Em 2010 a antidote deixou aqui umas dicas sobre como lidar com o chato do S. Valentim; em 2011 a sophia falou aqui da sua alegria de passar essa mesma data a 3 (repetidamente).
Este ano foi talvez a primeira vez nos últimos 4 ou 5 anos que passei o dia (ou parte dele, vá, sem ser a 3). Aliás, na verdade até o passei maioritariamente sozinho, e em alturas alternadas com uma ou outra pessoa. Nada combinado, simplesmente as limitações de horários laborais semi-incompatíveis.
Mas aproveitei bem o dia para ler e ver várias coisas interessantes, com as quais concordo na generalidade...
O The Guardian publicou uma peça de opinião sobre os problemas em torno da compulsão social para nos organizarmos em "casais", onde Priyamvada Gopal aponta ligações entre a forma como o amor e a lealdade são tratados em contexto político e em contexto relacional íntimo, terminando com um apelo a que deixemos de considerar a figura do casal romanticamente apaixonado, casado e com vista à reprodução como a forma mais fácil ou preferível de atingir a felicidade.
A universidade para a qual Meg Barker, investigadora de longa data sobre poliamor, trabalha organizou um pequeno filme sobre o dia de S. Valentim como estrutura de exclusão de várias alternativas de vida, e como isso se liga a muito do comercialismo associado a esta data. (Ah, e depois ainda promoveram um debate em tempo real no Facebook. Academia portuguesa que dormis...)
Uma outra investigadora, Lisa Downing, publicou no seu blog uma agressiva diatribe sobre "os horrores do dia de S. Valentim", apontando os 5 principais problemas da data, e que se prendem fundamentalmente com ser uma comemoração hetero-mono-normativa e que, de acordo com ela, é extremamente difícil de reapropriar de forma radical ou crítica (e, mais do que isso, inútil), tal como a figura do casamento em si.
Para mim, foi também um dia para reflectir sobre exclusão. Sobre as pessoas que conheço que se sentem mal nesta data por estarem sozinhas, quando o poderiam até celebrar; sobre as pessoas que gostaria de ter tido perto de mim (não neste dia, mas no geral), e de quem sinto saudades. É um excelente lembrete, no fim de contas, do quanto ainda está por fazer, no que toca a lutar por uma sociedade menos normativa, menos presa às suas próprias tradições e a leituras que consideram tudo inócuo e "só uma brincadeira" (estranha brincadeira essa, que traz a morte consigo).
PS - Resisti à tentação de chamar a este post "A pílula do dia seguinte".
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
PolyPortugal em "A Tarde é Sua", TVI
Publicado por
O grupo PolyPortugal esteve hoje representado no programa "A Tarde é Sua", da TVI, apresentado pela Fátima Lopes - pela voz e presença da Fátima Marques e do Daniel Cardoso.
Podem assistir ao vídeo do programa clicando neste link AQUI, e podem também ver a discussão que se gerou na página Facebook do programa, AQUI.
Como sempre, comentários são bem-vindos!
EDIT 23:27 - O servidor da TVI parece estar com problemas de momento... voltem a tentar mais tarde caso não o consigam ver agora!
Podem assistir ao vídeo do programa clicando neste link AQUI, e podem também ver a discussão que se gerou na página Facebook do programa, AQUI.
Como sempre, comentários são bem-vindos!
EDIT 23:27 - O servidor da TVI parece estar com problemas de momento... voltem a tentar mais tarde caso não o consigam ver agora!
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
É amanhã...
Publicado por
O PolyPortugal vai estar na TVI, no programa "A Tarde é Sua", representado por 2 pessoas do grupo!
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Carta aberta do PolyPortugal à SIC Mulher
Publicado por
No passado dia 22 de Novembro
de 2012, a SIC Mulher emitiu, durante a sua programação, um curto segmento do
programa “Mais Mulher” que dedicou ao tema “Poliamor”. Durante este segmento,
Ana Rita Clara, a apresentadora, fez algumas perguntas a Pedro Lucas (director
da revista Men’s Health), que retirava e fornecia as respostas a partir de uma
fonte desconhecida.
O grupo PolyPortugal vem por
este meio apresentar o seu repúdio pelos conteúdos de desinformação veiculados
durante este programa, bem como pelo formato de apresentação dos mesmos.
Consideramos que a forma como o conceito foi apresentado não corresponde a um
mínimo de profissionalismo por parte dos profissionais de comunicação
envolvidos no programa, especialmente se tomarmos em consideração que até uma
rápida consulta pela Wikipédia teria trazido melhores e mais exactas
informações do que as apresentadas.
É particularmente grave – e
principal ponto de contenção desta carta – a perspectiva machista, patriarcal e
homofóbica de que poliamor é “quando um homem tem várias mulheres e elas não se
importam”. Esta suposta definição, que não encontra suporte em qualquer
dicionário ou exploração académica, ignora o facto de que existem mulheres –
muitas, proactivas e auto-determinadas, que fazem mais do que meramente
“aceitar” aquilo que um homem deseja – em relações poliamorosas com vários
homens, mulheres em relações poliamorosas com várias mulheres, mulheres em relações
poliamorosas com vários homens e mulheres, pessoas transexuais e transgénero
que não se identificam enquanto homens nem enquanto mulheres. Ignora também que
existem igualmente homens em relações poliamorosas apenas com outros homens, ou
com homens e mulheres. O que torna, por conseguinte, incompreensível o uso de
uma expressão como “homem poliamor”.
Na sua pressa de se dirigir
“às mulheres”, e de querer mostrar o que é ser “Mais Mulher”, o programa voltou
a utilizar imagens objectificantes, retirando às mulheres a sua voz e a sua
capacidade de auto-decisão; a usar o sarcasmo e a ironia ao mesmo tempo que
alega “respeitar as decisões de cada pessoa”; a patologizar e diminuir as
pessoas poliamorosas ao cruzar poliamor com “solidão”. Ser “Mais Mulher” parece
não passar, para a SIC Mulher, por perceber que uma mulher pode efectivamente
desejar estabelecer relações amorosas e/ou sexuais com mais do que uma pessoa
ao mesmo tempo (por vezes, até, independentemente do sexo ou género dessas
pessoas); e parece passar por falar do “verdadeiro homem” que “está só com uma
mulher”, convocando o binarismo de género para elidir as experiências de tantas
e tantos portuguesas e portugueses.
O PolyPortugal identifica-se
como um grupo heterogéneo e defende a liberdade e a diversidade, tanto a nível
sexual como relacional. O PolyPortugal esteve associado à organização da
primeira Marcha do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e
Transgéneros/Transexuais) do Porto, onde continuou a participar nos anos
subsequentes, bem como na de Lisboa. O PolyPortugal tem também vindo a
associar-se a outras iniciativas e grupos feministas. Por tudo o acima exposto,
e assumindo o seu feminismo, o PolyPortugal não se revê em nenhum do conteúdo
apresentado neste programa.
O PolyPortugal ademais
recomenda que neste, como em qualquer outro assunto, os profissionais a cargo
de contactar com o público assumam a responsabilidade ligada à sua actividade
profissional, e se informem, ou busquem quem seja capaz de fornecer informação
sobre um tema, ao invés de replicarem e alimentarem discriminação e
desinformação.
O
grupo PolyPortugal
sábado, 29 de setembro de 2012
Poliamor no Expresso
Publicado por
O Jornal Expresso tem vindo a publicar, ao longo das últimas semanas, os resultados de uma investigação que encomendou, em torno de vários aspectos da sexualidade em Portugal.
Saiu hoje o número que fala sobre "(in)fidelidades", e que aborda, entre outras coisas, relações poliamorosas, ou o horizonte mais alargado da não-monogamia.
Entre os vários resultados, 6% dos inquiridos diz já ter estado em relações com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, com sentimentos de amor envolvidos e 8% diz que gostaria de estar numa relação estável com mais de uma pessoa ao mesmo tempo.
Claro que existem sempre problemas e questões que se levantam com questionários deste género, desde o viés de desejabilidade social, até não sabermos se estas relações múltiplas passaram de facto por uma postura responsável e de consentimento informado. Um facto, porém, parece relativamente incontornável: pelo menos no nível das intenções e desejos, parece haver uma fatia relativamente grande de pessoas que vê o amor para além do par normativo.
Ao mesmo tempo, as diferenças de género nas respostas são gritantes, algo que terá de ser pensado separadamente.
Saiu hoje o número que fala sobre "(in)fidelidades", e que aborda, entre outras coisas, relações poliamorosas, ou o horizonte mais alargado da não-monogamia.
Entre os vários resultados, 6% dos inquiridos diz já ter estado em relações com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, com sentimentos de amor envolvidos e 8% diz que gostaria de estar numa relação estável com mais de uma pessoa ao mesmo tempo.Claro que existem sempre problemas e questões que se levantam com questionários deste género, desde o viés de desejabilidade social, até não sabermos se estas relações múltiplas passaram de facto por uma postura responsável e de consentimento informado. Um facto, porém, parece relativamente incontornável: pelo menos no nível das intenções e desejos, parece haver uma fatia relativamente grande de pessoas que vê o amor para além do par normativo.
Ao mesmo tempo, as diferenças de género nas respostas são gritantes, algo que terá de ser pensado separadamente.
Podem ler o artigo inteiro aqui, finalmente!
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Activismo brasileiro
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A notícia já tem uns dias, mas está a chegar à imprensa portuguesa agora: uma família poliamorosa foi fazer-se reconhecer em notário, no Brasil!
No entanto, não deixa de ser interessante que a imprensa portuguesa não vá falar directamente com as pessoas envolvidas, que troque relação poliamorosa por "relação polígama", entre outras imprecisões... como falar de "casamento".
TVI 24
Público
No entanto, não deixa de ser interessante que a imprensa portuguesa não vá falar directamente com as pessoas envolvidas, que troque relação poliamorosa por "relação polígama", entre outras imprecisões... como falar de "casamento".
TVI 24
Público
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Contar cabeças
Publicado por
Como é que se contam pessoas? Como é que se contam relações? O que é uma relação?
Já estive em tertúlias, programas variados, entrevistas aqui e ali, e um dos pontos que tento fazer passar é o de que existem mil e uma diferentes maneiras como, todos os dias, inserimos pequenos pedaços subtis de discriminação mono-normativa. Quando falamos de "relações a sério", quando falamos de "relações duradouras", quando falamos de "estar numa relação" - tudo uma série de marcadores 'oficiais' que dão credibilidade a uns tipos de relação, e a tiram a outros.
Costumo dizer que um one-night stand de 5 minutos é uma relação. E que uma amizade de 15 anos é uma relação. Mas quando dizemos "estou numa relação com X", os nossos interlocutores ficam com duas palavras a retinir-lhes na cabeça: sexo e paixão.
Tudo isto para dizer que há uma pergunta que me fazem constantemente, especialmente em entrevistas: Quantas relações tens?
Francamente, cada vez me custa mais responder a essa pergunta. Porque a resposta que eu dou remete constantemente para as relações que ocupam um papel mais nuclear na minha vida: as duas pessoas com quem estou a viver, e com quem tenho de facto relações românticas. A realidade, porém, é que bastaria alargar um pouco que fosse a definição de "relação", ou mesmo de "relação poliamorosa", e teria que incluir mais do que essas duas pessoas. Muitas vezes, acabo a não o fazer. E, muitas vezes também, essas "outras" relações - essas outras pessoas - acabam a não ter, também, visibilidade social (dentro do meu círculo social, entenda-se), quase como se não existissem. Quase como se não fossem importantes para mim. E, no entanto, são-no, profundamente.
Incomoda-me - e é isso que quero partilhar aqui - a minha cumplicidade na criação e reprodução de um sistema de privilégios. Privilégio de quem é relação a sério sobre quem não é. Privilégio de quem é visível sobre quem não é. Para mim, isso está errado e é profundamente desrespeitoso para com pessoas que escolheram partilhar uma parte das suas vidas, do seu tempo, e da sua pachorra, comigo.
(Por outro lado, deixo aqui a ressalva de que também defendo a possibilidade de alguma dessas pessoas - ou outras que nada tenham que ver comigo, noutras relações com outras pessoas - quererem ou precisarem de ficar dentro dessa invisibilidade.)
A essas pessoas, que posso ter deixado à sombra e desconsiderado: desculpem. É algo em que estou activamente a trabalhar.
Já estive em tertúlias, programas variados, entrevistas aqui e ali, e um dos pontos que tento fazer passar é o de que existem mil e uma diferentes maneiras como, todos os dias, inserimos pequenos pedaços subtis de discriminação mono-normativa. Quando falamos de "relações a sério", quando falamos de "relações duradouras", quando falamos de "estar numa relação" - tudo uma série de marcadores 'oficiais' que dão credibilidade a uns tipos de relação, e a tiram a outros.
Costumo dizer que um one-night stand de 5 minutos é uma relação. E que uma amizade de 15 anos é uma relação. Mas quando dizemos "estou numa relação com X", os nossos interlocutores ficam com duas palavras a retinir-lhes na cabeça: sexo e paixão.
Tudo isto para dizer que há uma pergunta que me fazem constantemente, especialmente em entrevistas: Quantas relações tens?
Francamente, cada vez me custa mais responder a essa pergunta. Porque a resposta que eu dou remete constantemente para as relações que ocupam um papel mais nuclear na minha vida: as duas pessoas com quem estou a viver, e com quem tenho de facto relações românticas. A realidade, porém, é que bastaria alargar um pouco que fosse a definição de "relação", ou mesmo de "relação poliamorosa", e teria que incluir mais do que essas duas pessoas. Muitas vezes, acabo a não o fazer. E, muitas vezes também, essas "outras" relações - essas outras pessoas - acabam a não ter, também, visibilidade social (dentro do meu círculo social, entenda-se), quase como se não existissem. Quase como se não fossem importantes para mim. E, no entanto, são-no, profundamente.
Incomoda-me - e é isso que quero partilhar aqui - a minha cumplicidade na criação e reprodução de um sistema de privilégios. Privilégio de quem é relação a sério sobre quem não é. Privilégio de quem é visível sobre quem não é. Para mim, isso está errado e é profundamente desrespeitoso para com pessoas que escolheram partilhar uma parte das suas vidas, do seu tempo, e da sua pachorra, comigo.
(Por outro lado, deixo aqui a ressalva de que também defendo a possibilidade de alguma dessas pessoas - ou outras que nada tenham que ver comigo, noutras relações com outras pessoas - quererem ou precisarem de ficar dentro dessa invisibilidade.)
A essas pessoas, que posso ter deixado à sombra e desconsiderado: desculpem. É algo em que estou activamente a trabalhar.
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