a Saúde Mental, Manuel Damas apresentou como alternativa a estar numa relação poliamorosa, “vamos cortar os pulsos, como nos filmes [...], cortar na longitudinal”, acompanhando esta afirmação de mimética de auto-mutilação e tentativa de suicídio;
  • Afirmou que o poliamor é um caso de “prostituição emocional” e que se trata de “prostituir os afectos”, empregando assim termos relativos ao trabalho sexual como insulto ou comparação pejorativa, que vão contra o trabalho feito na área do trabalho sexual realizado pela Associação CASA, da qual é Presidente da Direcção;
  • Afirmou, contra a investigação de ponta feita na área, que é impossível amar mais do que uma pessoa ao mesmo tempo;
  • Afirmou que as relações poliamorosas se baseiam todas, inevitavelmente, na exploração psico-emocional de pessoas com problemas clínicos de auto-estima e de dependência afectiva;
  • Afirmou que as relações poliamorosas são comparáveis a seitas religiosas radicais norte-americanas;
  • Afirmou que o facto de o número de poliamorosos auto-identificados ser relativamente pequeno (sendo que o número apresentado não corresponde sequer à realidade) era algo importante “para a estabilidade interna da população portuguesa”, já que o poliamor “faz mal à população”;
  • Afirmou que as pessoas poliamorosas são, pelo mero facto de estarem em relações poliamorosas, criminosas;
  • Afirmou que pessoas do sexo e género feminino que estejam em relações poliamorosas são “servas”, fazem parte de um “harém”, e que o facto de nelas estarem levanta dúvidas sobre se estão “no perfeito juízo e na posse das capacidades de análise”;
  • Afirmou que “a poligamia é mais decente” ao mesmo tempo que se afirmou um “verdadeiro defensor da igualdade de género”;
  • Afirmou que “não contribui para este peditório”, referindo-se a considerar, profissionalmente, o poliamor como algo válido e passível de fornecer experiências tão saudáveis quanto uma relação monogâmica, mas foi Padrinho da Marcha do Orgulho LGBT do Porto de 2009 (em que o grupo PolyPortugal fez parte da Comissão Organizadora), cujo Manifesto aborda explicitamente a existência de “relacionamentos amorosos responsáveis entre mais de duas pessoas”, demonstrando assim que ele já esteve, noutra ocasião, em movimentos que apoiam relações poliamorosas;

Vimos por este meio...
Exigir que as várias instituições directa ou indirectamente envolvidas na ocorrência ajam de acordo com os seus princípios e, acima disso, com o que se encontra legalmente e deontologicamente estipulado a nível nacional e internacional.
Para esse fim, vimos por este meio formalmente apresentar queixa e requerer:
  • Que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social averigue as ocorrências relatadas, intervindo em conformidade com as suas próprias directivas junto do canal MVM;
  • Que a Ordem dos Médicos averigue as ocorrências relatadas, intervindo em conformidade com as suas próprias directivas, junto do seu membro, Manuel Damas;
  • Que a Associação CASA, envolvida na produção do dito programa, se posicione publicamente face ao sucedido;
  • Que a Associação CASA, face ao exposto acima, apresente um pedido público de desculpas aos vários grupos e colectivos afectados;
  • Que a Associação CASA afaste o seu Presidente da Direcção, Manuel Damas, por crassa violação dos objectivos da mesma Associação, nomeadamente da “Universalidade do Direito à Felicidade” e da “vivência em plenitude dos Afectos, sem tabus nem estereótipos”;
  • Que o canal MVM, face ao exposto acima, apresente um pedido público de desculpas aos vários grupos e colectivos afectados;
  • Que o canal MVM garanta aos vários grupos e colectivos afectados, nomeadamente mas não limitado ao grupo PolyPortugal, o exercício do Direito de Resposta, tal como se encontra previsto na Lei de Imprensa;
  • Que o canal MVM se comprometa a emitir em condições semelhantes uma entrevista ou série de entrevistas a profissionais com a devida qualificação para apresentar diferentes visões, cientificamente fundamentadas, do tema.

As organizações signatárias
PolyPortugal
Poliamor - BA (Bahia - Brasil)
PortugalGay.pt
PortoGay
AEESMAE

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domingo, 22 de Junho de 2014

PolyPortugal na 15ª Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa

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O grupo PolyPortugal, enquanto parte da Comissão Organizadora da Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa, discursou no fim da Marcha. Fica aqui o discurso, para ser partilhado!


sábado, 14 de Junho de 2014

sexta-feira, 30 de Maio de 2014

O meu namorado e a namorada do meu namorado fazem 10 anos juntos

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Este é um texto sobre amor. Ainda assim, é capaz de ser um texto raro, daqueles que poucas vezes foram escritos antes. Pode-se falar do amor dos pais, do amor do casal amigo com 50 anos de casados, dos amores de verão, dos amores perdidos, dos amores desfeitos, dos amores tidos e deixados, até do amor do casal gay que finalmente ao fim de muitos anos se pode casar. Não se fala tanto dos amores partilhados, dos amores que não são nossos e ao mesmo tempo estão ligados a nós de uma maneira única. Dos amores a que assistimos na primeira fila, mas daqueles que nos transportam para a tela. Que têm algo a ver connosco.

Não há guião para escrever um texto como este.

Este texto não é sobre mim. É sobre o meu companheiro e a companheira dele que hoje celebram 10 anos de relação. Eu não posso contar a história deles. Essa, é deles para contar. Posso sim, contar uma outra história, aquela que vem através dos meus olhos e das minhas palavras.

A história começou muito antes de mim, já lá estava quando cheguei. Era uma história de diferença, de descoberta, de salvação, de dor e de encontro. Assemelha-se, nestes aspectos, a muitas. Em tudo o resto é diferente. 

Aprendi com eles muito do que entendo hoje por amor e companheirismo. Eles ensinaram-me que a família também é escolha. Que o lar são as pessoas que lá estão. Que é possível encontrar sanidade e segurança na loucura acompanhada. Que podemos namorar o nosso melhor amigo. Que podemos saber que ele não é nem nunca será tudo para nós e sabermos que é assim que deve ser. Que é possível ir buscar carinho do fundo da dor. Que a paciência quase infinita existe. Que mesmo depois de uma discussão se pode ir fazer o jantar para a pessoa com quem discutimos. Que há momentos em que devemos deixar o silêncio soar e outros em que é imperativo que falemos. Que quem amamos é livre. Que a liberdade é uma enorme responsabilidade. Que é possível tentar fazer o melhor para quatro ou cinco pessoas ao mesmo. Que é possível tentar mais uma vez. Que mesmo quando parece o fim, há mais fôlego ainda. Que as pessoas mudam. Que as regras que fazemos mudam connosco. Que a vida não é água estagnada mas um rio em movimento, correndo.

Não é simples explicar que relação é a que se forma com alguém que ama o nosso amor: cumplicidade, compreensão, partilha; mas também dor partilhada, saber dizer o que é preciso mesmo que magoe, saber dizer a verdade. Nem é simples explicar o que podemos aprender com isso. Vivo há quase dois anos com estas pessoas. Uma nova experiência partilhada, que só é possível agora porque é com eles. Foi preciso aprender ainda mais. Como partilhar uma vida em comum e saber onde está a vida privada de cada um. Como estar lá e saber dar espaço. Como saber quando se deve ajudar e quando se deve deixar respirar. Como saber quando somos precisos e quando sair. Como ficar lá quando está a ser difícil. Como discordar sem desistir.

Eu sei que tive a sorte de poder descobrir muita coisa com estas duas pessoas. Aprendi também com erros feitos antes de mim. Aprendi com a experiência que os dois construíram juntos e que também me deu inesperadamente algo a mim. Aprendi a conhecer a pessoa que amo também através da pessoa que o amava antes de eu o conhecer.


Como dizia António Variações - o amor não é o tempo, nem é o tempo que o faz - o que homenageio não são os anos que passaram juntos, mas sim os-todos-os-dias, os mil presentes, o terem visto o melhor e o pior nos olhos do outro e dizerem, ainda, agora, novamente: quero ficar.  

Mas o mais incrível é que eles decidiram partilhar com outros um pouco desta coisa maravilhosa que têm. Só posso estar grata por isso e dizer: parabéns pelo vosso caminho. Espero que continuem. E que saibam que podem contar comigo.

segunda-feira, 19 de Maio de 2014

O rescaldo da reportagem sobre poliamor na SIC/Expresso

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O Expresso Diário publicou um artigo, disponível a quem tem conta no Expresso ou outros sites do grupo Impresa, sobre os efeitos sentidos pelas pessoas que participaram na reportagem da SIC/Expresso postada em Abril.



Leiam aqui o artigo depois de fazerem o login: "Houve pessoas que preferiram usar o ódio para comentar uma peça sobre amor".

domingo, 20 de Abril de 2014

Poliamor no Podcast das Bichas Cobardes

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O novo episódio da rádio das Bichas Cobardes abordou o tema do poliamor numa conversa com Inês Rôlo, do PolyPortugal. A conversa andou em torno dos problemas e desafios ligados à visibilidade poliamorosa, ao cruzamento com o feminismo e também as consequências da reportagem SIC/Expresso sobre poliamor.

segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Poliamor no Jornal de Notícias

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Saiu hoje uma notícia no Jornal de Notícias sobre poliamor, na sequência da Tertúlia feita em Braga! Cliquem na imagem para ler!