sexta-feira, 9 de abril de 2010

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Estou constantemente a lembrar-me deste post da antidote, que me marcou. Quanto mais não seja, porque entendo o que ela quer dizer com "a beleza frágil e improvável destas constelações".

Estou num "V", já estive num trio ou triângulo. E ambas as experiências me deram/têm dado elementos de maturação pessoal e sentimental muito grandes. As dinâmicas são diferentes, e há problemas que fazem sentido num caso e noutro nem por isso - e vice-versa. A questão da intimidade - sexual, emocional, ou de outros tipos que não me ocorrem agora - é um desses factores que tem como hábito ser diferente entre V's e triângulos.

Claro que as pontas de um "V" podem ser, entre si, bastante íntimas - e aqui entra a ideia de punalua, de que já vári@s participantes falaram aqui - e isso permite, a quem está "no meio", apreciar uma sinergia potencialmente intensa. Sinergia essa que até tem, ocasionalmente e quanto mais não seja, por piada, o pormenor interessante de esse vértice ser um ponto de contacto muito forte entre as tais pontas - já me senti "assunto de interesse comum" mais do que uma vez, como quem fala de um livro, uma personagem ou uma música. E tem piada, para mim.

Não faço ideia se há alguma tendência de V's se transformarem em triângulo, triângulos em V's (também já estive numa situação assim, mas não como vértice). Mas sei que estar num V que, às vezes, mais parece um triângulo, é divertidíssimo. Tem piada. Sabe bem. O futuro entusiasma-me e só não me posso esquecer de ter a calma de esperar que ele chegue enquanto vou ter com ele, de sorriso nos lábios e com vontade de construir vidas plurais, reticulares. Em triângulo, V, W, X, Y, Z, ou quantas mais letras se lembrarem de usar, ou figuras geométricas. Talvez até mesmo em 4D?

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Esta tarde...

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Estou em casa, a trabalhar no portátil. Ao meu lado, no sofá, está uma das pessoas com quem tenho uma relação. Mais ao lado, no chão - porque gosta de se sentar no chão - está a outra pessoa com quem tenho uma relação.

Ambas as pessoas a conversar sobre literatura, enquanto ouvimos música.

E nada disto é especial, nada disto é diferente. Apenas é. É uma família, é uma rede de amizades e amores.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Cunhadxs

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Vem aí o meu amor-cunhadx (love-in-law) passar um fim de semana cá em casa. Nao me vem visitar, precisa apenas de ficar aqui uns tempos mas já combinámos algumas borgas e conversas iluminadas por umas garrafas de branco-rasca. E vem com esse amor-cunhadx, a sua namorada, e outro significant-other, que sao logicamente os amores-cunhadxs de um dos meus amores. E estou muito feliz com esta chuva de amores-cunhadxs.

E hoje não tenho mais nada para escrever.

domingo, 28 de março de 2010

Encontro no próximo feriado

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Convocatória

Na próxima sexta, dia 2 (feriado), vamos fazer um novo encontro poly com quem quiser juntar-se a nós, incluindo naturalmente os leitores deste blog. É que já passaram dois meses e meio desde o último encontro e finalmente a Primavera chegou.

Sexta-feira, 02.Abril, 13h, em Murches (Cascais)
Ponto de encontro: Junto à capela de Murches
Alternativa (para quem não pode ir de carro): Estação de comboios de Cascais (combinamos e alguém vai lá buscar-vos)
Mapa de acesso: http://tinyurl.com/dimurches

Cada um traz qualquer coisa, o que der. Pode ser comestível, bebível, contável, ou sonhável.

Apareçam!

sexta-feira, 26 de março de 2010

Dar

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Estava eu ontem pelo Facebook quando vi um comentário, dirigido a I., sobre como é bom "entregar o coração a alguém".

Algo naquele comentário me fez comichão: não revi numa afirmação dessas uma relação poly. Porque, se é suposto a metáfora fazer sentido, corações só temos um, e se o entregamos ou damos, perdemos sobre ele a posse (e, por conseguinte, só o conseguimos dar uma vez de cada vez e ainda temos que contar com a boa-vontade de nos devolverem o material; isto é algo de difícil fé, que o diga quem já emprestou um livro e acabou a emprestadá-lo sem o querer fazer).

Avancei direito para o botão "Comentar" e comecei a escrever - pouco! - sobre também ser bom não dar o coração, e sim abrir nele um espaço, dentro da possibilidade de espaços infinitos que está no coração.

Só que também não gostei da minha própria emenda, e então refiz - sem apagar, no mesmo comentário, na continuação da linha de pensamento, sem revisionismo - a ideia, que agora submeto ao vosso comentário.
A metáfora do espaço também não é boa... Por muito que se lhe cole o infinito, há sempre aquela sensação de dimensão, de volume, de cheio ou vazio, de uma série de medidas - tendencialmente finitas? - que contrariavam o espírito do que eu pretendia dizer. Então, porque não substituir o "espaço" por "vontade"? Já me parecia melhor - veio-me à cabeça a frase "eu quero estar contigo", que me soa melhor do que "eu quero que sejas meu/minha". Vontade de quê, no entanto? Vontade de partilhar? Mas partilhar também volta a remeter para a posse, não era isso que eu queria fazer passar naquele comentário... Surgiu-me então a boa palavra: comunhão.

Vontade de comunhão.

Só para me certificar de possíveis leituras secundárias que me estariam a escapar, dei um pulo ao dicionário da Priberam. Procurei "comunhão". Aí está: "1 - Participação em comum". Era isso mesmo. Eu tenho a vontade de participar em alguém e com alguém em algo - uma relação. E é a possibilidade concretizada de realizar essa comunhão que me faz sentir muito bem da vida. Em duplicado.

terça-feira, 23 de março de 2010

Pouco Portugal, muito português

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Por variadíssimas razões, algumas delas totalmente desconhecidas para mim, este blog tem sofrido uma desertificação sem que, ao menos desta vez, o clima ou o aquecimento global o justifiquem.

Entretanto, no Brasil, não bastava a activista Charô ter construído e manter o site Poliamor Brasil, ainda se pôs (foi ela?) a fazer um outro site intitulado simplesmente Poliamor e agora, desde esta semana, um agregador de todos os blogues em português sobre poliamor. Chama-se Parada Poli e os nossos últimos posts já lá estão.

Um oásis prometedor ou uma miragem para bloguistas moribundos?

segunda-feira, 22 de março de 2010

Tempus fudit, tempus fugit

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Em Janeiro escrevi com muito gusto sobre a gestão do tempo em cenários poly e acabei a divagar sobre os direitos que muitas vezes nos arrogamos sobre o tempo dos nossos amores. Pensei em escrever hoje sobre o sexo, dentro do mesmo ponto de vista, mas na verdade a argumentação é extensível a todas as coisas desejáveis e desejadas passiveis de levarem com um verbo "ter" conjugadinho em cima. Os meus e teus. O meu direito a ter sexo contigo. As tuas férias que não passaste comigo mas sim a ver futebol. O fim de semana que guardei para darmos banho ao cão juntos.

A frasezinha que mais gostei ao reler esse texto foi esta:
"O conceito que talvez seja muito revolucionário, e bastante divulgado em meios poly, é que o tempo é uma coisa nossa. Não pertence a mais ninguém, nem ninguém tem direitos especiais acerca do nosso tempo, independentemente de ser ou não nosso parceirx ou amigx ou chefe de departamento."

é indiscutível que o sexo não é propriedade, nem algo a ser negociado como algo que sequer possamos arrogar controlar. Se eu disser que sim, que todos nós já caímos nesta armadilha, caem-me todos em cima a dizer "que não, que não é possível". Mas quantos de nós lêem artigos acerca da saúde sexual duma relação estar relacionada com a atividade sexual, ou se justificam brigas porque alguém nega sexo. ou o famoso "Querida, estamos a ter pouco sexo" (a resposta óbvia, que me passa sempre pela cabeça "querido, fala por ti, eu estou a ter o sexo exactamente que quero. Quando muito TU estás a ter pouco sexo, e é o teu problema), que eu nem sequer imagino a resposta que tenta provocar (uma queca por compaixão? uma queca para salvar o casamento? uma queca pela saúde mental?).

E isto sem pegar na birra de que todos os polyamorosos sao umas bestas obcecadas por sexo...

Claro que o leitmotiv que articula todas estas perguntinhas é o conjunto de (1) ideia de que uma relação se constrói no sexo, e que (2) uma pessoa tem de preencher todas as nossas necessidades, afetos e anseios, desde o gosto pela formula 1, passando pelo sexo, até ao colecionar de porcelana da Saxónia.

Como nos livrarmos disto, no dia a dia, e como não resvalar para um esquema que está muito bem gravado dentro de nós, é a pergunta que vos ponho com sinceridade hoje.