Olá. Sou finalista numa escola secundária do distrito de Braga, e os direitos LGBT, o Feminismo e o Poliamor são dos meus principais interesses. Este ano, tanto na disciplina de Sociologia (em que debatemos a questão de género e a questão da discriminação e das diferenças entre seres humanos e as suas relações) como na disciplina de História (onde nos são ensinadas as duas primeiras vagas do Movimento Feminista e a Revolução Sexual) decidi abordar, por diversas vezes, estes temas.
O que vos venho hoje aqui contar é sobre um pequeno debate que teve lugar na disciplina de História, sobre poliamor. Ao falarmos sobre a literatura existencialista, surgiu o debate sobre a relação entre Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir. Sendo grande fã de Beauvoir, decidi dar a minha opinião e falei da sua relação amorosa – uma coisa levou à outra e começou um debate bastante aceso sobre poliamor.

Apesar de ter 18 anos e já ter ouvido imensas coisas, fiquei extremamente chocada com a opinião de muitos jovens da minha turma quanto ao assunto. Frases como “o poliamor é como a prostituição, não ganham dinheiro mas…” e os típicos argumentos de que só se consegue amar uma pessoa e é impossível amar mais do que uma e que é apenas uma forma para esconder a traição, etc.
Existe uma enorme falta de tolerância mas o pior nem é essa falta de tolerância. É falta de vontade de aprender a tolerar. Porque, para além de não tolerarem e respeitarem os estilos de vida de outras pessoas, não se dão ao trabalho de entender ou de tentar perceber.
Tanto eu como outras colegas nos esforçámos para dar a entender um ponto de vista diferente e defender o poliamor como uma escolha legítima e alternativa à monogamia. Foram, porém, tentativas falhadas; foi “falar para as paredes”, pois as pessoas nem se davam ao trabalho de ouvir, apenas queriam defender as suas opiniões, que consistiam em afirmar que era uma falta de vergonha e uma forma de libertinagem e de fazer “sexo com qualquer um”.
Infelizmente não posso dizer que este (ou outros debates que ocorreram ao longo do ano lectivo sobre Feminismo, Direitos LGBT, Identidade de Género, etc.) tenham tido grande impacto na maioria das pessoas da minha turma. A maioria manteve-se com a sua mente fechada e preconceituosa. Mas houve algumas mudanças. Algumas pessoas, apesar de poucas, mudaram opiniões e tornaram-se mais tolerantes face a estes assuntos.
Ainda há um longo caminho até à tolerância e igualdade, mas acredito que conseguiremos lá chegar. São necessários mais debates e uma maior presença destes temas nas nossas escolas de forma a sensibilizar os jovens e promover uma maior igualdade.
Eu fiz a minha parte, mostrei novos pontos de vista às pessoas com quem convivo e tentei mostrar uma forma diferente de ver o Mundo. Espero que outros o façam também, pois este é um esforço de grupo e um objectivo para o qual temos de lutar todos juntos.
Boa sorte e vamos lutar pela igualdade e pela tolerância para todos!

