segunda-feira, 9 de novembro de 2009

"She's in parties": Sex parties e suas regras...

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A propósito da recente Intima Party e de discussões que provocou (o Facebook está ao rubro) lembrei-me de falar um pouco de sex parties e suas regras, do ponto de vista do consumidor habitual e exigente.

Podem argumentar: como é que sex parties (ou play parties, quando além de sexo são autorizadas práticas BDSM) podem ser on-topic num blogue sobre poly. Sim, poly não é necessariamente acerca de sexo. Mas a maior parte do que é sex-positive e que tem a ver com a expressão livre e responsável da sexualidade, não necessariamente associado a um papel num determinado "tipo" de relação, é um tema que pertence ao poly, sem sombra de dúvida.

Ora bem, o que é uma sex party, para começar? Uma sex party é um espaço onde se tentam criar as condições para que as pessoas se sintam seguras ao ponto de quererem ter ou considerarem a ideia de ter sexo, mais ou menos publicamente, conforme os gostos, com outras pessoas. Meter um grupo de pessoas numa sala e chamar a isso sex party geralmente nao chega. Por outras palavras, geralmente por inibições sociais, ou ainda, por causa dum sentimento de insegurança (muitas vezes bem realista), ninguém exprime publicamente os seus desejos sexuais que lhe passam na cabeça pelo momento. Por outras palavras ainda, é necessário criar mesmo essas condições para uma pessoa se sentir segura. Algumas dúvidas que têm de ser respondidas com algum nível de certeza são: "se eu disser não, esse não será mesmo respeitado?"; "há condições de higiene apropriadas? hmmm... este sofá tem umas manchas..."; "se eu for a esta festa, a minha privacidade vai ser respeitada?"; "o que acontece se alguém me tocar contra a minha vontade?".

Ou seja, para se organizar uma sex party, não basta alugar uma vivenda com meia dúzia de colchões e convidar a malta lá para casa. É preciso criar um espaço físico com certas condições (higiene, espaços com mais ou menos discrição, equipamento para sexo seguro, duches...) e, mais importante ainda, um espaço "cultural" em que os visitantes se sintam seguros física e emocionalmente. Sem os visitantes se sentirem seguros, não se pousa o copo da bebida quanto mais tirar roupa...

Fui buscar um conjunto de regras típico (das minhas amigas da lesbian sex mafia, mas podia ser outra coisa qualquer) para uma festa Sex+BDSM. Convido-vos a passar os olhos por ela e a pensar. Cada festa tem o seu próprio conjunto de regras, definido pela organização, mais ou menos estrito, e com que o público visitante mais ou menos se identifica. Geralmente exprime os desejos do público habitual duma determinada festa. Por exemplo há festas que limitam o consumo de álcool ou drogas, outras que não se chateiam minimamente com isso.

http://www.lesbiansexmafia.org/etiquette.html

Chamo a atenção para as regras que definem o espaço próprio de cada pessoa, em que há consentimento em cada passo, e em que tudo é implicitamente negociado sem ambiguidade. Chamo a atenção para o cuidado com a discrição. O safe sex obrigatório ou muito recomendado tem como background que há pessoas que têm dificuldade em negar sexo não seguro, e porque nenhum organizador com um pingo de sanidade quer que alguém diga que se apanhou uma maleita mais ou menos fatal ou incómoda na sua festa.

E por hoje é isto. Espero que vos seja útil e vos encoraje a organizar as vossas próprias festas. Eu tenho tido momentos muito felizes em tais festas e acho que são uma coisa muito positiva. Obrigada por lerem!

domingo, 8 de novembro de 2009

Amigos, amigos...

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Na passada quinta-feira o jornal Metro fez referência ao Poliamor no artigo "Amigos, amigos, sexo à parte".

Trata-se apenas de uma definição, seguida de referência ao site PoliamorPT. Mas parece que o tema é cada vez mais recorrente neste tipo de artigos mainstream.


sábado, 7 de novembro de 2009

A minha vida dava um post

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Aos sábados, este blog tem contado com a participação de muita gente amiga mas mesmo assim os convidados não têm chegado para as semanas.
Por isso, se alguém achar que tem uma história interessante para contar, ou uma opinião para dar, estamos à espera!


Aos Sábados este espaço está aberto a contribuições não só dos nossos convidados mas também de quem quiser escrever.

Envie o seu texto (entre 50 e 500 palavras) sobre poliamor para polyportugal@gmail.com.


Aceita-se propostas de bloggers com ou sem experiência poliamorosa.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Isso foi inesperado...

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"Se fosses um rapaz monógamo, e sem ninguém, provavelmente não teria aceite." - I.

Eu ouvi isto há pouco mais de vinte e quatro horas, e fiquei parvo. Então mas não costuma ser ao contrário??

Olha, parece que desta vez foi assim. E ainda bem!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Ainda sobre a falta de tempo...

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Ora cá está. A prova de que uma pessoa poly tem muito pouco tempo, é o podcast que ouvi hoje.
Cunning Minx, de quem aqui falei há três semanas, é uma rapariga tão ocupada que nem teve tempo de ir descobrir que raio de língua se fala num país chamado Portugal.
Mas a gente perdoa-lhe, e de boa vontade, porque a moça é gira, trabalha que se farta, e à pala dela temos tido visitas de leitores de todo o mundo.
Para quem não tem tempo de ouvir o podcast (como eu vos entendo!), cá vai a transcrição e tradução do que vos falo:

"E há também um novo blog, o PolyPortugal. É verdade. Estamos espalhados por todo o lado!! Há poliamor por toda a parte!
(Como quem diz... Qualquer dia ainda aparece um blog poly no Burkina Faso!! Awsome!!) Vou também disponibilizar um link sobre um post que foi escrito sobre eles... Está em espanhol, mas podem sempre utilizar aquilo do Google Translate"...

Na verdade fui eu que escrevi sobre ela, e por acaso até hablo español, só que neste caso era mesmo português. Mas quem sou eu para criticar... Só tenho é a aprender com ela, que consegue gerir tanta coisa! Ou então já arranjou o tal secretário, cujo único defeito é nunca ter provado um pastel de nata...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

porque sim....

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na semana passada falei aqui sobre independência emocional e a gestão (emocional) das relações.. tod@s temos as nossas dificuldades..

a este propósito, uma amiga, muito poli-céptica e firmemente monogâmica sequencial, afirmava que eu e eventualmente outras pessoas poliamorosas, tínhamos medo da ruptura. era por isso, garantia-me ela, que eu deixava que as minhas relações, em geral, não acabassem.

é claro que há relacionamentos em que a ruptura é inevitável e na minha vida já tive várias em que o único resultado possível era mesmo um corte definitivo. felizmente que foram poucas as situações que chegaram a esse ponto, sempre desagradável para tod@s @s envolvid@s. mas este facto não quer dizer que tenhamos medo da ruptura.

se calhar concordo com a minha amiga... talvez possamos mesmo dizer que não gostamos da ruptura, mas por esta representar uma perda irremediável de alguém que se ama e não por nos andarmos a esconder da realidade.

mas esta postagem levantou outra questão relacionada com a capacidade de assumirmos compromissos... outra amiga e ex-companheira de muitos anos acha que o poliamor é uma forma de podermos escolher com quem nos apetece estar a dado momento, assim evitando os "maus momentos", estando somente quando "está tudo bem"...

discordo desta tese... não acordo de manhã a pensar "hum, deixa lá ver com quem me apetece estar hoje... a aa está com o período, a bb está chateada com o marido, a cc está tpm, então vou jantar com a dd que começou um trabalho novo e deve ser boa companhia..." ... estamos com as pessoas porque as amamos, porque gostamos delas, simplesmente porque sim...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Família procura casa (ou «O Esquema»)

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Conversa telefónica em Setembro deste ano:

— Bom dia. Estou a ligar por causa dum apartamento T7, referência […].
— Bom dia. Estou aqui a ver. O apartamento tem as seguintes características: oito assoalhadas, blá-blá-blá e cozinha com 15 m². É uma família?

Hesitação por uma fracção de segundo. Será que legalmente uma família intencional é uma família? Será que o termo “família” é uma figura jurídica?

— Sim, somos uma família.


Nada a fazer, o tom é detectado.

— Uma família, pai, mãe e filhos?
— Porque é que quer saber?
— Porque a proprietária só quer famílias. Teve uma má experiência com estudantes…
— Não somos estudantes.
— Mas são um grupo de pessoas? Primos?
— Somos uma família. Três homens, três mulheres.

Pausa mínima.

— Três casais?
— Não, três homens e três mulheres.

Pausa de constrangimento? Estranheza?

— Pois, mas é que a proprietária quer mesmo uma família… hã… tradicional. Da última vez, deixaram-lhe a casa em muito mau estado, eu própria vi.
— Deixe-me tentar adivinhar. A proprietária quer, naturalmente, que lhe cuidem bem da casa. Talvez seja relevante saber que nós não somos adolescentes, somos todos adultos, profissionais — já um pouco impaciente —, lavadinhos…
— Bem, vou falar com a proprietária e logo digo alguma coisa na segunda-feira.

… … … … …

Escusado será dizer que a vendedora nunca mais disse nada.

Alterámos a abordagem. Passámos a ser mais pão, pão, queijo, queijo. Nada que impedisse um outro proprietário de nos dizer, assim que soube a quantidade de adultos que éramos:


— Não me agrada nada este esquema…

… … … … …

Mudámo-nos anteontem. E está-me a agradar imenso este esquema.