quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Duas mulheres-maravilha

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Para quem acha que o poliamor é uma modernice inventada na ressaca dos anos sessenta, ou um delírio de juventude que passa quando as pessoas ficam crescidas, aqui vai um pedaço de trivia.
Em Dezembro de 1941 surgiu pela primeira vez uma personagem que ainda hoje habita a mente de muitos amantes da banda desenhada: a Wonder Woman. Foi uma das primeiras heroínas de comics, e a que mais sucesso teve num mundo de super-homens. Um ano depois, já tinha direito a uma edição só para ela.
O autor desta proeza foi William Moulton Marston, psicólogo e inventor do polígrafo, que uniu as características das suas duas mulheres para criar uma mulher-maravilha. A Elizabeth Holloway Marston, com quem tinha casado, foi buscar a coragem, emancipação e sentido de justiça. A Olive Byrne, com quem passaram a viver, foi buscar os traços físicos: cabelo negro ondulado e olhos azuis. Também as pulseiras metálicas que afastam as balas foram inspiradas pelas que Olive usava, uma em cada pulso. A Wonder Woman lutava não só contra o crime, mas também contra o preconceito, o racismo e o sexismo.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A invenção da mentira

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Sempre que sou radicalmente honesto, os outros tornam-se eles próprios radicalmente honestos. […] De facto, todas as minhas relações conseguem aguentar uma dose de verdade muito maior do que aquilo que eu esperava.


E se, num mundo paralelo semelhante ao nosso, toda a gente soubesse apenas dizer a verdade?
É esta a premissa do filme The Invention of Lying, de e com o fabuloso Ricky Gervais, que não tem data de estreia prevista para Portugal, e que vi em versão pirata numa destas noites.

sábado, 11 de setembro de 2010

Teoria da manipulação afectiva (1)

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Antes de mais, todos nós, de uma maneira ou de outra já tentámos manipular. A um nível suave, a manipulação é omnipresente aos relacionamentos afectivos. No entanto, ela significa uma desigualdade podendo levar à subjugação e opressão, à sensação de sufoco, e à perda de auto-estima.
É preciso compreender como se manipula para que eficazmente sejamos capazes de reconhecer e evitar a manipulação qualquer que seja o lado em que nos colocamos.

Numa relação afectiva, o elemento manipulador é aquele que assegura a satisfação das suas vontades e dos seus interesses em detrimento dos do(s) outro(s) com quem se relaciona. Propositadamente ou por não os tomar em consideração, trata-se de um 'atalho' para atingir um fim. Distingue-se da influência, sendo esta um processo de persuasão bona fide.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Na corda bamba

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Aproveitei uma viagem a Espanha para comprar o livro do tal filme de que falei há umas semanas. Como seria de esperar, há lá muitas coisas explicadas que tinham ficado por dizer. Continuo a achar que a atmosfera geral de desgraça é excessiva, apesar de ser uma história triste. O que fica claro é que aquela relação só funcionava a três, e sem um deles estava condenada. Mas antes disso houve doses massivas de alegria e felicidade. Curiosamente, a principal razão para a separação tem mais a ver com a arte, do que com o sexo ou o
amor. Deste último ninguém tem dúvidas:

"Amava-os como não voltei a amar ninguém em toda a vida. Eles amavam-me assim, eu sabia-o, e no entanto tínhamos os dias contados. Numa altura ou noutra, a corda bamba onde ensaiávamos piruetas mais difíceis ainda se esticava de repente, e um de nós perdia o equilíbrio. Então caíamos os três no chão, e magoávamo-nos, e cada vez nos custava mais recompor os ossos partidos."

sábado, 4 de setembro de 2010

Ser Punalua

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Aqui há uns meses, largos meses já, uma das contribuidoras deste blog, a antidote, sugeriu que falássemos sobre os nossos amores-cunhados, ou, usando o termo que prefiro, punaluas. Não o fiz na altura, mas estou sempre a tempo, não é?
Eu vivo alegremente uma relação punalual, como costumo dizer, faz exactamente hoje 10 meses (e aproveito para dar os parabéns ao feliz casal!). E digo que vivo alegremente esta relação, porque é uma relação que me traz de facto muita alegria, compersion, e uma profunda sensação de cumplicidade. Tenho a indiscutível sorte de ser muito parecid@ com el@: partilhamos gostos, interesses e referências, identificamo-nos em tantos pontos que isso já se tornou piada entre nós os três. E isso ajuda, ajuda muito a lidar com uma situação em que podem sempre surgir inseguranças. Sim, porque isto não é perfeito, claro que não: qualquer um de nós pode ter, e já teve, momentos complicados. Como é que se lida com isso? Comunicação faz magia. E, no meu caso pessoal, lembrar-me do quanto gosto destas duas pessoas tão parecidas comigo. Lembrar-me que el@ é, de facto, a pessoa a quem escolhi chamar punalua.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Mutatis mutandis...

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"Eu reclamo a independência da mulher, o seu direito a sustentar-se a si mesma; a viver sozinha; a amar quem quiser, e quantos quiser. Eu reclamo liberdade para ambos os sexos, liberdade de acção, liberdade no amor e liberdade na maternidade” - Emma Goldman, 1930

E agora, mais de oitenta anos depois, uma mulher ainda é mal vista e insultada - por outras mulheres! - por gostar de fazer sexo, ou por se apaixonar, com/por mais de uma pessoa.

E a monogamia ainda é Lei.

E ainda há pessoas que querem casar.

Porquê?

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Prefiro saber

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Tradução: Nesta dieta posso comer de tudo, desde que não conte ao meu médico.

O que me faz sempre mais confusão é aquela ideia do “prefiro não saber”. Consigo entender que não se queira saber detalhes específicos de tragédias alheias e distantes, acerca das quais achamos que não conseguimos fazer nada. Mas acho bastante estranho que se prefira não saber o que acontece na vida de um filho ou de um amante.