sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Religião

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Desde a segunda metade do séc. XIX que as pessoas se têm andado a tornar agnósticas no que toca à monogamia. [...] Se Deus está morto, então tudo é permitido; mas, se a monogamia morrer, o que iremos então fazer? - Adam Phillips


E que tal poliamor?

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Má reputação

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Na primeira marcha LGBT (para quem não saiba, Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero) em que participei (8ª Marcha do Orgulho LGBT — Lisboa 2007), em «representação» do Poly Portugal, confirmei o que já pensava há muito: aquela sigla é obscura para o leigo, pouco prática e acima de tudo limitativa. O T também inclui travestis e transexuais? Onde está o Q de Queer? E o I de Intersexo? A que letra pertencerá uma associação feminista (a UMAR faz parte da organização)? E finalmente — o que me interessava ainda mais —, em que letra se poderia encaixar o Poliamor? Vale a pena ver (por exemplo aqui) a cómica evolução das siglas que têm vindo a designar o conjunto das orientações sexuais e identidades de género.

Durante a marcha, pus-me a pensar quais eram os temas partilhados pelos colectivos e individuais que participam numa marcha «lgbt» e que acrónimo facilmente memorizável se poderia criar a partir desse conceito. Cheguei à conclusão de que as minorias envolvidas reclamam, todas elas, liberdade e diversidade sexual. (Poderia argumentar-se que as questões de género não são questões sexuais mas parece-me preciosismo a mais para a definição em causa.) E foi assim que cheguei a isto, que propus como nome para as marchas seguintes, mas que não pegou:

MALDISEX — Marcha para a liberdade e diversidade sexual

Continuo a achar que a aceitação da diversidade é uma das principais bandeiras que quero carregar. E, na sequência dos meus posts anteriores em defesa da diversidade («E é lá com eles…» + «Nós e laços»), aqui deixo uma canção do fabuloso cantautor francês dos anos 50/60 Georges Brassens, intitulada La mauvaise réputation («A má reputação»)



Tradução de parte da letra:

Lá na aldeia, não é para me gabar,
Mas tenho má reputação
Quer me mate a trabalhar quer fique quieto e calado
Passo por nem sei bem o quê
Mas não faço mal a ninguém
Só porque sigo o meu próprio caminho

Mas as pessoas de bem não gostam de quem
Siga um caminho diferente do delas
Não, as pessoas de bem não gostam de quem
Siga um caminho diferente do delas
Toda a gente diz mal de mim
Excepto os mudos, é claro

[…]

Não é preciso ser um Jeremias
Para adivinhar a sorte que me vai calhar
Se encontrarem uma corda que lhes agrade
Hão-de passar-ma pelo pescoço
Mas eu não faço mal a ninguém
Por seguir caminhos que não levam a Roma

[…]
Toda a gente virá ver o meu enforcamento
Excepto os cegos, está bem de ver

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O que fiz este fim-de-semana

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Em grande falta de imaginação...

Mas talvez possa ser interessante. Este fim-de-semana resolvi dar uma festa de inauguração do meu apartamento e convidei não só amigos próximos, mas também pessoas que têm tido um significado, nem sempre positivo, nas minhas constelações e telenovelas poly.

Tive a sensação de perdoar o meu próprio passado (nas coisas que não correram tão bem, ou decisões que foram tomadas das quais não me orgulho) de ter na minha sala a minha ex namorada, que também é a corrente namorada da minha outra ex namorada-que-não-posso-ver-nem-pintada-à-frente, com a sua nova namorada, com a qual me entendi muito bem, e provavelmente me vou entender um dia destes ainda melhor. Estava também uma ex-namorada da tal minha outra ex namorada-que-não-posso-ver-nem-pintada-à-frente, que também é namorada de um play buddy meu. Gostei também de ver o meu namorado em grande aconchego-sexy com várias das pessoas da festa, e a naturalidade como tudo aconteceu. Estavam também duas grandes amigas minhas, das quais uma é uma play buddy de longa data, e que proporcionaram uma grande alegria ao me convidarem para o seu casamento, e gostei de ver como conheceram pessoas novas na minha festa que vão sem dúvida acrescentar à sua to do list.

Sim, toda a gente que estava na festa, reparo agora, vive ou já viveu poly durante vários anos.

Acabei na minha cama sem histórias novas, mas com a sensação de que tenho bons amigos à minha volta e que as coisas por vezes correm mesmo bem, e não têm mesmo que correr de outra maneira.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Boyfriend(s)

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Especialmente para os mais novos de entre os leitores deste blog, aqui vai uma curta-metragem feita há dois anos pelo americano Robert Anthony Hubbell. A ideia é simples: Kelly, uma rapariga de 16 anos, namora com Will. Apercebe-se de que gosta muito de um amigo comum, Brian, e descobre o conceito de poliamor, que transmite a ambos. O namorado, confrontado com esta ideia nova, tem de chegar às suas próprias conclusões…

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Uma carga de trabalhos

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Ontem almocei com colegas de trabalho. Um grupo de gente bem-disposta, com muito sentido de humor (coisa que acho sempre uma rara bênção) e, julgava eu, de mente aberta. Vinham de uma conversa com outro colega, sobre homossexualidade(s). Os comentários foram curtos e não me chegaram para formar uma opinião, mas diria assim de repente que grassa por ali muita ignorância e falta de experiência. Percebi que estive em silêncio durante esses minutos, e que parte da minha cabeça estava ocupada a pensar quais seriam os comentários, se soubessem de metade da minha história de vida.
O único confronto do género que tive foi depois da minha entrevista no Rádio Clube, que o meu então chefe ouviu e imediatamente reconheceu a minha voz, que mesmo rouca é, pelos vistos, inconfundível. A conversa decorreu mais ou menos assim:
— Então como é que está a andar o projecto?
— Está a correr bem. Já fiz (blá blá blá…) e estava a pensar enviar (blá blá) até ao fim da semana, para depois (blá)..
— Muito bem… (pausa) Gostei muito de a ouvir ontem.
— De me ouvir? Como assim?
— Sim, na rádio.
(Dois milésimos de segundo para escolher entre “Vou negar tudo até à morte” ou “Vou pôr as tripas em cima da mesa, seja o que Deus quiser”. Mais um milésimo para me decidir pela segunda opção, lembrar-me que não acredito em Deus e que sou eu que vou ter de enfrentar todas as consequências, que podem ir da chacota ao assédio sexual ou ao despedimento. Meio milésimo para pensar “Que se lixe!”)
— Não foi ontem, foi na quarta.
E já estava. Não fui despedida. Quanto ao resto não garanto, mas o que ouvi depois disso foram apenas elogios e frases de admiração e incentivo. Não voltei a repetir a experiência, por falta de oportunidade ou pelo meu natural recato em ambientes de trabalho. Mas qualquer coisa me diz que nem sempre teria a mesma resposta.
Que o diga o actor Ernie Joseph, que interpreta Ben na série Family, sobre uma família poly, e que no início deste ano viu um belo contrato anulado, por participar em tão infame coisa. Parece que o desgraçado nem sequer é poliamoroso. É apenas um actor a interpretar um papel. No fim de contas, somos todos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

gaj@s

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à semelhança de lisboa, em londres há uma reunião poly mensal... e esta semana a nossa amiga em londres foi pela primeira vez.

foi calorosamente recebida pelos cerca de vinte participantes e ficou sentada ao lado de um sujeito de cerca de trinta anos. avançava a conversa do grupo, assim avançava a mão e braço do tipo. murmurando ao ouvido da nossa amiga as coisas que ele lhe gostaria de fazer... até que lhe tentou dar um beijo muito molhado... na boca.

sendo ela muito "inglesa", aguentou-se um bocado à bronca, mostrando o seu "stiff upper lip", pensado que talvez este comportamento representasse uma enorme deficiência emocional do fulano... até que decidiu mandar o seu "stiff upper lip" às urtigas, levantou-se e foi-se sentar junto de outra pessoa, passando o resto do serão descansadinha da sua polyvida.

ele ainda tentou a mesma cena com outra, mas como também não correu bem, foi-se embora.

os encontros poly, sejam em londres, lisboa ou em oliveira do hospital não têm como objectivo engatar gaj@s..

muito menos dessa forma foleira a olho.

em lisboa temos um grupo poly aberto a tod@s... mas para quem quer conhecer gaj@s se calhar faz melhor ir ao erotikus à quarta ou sexta que se safa melhor.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Indirectas

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Hoje escrevi um email a meia dúzia de pessoas seleccionadas de entre os meus contactos profissionais. Aqui vai a transcrição, para todos os meus três leitores e meio aqui do blog:
Assunto: Sou de novo freelancer

Caros amigos,

É provável que já saibam que os meus sócios e eu decidimos de comum acordo encerrar a [minha empresa de produção de conteúdos e ideias, ou seja, de guiões e outros textos variados]. O fecho foi pacífico e continuamos a ter vontade de trabalhar em conjunto nos projectos que houver. Mas deixámos de ter essa obrigação. Serve assim este email para informar que sou de novo totalmente freelancer. E continuo com a mesma vontade de trabalhar que sempre tive, claro — neste momento, circunstancialmente, acompanhada de demasiada disponibilidade.

Alguns de vós talvez não tivessem este meu endereço de email pessoal. O email da [empresa] vai ficar inactivo muito em breve.

Espero que venhamos a contactar-nos em breve. Saudações cordiais,
[assinatura]
Foi a mensagem que já devia ter escrito há um mês mas que andava a adiar porque me custava. É-me difícil, de facto, dizer a um potencial empregador que tenho falta de trabalho, porque isso me coloca numa posição de desvantagem.

Por analogia, consigo de certa forma perceber que custe, a muita gente, dizer que sente falta de carinho, ou de atenção, ou mesmo de sexo. Mas parece-me que há na nossa sociedade uma clara sobreavaliação do mistério, do rodeio, das evasivas e manobras como formas de seduzir.

Queria só dizer aqui que a última vez que me lembro de ter manifestado falta de carinho, o resultado (indirecto, talvez, nunca se saberá) foi uma das quecas mais poderosas que já tive. Ou duas… que a que houve dois dias depois ainda poderia ser classificada de réplica por um sismologista competente.

Ah, e o carinho regressou. Antes, durante e depois.