terça-feira, 14 de julho de 2009

Conta-me como foi

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Aos 10 anos, N. passou quinze dias de umas férias de verão em casa de uns primos. Por qualquer razão, os pais deles nunca estavam em casa. N. viu-se assim sozinho com um primo e duas primas, tudo miudagem com 9 a 12 anos.

A., o rapaz, perguntou-lhe logo na primeira ou segunda noite se já tinha feito sexo alguma vez, para grande espanto de N.. Que não, claro. Mas gostaria de experimentar? É que ele e as irmãs faziam.

Todo um mundo novo se abriu a N. naquelas duas semanas: o sexo, a estranheza de ver duas raparigas em GG rubbing sem perceber que prazer podia aquilo dar, a descoberta do penis fencing e de outras práticas que ia inventando ou aprendendo, e ainda os water sports involuntários, convencido de que estaria a experimentar o primeiro orgasmo (uma prática a que talvez pudesse chamar-se cave diving).

Tudo foi feito sem noção precisa de quanto daquilo seria invulgar ou mesmo condenado pela sociedade: incesto, homossexualidade, kinky, "poli"…

Hoje em dia, N. identifica-se como poliamorista. Poderá haver alguma relação entre a primeira experiência sexual ser poligâmica e uma identidade poliamorista? Parece-me, sinceramente, um total absurdo que se possa fazer essa ligação. Mas essa questão já foi efectivamente colocada a N..

Nem vale a pena argumentar que a primeira experiência sexual de N. foi certamente muito anterior, e terá sido provavelmente masturbatória. As pessoas esquecem-se da infância mas a verdade é que geralmente quando eram crianças, antes de perceberem que a masturbação faz parte daquelas práticas secretas e supostamente apenas adultas a que os crescidos chamam "sexo", sabiam obter prazer sexual sozinhas.

Mas, mesmo que tivesse sido esta a primeira experiência percebida como "sexual", o salto lógico parece-me gigantesco. Poucos homens haverá na nossa sociedade que não tenham já fantasiado uma ménage à trois. Não é seguramente por isso que têm qualquer tipo de propensão para o poliamor.

Não consegui descobrir na Web nenhum estudo sério que estabeleça correlação entre o género do primeiro parceiro sexual e a orientação sexual, ou entre as práticas sexuais do primeiro encontro e as fantasias ou práticas seguintes. Talvez um estudo desse tipo pudesse acrescentar aqui um ponto de vista, por analogia. Fico à espera que os activistas, psis e curiosos que lêem o Poly Portugal comentem, com links. :)

Nota 1: GG rubbing e penis fencing são os termos usados pelo primatólogo Frans de Waal, num artigo publicado em 1995 na Scientific American, para designar actos de esfrega vulvar ou peniana entre os bonobos (primatas fascinantes que, juntamente com os chimpanzés, são os animais mais próximos do Homo sapiens).
Nota 2 (em jeito de disclaimer): Este artigo não tem obviamente nenhuma relação com a série da RTP Conta-me como foi nem com o original Cuéntame cómo pasó. O título e a foto foram retiradas à má-fila do site da RTP (clicar na foto para ir lá parar).

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Mononormatividade

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Assumo que, apresentações feitas e meia dúzia de artigos saídos, os leitores e/ou seguidores do blogue tenham já uma ideia formada do que se passa aqui. Assumo que, se muita gente vai aterrar aqui por acaso, e terá de navegar nos links ali ao lado para perceber em que utopia é que veio parar (processo que esperemos não dure muito tempo), outros saberão bem ao que vieram.

Dito tudo isto, esta posta hoje é sobre uma das minhas palavras favoritas: mononormatividade. (a palavra foi inventada primeiro como slang, e pegou como "exagero" ou superlativo de "normativo") Ou seja, todos os mecanismos que fazem com que nos comportemos de maneira pré-formatada... é a pressão social que nos diz que ser gay ou não monogâmico é errado, é a pressão que faz com que não vamos trabalhar de calções, mesmo que isso não afecte a nossa competência, ou não dizer ao chefe que não somos do Benfica, é tudo o que nos impele para um sentimento de minoria que se livraria de sarilhos se passasse a ser maioria, ou que, no caso de não impelir, nos tornam eventualmente alvos de discriminação (não se pode mudar a raça, a nacionalidade, a idade, por exemplo..).

Reparem que, atabalhoada como poderá ser a minha explicação, mononormatividade não é a mesma coisa que discriminação, embora mononormatividade quase sempre seja discriminatória..

Mononormatividade é algo muito intrinsecamente poly (vou a partir de agora chamar poly a tudo que seja Nao Monogamia Responsável, ok?). Nao só poly é contra as convenções sociais (e muitas vezes contra leis), como não há uma maneira única de ser ou pensar poly. Há talvez alguns arquétipos, algumas configurações mais frequentes, mas precisamente o assumir de um modo de vida em que a sinceridade (consigo próprio e outros) está acima da monogamia torna as coisas menos binárias, menos estanques e mais fluidas.

Mononormatividade é um tema muito vasto e hoje quero deixar-vos apenas os acepipes como entrada, e mais para a frente e conforme o vosso interesse podemos pegar ou aprofundar outros aspectos..

Um dado interessante e que é um bom ponto de partida, é que mesmo pessoas que não vivem poly, mas que não encaixam no modelo do casal monogâmico, são encaradas com desconfiança. As constituições dos países ocidentais, têm, desde há relativamente pouco tempo (80 anos), explicitamente passado a mensagem que a base da sociedade é a família e não mais o individuo (Comparem as primeiras constituições europeias de há +180 anos com as de agora).

Pessoas que vivem sozinhas, e felizes (Quirky Alone), são vistas como doentes ou uma excepção à ordem universal, ou mesmo um perigo para a sociedade. Mecanismos como o swing ou a neo-monogamia, com tudo o que têm de libertário, começam a ser bem vistos apenas desde que não haja envolvimento emocional e o casalinho original se mantenha intacto.

Criticas, construtivas ou não, feitas ao casamento tal como ele é, são anátema para muitos políticos (ex: Deputada critica casamento) que preferem nem se meter nisso. Evidência histórica que o casamento já foi uma instituição diferente, ou que houve outros contractos sociais paralelos (ver Affrérements ou casamentos entre homens na Península Ibérica até ao séc. XI) com diferentes papeis, e expectativas, é sistematicamente "esquecido"... Algo que cheire a "promiscuidade" é sempre o culpado dos tremores de terra, epidemias, e um par de botas, em vez de se procurar as verdadeiras causas e actuar sobre elas... Mas pular a cerca nunca será uma causa de tremores de terra, porque não conta como promiscuidade, não ameaça o par original..

Prometo então continuar a falar não só de Nao Monogamia responsável, mas de tudo o que seja sex positive, mesmo que não seja do meu agrado, simplesmente por ser sex-positive ou simplesmente libertário. Entendo que ninguém, nem Estado nem vizinhança, tem o direito ou sequer o capricho de interferir no que dois (ou três, ou vinte) adultos consentâneo fazem uns com os outros, por uma noite ou por uma vida inteira. Por outro lado, é contra os pilares de uma sociedade que se diz livre, inclusiva e diversa, que tal interferência, por Estado ou vizinhança ou empregador aconteça. Ficou claro?


Obrigada por lerem, e agradeço os vossos comentários e perguntas.

domingo, 12 de julho de 2009

4ª Marcha do Orgulho LGBT do Porto: entre a Família-Fortaleza e Charles Fourier

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O manifesto da ontem realizada 4ª Marcha do Orgulho LGBT do Porto apela ao casamento civil para tod@s, ou seja, ao direito dos indivíduos do mesmo sexo a adoptarem valores familistas, mas articula isso com o apelo ao reconhecimento de modelos familiares alternativos. Equilibra o desejo de adesão a um universo binário de 'respeitabilidade burguesa' com a dessacralização desse universo, salvaguardando a crítica ao familismo.
O familismo assenta numa representação do casamento (em Portugal, monogâmico e maximamente 'proprietário') como o vínculo social básico, a par com a parentalidade. Propõe o modelo da ‘família-fortaleza’- uma estrutura poligâmica ou monogâmica, 'alargada' ou 'nuclear'. Caracteriza-se pela hierarquia e promoção da ajuda inter-membros à custa da redução da autonomia individual. No interior da 'fortaleza' o poder distribui-se de acordo com o sexo e a idade: o homem, marido, é cabeça-de-casal e ganha-pão; a(s) mulher(es), esposa(s), cuida(m) de tod@s e coloca(m) as necessidades próprias em último lugar; filhos e filhas são obedientes e dependentes de pai e mãe(s). Os adultos activos dominam os restantes membros e responsabilizam-se pela sua educação e/ou apoio.
A família-fortaleza cria um espaço claustrofóbico que propicia o abuso de poder e a violação de direitos. No seu interior acontece a violência doméstica, tipicamente exercida pelo marido contra a(s) esposa(s); acontece o abuso de menores por familiares adultos, que constituem a categoria mais comum de abusadores sexuais de menores. Desde o ‘home-schooling’ ao ‘cárcere privado’, os membros, sujeitos a pressões, perdem, mais ou menos gravemente, a privacidade e autonomia.
Mas o sentimento de responsabilização de tod@s por tod@s (‘um por todos, todos por um’) também pode ser visto como aconchegante e até como cada vez mais necessário face a um exterior crescentemente hostil, onde grassa o desemprego, pobreza e desinformação. E a família-fortaleza é, nalgumas sociedades, o apoio mais importante, se não único, de crianças e seniores.
A população LGBT portuguesa vive numa sociedade duplamente agressiva. Além dos problemas da imensa maioria da população hetero, os LGBT jovens ou seniores, em especial, correm risco de suicídio aumentado pela solidão e/ou falta de apoio; a esse risco acresce, em todas as idades, o de doenças mentais socialmente induzidas - sobretudo sobre aquel@s LGBT que contrariam os códigos de aparência. Em suma, os LGBT precisam, ainda mais que os hetero, do suporte emocional e pragmático que ainda hoje a estrutura familiar dá. E isso implica um regresso à família-fortaleza? Talvez não.
As ideias de Charles Fourier (1772-1837) eram o tema original deste post. Fourier imaginou um modelo de família centrado no poliamor (hetero e homo), na livre escolha, na partilha de objectivos e interesses e, sobretudo, na criação de estruturas de apoio (inclusive sexual) aos membros desfavorecidos. O Manifesto da Marcha de ontem termina com: ‘Na felicidade e na dor, o que faz a família é o amor’. Ele subscreveria essa frase.
No próximo Domingo veremos se as ideias de Fourier podem ou não inspirar o manifesto da Marcha de 2010.

sábado, 11 de julho de 2009

Um conto

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Vou contar um conto de descoberta da palavra “polyamory”.

Era uma vez um casalinho muito apaixonado. Esse casalinho, na altura ainda à moda antiga com menino e menina, havia já uns anitos antes decidido que essa coisa de exclusividade não era para ele. Tudo bem. Acontece ainda que a menina do casal começou a sentir que afinal gostava era de meninas, ainda que continuasse a gostar da outra metade do casal. Ora, o menino sempre foi muito curioso e pensou, “Pá, eu gostaria de aprender mais sobre isso de meninas que gostam de meninas e de meninos ao mesmo tempo.”
Infelizmente, 0s nossos heróis não conheciam ninguém que falasse dessas coisas. Os amigos e colegas ou só gostavam do sexo oposto, ou então estavam bem no fundo do armário. Havia até uma certa hostilidade de fundo acerca de 'fufas', 'paneleiros' e 'gilettes' por entre a malta conhecida. “Hum”, pensou o menino, “o melhor é ir à net e ver o que há para aí, afinal os newsgroups já me ensinaram muita coisa.”
Isto foi em meados dos noventa, altura em que a net explodia em Portugal.
O menino depressa aterrou no soc.bi, grupo muito fofinho e cheio de informação não só útil, como divertida acerca de bissexualidade. Aí o menino viu como havia gente que era bissexual e orgulhosa disso, gente muito positiva que apoiava quem vinha com dúvidas e gente que se organizava em grupos de apoio e reivindicação. O menino também ouviu muitas histórias de discriminação não só da sociedade em geral, mas da própria comunidade homossexual, mas isso é um outro conto. E vejam lá, um dia o menino discerniu um grupinho de gente no soc.bi que também estava noutro grupo, o alt.polyamory.
Esse grupinho, com múltiplas orientações sexuais, falava de relações amorosas com mais do que dois, vividas responsavelmente. O menino resolveu visitar esse tal de alt.polyamory, porque lhe pareceu cortado à sua medida. E foi aí que viu, gravada a ouro na parede da sua vida a palavra “polyamory”. Afinal já havia uma palavra que descrevia a forma como vivia com a sua menina, e melhor ainda, havia gente que falava disso sem medo e abertamente, e que falava de outras sexualidades. A grande revelação não foi a forma de viver, que já era conhecida do casalinho, mas sim as incontáveis variações possíveis, e a diversidade dos que assim viviam, e como essa forma de vida as aproximava.
E alegre por ter um nome para o seu viver, aliviado por saber que não estava sozinho no mundo, o nosso casalinho deixou de ser à moda antiga e passou a ser de geometria variável e viveu feliz para todo o sempre.
Fim!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Traduções, traições e palavras

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Quando eu descobri sites em inglês sobre polyamory, não descobri nada em português. Porque, espante-se, estava a procurar por "poliamoria".

Um dia, lembrei-me de procurar por "poliamor" - bingo. Depois acabei a conhecer mais pessoas e reparei, para minha consternação, que ninguém me sabia responder concretamente à dúvida sobre "qual a formulação correcta da palavra em português". Mais: pessoas diferentes utilizavam formas diferentes da palavra. Eu continuei a usar a versão "poliamor" (e "poliamoroso" para me referenciar a mim mesmo) - essencialmente por gosto pessoal, só porque "poliamoria" não me soava bem. Acabei até a tomar contacto com uma terceira versão: "poliamorismo".

Confesso que deixei cair a questão, e na minha cabeça traduzi todos os modos da palavra para "poliamor". Mas depois - há uma semana, mais coisa menos coisa - lembrei-me que daria um bom tema (?) para um post aqui. De modo que resolvi armar-me em linguista amador. Ou seja: se alguém discordar de mim, óptimo - manifeste-se!

Então, a ver vamos, que versão estará correcta?
Para responder a isto, perdi todos uns 60 segundos a olhar para a minha fiel "Nova Gramática do Português Contemporâneo", de Celso Cunha e Lindley Cintra.

Conclusões:
Para designar "a coisa" em si (ou seja, aquilo a que eu gostava de chamar "poliamor"), a forma mais correcta será poliamorismo.
Para designar uma pessoa que se reveja, pratique, ou afins, no poliamorismo, usa-se poliamorista.
O uso de poliamoria designará, apenas, eventualmente, o conjunto de poliamoristas, caso se considerem que formem um grupo (e.g.: cavalaria, burguesia).


Explicações:
Tudo isto radica na simples questão: O que significam os sufixos aplicados à palavra?
"-ismo" pode significar, entre outras coisas: a) doutrinas ou sistemas (artísticos, filosóficos, políticos, religiosos, etc); b) modo de proceder ou pensar.
"-ista" refere-se, entre outros sentidos, a partidários ou sectários de doutrinas ou sistemas (cujo sufixo é -ismo).
"-ia" pode significar uma noção colectiva.

Porém:
  • Não é o uso que estabelece a forma "correcta", na perspectiva de que a linguagem é um construto social cujas regras apenas existem a posteriori e como uma tentativa (sempre infrutífera) de estabelecer uma total uniformidade eficiente? E, nesse caso, qual é o uso que devemos considerar? Em português, parece-me que este tende para a versão "poliamor". (Id est, no Google temos ~33600 resultados para "poliamor" e menos de mil para "poliamorismo".)
  • Não poderemos até acabar a seguir uma via que produza uma palavra totalmente diferente desta, menos... híbrida? Ou será que isso é agora, por questões identitárias, pouco aconselhável, mesmo contraproducente?
Perguntas para as quais não tenho resposta. Convido-vos a criá-la comigo, connosco. Claro que esta pequena reflexão se debruça apenas sobre que palavras usar dentro de um conjunto limitado. Para outra altura ficarão algumas considerações sobre estas e outras palavras, noutros contextos - sem nunca deixar de lado a questão da nomeação e da identidade no processo público de reconhecimento intersubjectivo.

Foto roubada daqui.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O que é que eles sabem do poliamor...

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Tradução: - Vocês não acham que quando o PP se manifesta pelo regresso da família tradicional se está a manifestar, no fundo, um pouco contra nós?
- Bah! Não ligues! Que é que eles sabem do poliamor, Pepito!

Da esquerda para a direita: José Rodríguez Zapatero (PSOE), José Montilla (PSC) e Carod Rovira (ERC)

No outro dia encontrei este cartoon, publicado no Público (sim os espanhóis também têm o seu) de 27.12.2007.
Quem se interesse por política poderá entender a piada sabendo que as personagens são os presidentes de três partidos espanhóis, dois dos quais participaram numa coligação de fundo algo duvidoso na Catalunha. Mas o que me chamou a atenção foi este fenómeno de reconhecimento do poliamor, ao ponto de fazer parte do humor nacional. Para tal, o autor terá assumido que a palavra e o seu significado seriam do domínio comum.
Isto faz-me recordar uma conversa que tive, escassos três anos antes da publicação deste cartoon, sentada por entre as fontes do Martim Moniz, com um amarado* espanhol. Dizia-me ele o que muita gente me dizia nessa altura. Que a ideia de poliamor é fascinante, é seguramente o que todos procuram (depois vai-se a ver e nem por isso; é preciso cuidado com o que se deseja), mas que será praticamente impossível encontrar mais pessoas que pensem assim.
- Talvez não, talvez seja só uma questão de procurar.
- Não, em Espanha não se encontra, que eu bem sei.
Nesse ano tinha, por mero acaso, sido a primeira a juntar-me ao grupo Poliamor de Espanha, equivalente ao nosso Poly Portugal, surgido 4 meses antes, e que por altura dessa conversa devia ter meia dúzia de membros. Hoje conta com quase 600, espalhados por todo o país. É uma questão de procurar....
Em Portugal o fenómeno teve uma evolução idêntica (mais de 100 membros, o que é quase proporcional), e além de encontrar pessoas que pensem como nós (que felizmente se vão encontrando), alegra-me pensar que cada vez mais pessoas conhecem o conceito, sabem que existe, e onde procurar-nos.

*amarado = palavra composta pelas palavras amigo, amante e namorado; em português, particípio passado do verbo amarar (poisar no mar; v. intr: fazer-se ao mar largo).
À falta de palavras que descrevam as possibilidades das relações humanas, reutilizam-se, moldam-se ou aglutinam-se outras já existentes. Gosto particularmente desta imagem de estar poisado no meio do mar alto, sem referências nem limites.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

polyfobia... o sabor do momento

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fiquei chocado com as recentes notícias vindas do porto...

parece que não bastava a atitude anti (poli)amorosa da ilga, recente e passada, para agora termos @s jovens da rede ex aequo a exigirem que a palavra poliamor, assim como qualquer referência à não-monogamia, fossem riscados do manifesto da marcha do orgulho lgbt do porto (mop).


julgo que o sérgio, no blog das panteras rosa, deu uma resposta cabal (talvez um pouco comprida sérgio!...), mas não queria deixar de dar aqui a minha pequena achega ao assunto.

pertencer-se a uma minoria não é fácil... sentimos isso na pele todos os dias quando decidimos assumir publicamente algo sobre nós que foge à regra geral e neste caso às regras do sistema monogâmico estabelecido. saímos do armário monogâmico e assumimo-lo com orgulho, da mesma forma que houve e há pessoas que diariamente saem do armário l, g, b ou t e assumem com orgulho a sua orientação ou condição sexual.

ser-se poliamoros@ não é exclusivo a um grupo de pessoas. é transversal e inclusivo. de nada importa se se é h ou l ou g ou b ou t ou nenhum ou um pouco de cada. a capacidade de amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo é de todos. pode-se escolher não praticar, ok... mas não atirem pedras a quem o faz.

nas relações monogâmicas é tudo rosas? quem acusa @s poliamoros@s de serem galdéri@s é assim tão puro?

na minha experiência de observar as relações mono, ressalvando que vou generalizar aqui, que é sempre perigoso, vejo muitas relações monogâmicas sequenciais que em muitos casos começam antes da anterior findar.

galderice? não sei, mas prefiro à minha maneira, obrigado.

se calhar seria muito proveitoso que @s jovens da rede, bem como os menos jovens da ilga, fizessem um profunda reflexão sobre as suas posições monogâmicas e, tenho que dizê-lo, a sua polyfobia.