sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

PolyPortugal em "A Tarde é Sua", TVI

Publicado por 
O grupo PolyPortugal esteve hoje representado no programa "A Tarde é Sua", da TVI, apresentado pela Fátima Lopes - pela voz e presença da Fátima Marques e do Daniel Cardoso.

Podem assistir ao vídeo do programa clicando neste link AQUI, e podem também ver a discussão que se gerou na página Facebook do programa, AQUI.



Como sempre, comentários são bem-vindos!

EDIT 23:27 - O servidor da TVI parece estar com problemas de momento... voltem a tentar mais tarde caso não o consigam ver agora!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

É amanhã...

Publicado por 
O PolyPortugal vai estar na TVI, no programa "A Tarde é Sua", representado por 2 pessoas do grupo!

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Carta aberta do PolyPortugal à SIC Mulher

Publicado por 

No passado dia 22 de Novembro de 2012, a SIC Mulher emitiu, durante a sua programação, um curto segmento do programa “Mais Mulher” que dedicou ao tema “Poliamor”. Durante este segmento, Ana Rita Clara, a apresentadora, fez algumas perguntas a Pedro Lucas (director da revista Men’s Health), que retirava e fornecia as respostas a partir de uma fonte desconhecida.



O grupo PolyPortugal vem por este meio apresentar o seu repúdio pelos conteúdos de desinformação veiculados durante este programa, bem como pelo formato de apresentação dos mesmos. Consideramos que a forma como o conceito foi apresentado não corresponde a um mínimo de profissionalismo por parte dos profissionais de comunicação envolvidos no programa, especialmente se tomarmos em consideração que até uma rápida consulta pela Wikipédia teria trazido melhores e mais exactas informações do que as apresentadas.

É particularmente grave – e principal ponto de contenção desta carta – a perspectiva machista, patriarcal e homofóbica de que poliamor é “quando um homem tem várias mulheres e elas não se importam”. Esta suposta definição, que não encontra suporte em qualquer dicionário ou exploração académica, ignora o facto de que existem mulheres – muitas, proactivas e auto-determinadas, que fazem mais do que meramente “aceitar” aquilo que um homem deseja – em relações poliamorosas com vários homens, mulheres em relações poliamorosas com várias mulheres, mulheres em relações poliamorosas com vários homens e mulheres, pessoas transexuais e transgénero que não se identificam enquanto homens nem enquanto mulheres. Ignora também que existem igualmente homens em relações poliamorosas apenas com outros homens, ou com homens e mulheres. O que torna, por conseguinte, incompreensível o uso de uma expressão como “homem poliamor”.

Na sua pressa de se dirigir “às mulheres”, e de querer mostrar o que é ser “Mais Mulher”, o programa voltou a utilizar imagens objectificantes, retirando às mulheres a sua voz e a sua capacidade de auto-decisão; a usar o sarcasmo e a ironia ao mesmo tempo que alega “respeitar as decisões de cada pessoa”; a patologizar e diminuir as pessoas poliamorosas ao cruzar poliamor com “solidão”. Ser “Mais Mulher” parece não passar, para a SIC Mulher, por perceber que uma mulher pode efectivamente desejar estabelecer relações amorosas e/ou sexuais com mais do que uma pessoa ao mesmo tempo (por vezes, até, independentemente do sexo ou género dessas pessoas); e parece passar por falar do “verdadeiro homem” que “está só com uma mulher”, convocando o binarismo de género para elidir as experiências de tantas e tantos portuguesas e portugueses.

O PolyPortugal identifica-se como um grupo heterogéneo e defende a liberdade e a diversidade, tanto a nível sexual como relacional. O PolyPortugal esteve associado à organização da primeira Marcha do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros/Transexuais) do Porto, onde continuou a participar nos anos subsequentes, bem como na de Lisboa. O PolyPortugal tem também vindo a associar-se a outras iniciativas e grupos feministas. Por tudo o acima exposto, e assumindo o seu feminismo, o PolyPortugal não se revê em nenhum do conteúdo apresentado neste programa.

O PolyPortugal ademais recomenda que neste, como em qualquer outro assunto, os profissionais a cargo de contactar com o público assumam a responsabilidade ligada à sua actividade profissional, e se informem, ou busquem quem seja capaz de fornecer informação sobre um tema, ao invés de replicarem e alimentarem discriminação e desinformação.

O grupo PolyPortugal

sábado, 29 de setembro de 2012

Poliamor no Expresso

Publicado por 
O Jornal Expresso tem vindo a publicar, ao longo das últimas semanas, os resultados de uma investigação que encomendou, em torno de vários aspectos da sexualidade em Portugal.

Saiu hoje o número que fala sobre "(in)fidelidades", e que aborda, entre outras coisas, relações poliamorosas, ou o horizonte mais alargado da não-monogamia.

Entre os vários resultados, 6% dos inquiridos diz já ter estado em relações com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, com sentimentos de amor envolvidos e 8% diz que gostaria de estar numa relação estável com  mais de uma pessoa ao mesmo tempo.


Claro que existem sempre problemas e questões que se levantam com questionários deste género, desde o viés de desejabilidade social, até não sabermos se estas relações múltiplas passaram de facto por uma postura responsável e de consentimento informado. Um facto, porém, parece relativamente incontornável: pelo menos no nível das intenções e desejos, parece haver uma fatia relativamente grande de pessoas que vê o amor para além do par normativo.

Ao mesmo tempo, as diferenças de género nas respostas são gritantes, algo que terá de ser pensado separadamente.

Podem ler o artigo inteiro aqui, finalmente!


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Activismo brasileiro

Publicado por 
A notícia já tem uns dias, mas está a chegar à imprensa portuguesa agora: uma família poliamorosa foi fazer-se reconhecer em notário, no Brasil!

No entanto, não deixa de ser interessante que a imprensa portuguesa não vá falar directamente com as pessoas envolvidas, que troque relação poliamorosa por "relação polígama", entre outras imprecisões... como falar de "casamento".


TVI 24

Público

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Contar cabeças

Publicado por 
Como é que se contam pessoas? Como é que se contam relações? O que é uma relação?

Já estive em tertúlias, programas variados, entrevistas aqui e ali, e um dos pontos que tento fazer passar é o de que existem mil e uma diferentes maneiras como, todos os dias, inserimos pequenos pedaços subtis de discriminação mono-normativa. Quando falamos de "relações a sério", quando falamos de "relações duradouras", quando falamos de "estar numa relação" - tudo uma série de marcadores 'oficiais' que dão credibilidade a uns tipos de relação, e a tiram a outros.

Costumo dizer que um one-night stand de 5 minutos é uma relação. E que uma amizade de 15 anos é uma relação. Mas quando dizemos "estou numa relação com X", os nossos interlocutores ficam com duas palavras a retinir-lhes na cabeça: sexo e paixão.

Tudo isto para dizer que há uma pergunta que me fazem constantemente, especialmente em entrevistas: Quantas relações tens?

Francamente, cada vez me custa mais responder a essa pergunta. Porque a resposta que eu dou remete constantemente para as relações que ocupam um papel mais nuclear na minha vida: as duas pessoas com quem estou a viver, e com quem tenho de facto relações românticas. A realidade, porém, é que bastaria alargar um pouco que fosse a definição de "relação", ou mesmo de "relação poliamorosa", e teria que incluir mais do que essas duas pessoas. Muitas vezes, acabo a não o fazer. E, muitas vezes também, essas "outras" relações - essas outras pessoas - acabam a não ter, também, visibilidade social (dentro do meu círculo social, entenda-se), quase como se não existissem. Quase como se não fossem importantes para mim. E, no entanto, são-no, profundamente.

Incomoda-me - e é isso que quero partilhar aqui - a minha cumplicidade na criação e reprodução de um sistema de privilégios. Privilégio de quem é relação a sério sobre quem não é. Privilégio de quem é visível sobre quem não é. Para mim, isso está errado e é profundamente desrespeitoso para com pessoas que escolheram partilhar uma parte das suas vidas, do seu tempo, e da sua pachorra, comigo.

(Por outro lado, deixo aqui a ressalva de que também defendo a possibilidade de alguma dessas pessoas - ou outras que nada tenham que ver comigo, noutras relações com outras pessoas - quererem ou precisarem de ficar dentro dessa invisibilidade.)

A essas pessoas, que posso ter deixado à sombra e desconsiderado: desculpem. É algo em que estou activamente a trabalhar.

domingo, 15 de julho de 2012

O amor do teu amor... teu amigo é?

Publicado por 
O título apresenta-se em forma de pergunta porque é isso que este texto é. Uma série de perguntas para quem eventualmente me possa ler. Vocês, nas vossas vidas, com as vossas pessoas, os vossos percursos, as vossas personalidades, as vossas experiências. Reflecti sozinha, gostava de agora reflectir em conjunto.

No poliamor há, quase sempre, uma qualquer possibilidade de expansão. Expansão de afectos, expansão de intimidades, expansão de sexualidades, expansão de experiências. Quando somxs mais de dois há - para ser perfeitamente óbvia - mais. Mais gente. Mais subjectividades. Mais vidas. Mais vontades. Mais tudo. O tempo é a grande subtracção no meio de tantas somas. Mas isto não é matemática. É mais complexo que isso.

Passamos a vida toda a aprender a "marcar territórios". A marcar espaços de segurança e a defendê-los com unhas e dentes. Na minha relação poly, eu passo a vida a desaprender, a desmarcar, a des-defender tudo e mais alguma coisa. Podia ser tão simples como a escrita: colocar des- à frente de cada palavra, acto e emoção. Contrariar instintos e impulsos. Contrariar sensações. Parece-me sempre tudo um movimento de ir contra uma qualquer maré fortíssima que me pode afogar. A maré, muitas vezes, sou eu.

Sou eu quando conheço amores de um meu amor. Quando conheço amigxs colorids de um meu amor. Quando conheço fuck buddies de um meu amor. Quando conheço pessoa-especial-não-muito-definida de um meu amor. Quando conheço pessoa-a-quem-dou-beijos-às-vezes-mas-não-é-muito-importante de um meu amor.

Ou quando...
Não conheço.

Conhecer ou não conhecer. Saber ou não saber. Estar ou não estar.

Qual é a vossa postura? Conhecem todxs xs amores dxs vossxs amores? E aqueles que não são amores mas são outra coisa qualquer significativa? Preferem conhecer a pessoa pessoalmente e conversar? Ou preferem nem sequer ver uma fotografia da pessoa? Gostam de saber que gostos tem, onde gosta de ir, o que faz? Procuram essa informação para saberem se o vosso amor está bem ou para vocês ficarem bem? Ou seja, para saberem com quem estão a lidar? Onde traçam os vossos limites?

Ao longo da minha relação já experimentei diversas posturas e a minha procura tem sido por aquela que é melhor para mim e para com quem estou. Raramente a encontro e falho constantemente.

Já estive perfeitamente bem durante tardes inteiras em que sabia que um amor estava a ter longas horas de sexo. Estava calma, segura e bem comigo mesma. Outras vezes, essas mesmas horas eram passadas em constante nervoso miudinho, que ia crescendo até não ser já miudinho. Nesses momentos são os olhares para o relógio, o tempo que se arrasta, cada coisa pequena que parece correr mal e a mente que não pára - de fervilhar, de inventar, de deduzir. Sou secretamente mordaz nesses momentos, dentro da minha cabeça. Não dói realmente, mas é um estar no tempo que mói.

Outras vezes estive lá, no momento. Vi beijos e carícias, vi toques. Nada se quebrou em mim. Nada de errado se passava, eu estava bem e estava em harmonia e estava lá.
Mas também já estive lá com dor. Também já estive lá de coração aberto para me sentir bem e não foi bom. Mesmo que só descobrisse depois o que havia doído assim tanto.

Às vezes nem sequer são estes momentos em si. Às vezes é a estranha ambiguidade de sentimentos quando ouvimos a voz de um nosso amor a falar de como foi o seu dia com aquela pessoa. Não é bonito mas quase que é mais "fácil" estar ali quando um encontro corre mal. Abraçar, segurar e dizer que para a próxima vai ser melhor. Mas e... quando o encontro corre bem? Quando fica perto de ser perfeito? A felicidade dos nossos amores devia apoderar-se de nós. Devia não deixar espaço para sentir mais nada do que absoluta alegria. Mas deixa demasiados espaços que tentamos preencher como podemos... O que fazem nesses momentos? Falam sobre isso? Revelam esse medo? Ou tentam colocar isso de parte e preencher com alegria e felicidade aquele momento? 

Tenho descobrido que as minhas escolhas para todas estas situações podem vir a determinar muito a minha vida e as minhas relações. Muitas vezes tenho escolhido uma postura de espectadora... alguém que assiste e apoia, mas que não faz parte da cena. Escolher entrar na cena e ser participante implica saber em que cenas se pode ou não entrar, como se pode entrar e saber como estar. Implica também uma coragem - um put it out there - no fundo uma exposição de nós mesmos a outrxs olhares, toques e perspectivas. Estar exposto pode ser mais fácil para uns que para outrxs. 

Para mim é
ter um coração fora do corpo, 
exposto ao tempo e
exposto ao amor e dor de muitas pessoas.
esse coração quer-se proteger e quer proteger quem ama, nas tem que lidar com os seus batimentos cardíacos, a sua própria pulsação... e não há caixa torácica por vezes.