quinta-feira, 29 de abril de 2010

Verdades absolutas

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Unique shapes: Allan McCollum
Eu confesso. Não resisto a ler qualquer coisa que inclua a palavra sexo. Sou o alvo perfeito daqueles anúncios que punham nas paredes da faculdade, com SEXO em letras gordas mas que depois se percebia que só queriam vender um estirador ou um computador velho. Não resisto sequer aos milhentos artigos de revistas femininas ou masculinas sobre sexo, e mais concretamente às considerações sobre o sexo oposto, prescritas como verdades absolutas. Dependendo dos dias, não sei se rir ou chorar da insistência na guerra dos sexos e da eternização dessa polaridade.


Hoje aconteceu-me uma dessas leituras irresistíveis. No final acabo sempre por me arrepender do tempo perdido, mas desta vez cheguei a surpreender-me com a abertura e até assertividade com que se diziam coisas cuja mensagem era "deixa-te de parvoíces e entrega-te ao prazer". Mas não há bela sem senão. Neste artigo com o título "10 erros sobre o sexo", parei num parágrafo que vale a pena reproduzir:
"6. Falar sobre o passado. Quanto às experiências dele com outras mulheres: os homens gostam sempre, eles não fingem orgasmos. Quanto às suas experiências anteriores, guarde-as para si, pois arrisca-se a desencadear-lhe dúvidas no caso de contar que vivia insatisfeita, ou, se tudo corria bem, sentir-se ameaçado."

Cada pedaço destas frases dava para um artigo inteiro. Um deles sobre verdade e honestidade. Mas detenhamo-nos apenas nesta coisa de cada pessoa achar que tem de ser a melhor na cama que a outra alguma vez conheceu ou imaginou. Tal como diria o brilhante Franklin Veaux nas suas FAQs sobre poliamor:
"Há muitas pessoas neste mundo. Se procurares o suficiente, vais encontrar alguém que é melhor do que tu em tudo. Vais encontrar pessoas que são melhores a cozinhar, melhores no sexo, a ler e escrever, a conduzir, e em tudo e qualquer coisa de que te consigas lembrar. Não podes ser o(a) melhor do mundo em tudo. Lida com isso."

Diria que este é, para algumas pessoas, um dos maiores obstáculos e dificuldades do poliamor. Lidar com a comparação. Todos precisamos de nos sentir especiais. E a verdade é que todos o somos. Essa é outra verdade incontornável. Todos fazemos alguma coisa de maneira diferente (sim, na cama também), todos temos as nossas características inigualáveis, apesar de comparáveis. Para mim todas as relações são diferentes e independentes. No limite, valem por si e em si mesmas. Mas comparar faz bem, e só em função do outro é que somos, não melhores nem piores, mas diferentes. Especiais.

1 comentário:

PauloRui disse...

ah ah ah! eu tambem caia sempre nessa dos assuntos com SEXO em letras grandes e depois era so para vender livros em segunda mao. ate que um dia me resolvi livrar de cds velhos e afixei o mesmo anuncio, com letras garrafais. Resulta na perfeicao. Saudacoes poly.