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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Tertúlia "Poliamor e o questionamento da mononormatividade" - gravação e notícias

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A tertúlia anunciada há uns dias pode agora ser escutada por quem não pôde ir - ou, pelo menos, as intervenções iniciais - através deste link!

A tertúlia foi mencionada também na Rádio Universitária do Minho e, como podem ver abaixo, no Jornal Académico de Braga e no Jornal de Notícias!

Jornal Académico - 10 de Abril 2014

Jornal de Notícias - 14 de Abril 2014

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Marcha dxs Galdérixs – II

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Quero repegar no assunto da semana passada, como disse que ia fazer, avançando para o segundo ponto. Relembro:

2 – os ataques imparáveis, prévios e posteriores, nacionais e internacionais, ao conceito da marcha, ao que ela defende, à sua forma de execução; que vêm não apenas da ala tipicamente patriarcal, mas também, e especialmente, de várias alas de alguns feminismos

Existem vários exemplos de blogs onde se podem ler críticas feministas à SlutWalk (ou a SlutWalks específicas) – um famoso exemplo é este. Um exemplo ao nível de Portugal (ou seja, sem sofisticação, base conceptual ou desenvolvimento de ideias para além do insulto barato) seria este. [Tomem um momento para ler estes ou outros textos, a bem da contextualização.]

Estas críticas tendem a concentrar-se em dois aspectos fundamentais:

a) A palavra “slut” é irrecuperável, irreclamável, inapropriável – enfim, intocável.

b) A apresentação de mulheres vestidas de forma provocadora, sexy, erótica, etc., vem apenas servir para alimentar a visão objectificante das mulheres, e apresenta-las de acordo com um padrão heterossexista e patriarcal de desejabilidade.

Cito do primeiro exemplo:
“This is a word that has been used to hurt, shame, and abuse me. It is a word that has been used to hurt, shame, and abuse women everywhere. In order to silence them, control them, punish them and, of course, blame them. […]This word, as I have mentioned, has been used in a myriad of ways to hurt me. I have been called a slut for having sex, for not having sex, and for being coerced into sex. I have been called a slut by partners, by friends, and by acquaintances. I wish that this word did not hold the power it does. I wish that it had not been used to hurt and abuse me. But it has. There is no erasing that.”

Quanto a isto, em nada posso ou quero discordar. Mas o mesmo pode ou não aplicar-se à palavra “gay”, “fufa”, “queer”? E, no entanto, estas palavras foram repescadas por vários movimentos, em vários países, e são agora consideradas como fonte de empowerment para milhões de pessoas quando, anos antes, ninguém (dentro dos mesmos movimentos) as usava sequer. Ora, se a palavra “slut” não pode seguir o mesmo caminho, então terá que existir alguma característica da palavra que sirva para a distinguir das outras. Vejamos: “gay” é uma palavra violenta, usada para causar dano e excluir grupos de pessoas, com uma longa tradição de uso para fins discriminatórios, e tem como base um padrão normativo de género e sexualidade. A mesma descrição se pode aplicar à palavra “slut”. Também pertencem à mesma categoria gramatical… Ou seja, a diferença, para todos os efeitos, não existe.

Outra citação:
“I may well be, in theory and in life, the ‘ally’ of a self-described ‘slut’. But I am not about to call her one.”

Aqui, eu confesso-me perdido. A autora do texto recusa-se, portanto, a utilizar uma auto-identificação quando se dirige a outra pessoa? Qual é a retórica aqui? Negar-lhe o direito de ser reconhecida pela palavra que a própria pessoa terá escolhido para si? Isso é respeito pela identidade de alguém?... Não me parece, francamente. Mas parece-me haver aqui um silêncio forçado sobre a palavra, em que se recusa a sua utilização mesmo quando essa é a vontade da pessoa assim determinada, mesmo quando isso é feito com um propósito político. Há ainda um outro ponto a fazer sobre esta primeira parte da questão – quais são as consequências de afirmar uma palavra como sendo irrecuperável, inapropriável?
Bem, se a palavra-ferramenta de agressão que está ao serviço da cultura machista e patriarcal não pode ser de forma nenhuma re-significada (e não existe reapropriação sem re-significação), então isso quer dizer que, no caso da palavra “slut”, essa mesma cultura patriarcal tem um poder absoluto e inalienável sobre uma determinada ferramenta de agressão, e nada podemos fazer sobre isso. Podemos tentar silenciar ou banir o uso da palavra, claro, mas isso não iria contra a regra de que só a estrutura social patriarcal teria então o poder de dominar esta palavra.
Dizer que a palavra “slut” (ou outra palavra qualquer, já agora) é inapropriável, é reforçar e essencializar o domínio de uma cultura sobre essa mesma palavra – constitui em si um acto de submissão, ainda que limitado.
Por fim, acho que me cabe dizer que existe mais um motivo pelo qual a palavra “slut” é, de facto, apropriável: porque é uma palavra! As palavras não existem e não operam fora da sua apropriação por alguém – nem têm um ‘escudo Actimel’ que as proteja de outras interpretações, leituras, subversões, ironias, etc.

Passo agora ao ponto b), que trata da objectificação das mulheres quando elas afirmam a sua autonomia sexual, quando saem para a rua vestidas de forma sexy.
Outra citação, daqui:
“In the post 9/11 climate, the focus on a particular version of sex(y)-positive feminism runs the risk of further marginalizing Muslim women’s movements who are hugely impacted by the racist ‘reasonable accommodation’ debate and state policies against the niqab. […]I find that the term disproportionately impacts women of colour and poor women in order to reinforce their status as inherently dirty and second-class, and hence more rape-able.”

E daqui:
“Sluwalk does, in many ways, resemble the same kind of privileged, individualist, ‘anything goes so long as it’s my choice‘ feminism which argues that prostitution is simply a choice like any other (or ‘work’ like any other kind of work), that objectification can be empowering as long as we are choosing to objectify ourselves […]”

Sinto aqui um receio incrível de abordar questões que tenham que ver com sexualidades explícitas. E embora pessoas de etnias não-caucasianas e de religiões não-ocidentais sejam, de facto, especialmente vitimizadas por uma série de questões em torno da “sluttiness”, não deixa de ser verdade que elas parecem ser aqui convocadas para justificar um discurso que, depois, acaba por não as pensar directamente, acaba por não sugerir possibilidades de entrosamento e acção. Note-se que, por exemplo, um qualquer feminismo que afirme que a prostituição possa ser uma questão de escolha (e há que reparar que, nestes textos, tudo é tratado de forma absoluta, em função de um tudo/nada) será, automaticamente, conotado com pós-feminismo. Isto, quando a autora passa o texto todo a falar mal de quem fala mal do feminismo radical.

Mais: a possibilidade de as mulheres escolherem torna-se, aqui, um possível problema que tem que ser resolvido – ao que parece, é o corpo teórico do feminismo que tem que ditar às mulheres o que elas podem ou não podem fazer com os seus corpos.
Isto é também visível no exemplo português que dei acima. A figura da miúda transmontana é tratada como se o sistema que a oprime especificamente fosse, de alguma forma, separado ou alheio às questões debatidas e feitas relevar na SlutWalk. É também um texto que, contra si, reinstaura o insulto como insulto (“Galdéria é a tua tia, pá”) e articula-o de forma machista e que, ao dizer que o Manifesto da SlutWalk Lisboa não explicita o “não” da galdéria, falha a realização de que a galdéria é toda aquela pessoa que está em todas aquelas situações descritas no manifesto (e em muitas outras). Porque a galderice, como insulto, não surge das práticas, mas dos investimentos dados, cognitivamente, às práticas!

Outra questão: é aqui usada a palavra “objectificar” várias vezes, e de a SlutWalk representar uma forma de objectificação das mulheres pelas mulheres. No meu entendimento da “objectificação”, o sujeito não se pode objectificar (embora possa dar-se à objectificação, embora possa exteriorizar-se e, a partir desse ponto, objectificar-se) e, ao mesmo tempo, manter a sua vontade. Objectificação tem que ver com perda de vontade. Porém, a SlutWalk é a afirmação inequívoca da vontade, a afirmação inequívoca de que, independentemente dos comportamentos (que, percepcionados patriarcalmente, transformam qualquer mulher em “slut”, ou ameaçam fazê-lo), “NÃO É NÃO”.

Os corpos das pessoas que foram desfilar para a SlutWalk serviram para demonstrar aquilo a que o agressor NÃO tem direito. Aquilo que, ainda que veja (e vê apenas porque o deixaram ver) não está legitimado em fazer o que quer que seja. A objectificação é o oposto deste processo. As “sluts” desfilaram em vários estados de nudez (desde o estado quase-nu até ao estado está-calor-com-tanta-roupa) e com indumentárias também não-ocidentais. Porque todas estão em risco de ser consideradas “sluts”.

Ora, se todas elas estão em risco de ser consideradas “sluts”, isso quer dizer que existe uma dicotomia entre ser-se “slut” e “não-slut”. Essa dicotomia é, obviamente, mantida pelo status quo machista predominante. O que acontece se descolarmos obviamente a ideia de “slut” de qualquer padrão de comportamento? O que acontece se, ironicamente, procedermos à auto-atribuição do conceito de “slut” a qualquer mulher, a qualquer pessoa? A dicotomia é, por um lado, revelada na sua artificialidade e arbitrariedade e, por outro, fundamentalmente anulada. Querer fugir da palavra “slut” (independentemente da origem social, do comportamento sexual, da indumentária!) é arriscar a manutenção da dicotomia “slut” / “não-slut” – dicotomia essa que serviu para policiar e regulamentar os comportamentos sexuais, os comportamentos de vestuário e que, regressando ao fundamento da SlutWalk, que serviu tantas vezes para legitimar actos incomportáveis de violência, como a violação.

“Entonces me di cuenta que no hay nada que moleste más a hombres y mujeres machistas que una mujer presumiendo, y enorgulleciéndose, de lo puta que es. Sencillamente les jode. Y POR ALGO SERÁ.”
- Manifiesto Puta, Beatriz Espejo

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Marcha dxs Galdérixs - I

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No passado Sábado teve lugar, em Lisboa, a primeira SlutWalk Portuguesa. Podem questionar-se sobre o porquê de vir falar disto aqui, num blog sobre poliamor – considero o assunto particularmente relevante na medida em que, dentro do poliamor que está envolvido com aquilo que é conhecido como “promiscuidade” ou simplesmente não-monogamia, as pessoas poliamorosas são também, por definição, sluts. Interessa muito pouco, de resto, para as representações estereotipadas, que muitas pessoas pratiquem até formas de poliamor que nada tenham de não-monogâmico (no que toca a práticas sexuais) ou sequer de sexual – a promiscuidade, ou a galderice, a sluttiness não se encontra nas práticas específicas, mas sim na representação dessas práticas, na sua constituição como desvio face a um padrão. Padrão esse que, obviamente, não deixa de ser idealizado – não aconselho a ninguém pôr as mãos no fogo pela “pureza” sexual dos homens que o discurso patriarcal elogia e protege ou entroniza. A luta da SlutWalk não é tanto por formas específicas de vestir ou comportar, mas pelo fim de um padrão duplo, que diferencia entre o sujeito-mulher e o sujeito-homem. Pelo fim da violência de género (e, dentro desta, especificamente, pela violência sexual) que é constituída por este mesmo duplo padrão.



Duas coisas saltam à vista, na SlutWalk Lisboa, e que nos devem levar a reflectir profundamente sobre temas que ultrapassam até o âmbito da marcha em si:
1 – a fraquíssima comparência, face a marchas em vários outros países, e que não pode ser explicada (apenas) por diferenças na densidade populacional nas cidades anfitriãs de várias outras Marchas ao redor do Mundo;
2 – os ataques imparáveis, prévios e posteriores, nacionais e internacionais, ao conceito da marcha, ao que ela defende, à sua forma de execução; que vêm não apenas da ala tipicamente patriarcal, mas também, e especialmente, de várias alas de alguns feminismos.

Quanto ao primeiro ponto: não estou profundamente por dentro da forma como as marchas noutras cidades foram organizadas, embora esteja por dentro da forma como a marcha de Lisboa foi organizada (profundamente ou não, já não me sinto capaz de dizer). Porém, do que sei e do que li de outras marchas (e que, inclusivamente, constituiu um dos pontos de crítica), boa parte das organizações foram feitas fora dos típicos círculos de activismo feminista, foram feitas de forma extremamente descentralizada, pelo passa-palavra e por pessoas que, à partida, não iriam organizar uma marcha (algo semelhante à forma como o movimento da manifestação de 12 de Março começou).
Em Lisboa, o mesmo não é verdade. O movimento começou a organizar-se da forma menos hierárquica e autoritária que é possível executar dentro das limitações da Internet – e nisso foi um exemplo brilhante de organização pluralista, preocupada com a representação dos vários cruzamentos de realidades de discriminação e violência, um exemplo de variedade e argumentação feita entre pessoas, com respeito e consideração, de uma forma que é, ao mesmo tempo, enternecedora e rara. Ainda assim, e obviamente, houve um fórum de eleição (poderá não haver, sequer?) principalmente dominado por pessoas feministas (mulheres, outros géneros e homens, inclusive) e activistas. Que isto não constitua, de todo, uma crítica negativa! Este trabalho é fundamental, necessário. Mas não deixa de levantar questões: será que este pendor activista, académico (ao contrário do que circulava pelas más línguas, muitas das pessoas envolvidas têm efectivamente cursos superiores e/ou longos anos de activismo e de pensamento sobre questões relacionadas com o feminismo e outras áreas conexas) poderá ter afastado pessoas da marcha? Será que a SlutWalk lisboeta sofreu de um certo efeito de alergia externa a esta clara ligação com o activismo feminista em Portugal? O que afastou, afinal de contas, tanta gente desta marcha, e porque não conseguiu ela atrair a atenção daquele segmento da população que, tal como nos outros países, até foge do feminismo mas se conseguiu organizar em torno desta causa específica?
Sem dúvida que Portugal está especialmente atrasado face a questões de activismo político, de feminismo (do peso que a palavra comporta e, até, do quão ignorante o ‘cidadão comum’ parece ser sobre o que é o feminismo – ou o que são os feminismos, na verdade). Mas estará assim tão atrasado, será a diferença assim tão grande que nos outros países ela tenha sido grandemente anulada nos outros países mas não aqui? Honestamente, parece-me uma explicação por demais simplista, que reduz a um factor apenas (mau-grado ser este um factor complexo) esta diferença. É possível que se tenha assistido a um acidental “fechamento” sobre a comunidade activista, não um fechamento planeado ou sequer desejado, não um fechamento intencional, ou que sirva sequer para apontar dedos a seja quem for (volto a dizer, a organização do evento foi do mais horizontal que se consegue arranjar!), mas ainda assim um fechamento. As ‘mesmas’ ideias circularam pelas mesmas pessoas e a organização/dinamização do evento poderá ter-se transformado num discurso de dentro para dentro. No entanto, isto é apenas uma possível análise ou antes, uma hipótese – não estou sequer certo de ter razão, mas gostaria de deixar lançada a discussão, que acho absolutamente fundamental.
Um ponto secundário a este foi um certo processo de ‘invenção da roda’ – não houve, a um nível significativo, intercâmbio de experiências e inputs entre as várias organizações das várias marchas a nível internacional e a organização da Marcha de Lisboa – por conseguinte, arriscamo-nos a que muito do trabalho feito tenha sido um trabalho de re-criação ao invés de um trabalho de acumulação e refinamento das experiências passadas, que poderá eventualmente ter significado um empobrecimento parcial das reflexões e atitudes tidas durante todo este tempo – ou, dito de outra forma, um não-enriquecimento extra dessas mesmas reflexões e atitudes, em que se perde o contexto e trabalho previamente levado a cabo. Repito – isto não pretende ser uma crítica negativa à organização ou ao movimento, mas um momento (pessoal) de debriefing, de olhar para os resultados e para o processo retrospectivamente, reflexivamente, e procurar pontos a melhorar.

E, porque o texto já vai longo, o resto fica para a semana…

sábado, 11 de junho de 2011

Debate sobre Poliamor n(um)a Escola

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Olá. Sou finalista numa escola secundária do distrito de Braga, e os direitos LGBT, o Feminismo e o Poliamor são dos meus principais interesses. Este ano, tanto na disciplina de Sociologia (em que debatemos a questão de género e a questão da discriminação e das diferenças entre seres humanos e as suas relações) como na disciplina de História (onde nos são ensinadas as duas primeiras vagas do Movimento Feminista e a Revolução Sexual) decidi abordar, por diversas vezes, estes temas.

O que vos venho hoje aqui contar é sobre um pequeno debate que teve lugar na disciplina de História, sobre poliamor. Ao falarmos sobre a literatura existencialista, surgiu o debate sobre a relação entre Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir. Sendo grande fã de Beauvoir, decidi dar a minha opinião e falei da sua relação amorosa – uma coisa levou à outra e começou um debate bastante aceso sobre poliamor.


Apesar de ter 18 anos e já ter ouvido imensas coisas, fiquei extremamente chocada com a opinião de muitos jovens da minha turma quanto ao assunto. Frases como “o poliamor é como a prostituição, não ganham dinheiro mas…” e os típicos argumentos de que só se consegue amar uma pessoa e é impossível amar mais do que uma e que é apenas uma forma para esconder a traição, etc.

Existe uma enorme falta de tolerância mas o pior nem é essa falta de tolerância. É falta de vontade de aprender a tolerar. Porque, para além de não tolerarem e respeitarem os estilos de vida de outras pessoas, não se dão ao trabalho de entender ou de tentar perceber.

Tanto eu como outras colegas nos esforçámos para dar a entender um ponto de vista diferente e defender o poliamor como uma escolha legítima e alternativa à monogamia. Foram, porém, tentativas falhadas; foi “falar para as paredes”, pois as pessoas nem se davam ao trabalho de ouvir, apenas queriam defender as suas opiniões, que consistiam em afirmar que era uma falta de vergonha e uma forma de libertinagem e de fazer “sexo com qualquer um”.

Infelizmente não posso dizer que este (ou outros debates que ocorreram ao longo do ano lectivo sobre Feminismo, Direitos LGBT, Identidade de Género, etc.) tenham tido grande impacto na maioria das pessoas da minha turma. A maioria manteve-se com a sua mente fechada e preconceituosa. Mas houve algumas mudanças. Algumas pessoas, apesar de poucas, mudaram opiniões e tornaram-se mais tolerantes face a estes assuntos.

Ainda há um longo caminho até à tolerância e igualdade, mas acredito que conseguiremos lá chegar. São necessários mais debates e uma maior presença destes temas nas nossas escolas de forma a sensibilizar os jovens e promover uma maior igualdade.

Eu fiz a minha parte, mostrei novos pontos de vista às pessoas com quem convivo e tentei mostrar uma forma diferente de ver o Mundo. Espero que outros o façam também, pois este é um esforço de grupo e um objectivo para o qual temos de lutar todos juntos.

Boa sorte e vamos lutar pela igualdade e pela tolerância para todos!

sábado, 4 de junho de 2011

Arrumar a casa dói

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Para quem tem a ideia de que ser poliamoros@ é para gente descontraída, sem preocupações, que quer andar com tod@s à vontade e sem pensar, fica aqui este post construido à volta das dores de ser poli. Ou se quiserem, de amar e ser pessoa.

No último mês tenho vindo a pensar sobre como os novos envolvimentos d@s noss@s parceir@s se podem assemelhar muito a um processo de arrumação doloroso da casa. Explico: no último mês, o meu companheiro iniciou uma relação com uma nova fuck buddy. No nosso caso, isto implicou um processo que se iniciou com conversa: porque é que ele queria esta relação, o que é que eu sentia, que medos tem ele, que medos tenho eu, o que podemos fazer para lidar com esses medos, que medos sentimos que não vão dar para lidar com, que medos sentimos ser perfeitamente ultrapassáveis, que coisas precisa ele que eu faça para que corra bem, que coisas preciso eu que ele faça para que corra bem. E isto é apenas o início. Depois, primeiro encontro com essa nova fuck buddy. Lidar com as primeiras inseguranças. Repetir conversa. Descobrir novos medos que não estavam lá antes. Chorar. Roer as unhas. Voltar ao princípio. Novo encontro. Descobrir que está tudo bem. Os medos da conversa anterior afinal não tinham qualquer efeito. Amaldiçoar o facto de não ter percebido isso antes de ter chorado a noite toda. Sentir que de alguma forma acabamos a ficar ainda mais perto um do outro depois disto tudo (coisa que não me teria passado pela cabeça antes, mas que é verdade). Ter, finalmente, epifania.

Em que é que isto se assemelha a arrumar a casa? É aqui que entra a epifania. Durante este mês compreendi que tudo isto era como ter uma casa toda bonitinha, com os móveis exactamente no sítio onde os queremos, o conforto que sonhámos e os nossos livros preferidos à mão. E depois decidir que afinal queremos mais uma mesa mas não é simples de colocar no espaço. Então andamos às voltas em arrumações. Desesperamos a tentar que tudo volte a ficar bem. Arrastamos móveis e esperamos que tudo encaixe novamente. E se não encaixar? E se em vez de estarmos a tentar que tudo fique perfeito tentarmos que essa nova mesa/quadro/cadeira traga algo de diferente à sala sem a tentarmos condicionar? Agora que vejo isto escrito nem sei se faz muito sentido, mas foi uma coisa que me acompanhou nestas últimas semanas. Cheguei a dizer a chorar que queria gostar dos móveis e que preferia ver como eles tornavam bonito o espaço de tod@s nós em vez de os tentar encaixar de uma qualquer maneira perfeita que só resulta para mim.

Arrumar a casa dói. Amar dói. Arrastar móveis dói. Deixar as coisas fluir no seu próprio rumo, dói. Mas tudo isso parece pequeno quando sabemos que o queremos fazer e porque o queremos fazer.

Nota: De destacar que nada tenho contra gente feliz, despreocupada e que anda com todxs. Galdéria Ética em aprendizagem here. E sim, eu sei que a aprendizagem vai lenta.
Inês

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Um debate múltiplo

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Nesta passada quarta-feira teve lugar o anunciado debate sobre poliamor, na Faculdade de Letras. Isto depois de algumas pessoas se terem azafamado a arrancar os ditos cujos cartazes do debate das paredes da faculdade - uma demonstração clara do espírito académico de progressão intelectual e inovaçã........ ah, pois, não... nem por isso, não é?

Foram duas horas de intensa conversa sobre esta coisa do poliamor, que foi discutido de um ponto de vista pessoal, académico, religioso, sexual, etc etc etc.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Poliamor, mas só fora de CASA

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Manuel Damas é sexólogo (de uma faculdade de medicina, um caso acabado da scientia sexualis de que fala Michel Foucault) e, como se pode ver na sua página do Facebook, acusa os Portugueses de serem "analfabetos sexuais... e emocionais". É também o director do CASA - Centro Avançado de Sexualidades e Afectos. Este centro surge "com o intuito de denunciar todas as formas de discriminação e, acima de tudo, de lutar pela Universalidade do Direito à Felicidade", constando da sua Carta de Intenções "combater todos os actos discriminatórios".

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Pensar para a frente

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O poliamor é algo que se pode considerar recente. Apesar de livros como o Polyamory in the 21st century fazerem uma genealogia de variadas práticas de não-monogamia responsável que datam de bastante antes da invenção da palavra 'poliamor', a verdade é que o poliamor não é apenas uma nova palavra engraçadinha para algo que já existia há muito tempo atrás. E apesar de se ver o poliamor como uma série de práticas diferenciadas entre si (sendo que as práticas mais contrastantes poderão ser a de uma relação efectivamente 'aberta' e uma relação em regime de polifidelidade), também é verdade que há exclusões e medos a serem levados a cabo. Isso leva algumas pessoas a pensar no que estará para além do poliamor, a sentirem-se constrangidos pelas limitações de algumas visões sobre o que é o poliamor.

Uma dessas limitações poderá ser, efectivamente, um certo receio em abordar a questão do sexo. Esse receio vem, claramente, de um medo bem-intencionado.
Se aceitarmos que o poliamor tem influências claramente feministas, se aceitarmos que o poliamor é feito, pensado e (às vezes) vivido tendo em conta preocupações com a questão da igualdade de género, então será relativamente fácil de entender como isto se verte numa preocupação com uma visão machista, patriarcal, que procura transmutar o poliamor numa mera busca por sexo (em que manipulação, mentiras e objectificação entram como personagens principais). Desde o princípio do conceito que há uma procura por afastar do poliamor a discussão sobre o sexo e o comportamento sexual. E eu concordo, claramente, que o comportamento sexual está longe de ser a faceta mais importante do poliamor - por outro lado, a preocupação quase obsessiva com o falar sobre sentimentos e em cima disso tentar afastar tudo o resto já me parece extremamente interessante!

Não sei se considerar o poliamor passé é a melhor forma de abordar a questão. Creio que ainda há um potencial muito grande de evolução para ser feito. Isso não nos impede de pensar para a frente. Mas pensar para a frente também não será trazer de volta ou centralizar o discurso sobre sexo. Antes, pensar em frente deve ser pensar de forma inclusiva. Não serve de muito procurarmos ou reivindicarmos uma postura inclusiva do geral da sociedade se depois nos afastamos dessa postura quando tomamos a palavra. Há uma série de discursos que podem formar sinergias fundamentais com o poliamor: o discurso queer, o discurso feminista, o discurso étnico, o discurso económico-político pós-capitalista, o discurso do safer sex. Temos que adicionar a esta lista o discurso da promiscuidade. Temos que entender que linhas de entendimento permitem a liberdade de comportamento sexual responsável a par de uma ou mais relações amorosas. Temos que entender que os lugares dentro dos quais circunscrevemos o sexo são arbitrários, mutáveis, e podem ser encarados de formas diferentes (diferentes da maioria, diferentes da minoria, diferentes de ambas as coisas). E, já agora, que definir sexo pode ser mais complicado do que parece...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Poliamor e sexo

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Qual a relação entre as duas coisas? Quais as relações que se estabelecem, normalmente, entre estas coisas?

Será que os grupos poliamorosos estão preocupados com serem diferenciados de coisas como o swing, ou os grupos orgiásticos? Porquê? Com que vantagens e desvantagens?

Já agora, deixo uma leitura...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A vida é simples? Not really!

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Ainda há quem acha que a vida é simples, e nós é que a complicamos, especialmente com esta coisa do poliamor.

Mas olhem lá como, com um bocadinho de esforço, complicamos ainda mais!


Compreendo que, com tanta complicação, não dá para ver bem a imagem. Portanto, aqui fica o original, para vosso prazer visual! Cortesia do grande Franklin Veaux!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Amizades

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Intimidade. A amizade tem que ver com intimidade. A amizade tem que ver com amor. A palavra está lá, um bocadinho escondida... mas está.

Ouço dizer, à boca cheia, que as amizades têm que ser protegidas (do sexo, entenda-se). E que só assim é que se salvam as amizades. De contrário, as pessoas confundem tudo. Mas porquê? A confusão vem de se ultrapassar essa barreira arbitrária? Ou de pormos em jogo, por questionar, pressupostos sobre o bom sexo e o mau sexo? O bom carinho e o mau carinho?

Não pode um (ou dez) orgasmo(s) ser(em) (apenas????) uma demonstração de carinho? Quem traça a linha do sexo?

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Mutatis mutandis...

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"Eu reclamo a independência da mulher, o seu direito a sustentar-se a si mesma; a viver sozinha; a amar quem quiser, e quantos quiser. Eu reclamo liberdade para ambos os sexos, liberdade de acção, liberdade no amor e liberdade na maternidade” - Emma Goldman, 1930

E agora, mais de oitenta anos depois, uma mulher ainda é mal vista e insultada - por outras mulheres! - por gostar de fazer sexo, ou por se apaixonar, com/por mais de uma pessoa.

E a monogamia ainda é Lei.

E ainda há pessoas que querem casar.

Porquê?

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Biologia e confusões

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Ontem, uma pessoa chamou-me a atenção para um artigo na Scientific American, que vale a pena ler. Este aqui.

Quero fazer alguns comentários. Como não podia deixar de ser!



Primeiro, o artigo bem que podia começar pelo quarto parágrafo. Sim, aquele que é suposto ser "uma tangente" ao tema em questão. Há uma boa quantidade de discurso poliamoroso que procura entender o "porquê" de se ser poly olhando para a não-monogamia dos animais, como forma de justificar a não-monogamia humana. Não vejo o interesse. O mesmo é feito com a homossexualidade, de resto. Não vejo o interesse.

sábado, 21 de agosto de 2010

Poly Girls On Queer Unite

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"Agora, ao contrário, estamos em casa. Mas o em-casa não preexiste: foi preciso traçar um círculo em torno do centro frágil e incerto, organizar um espaço limitado. (…) Eis que as forças do caos são mantidas no exterior tanto quanto possível e o espaço interior protege as forças germinativas de uma tarefa a ser cumprida, de uma obra a ser feita. Há toda uma actividade de selecção aí, de eliminação, de extracção, para que as forças íntimas terrestres, as forças interiores da terra, não sejam submersas, para que elas possam resistir ou até tomar algo emprestado do caos através do filtro ou do crivo do espaço traçado. (…) Agora, enfim, entreabrimos o círculo, nós o abrimos, deixamos alguém entrar, chamamos alguém, ou então nós mesmos vamos para fora, nos lançamos. Não abrimos o círculo do lado onde vêm acumular-se as antigas forças do caos, mas numa outra região, criada pelo próprio círculo. Como se o círculo tendesse a abrir-se para um futuro, em função das forças em obra que ele abriga."

Começa quando fechas a porta do quarto para poderes ouvir a tua música. A música é instrumento da tua territorialização. Por exemplo, o ostinato da equipa de futebol proclamando "Ahhh Portugal olé, portugal olé, portugal olé, portugal olé" e demarcando as fronteiras. Ou "First I was afraid I was petrified" ou "A formiga no carreiro vinha em sentido contrário". O som afirma-nos, é o nosso canto específico, anunciando à passarada a música da nossa territorialidade.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Animalesco

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Foi, aqui há uns dias, caracterizado de "animalesco" o meu comportamento.

Animalesco porque tenho uma relação com duas mulheres simultaneamente, com o consentimento delas, com a anuência de todas as partes envolvidas e que, até agora, tem estado a correr maravilhosamente bem. Tenho problemas em admitir, apesar de O Aberto, que se possa simplesmente elidir desta forma diferentes tipos de comportamento. Até porque o dicionário mostra que o uso informal da palavra aponta para significados ainda menos simpáticos do que o académico presente em O Aberto - e eram esses certamente que estariam na mente da pessoa que fez o comentário - neste caso, o meu progenitor masculino.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Tertúlia sobre "Poliamor, Promiscuidade e Homossexualidade"

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Como tinha mencionado há uns dias, participei numa tertúlia organizada pelo Núcleo LGBT da Amnistia Internacional.

Algumas coisas interessantes que me ficaram de lá:

  • Não, de facto o poliamor não é uma orientação, mas é transversal a qualquer orientação;
  • O poliamor pode estar ligado a uma maior promiscuidade, mas isso nem sempre acontece, e não é, por si só, mau;

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Homossexualidade, Promiscuidade e Poliamor

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Este é o nome de uma conferência/tertúlia/debate em que irei participar, como representante do grupo PolyPortugal. O convite foi estendido pelo Núcleo LGBT da Amnistia Internacional, e será na sua sede a tertúlia, que começa às 15 horas de amanhã, Sábado.

A informação está num pdf, aqui.

Convido toda a gente a estar presente. Reproduzo abaixo o e-mail de divulgação do evento feito circular pela organização.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Tertúlia: “Homossexualidade, Promiscuidade e Poliamor”

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Tertúlia/Debate: “Homossexualidade, Promiscuidade e Poliamor”.

O Núcleo LGBT da Amnistia Internacional convida-te a participares na discussão em torno destas temáticas. Os homossexuais são mais promíscuos que os heterossexuais? Fazem mais sexo? São menos atreitos a relações estáveis? Estão mais disponíveis para relações abertas ou poliamorosas? E, afinal, o que é isso do Poliamor? É uma orientação sexual? Todos os poliamorosos são homossexuais? Poliamor significa o
mesmo que poligamia? Estas e outras questões igualmente interessantes serão abordadas neste encontro, no qual contaremos com a presença de um elemento do colectivo Poly Portugal, que nos irá, certamente, esclarecer todas as dúvidas que tenhamos sobre esta forma de encarar as relações sentimentais. Aparece!!

Organização: Núcleo LGBT da Amnistia Internacional.

Data: Sábado, 1 de Maio de 2010, pelas 15h.

Local: Sede da Amnistia Internacional: Av. Infante Santo, nº. 42, 2º. Andar. Lisboa – Alcântara. (Autocarros 720 e 738; o 15, 28, 732 também param perto, na Av. 24 de Julho, cumprindo, apenas, que se suba aInfante Santo; Comboios: estações de Alcântara-Mar e Alcântara-Terra).