segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Compersion, Amor por ressonância

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é sempre bom, e sempre bom sentir que ainda temos over and over a capacidade de sentir a tal compersion, a tal alegria ressonante, ou alegria por ressonância, ficarmos felizes por o nosso amor, ou um dos nossos amores estar nos braços de um dos seus amores (E quem diz braços, diz outros membros, ou algemas, ou lençóis, ou....)...

Mas o que me passou agora na cabeça, é que o estado talvez ainda mais desejável que essa alegria excitada é aquele em que já não se nota diferença, em que simplesmente se passa, sem pensar no assunto, uma noite como outra qualquer. Porque não é preciso pensar no assunto.

Numa nota pessoal: Estou muito feliz por voltar a sentir compersion, ou amor ressonante, porque durante uma relação recente de contornos apenas marginalmente poly senti muitos ciúmes e comecei a perguntar-me se tinha a ver comigo ou se era especifico à situação. E a resposta é, a compersion está cá, como sempre esteve. Hurra!

domingo, 29 de novembro de 2009

«Amor só dura em liberdade» — "A maçã" de Raul Seixas

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Antes de se tornar um sucesso de vendas à escala planetária, o escritor Paulo Coelho fez parceria, como letrista, com um músico que é considerado o pai do rock brasileiro: Raul Seixas.



Goste-se ou não de qualquer deles, vale a pena conhecer a música "A maçã", editada em 1975/76 no álbum Novo Aeon.


Se esse amor | Ficar entre nós dois | Vai ser tão pobre amor | Vai se gastar…

Se eu te amo e tu me amas | Um amor a dois profana | O amor de todos os mortais | Porque quem gosta de maçã | Irá gostar de todas | Porque todas são iguais…

Se eu te amo e tu me amas | E outro vem quando tu chamas | Como poderei te condenar | Infinita tua beleza | Como podes ficar presa | Que nem santa num altar…

Quando eu te escolhi | Para morar junto de mim | Eu quis ser tua alma | Ter seu corpo, tudo enfim | Mas compreendi | Que além de dois existem mais…

Amor só dura em liberdade | O ciúme é só vaidade | Sofro, mas eu vou te libertar | O que é que eu quero | Se eu te privo | Do que eu mais venero | Que é a beleza de deitar…

sábado, 28 de novembro de 2009

Last call

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Última chamada para o embarque na aventura de escrever para o PolyPortugal.

Aos Sábados este espaço está aberto a contribuições não só dos nossos convidados mas também de quem quiser escrever.

Envie o seu texto (entre 50 e 500 palavras) sobre poliamor para polyportugal@gmail.com.


Não voltaremos tão cedo a publicar um pedido de colaboração mas este anúncio não perde a validade. Neste momento, temos uma pequena carteira de pessoas que já manifestaram interesse em colaborar. Mas queremos mais. Os últimos sábados têm estado muito vazios aqui no blog.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Poly-wave

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Lembrei-me de iniciar uma Google Wave pública sobre poliamor... Espero ter muit@s participantes a colaborar nela!

:)

Mais informações:



quinta-feira, 26 de novembro de 2009

"Isso é uma teima?"

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Os últimos dias têm sido de stress constante. Não é que seja grande novidade na profissão que escolhi. Mas hoje senti-me mesmo a quebrar. O conflito é algo que me desgasta. E que evito muitas vezes a todo o custo, provavelmente mais do que deveria. Se tiver de escolher, prefiro o silêncio ao conflito. E houve bastante dos dois nos meus anos de crescimento.
Em quase todas as relações profundas que tive, surgiram momentos de confronto, para mim bastante dolorosos e angustiantes. E quando terminam, sinto-me como se tivesse corrido uma maratona. Um cansaço físico e psicológico que se torna incapacitante.
Nestas alturas lembro-me muitas vezes de um capítulo do livro “The Ethical Slut”, que se chama “Embracing Conflict”. Pelos vistos é normal que haja conflito numa relação. E quando essa relação inclui várias pessoas, personalidades e vontades, a coisa pode multiplicar-se na mesma proporção que se multiplica o amor e a felicidade.
Uma das coisas que as autoras preconizam é que se use o que chamam de “I sentences”, ou frases começadas por “eu”. Que se diga “Eu sinto-me…” em vez de “Tu fazes-me sentir…”. Porque os sentimentos são nossos e no limite somos nós os únicos responsáveis por eles.
Há vários conselhos nesse capítulo que considero bastante úteis (descontando o carácter de auto-ajuda de livro de aeroporto). Não funcionarão com toda a gente nem em todas as circunstâncias. Mas pelo menos ajudam a desmontar esta ideia romântica de que os sentimentos são algo de completamente irracional e incontrolável, pretexto para os mais descuidados atropelos da saúde emocional de quem se ama.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

como vão ser os próximos 364 dias?

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em portugal, este ano:

morreram 26 mulheres vitimas de violência doméstica ou afectiva;

43 sobreviveram a tentativas de assassínio por parte de companheiros ou ex-companheiros...

milhares de mulheres são:

diariamente agredidas física e/ou psicologicamente;
muitas são também violadas nas suas casas...

tudo isto pelos homens que as amam!

grande número destes casos prende-se com a necessidade de controlo que os homens sentem que devem ter sobre as "suas" mulheres. isolam-nas por forma a exercer um poder que normalmente está na fronteira do patológico. fazem-nas pensar que não prestam e que, se eles as deixarem, ninguém mais as vai querer. têm ciúmes de tudo e todos.

este sentimento de posse, ainda "autorizado" pela sociedade patriarcal em que vivemos, é o cerne da questão. é preciso perceber-se que não temos direitos sobre os outros. as pessoas estão porque querem e se sentem bem.

aceitar as pessoas por aquilo que elas são e não tentar moldá-las à imagem que gostaríamos de ter delas é fundamental para a felicidade.

mas o que tem a haver esta questão da violência afectiva com o poliamor?

não temos estatística sobre a violência nas relações poliamorosas, claro, mas provavelmente serão muitíssimo baixas. não será por não existir ciúme... o ciúme também existe. a diferença está na forma de se lidar com os sentimentos.

converter o ciúme em compersão (compersion, feeling frubbly - energia oposta à do ciúme) é um bom começo.

hoje é o dia internacional contra a violência contra a mulher... como vão ser os próximos 364?

terça-feira, 24 de novembro de 2009

ePoly — encontros online

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Há muitos anos, inscrevi-me pela primeira vez num site de encontros. Já nem me lembro qual. Sei que mais tarde aquilo se transformou em Kiss.com e depois foi adquirido pela uDate. Nunca mais liguei àquilo, até porque tinha de se pagar. Mas tenho uma série de amigos e amigas que conheceram parceiros na Net. Algumas das relações duram há muitos anos, outras foram bons encontros ocasionais, outras ainda um flop, claro. Eu próprio conheci algumas pessoas assim, e só me lembro de boas experiências. Nunca me interessei por coisas mais "antigas", tipo ICQ, Hi5, Messenger ou Netlog, que me parecem à partida um desperdício de tempo, mas tenho exemplos de amigas e amigos que provam o contrário, pelo menos no caso delas e deles.

O Nerve Personals, parte da secção premium — isto é, paga — da excelente revista online Nerve (sobre amor, sexo e cultura) poderia ser muito eficaz se não fosse pago e houvesse mais membros em Portugal com foto (são menos de 100). E poderia ser eficaz porque parto do princípio que ter a Nerve como gosto comum é já um ponto de partida.

Muito mais recentemente — já este ano — inscrevi-me no OKCupid, largamente melhor do que todos os sites de encontros que tinha conhecido até agora, não só porque graficamente é muito interessante mas pelo próprio conceito muito Web 2.0. Os criadores do OKCupid eram estudantes de matemática de Harvard e o sistema que inventaram consiste em propor aos utilizadores que respondam a uma bateria de perguntas de resposta múltipla sobre temas variados, desde gostos e interesses a valores e comportamentos; e que digam como gostariam que o seu parceiro ideal respondesse, e quão importante isso é. Com base nisso, um algoritmo calcula o grau de compatibilidade entre cada par de pessoas, no formato (por exemplo) "92% Match, 88% Friend, 6% Enemy".

Agora que o PolyMatchmaker foi relançado, tratei logo de me inscrever, para testar a coisa. Como foi dito no post de domingo, ainda há menos de 20 membros em Portugal. E só 3 têm foto ainda (um deles sou eu)! Mas fiquei contente por verificar que, no próprio dia em que me inscrevi, fui contactado por duas pessoas, uma em Espanha e a outra nos Estados Unidos. Pelo menos como rede social pode funcionar. E, se o número de portugueses aumentar, quem sabe não virei a conhecer ali alguém que não esteja ainda nos meus círculos de amigos poliamoristas.

Uma coisa é certa: não será esta a panaceia universal que vai resolver o problema de quem anda à procura de gajas. Mas deixo aqui a dica — mal não faz certamente…