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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Dia de Metamores - 28 de Fevereiro

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Desde 2019, 28 de Fevereiro celebra o Dia de metamores. Esta data, escolhida pela NCSF (National Coalition for Sexual Freedom [1]), visa reconhecer e celebrar o conceito de metamor - uma parceria da nossa parceria -, comumente abreviado para “meta” [2]. O dia 28 terá sido escolhido a partir do dia de São Valentim (14/02), multiplicando-o por dois [3].


Assinalar este dia é importante, em reforço da ideia de que a nossa parceria amar outras pessoas é comum em Poliamor. Outras formas de Não-Monogamia podem ou não utilizar esta denominação.


Numa polécula, metamor tanto pode ser alguém com quem temos uma relação próxima ou alguém com quem não temos qualquer proximidade nem contacto.


O termo “metamor” ajuda a reforçar o conceito de que o amor não se divide, multiplica-se. O facto da nossa parceria amar outrem não diminui em nada o quanto nos ama a nós. Na nossa opinião, metamores permitem-se criar laços de cooperação e de coexistência positiva, em contraste com a competição frequentemente observada na monogamia.


Deixamos para referência (em Inglês) o website Minka Guides [2], que descreve 10 formas positivas de se ser metamor e um glossário [4] com definições comumente utilizadas, mas que podem variar com a experiência de cada pessoa.


[1] https://ncsfreedom.org

[2] https://minkaguides.com/metamour/

[3] https://lovingwithoutboundaries.com/2022/02/13/history-valentines-metamour-day/

[4] https://www.readyforpolyamory.com/polyamory-glossary

sábado, 4 de setembro de 2010

Ser Punalua

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Aqui há uns meses, largos meses já, uma das contribuidoras deste blog, a antidote, sugeriu que falássemos sobre os nossos amores-cunhados, ou, usando o termo que prefiro, punaluas. Não o fiz na altura, mas estou sempre a tempo, não é?
Eu vivo alegremente uma relação punalual, como costumo dizer, faz exactamente hoje 10 meses (e aproveito para dar os parabéns ao feliz casal!). E digo que vivo alegremente esta relação, porque é uma relação que me traz de facto muita alegria, compersion, e uma profunda sensação de cumplicidade. Tenho a indiscutível sorte de ser muito parecid@ com el@: partilhamos gostos, interesses e referências, identificamo-nos em tantos pontos que isso já se tornou piada entre nós os três. E isso ajuda, ajuda muito a lidar com uma situação em que podem sempre surgir inseguranças. Sim, porque isto não é perfeito, claro que não: qualquer um de nós pode ter, e já teve, momentos complicados. Como é que se lida com isso? Comunicação faz magia. E, no meu caso pessoal, lembrar-me do quanto gosto destas duas pessoas tão parecidas comigo. Lembrar-me que el@ é, de facto, a pessoa a quem escolhi chamar punalua.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Cunhadxs

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Vem aí o meu amor-cunhadx (love-in-law) passar um fim de semana cá em casa. Nao me vem visitar, precisa apenas de ficar aqui uns tempos mas já combinámos algumas borgas e conversas iluminadas por umas garrafas de branco-rasca. E vem com esse amor-cunhadx, a sua namorada, e outro significant-other, que sao logicamente os amores-cunhadxs de um dos meus amores. E estou muito feliz com esta chuva de amores-cunhadxs.

E hoje não tenho mais nada para escrever.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Punalua

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No seu livro sobre "A origem da Família...", Engels fala sobre um termo que alguns poliamorosos gostam de usar - punalua.

A família punaluana seria uma forma evoluída de modelo familiar - sendo que ele vai buscar o termo e exemplo a um costume havaiano - ainda dentro dos costumes de sociedades consideradas "bárbaras". É interessante ver como este modelo familiar tinha um traço fortemente matriarcal, já que, dentro destas famílias-grupo não era possível estabelecer a paternidade de uma determinada criança, mas era sempre possível estabelecer a sua maternidade. Este era um modelo de coabitação e cooperação em que os membros de um determinado grupo de homens se chamavam punalua entre si, e idem para cada determinado grupo de mulheres.

A análise de Engels leva-nos mais longe, analisando uma evolução nas estruturas familiares a par de progressos civilizacionais, e eis que chegamos ao modelo monogâmico.

Compreender este modelo é importante, creio, para termos uma perspectiva de quais as suas raízes. Porque se é verdade, como já referi várias vezes, que a monogamia pode ser praticada de uma forma igualitária e com respeito pelos direitos e deveres de cada indivíduo, é também verdade que só com a noção das raízes podemos começar a desmontar os processos de dominação que operam nessa esfera.

Diz-nos então Engels que a monogamia

"se baseia na supremacia do homem, com o propósito expresso de produzir crianças cuja paternidade não possa ser disputada; tal paternidade inequívoca é exigida pelo facto de que esses filhos serão, mais tarde, herdeiros daquele pai. [...] O direito da infidelidade conjugal também se mantém adstrito a ele, quanto mais não seja pelo costume [...]"

Vemos actualmente ainda muitas provas de como resquícios destas ideias se mantêm no século XXI. Os homens são, estereotipicamente, os traidores por excelência, os principais preocupados com passar o legado da família (quanto mais não seja, o nome da família, que é o nome do homem).

Ora, se como tenho abordado, é o fechamento da relação monógama que, a contrario, institui a traição, é também ela que retira a possibilidade de cooperação e inter-relação presente entre punaluas. Essa relação não existe dentro de um modelo estritamente monógamo, embora possa, ainda assim, existir dentro de alguns modelos de poliamor em que existe um fechamento das relações a um determinado conjunto de pessoas.

E isso deixa-me, por estranho que possa parecer - porque deveria ser indiferente, não? -, triste. Fico triste porque tenho assistido muito de perto ao quão bela e forte pode ser uma relação entre punaluas, e questiono-me sobre que visão terá a posição mononormativa sobre estas pessoas que resolvem assumir-se como punaluas, que resolvem gostar disso, que daí retiram prazer e compersion.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Compersion, Amor por ressonância

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é sempre bom, e sempre bom sentir que ainda temos over and over a capacidade de sentir a tal compersion, a tal alegria ressonante, ou alegria por ressonância, ficarmos felizes por o nosso amor, ou um dos nossos amores estar nos braços de um dos seus amores (E quem diz braços, diz outros membros, ou algemas, ou lençóis, ou....)...

Mas o que me passou agora na cabeça, é que o estado talvez ainda mais desejável que essa alegria excitada é aquele em que já não se nota diferença, em que simplesmente se passa, sem pensar no assunto, uma noite como outra qualquer. Porque não é preciso pensar no assunto.

Numa nota pessoal: Estou muito feliz por voltar a sentir compersion, ou amor ressonante, porque durante uma relação recente de contornos apenas marginalmente poly senti muitos ciúmes e comecei a perguntar-me se tinha a ver comigo ou se era especifico à situação. E a resposta é, a compersion está cá, como sempre esteve. Hurra!

sábado, 11 de julho de 2009

Um conto

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Vou contar um conto de descoberta da palavra “polyamory”.

Era uma vez um casalinho muito apaixonado. Esse casalinho, na altura ainda à moda antiga com menino e menina, havia já uns anitos antes decidido que essa coisa de exclusividade não era para ele. Tudo bem. Acontece ainda que a menina do casal começou a sentir que afinal gostava era de meninas, ainda que continuasse a gostar da outra metade do casal. Ora, o menino sempre foi muito curioso e pensou, “Pá, eu gostaria de aprender mais sobre isso de meninas que gostam de meninas e de meninos ao mesmo tempo.”
Infelizmente, 0s nossos heróis não conheciam ninguém que falasse dessas coisas. Os amigos e colegas ou só gostavam do sexo oposto, ou então estavam bem no fundo do armário. Havia até uma certa hostilidade de fundo acerca de 'fufas', 'paneleiros' e 'gilettes' por entre a malta conhecida. “Hum”, pensou o menino, “o melhor é ir à net e ver o que há para aí, afinal os newsgroups já me ensinaram muita coisa.”
Isto foi em meados dos noventa, altura em que a net explodia em Portugal.
O menino depressa aterrou no soc.bi, grupo muito fofinho e cheio de informação não só útil, como divertida acerca de bissexualidade. Aí o menino viu como havia gente que era bissexual e orgulhosa disso, gente muito positiva que apoiava quem vinha com dúvidas e gente que se organizava em grupos de apoio e reivindicação. O menino também ouviu muitas histórias de discriminação não só da sociedade em geral, mas da própria comunidade homossexual, mas isso é um outro conto. E vejam lá, um dia o menino discerniu um grupinho de gente no soc.bi que também estava noutro grupo, o alt.polyamory.
Esse grupinho, com múltiplas orientações sexuais, falava de relações amorosas com mais do que dois, vividas responsavelmente. O menino resolveu visitar esse tal de alt.polyamory, porque lhe pareceu cortado à sua medida. E foi aí que viu, gravada a ouro na parede da sua vida a palavra “polyamory”. Afinal já havia uma palavra que descrevia a forma como vivia com a sua menina, e melhor ainda, havia gente que falava disso sem medo e abertamente, e que falava de outras sexualidades. A grande revelação não foi a forma de viver, que já era conhecida do casalinho, mas sim as incontáveis variações possíveis, e a diversidade dos que assim viviam, e como essa forma de vida as aproximava.
E alegre por ter um nome para o seu viver, aliviado por saber que não estava sozinho no mundo, o nosso casalinho deixou de ser à moda antiga e passou a ser de geometria variável e viveu feliz para todo o sempre.
Fim!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Traduções, traições e palavras

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Quando eu descobri sites em inglês sobre polyamory, não descobri nada em português. Porque, espante-se, estava a procurar por "poliamoria".

Um dia, lembrei-me de procurar por "poliamor" - bingo. Depois acabei a conhecer mais pessoas e reparei, para minha consternação, que ninguém me sabia responder concretamente à dúvida sobre "qual a formulação correcta da palavra em português". Mais: pessoas diferentes utilizavam formas diferentes da palavra. Eu continuei a usar a versão "poliamor" (e "poliamoroso" para me referenciar a mim mesmo) - essencialmente por gosto pessoal, só porque "poliamoria" não me soava bem. Acabei até a tomar contacto com uma terceira versão: "poliamorismo".

Confesso que deixei cair a questão, e na minha cabeça traduzi todos os modos da palavra para "poliamor". Mas depois - há uma semana, mais coisa menos coisa - lembrei-me que daria um bom tema (?) para um post aqui. De modo que resolvi armar-me em linguista amador. Ou seja: se alguém discordar de mim, óptimo - manifeste-se!

Então, a ver vamos, que versão estará correcta?
Para responder a isto, perdi todos uns 60 segundos a olhar para a minha fiel "Nova Gramática do Português Contemporâneo", de Celso Cunha e Lindley Cintra.

Conclusões:
Para designar "a coisa" em si (ou seja, aquilo a que eu gostava de chamar "poliamor"), a forma mais correcta será poliamorismo.
Para designar uma pessoa que se reveja, pratique, ou afins, no poliamorismo, usa-se poliamorista.
O uso de poliamoria designará, apenas, eventualmente, o conjunto de poliamoristas, caso se considerem que formem um grupo (e.g.: cavalaria, burguesia).


Explicações:
Tudo isto radica na simples questão: O que significam os sufixos aplicados à palavra?
"-ismo" pode significar, entre outras coisas: a) doutrinas ou sistemas (artísticos, filosóficos, políticos, religiosos, etc); b) modo de proceder ou pensar.
"-ista" refere-se, entre outros sentidos, a partidários ou sectários de doutrinas ou sistemas (cujo sufixo é -ismo).
"-ia" pode significar uma noção colectiva.

Porém:
  • Não é o uso que estabelece a forma "correcta", na perspectiva de que a linguagem é um construto social cujas regras apenas existem a posteriori e como uma tentativa (sempre infrutífera) de estabelecer uma total uniformidade eficiente? E, nesse caso, qual é o uso que devemos considerar? Em português, parece-me que este tende para a versão "poliamor". (Id est, no Google temos ~33600 resultados para "poliamor" e menos de mil para "poliamorismo".)
  • Não poderemos até acabar a seguir uma via que produza uma palavra totalmente diferente desta, menos... híbrida? Ou será que isso é agora, por questões identitárias, pouco aconselhável, mesmo contraproducente?
Perguntas para as quais não tenho resposta. Convido-vos a criá-la comigo, connosco. Claro que esta pequena reflexão se debruça apenas sobre que palavras usar dentro de um conjunto limitado. Para outra altura ficarão algumas considerações sobre estas e outras palavras, noutros contextos - sem nunca deixar de lado a questão da nomeação e da identidade no processo público de reconhecimento intersubjectivo.

Foto roubada daqui.