domingo, 10 de janeiro de 2010

Encontro no próximo sábado

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☺ Convocatória ☺

Em Setembro de 2008, o PolyPortugal, já com alguma massa crítica de membros e amigos, começou a ter encontros regulares, primeiro semanalmente e depois de mês a mês. Entretanto, veio o frio e a chuva, o sítio onde era costume as pessoas encontrarem-se deixou de ser o ideal e passámos a fazer um ou outro piquenique de vez em quando. Pois agora há já uns bons meses que não há um encontro e está na altura.

No próximo sábado, dia 16, vamos ver se está bom tempo para um encontro ao ar livre. Vai ser no segundo maior parque de Lisboa (sem contar com Monsanto).

Sábado, 16 Janeiro
15h
Parque Quinta das Conchas
Metro "Quinta das Conchas" (linha amarela)
Ponto de encontro: zona do relvado marcada no mapa como "Picnic"
Mapa: http://tiny.cc/encontropoly16jan2010

Se o tempo não ajudar, mudamos o ponto de encontro para o café-restaurante que há no meio do parque, e assinalado no mapa como "Esplanada".

Os leitores deste blog serão bem-vindos. Apareçam!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

NRE

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"New Relationship Energy" - Aquela coisinha que se sente quando se inicia uma nova e emocionante relação. Já a senti por estar apaixonado, já a senti por ter conhecido um/a amig@ extremamente interessante... Acho que há várias modalidades desta NRE.

Melhor ainda, é poder partilhar a NRE com outra pessoa que se ama. Viva a compersion! :)

Isto tudo em honra de uma excelente e produtiva tarde.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Sentindo-me como alguém "em amor"

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You'll be given love | You'll be taken care of | You'll be given love | You have to trust it | Maybe not from the sources | You have poured yours | Maybe not from the directions | You are staring at || Twist your head around | It's all around you | All is full of love | All around you || All is full of love | You just ain't receiving | All is full of love | Your phone is off the hook | All is full of love | Your doors are all shut | All is full of love.

Há uns dias conversava com alguém que acabava de conhecer e que por sua vez acabava de conhecer o poliamor. E ouvi-me a mim própria falar de amor e relações como há muito não o fazia. Qualquer coisa entre aquela esperança idiota de quem continua a voar alto com asas partidas, e o realismo objectivo de quem sabe que às vezes é mesmo tudo muito fácil e rápido. O dia era de chuva e frio, como aliás se tem repetido todos os dias desta semana, e no entanto tudo me parecia perfeito, banhado de uma luz reveladora.

Ultimamente vou trabalhar a cantar. E sorrio às pessoas do carro ao lado... “Hearing guitars, like someone in love”... Nestes momentos de abundância, parece-nos de facto que o mundo e as pessoas estão cheias de amor para dar, e temos sido nós quem se tem fechado a esse fluxo.

Hoje é o aniversário de alguém que me tem iluminado os dias. E em vez de me sentir dominada pela ansiedade do reencontro ou do futuro, sinto-me apenas a flutuar numa nuvem de auto-confiança, amor-próprio e alegria.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

«O tic-tac do meu coração»

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Na minha festa de aniversário do ano passado tive um momento «tão bonito que me senti meio anirvanado», como escrevi na altura. Eu, uma amiga por quem me sentia muito atraído e um grande amigo dela que conheci na altura estivemos em troca de carinhos num V que terá sido talvez a minha primeira situação poly-indeed. Sim, era polivirgem, apesar de ter já trinta anos de defesa de uma coisa que só quase cinquentão viria a saber chamar-se «poliamor». Aquele momento foi, para um poliamorista, o equivalente ao primeiro beijo para um adolescente (e nem beijo houve, reparem!).

Agora, no fim-de-ano, voltei a encontrar-me com essa minha amiga e tive o meu primeiro threesome. Não vou contar aqui pormenores. Digo apenas que me senti novamente «meio anirvanado» por ver as outras duas pessoas tão enamoradamente enleadas. Compersão pura.

O que acontece num fim-de-ano pode ser encarado como um rito de passagem se, na ficção que cada um vai fazendo da sua própria vida, quiser encaixar essa interpretação.

Não estivesse eu, neste momento, mal por dentro, e comigo próprio (por ter descoberto há quinze dias uma característica em mim que não me lembro de conhecer e que não me agrada minimamente; e por não saber se a coisa passa ou veio para ficar; e por não saber ainda se devo falar disso seja a quem for — logo eu, que nunca tive problemas em esventrar-me e mostrar as mais sórdidas entranhas)… Se, dizia eu, não andasse com esse peso pendurado aos ombros e a puxar-me para baixo, ainda mais acrescido do lastro do «desemprego», estaria agora com o «tic-tac do meu coração» a bater fortemente em Allegro vivace con fuoco.

Mas a ideia de que cumpri um rito de passagem deixou-me pelo menos suficientemente autoconfiante para poder ouvir uma música divertida com uma letra triste e simplesmente adorar a música, a ponto de me puxar uma alegre lagrimeta de felicidade. E pronto, hoje é isto que me apetece partilhar.

«Tic-tac do meu coração», uma canção com setenta anos, dos compositores de MPB Alcyr Pires Vermelho e Valfrido Silva, celebrizada pela meio-portuguesa Carmen Miranda, e aqui numa fantástica interpretação de uma cantora paulista genial mas quase desconhecida em Portugal: Ná Ozzetti.


E, já agora, aqui fica a própria Carmen Miranda, no papel de Rosita Murphy, a cantar o «Tic-tac …» no filme americano Springtime in the Rockies ("A minha secretária brasileira"), de 1942:

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Gestão de tempo

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O tema da gestão de tempo é um tema recorrente a propósito de poliamor. Tornou-se também pessoalmente premente para mim ultimamente, e acabei por escrever um texto para uma publicação local do qual apresento aqui um resumo traduzido.

Para quem vê poly de fora, pela primeira vez, e pensa nas coisas com alguma seriedade, a questão da gestão do tempo surge quase automaticamente. Nem sempre, mas frequentemente, uma relação monogamica assume que o tempo livre dx nossx parceirx é automaticamente tempo da relação. A pergunta que devolvo, é, essa assumpção é automática ou foi pensada? é que se foi pensada e conscientemente aceita, acho muito bem, divirtam-se, e ficamos por aqui. Mas lanço alguns desafios a quem fez essa assumpção sem sequer dar por isso (muito fácil, mais fácil do que se pensa).

Na verdade, a maioria das considerações e questões acerca da gestão de tempo, fazem sentido para qualquer relação, seja poly ou não.

A gestão do tempo passa por sabermos em primeiro lugar, não quanto tempo precisamos (ou "elxs" precisam) para a relação, mas quanto tempo precisamos em geral, em particular, e para que. Sugestões de categorias para dar nomes aos bois e facilitar este exercício, são:

1) tempo para nós próprios (ler, hobbies, olhar para as paredes, todos os rituais que são nossos e fazem sentido apenas sozinhxs)
2) tempos para os nossos encargos (impostos, dividas, compras, trabalho, higiene, casa)
3) tempo para amizades e vida social (nem sempre queremos misturar amizades com a vida de relação)
4) tempo para sexo (o sexo, tal como o tempo, é um território pessoal, e não da relação)
5) tempo para recuperação emocional (relações emocionalmente intensas).
6)..

O exercício seguinte é repetir as mesmas perguntas com categorias semelhantes para cada parceirxs envolvidx. Se soubermos quais as condições de fronteira é mais fácil resolver o problema e descobrir os possíveis pontos de encontro. Porque nesta ordem? porque se não somos capazes de definir e defender as nossas próprias prioridades, provavelmente não seremos capazes de respeitar o espaço dxs parceirxs ou de não nos perdermos num enorme e esmagador espaço da relação.

Sim, é boa ideia perguntar-mo nos se queremos envolver parceirxs nalgumas daquelas actividades. Mas é boa ideia não o fazer automaticamente, e decidir isso em boa consciência e com cuidado.

O conceito que talvez seja muito revolucionário, e bastante divulgado em meios poly, é que o tempo é uma coisa nossa. Nao pertence a mais ninguém, nem ninguém tem direitos especiais acerca do nosso tempo, independentemente de ser ou não nosso parceirx ou amigx ou chefe de departamento.

Um possível passo seguinte, é em caso de conflitos de interesse, usar não só uma comunicação eficiente, seja qual for o estilo pessoal de cada um, mas que seja clara e eficiente e sem ambiguidade, mas também, porque a comunicação sozinha, coitada, não chega, uma postura de respeito e generosidade. Lembrem-se, malta, é uma relação, não é negociar um leilão, nem ganhar um troféu, a ideia é partilhar sentimentos positivos, dar amor, dar o nosso tempo. E por fim, talvez não seja preciso relembrar que é boa ideia respeitar os compromissos assumidos.

O tempo é a única coisa que é limitada. O amor pode ser quase ilimitado, mas o tempo é finito. Mesmo aplicando toda a sabedoria e todo o cuidado do Mundo magoaremos sempre outras pessoas devido à gestão do tempo ou de expectativas associadas com ele. Mas tentar contornar os problemas mais comuns, antecipar e eliminar expectativas não realistas por parte de outrem, e tentar sanar os conflitos que não conseguimos evitar, pode evitar a maior parte dos contratempos habituais.

domingo, 3 de janeiro de 2010

The 12 Poly Days of Christmas

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Por estarmos no 10º dia da Época de Natal, aqui vai uma versão poly da famosa canção tradicional inglesa The Twelve Days of Christmas:


Letra:

On the First Day of Christmas my true love gave to me | A quick course in polyamory

On the Second Day of Christmas my partners gave to me | Too much attention | And a quick course in polyamory

On the Third Day of Christmas my boyfriends gave to me | Three-way kisses | Too much attention | And a quick course in polyamory

On the Fourth Day of Christmas my girlfriends gave to me | Four sandwich cuddles […] And a quick course in polyamory

On the Fifth Day of Christmas my intimates gave to me | Five Ethical Sluts! […] And a quick course in polyamory

On the Sixth Day of Christmas my SOs gave to me | Six-handed massage […] And a quick course in polyamory

On the Seventh Day of Christmas my friends-with-benefits gave to me | Seven Google Calendars […] And a quick course in polyamory

On the Eighth Day of Christmas my secondaries gave to me | Eight dozen condoms […] And a quick course in polyamory

On the Ninth Day of Christmas my sweeties gave to me | Nine long discussions […] And a quick course in polyamory

On the Tenth Day of Christmas my tertiaries gave to me | ten jealousy cures […] And a quick course in polyamory

On the Eleventh Day of Christmas my spouses gave to me | Eleven Christmas dinners […] And a quick course in polyamory

On the Twelfth Day of Christmas my true loves gave to me | Twelve minutes alone […] And a quick course in polyamory

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Um novo ano

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Parece que fui eu a ficar com o post de abertura deste ano de 2010. E até é apropriado que assim o seja, como prenda pelo facto de ter feito anos esta mesma semana. :)

Para variar um bocadinho, vou manter a conversa mais curta. Eu já falei aqui, várias vezes, da questão da pura relação e dos problemas que podem estar associados - da potencial fragilidade destas relações, em que desaparece a obrigatoriedade social ou institucional de que a relação tenha de continuar para além do que seria expectável.

De certa forma, é um pouco - quando acontece - como as passagens de ano. O ano passa, e nós entregamo-nos a esses rituais de passagem, não para lamentar o que ficou para trás, mas para trabalhar para o que fica adiante.

Quando uma relação termina é, da mesma forma, importante olhar para o passado não com pesar, mas com o espírito crítico necessário para entendermos o que aconteceu. Para sabermos como podemos ser melhores pessoas a partir dali, aprendendo a identificar situações e contextos em que poderíamos ter feito as coisas de forma diferente. E, quando esse trabalho (infinito) está (mais ou menos) feito, há que seguir em frente. O próximo ano, ou a próxima relação, esperam-nos. E os lamentos apenas nos impedem de seguir em frente, apenas nos impedem de crescer.

A todxs, um bom ano.