terça-feira, 7 de julho de 2009

Uma é loira, outra é morena

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No sábado passado, o Jorge estreou-se aqui com um texto onde mencionava a famosa canção Eu tenho dois amores, popularizada em Portugal pelo Marco Paulo.

Um assunto de tamanha importância merece investigação séria.

Por isso aqui vai informação fidedigna: a melodia do Eu tenho dois amores é duns senhores napolitanos dos anos 50 (o autor de livros infantis Giuseppe Fanciulli e o multifacetado Nicola Salerno, também conhecido por Nisa, autor de sucessos como Non ho l'età).
O tema chama-se Guaglione:

Este Guaglione deu origem às mais variadas versões:
(um filme do Dean Martin)

(um mambo extraordinário)

(o francesíssimo Bambino da Dalida)

(uma coisa maravilhosa de Bollywood, em hindi)

e finalmente

(um xarope dum brasileiro chamado Fernando Mendes, já com a letra que viria a ser usada pelo Marco Paulo)


Diverti-me a descobrir estas pérolas, é verdade. Mas o que me levou a escrever aqui em vez de o fazer num simples comentário ao post do Jorge foi precisamente a letra, que, lá para o meio, diz assim:

Que este encanto não se acabe
E eu já pensei tanta vez
Pois enquanto ninguém sabe
Somos felizes os três


Seguramente muito pouco poliamoroso.

Citando o que o próprio Marco Paulo uma vez disse acerca desta música, "a letra espreme-se e não deita sumo". E eu acrescentaria: a loira e a morena poderão até ser felizes mas, se um dia alguma delas descobre, deita sangue. Para quê correr riscos?

A abordagem tradicional é de facto, muito masculinamente (seja lá isso o que for), continuar a enganar a loira e a morena, na esperança de que não descubram e continuem assim felizes os três… Ou, muito femininamente (raios partam estes estereótipos), desistir de um dos dois amores e escolher apenas um, vá-se lá saber com base em que critérios. Não seria mais simples, já para não dizer mais respeitador, ser honesto? Não será precisamente a isso que devia chamar-se ser fiel? Ser fiel a um amigo é não lhe mentir. Mas ser fiel a um amante, nesta nossa estranha sociedade, é afinal mentirmo-nos a nós próprios, negarmo-nos o direito a viver em pleno os nossos sentimentos.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Dois campos de férias poly

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Na Europa vai havendo actividades e gatherings poly. A "yours trully" organiza, além de encontros poly regulares na cidade onde arrasta a sua galderice, um summercamp poly para mulheres e trans (ver: http://www.blogger.com/www.diepolytanten.de.tc, 8-15 Agosto no Maulkuppe, perto de Fulda). Hoje vai falar-vos desse campo e do evento aberto para todos...

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O summercamp internacional poly (aberto a todos) vai ser de 13 a 19 de Julho, em Groß Köris (perto de Berlim, à beira de um lago), e é um evento auto-organizado, ou seja, workshops e palestras serão organizados à medida que as pessoas chegarem e outras mostrarem interesse (ou não). Esperam-se cerca de 150 pessoas, e 50 estão inscritas. Os custos rondarão os 100€ para a semana toda (incluindo camping, e uso das instalações). Para quem não gosta de acampar, há a possibilidade de ficar em pequenos apartamentos a 200€ por pessoa.

Embora eu não esteja envolvida na organização deste evento em especial, se alguém tiver duvidas ou dificuldades em obter informação necessária, principalmente pessoas que queiram vir de Portugal, pode entrar em contacto comigo (ver mail no rodapé deste blog), terei prazer em ajudar.

Mais detalhes e contacto:
http://planetpoly.org/camp

(Post original: http://laundrylst.blogspot.com/2009/05/international-polycamp-near-berlin.html )

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Entretanto, a "yours trully" agradece a divulgação a um evento que está a co-organizar.

Trata-se da 3a edição do "*Férias em Vale de Galdérias* (Ferien in Schlampenau)" (8-15 Agosto no Maulkuppe, perto de Fulda), um campo de férias de orientação feminista para pessoas poly, mais precisamente para senhoras de todos os géneros (*)

Todas as tias solteiras, lambisgóia, galdérias, polys de alto e baixo coturno, ou simplesmente todas aquelas que se interessam por relações que não têm a monogamia como a primeira prioridade são bem vindas, e é a pensar em *vocês* que o campo de férias foi organizado.

Temos a oferecer a possibilidade óbvia de passar férias num ambiente em que não se tem de explicar durante horas a fio como se vive, ou seja, quase "entre iguais", algumas workshops, e um ambiente idílico. A parte do flirt fica à responsabilidade das participantes, não é da responsabilidade da organização.

Os workshops são maioritariamente em alemão, mas com possibilidade de tradução informal. Notem que isto é por vossa conta e risco, e que a organização não assume responsabilidade pela existência ou qualidade da tradução. A maior parte das participantes fala inglês e gosta de ajudar.

(*) Este campo de férias é um evento para mulheres pensado no contexto da divulgação da cultura feminista. Pessoas transgéneros que se sentem parte desta cultura, são bem vind@s.

Informação e inscrições: http://www.diepolytanten.de.tc

domingo, 5 de julho de 2009

Apresentação: 13a

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Viva! Obrigada por vir conhecer-nos.

Em jovem tinha por lema “dar/tomar devoção total”. Amuava, ouvia a mesma música dezoito vezes seguidas e esvaziava o frigorífico caso não monopolizasse o corpo, tempo e espírito de alguém preferido - não importava quantas outras provas de afeição recebesse.

E conto pelo menos QUATRO cenas de ciúmes expressos. Claro que é pouco pelos padrões portugas. Mas para alguém tão certinho como eu, foram em grande.
Por sorte, presto atenção a ferramentas emocionais que me melhorem e estimulem. Além disso, adoro conhecer o passado e aplicá-lo ao que vejo hoje. Isso ajuda-me a resistir às convenções do momento e a imaginar-lhes alternativas.
E foi assim: à medida que eu estudava a evolução da vida privada, percebia que o poliamorismo tinha características que o capacitavam a aumentar a felicidade individual e colectiva. Apliquei... e vai resultando. Hoje, o meu lema é de Guimarães Rosa: “Pão, pão, beijo, beijo”.

Quanto a“13a”, significa “treza” ou “Teresa”. Ser poly é simplificar nome e vida :D

sábado, 4 de julho de 2009

Serei louco?!?

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Esta pergunta serve para introduzir um pequeno texto que está na Wikipédia e que me fez sorrir... "Estudos têm demonstrado que o escaneamento dos cérebros dos indivíduos apaixonados exibe uma semelhança com as pessoas portadoras de uma doença mental. O amor cria uma atividade na mesma área do cérebro que a fome, a sede, e drogas pesadas, (...)" [A tradução é literal, não liguem à ortografia...]

Mas afinal o que é o Amor?
Não, não devia entrar por aqui... Mas às vezes dá-me para isto. Alguém sabe exactamente?!?
Tenho a certeza que já foram dadas inúmeras definições. Tenho a certeza que varia conforme a pessoa a quem perguntarem.
O amor é infinito, o amor não tem limites, é o sentimento mais forte que existe em nós. Como alguém canta(va)... [A letra não é do Marco Paulo.]
"Eu tenho dois amores
Que em nada são iguais
Mas não tenho a certeza
De qual eu gosto mais"

E é mesmo aqui que está o cerne da questão!
Dois amores, amar duas pessoas que em nada são iguais, mas isso é possível?
Claro, estamos a falar de Amor...
É infinito, não se esgota, não se mede, e portanto podemos dá-lo à vontade que nunca se acaba.

Eu dou o meu amor às pessoas de quem gosto e por quem me apaixono, e para mim amar alguém é simplesmente querer a felicidade dessa pessoa!!
É a minha maneira de ver as coisas, a minha maneira de estar.
Para mim qualquer opção que tomemos deve ser respeitada desde que não interfira com terceiros, por isso eu respeito todos os tipos de relações que existem e gostaria que respeitassem a minha também.

Mas aquela letra, apesar de levantar uma questão interessantíssima, não reflecte a minha maneira de pensar. Teria de a alterar para algo como:
Eu tenho poli amores
Que em nada são iguais
Mas tenho a certeza
De qual eu gosto mais

Ora, poli porque podem ser vários e não apenas 2.
Que em nada são iguais, mantenho e é óbvio, não há duas pessoas iguais! Quando amo alguém é pelo conjunto, por todas as peças que constituem aquele ser, incluindo os seus "pequenos" defeitos.
E eu tenho a certeza de qual gosto mais!
Sabem de qual gosto mais?
De todos!!
(E de mim também, acho importante o amor próprio!)
Amar não é para mim uma competição. Eu gostar mais ou menos de alguém não interfere em nada com o que eu gosto de outra pessoa. Não há para mim, melhores nem piores, primários nem secundários, cada um é como é, cada relação tem as suas características próprias, uma identidade própria.
Uma relação pode conter duas ou mais pessoas. Eu posso estar numa ou mais relações.

E muito mais havia a dizer sobre tudo isto, mas tem de ficar para outra altura!

Serei louco?!?
Sou, julgo, apenas humano.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Apresentação... jovem

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Tal como o meu amigo ShortOkapi, também eu não tenho grandes problemas em "dar a cara", e podem inclusive ver algumas das vezes em que o fiz aqui.

Como se nota, o meu nome é Daniel (último nome, Cardoso) - e sou um jovenzinho perdido no meio disto tudo. Pronto, está bem, não sou... (PS - Dois perfis, qual o mais desactualizado?)

Mas conto a história que conto habitualmente: tinha 17 anos e deram-me a ler, entre vários livros interessantíssimos, um tal de Um Estranho numa Terra Estranha, do Robert Heinlein. Eu nunca tinha ouvido falar de semelhante pessoa, mas lá li. E nunca tinha realmente pensado em relações amorosas muito mais do que o metafórico "vizinho do lado" - o que li ali fez-me muito sentido, para a altura. O que fiz em seguida - estava eu no 12º ano - foi publicar um texto de uma página, no jornal da minha escola, "contra o casamento e contra a monogamia". (Ainda o hei-de re-publicar por aqui, por razões afectivas e lamechices afins mais do que pelo conteúdo!)

Pouco tempo depois iniciei uma relação com uma colega da mesma escola, que obviamente também tinha lido o texto mas que, como eu, nunca tinha reflectido realmente sobre essa coisa da dinâmica das relações. E ela não só quis iniciar uma relação comigo, como também quis tentar perceber se as minhas recentes ideias sobre o que uma relação (amorosa, de amizade, etc...) podia ser iriam de encontro à sua maneira de ver a sua vida, de sentir (e de se sentir [bem]).

Cinco anos já passaram - estou com 22 agora, para quem não quiser fazer as contas - e, por altos e baixos, por momentos mais felizes ou mais disparatados, a relação manteve-se assim. Entretanto descobrimos ambos que havia uma palavra para isto, descobrimos ambos que havia muito mais pessoas a reflectir sobre estes assuntos, descobrimos que havia todo um manancial de informação que poderíamos usar para tornar a nossa vida mais fácil. E mais complexa.

A propósito, descobri também que esta maneira de entrar no poliamor é essencialmente um grande grande cliché, o que só vem demonstrar que os clichés não surgem do nada...

Por (de)formação educacional, enfiei-me no mundo da investigação, determinado a tentar perceber mais alguma coisa sobre este fenómeno. A ele tenho dedicado a minha tese de Mestrado, na esperança de despoletar alguma faísca de investigação sobre o tema no nosso país, para que não estejamos tão brutalmente atrasados em relação a outros países, e para que não andemos sempre a reboque de investigações alheias...

Suspeito que uma boa parte da minha participação aqui será a de tentar olhar para o que outras pessoas disseram e conseguir trazer algo de bom para pensar o poliamor através disso. Porque o poliamor também não caiu do céu - como é que apareceu? Porquê? Que implicações pode ter? E, ao fazê-lo, espero encetar o diálogo com @s possíveis leitor@s deste nosso espaço/mundo/livro.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Apresentação: Lara

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Quem é a Lara?
Sou uma pessoa igual às outras, com a mania de interrogar tudo o que me dão como adquirido, principalmente frases começadas por “O que está certo é…” ou “As meninas não devem…”.
O que é para ti o Poliamor?
A minha definição de poliamor está no site www.poliamor.pt.to. Escrevi-a em 2003, ainda em plena fase de descoberta, e continua hoje a fazer-me sentido.
Como aconteceu essa descoberta?
Estava um dia a pesquisar na net sobre swing (a coisa mais parecida que tinha encontrado até então para me descrever) e descobri uma página cujo único conteúdo era uma definição de poliamor, acrescentando em maiúsculas “Polyamory is not Swinging”. Nesse momento fez-se luz, e foi uma alegria perceber que não era uma freak no meio dos freaks, que havia mais pessoas a pensar exactamente como eu.
E a partir daí começaste a ser poly?
Não, acho que sou poliamorosa desde que nasci. Vejo-o como uma orientação sexual e não como uma coisa que passas a ser de repente. Quando descobri esse site já tinha uma relação poly há quatro anos. Simplesmente descobrimos que havia um nome para aquilo que tínhamos.
Essa relação mantém-se?
Sim, há 12 maravilhosos anos.
Mas há outras relações?
Vai havendo, sim. Várias pessoas se cruzam no nosso caminho e cada uma é um indivíduo e uma história diferente. Não há hierarquias definidas nem guiões pré-estabelecidos. Há pessoas que entram e saem, outras que ficam durante anos ou que nunca mais saem. Esta relação de 12 anos é uma dessas.
E há espaço para tanto amor?
Então não há? O que muitas vezes não há, é tanto tempo como gostaríamos, mas esse é o maior dilema e a maior riqueza da nossa época. O nosso coração é um espaço infinito, com uma capacidade imensa de dar e receber. Se “o saber não ocupa lugar”, porque há-de ocupar o amor, que é uma coisa espontânea e natural?
No meio disso tudo ainda sobra tempo para escrever em blogs?
Nem por isso, mas eu tenho um bocado aquela atitude que o Mário Soares dizia ter quando se candidatou a presidente com 82 anos: se ninguém se chega à frente, chego-me eu. Assim participei em algumas entrevistas, criei o site Poliamor, um canal no mirc, e outros grupos pela net fora. Neste momento sou moderadora do poly_portugal, mas passo qualquer uma destas pastas assim que me convençam que alguém o pode e quer fazer melhor.
Agora a sério, isto não é tudo mais um dos teus truques de engate?
Eh pá, não tinha pensado nisso. Mas achas que pode funcionar?

quarta-feira, 1 de julho de 2009

coitada! com um filho assim...

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"coitada! com um filho assim! então não é que tem duas namoradas... e ao mesmo tempo!" e já agora a saberem uma da outra, digo eu! numa vila pequena como carcavelos não é fácil esconder muita coisa!


muito sofreu a "coitada" da mãe... tão boa pessoa que era e logo com um filho galdério!

mas se o filho o tivesse feito às escondidas de uma e outra das suas namoradas, em vez de reprovação se calhar teria admiração... não da mãe, claro... essa cedo percebeu que o dito era um "caso perdido", mas das amigas fofoqueiras e acima de tudo de seus maridos roídos de inveja!

mas as pessoas não são perfeitas! pressionado por uma sociedade heteronormativa e monogâmica ainda tentei "alinhar". cedo descobri que os casalinhos tradicionais só levam à traição, ciúme e mau estar geral.

solução social: passa-se em frente... cada um@ arranja outr@, mas sempre sob condição de esquecer o anterior... não interessa se ainda se gosta dessa pessoa, as regras ditam que não pode, já que está encantad@/apaixonad@ por outr@. socialmente não se pode amar duas ou três ou quatro pessoas ao mesmo tempo!

solução real: procurei soluções inclusivas em que cada pessoa envolvida na relação soubesse exactamente ao que ia e com quem podia contar. não acho essencial que tod@s se envolvam com tod@s, mas é importante que haja capacidade de ser-se honest@ ao longo do percurso.

e depois descobri que há nome para esta coisa: poliamor! e que há outr@s como eu... muit@s!

ser-se poliamoros@ é uma forma não monogâmica de estar na vida e de nos relacionarmos com pessoas de quem gostamos e amamos.

... e por agora conto estar por aqui às quartas-feiras!