segunda-feira, 26 de julho de 2010

evento poly auto-organizado: opencon

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A 3-day event in the English countryside for everyone who knows that happy and honest relationships don't have to be monogamous. OpenCon combines discussions, workshops and socialising to give you a chance to meet like-minded people, to build our community and to celebrate its diversity.

Para quem me tem perguntado "O que é um evento auto-organizado", gostei bastante desta explicação (em http://www.studio63.org.uk/opencon/plan.php):

sábado, 24 de julho de 2010

Tema de polyamor: MEDO

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Medo de nos expormos, de expor a fragilidade; de nos perdermos, de perder a individualidade; de nos controlarem, de querer controlar; de dar sem receber, de nos darmos, de receber uma coisa que não conhecemos: uma pessoa, uma ideia, uma coisa externa que nos pode danificar. Medo de sermos nós mesmos e de que isso não seja o suficiente, de fazer figura de parva; de que não estejas a trabalhar e de telefonar. Medo. Medo de perder, de não estar à altura da situação, da solidão, de partilhar, de que nos achem feios ou estúpidos ou simplesmente vulgares. Medo de perder o momento, medo de o forçar. Medo do amor e todas as estratégias que temos para o evitar. Medo das mentiras, mas não tenho medo das verdades.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Da contratualização - II

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Continuando a partir do post da semana passada... E também para honrar algumas das perguntas da Marquesa do Sado...

Não espantará ninguém se se afirmar que o casamento é um contrato. Um contrato que, no entanto, parece transformar as pessoas em objectos, capazes de ser possuídos por uma outra pessoa-objecto. Já não será novidade para muita gente que não sou propriamente amante da instituição do casamento. Mas o post da semana passada reforçava precisamente a importância do estabelecimento de um contrato - naquele caso, de um contrato contra-sexual (novamente, não confundir com anti-sexual).

É preciso então, para que isto não se transforme numa simples contradição nos termos, definir alguns dos elementos básicos de cada um dos contratos, e porque é que a defesa de um tipo pode coexistir com o pedido de abolição de outro.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Sobre o ciúme (1) – O medo é o seu alimento

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Ultimamente tenho andado a ler coisas sobre ciúme, a pretexto de preparar uma workshop sobre o tema, para a qual me convidaram já mais de uma vez. Recusei sempre, com o argumento de que sou a pessoa no mundo que menos sabe sobre o assunto. Mas ao pensar em alternativas, acabo sempre por bater com a cabeça no mesmo muro e apercebo-me de que o ciúme está de facto, para a maior parte das pessoas, no top of the tops dos entraves ao poliamor. Que é incontornável e mais vale começar por aí se pretendemos algum dia tirá-lo do caminho.
Resolvi partilhar convosco o meu trabalho de casa, que passou pela leitura na diagonal de alguns textos, e pela leitura integral de mais um texto sublime do Franklin Veaux (o tal autor das melhores FAQs sobre poliamor). O texto Jealousy Management for Love and Profit, or how to fix a broken refrigerator é coisa para encher seis páginas com letra muito pequenina, pelo que vos deixo aqui, em entregas semanais, uns resumos à laia de Europa-América. Mastigados e comentados por mim, para vosso uso e reflexão.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

censura na tvi

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a tvi faz censura.

recentemente, ao que tudo indica, a estação de televisão tvi, censurou um dos episódios da novela "morangos com açúcar", não permitindo que fosse para o ar uma cena com dois rapazes a beijarem-se.

não sigo esta novela, em boa verdade não sigo novela nenhuma, muito menos vejo a tvi, contudo tenho, a custo, admito, de aceitar que haja quem faça as duas coisas. acredito, também, que se a tvi mantém os "morangos" no ar há não sei quantos anos, deve ter audiência...

esta situação, a meu ver, levanta duas questões.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Queer, palavra viva (extracto)

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Este post é um extracto, para ficar on-topic neste blog. O texto completo encontra-se aqui:
"Queer, palavra viva (no laundrylist)"

A palavra
queer apareceu como sinónimo de bicha, de gajo que não se encaixava na norma, no tempo em que ser bicha dava cadeia, de um modo nada compatível com as recomendações para condições prisionais da Amnistia Internacional. Sempre com sentido de "non conforming".

Entretanto, a palavra começou a significar cada vez mais bicha, e a certa altura, não universalmente, bicha efeminada.

A palavra
Queer começa a dar confusão, ultimamente, porque nos últimos anos começou a recuperar o seu sentido original numas cenas e grupos, e a manter o significado antigo noutros.

Queer é uma palavra muito útil para separar (tomemos como exemplo) gays em geral, dos gays não normativos (não gosto da palavra alternativo porque perdeu todo o significado). Para quem não percebeu, há gays/fufas/trans*/bis/etc de pantufas, que são tão burgueses como a maior parte dos heteros, e aqui quando digo burgueses, refiro-me a sistema de valores e empenhamento social e interventivo e não a modo de vida ou a terem a possibilidade financeira de comerem três refeições por dia. E há heteros que podem se identificar como queer, a partir do momento que há toda uma reflexão e escolha consciente que transcende a actual orientação sexual.

(...)


Por vezes tropeço em discussões que abordam temas que gravitam ou derivam de "ser poly é automaticamente ser
queer". Não é. Muitas vezes aparece em intima associação mas não é. Vejamos...

Queer começa a sugerir uma tentativa, ou antes, uma preocupação genuína, em aplicar valores não normativos (e começam a sair da cartola a solidariedade, o feminismo, o anti-racismo, etc) de modo concreto na vida e reflexão quotidiana. Não implica necessariamente actividade política, mas implica uma preocupação politica, implica reflexão e auto-crítica. Nao quer dizer isto que seja esperado um activismo constante em todos aqueles campos, mas implica certamente não fechar os olhos quando há contradições gritantes com algum daqueles princípios. E já. (...)

Não espero que este texto seja consensual.
Espero que tenha ajudado, correcções e comentários bem-vindos!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Da contratualização - I

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"[...] Uma análise crítica da diferença de género e de sexo, produto do contrato social heterocêntrico, cujas performatividades normativas têm sido inscritas nos corpos como verdades biológicas (Judith Butler, 2001). [...] A contra-sexualidade deseja substituir este contrato social que chamamos de Natureza por um contrato contra-sexual. Sob a égide do contrato contra-sexual, os corpos reconhecem-se a si mesmos não como homens ou mulheres, mas como corpos falantes, e reconhecem os outros também como corpos falantes.
[...]
As práticas de Sadismo e Masoquismo, bem como a criação de pactos contratuais que regulam os papéis de submissão e dominação, tornaram manifestas as estruturas eróticas de poder subjacentes ao contrato que a heterossexualidade impôs como natural.