domingo, 5 de julho de 2009

Apresentação: 13a

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Viva! Obrigada por vir conhecer-nos.

Em jovem tinha por lema “dar/tomar devoção total”. Amuava, ouvia a mesma música dezoito vezes seguidas e esvaziava o frigorífico caso não monopolizasse o corpo, tempo e espírito de alguém preferido - não importava quantas outras provas de afeição recebesse.

E conto pelo menos QUATRO cenas de ciúmes expressos. Claro que é pouco pelos padrões portugas. Mas para alguém tão certinho como eu, foram em grande.
Por sorte, presto atenção a ferramentas emocionais que me melhorem e estimulem. Além disso, adoro conhecer o passado e aplicá-lo ao que vejo hoje. Isso ajuda-me a resistir às convenções do momento e a imaginar-lhes alternativas.
E foi assim: à medida que eu estudava a evolução da vida privada, percebia que o poliamorismo tinha características que o capacitavam a aumentar a felicidade individual e colectiva. Apliquei... e vai resultando. Hoje, o meu lema é de Guimarães Rosa: “Pão, pão, beijo, beijo”.

Quanto a“13a”, significa “treza” ou “Teresa”. Ser poly é simplificar nome e vida :D

sábado, 4 de julho de 2009

Serei louco?!?

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Esta pergunta serve para introduzir um pequeno texto que está na Wikipédia e que me fez sorrir... "Estudos têm demonstrado que o escaneamento dos cérebros dos indivíduos apaixonados exibe uma semelhança com as pessoas portadoras de uma doença mental. O amor cria uma atividade na mesma área do cérebro que a fome, a sede, e drogas pesadas, (...)" [A tradução é literal, não liguem à ortografia...]

Mas afinal o que é o Amor?
Não, não devia entrar por aqui... Mas às vezes dá-me para isto. Alguém sabe exactamente?!?
Tenho a certeza que já foram dadas inúmeras definições. Tenho a certeza que varia conforme a pessoa a quem perguntarem.
O amor é infinito, o amor não tem limites, é o sentimento mais forte que existe em nós. Como alguém canta(va)... [A letra não é do Marco Paulo.]
"Eu tenho dois amores
Que em nada são iguais
Mas não tenho a certeza
De qual eu gosto mais"

E é mesmo aqui que está o cerne da questão!
Dois amores, amar duas pessoas que em nada são iguais, mas isso é possível?
Claro, estamos a falar de Amor...
É infinito, não se esgota, não se mede, e portanto podemos dá-lo à vontade que nunca se acaba.

Eu dou o meu amor às pessoas de quem gosto e por quem me apaixono, e para mim amar alguém é simplesmente querer a felicidade dessa pessoa!!
É a minha maneira de ver as coisas, a minha maneira de estar.
Para mim qualquer opção que tomemos deve ser respeitada desde que não interfira com terceiros, por isso eu respeito todos os tipos de relações que existem e gostaria que respeitassem a minha também.

Mas aquela letra, apesar de levantar uma questão interessantíssima, não reflecte a minha maneira de pensar. Teria de a alterar para algo como:
Eu tenho poli amores
Que em nada são iguais
Mas tenho a certeza
De qual eu gosto mais

Ora, poli porque podem ser vários e não apenas 2.
Que em nada são iguais, mantenho e é óbvio, não há duas pessoas iguais! Quando amo alguém é pelo conjunto, por todas as peças que constituem aquele ser, incluindo os seus "pequenos" defeitos.
E eu tenho a certeza de qual gosto mais!
Sabem de qual gosto mais?
De todos!!
(E de mim também, acho importante o amor próprio!)
Amar não é para mim uma competição. Eu gostar mais ou menos de alguém não interfere em nada com o que eu gosto de outra pessoa. Não há para mim, melhores nem piores, primários nem secundários, cada um é como é, cada relação tem as suas características próprias, uma identidade própria.
Uma relação pode conter duas ou mais pessoas. Eu posso estar numa ou mais relações.

E muito mais havia a dizer sobre tudo isto, mas tem de ficar para outra altura!

Serei louco?!?
Sou, julgo, apenas humano.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Apresentação... jovem

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Tal como o meu amigo ShortOkapi, também eu não tenho grandes problemas em "dar a cara", e podem inclusive ver algumas das vezes em que o fiz aqui.

Como se nota, o meu nome é Daniel (último nome, Cardoso) - e sou um jovenzinho perdido no meio disto tudo. Pronto, está bem, não sou... (PS - Dois perfis, qual o mais desactualizado?)

Mas conto a história que conto habitualmente: tinha 17 anos e deram-me a ler, entre vários livros interessantíssimos, um tal de Um Estranho numa Terra Estranha, do Robert Heinlein. Eu nunca tinha ouvido falar de semelhante pessoa, mas lá li. E nunca tinha realmente pensado em relações amorosas muito mais do que o metafórico "vizinho do lado" - o que li ali fez-me muito sentido, para a altura. O que fiz em seguida - estava eu no 12º ano - foi publicar um texto de uma página, no jornal da minha escola, "contra o casamento e contra a monogamia". (Ainda o hei-de re-publicar por aqui, por razões afectivas e lamechices afins mais do que pelo conteúdo!)

Pouco tempo depois iniciei uma relação com uma colega da mesma escola, que obviamente também tinha lido o texto mas que, como eu, nunca tinha reflectido realmente sobre essa coisa da dinâmica das relações. E ela não só quis iniciar uma relação comigo, como também quis tentar perceber se as minhas recentes ideias sobre o que uma relação (amorosa, de amizade, etc...) podia ser iriam de encontro à sua maneira de ver a sua vida, de sentir (e de se sentir [bem]).

Cinco anos já passaram - estou com 22 agora, para quem não quiser fazer as contas - e, por altos e baixos, por momentos mais felizes ou mais disparatados, a relação manteve-se assim. Entretanto descobrimos ambos que havia uma palavra para isto, descobrimos ambos que havia muito mais pessoas a reflectir sobre estes assuntos, descobrimos que havia todo um manancial de informação que poderíamos usar para tornar a nossa vida mais fácil. E mais complexa.

A propósito, descobri também que esta maneira de entrar no poliamor é essencialmente um grande grande cliché, o que só vem demonstrar que os clichés não surgem do nada...

Por (de)formação educacional, enfiei-me no mundo da investigação, determinado a tentar perceber mais alguma coisa sobre este fenómeno. A ele tenho dedicado a minha tese de Mestrado, na esperança de despoletar alguma faísca de investigação sobre o tema no nosso país, para que não estejamos tão brutalmente atrasados em relação a outros países, e para que não andemos sempre a reboque de investigações alheias...

Suspeito que uma boa parte da minha participação aqui será a de tentar olhar para o que outras pessoas disseram e conseguir trazer algo de bom para pensar o poliamor através disso. Porque o poliamor também não caiu do céu - como é que apareceu? Porquê? Que implicações pode ter? E, ao fazê-lo, espero encetar o diálogo com @s possíveis leitor@s deste nosso espaço/mundo/livro.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Apresentação: Lara

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Quem é a Lara?
Sou uma pessoa igual às outras, com a mania de interrogar tudo o que me dão como adquirido, principalmente frases começadas por “O que está certo é…” ou “As meninas não devem…”.
O que é para ti o Poliamor?
A minha definição de poliamor está no site www.poliamor.pt.to. Escrevi-a em 2003, ainda em plena fase de descoberta, e continua hoje a fazer-me sentido.
Como aconteceu essa descoberta?
Estava um dia a pesquisar na net sobre swing (a coisa mais parecida que tinha encontrado até então para me descrever) e descobri uma página cujo único conteúdo era uma definição de poliamor, acrescentando em maiúsculas “Polyamory is not Swinging”. Nesse momento fez-se luz, e foi uma alegria perceber que não era uma freak no meio dos freaks, que havia mais pessoas a pensar exactamente como eu.
E a partir daí começaste a ser poly?
Não, acho que sou poliamorosa desde que nasci. Vejo-o como uma orientação sexual e não como uma coisa que passas a ser de repente. Quando descobri esse site já tinha uma relação poly há quatro anos. Simplesmente descobrimos que havia um nome para aquilo que tínhamos.
Essa relação mantém-se?
Sim, há 12 maravilhosos anos.
Mas há outras relações?
Vai havendo, sim. Várias pessoas se cruzam no nosso caminho e cada uma é um indivíduo e uma história diferente. Não há hierarquias definidas nem guiões pré-estabelecidos. Há pessoas que entram e saem, outras que ficam durante anos ou que nunca mais saem. Esta relação de 12 anos é uma dessas.
E há espaço para tanto amor?
Então não há? O que muitas vezes não há, é tanto tempo como gostaríamos, mas esse é o maior dilema e a maior riqueza da nossa época. O nosso coração é um espaço infinito, com uma capacidade imensa de dar e receber. Se “o saber não ocupa lugar”, porque há-de ocupar o amor, que é uma coisa espontânea e natural?
No meio disso tudo ainda sobra tempo para escrever em blogs?
Nem por isso, mas eu tenho um bocado aquela atitude que o Mário Soares dizia ter quando se candidatou a presidente com 82 anos: se ninguém se chega à frente, chego-me eu. Assim participei em algumas entrevistas, criei o site Poliamor, um canal no mirc, e outros grupos pela net fora. Neste momento sou moderadora do poly_portugal, mas passo qualquer uma destas pastas assim que me convençam que alguém o pode e quer fazer melhor.
Agora a sério, isto não é tudo mais um dos teus truques de engate?
Eh pá, não tinha pensado nisso. Mas achas que pode funcionar?

quarta-feira, 1 de julho de 2009

coitada! com um filho assim...

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"coitada! com um filho assim! então não é que tem duas namoradas... e ao mesmo tempo!" e já agora a saberem uma da outra, digo eu! numa vila pequena como carcavelos não é fácil esconder muita coisa!


muito sofreu a "coitada" da mãe... tão boa pessoa que era e logo com um filho galdério!

mas se o filho o tivesse feito às escondidas de uma e outra das suas namoradas, em vez de reprovação se calhar teria admiração... não da mãe, claro... essa cedo percebeu que o dito era um "caso perdido", mas das amigas fofoqueiras e acima de tudo de seus maridos roídos de inveja!

mas as pessoas não são perfeitas! pressionado por uma sociedade heteronormativa e monogâmica ainda tentei "alinhar". cedo descobri que os casalinhos tradicionais só levam à traição, ciúme e mau estar geral.

solução social: passa-se em frente... cada um@ arranja outr@, mas sempre sob condição de esquecer o anterior... não interessa se ainda se gosta dessa pessoa, as regras ditam que não pode, já que está encantad@/apaixonad@ por outr@. socialmente não se pode amar duas ou três ou quatro pessoas ao mesmo tempo!

solução real: procurei soluções inclusivas em que cada pessoa envolvida na relação soubesse exactamente ao que ia e com quem podia contar. não acho essencial que tod@s se envolvam com tod@s, mas é importante que haja capacidade de ser-se honest@ ao longo do percurso.

e depois descobri que há nome para esta coisa: poliamor! e que há outr@s como eu... muit@s!

ser-se poliamoros@ é uma forma não monogâmica de estar na vida e de nos relacionarmos com pessoas de quem gostamos e amamos.

... e por agora conto estar por aqui às quartas-feiras!

terça-feira, 30 de junho de 2009

ShortOkapi — apresentação

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Olá, sou o ShortOkapi (explicação no fim).

Daqui a quatro horas tenho uma reunião com a autora de um livro que eu talvez venha a adaptar para cinema, e que dará um filme romântico, um chick flick. Sim, e então? É que vou propor um final em aberto que não colida com a história do livro mas deixe a sugestão de que a protagonista poderá optar por uma relação poliamorosa.

Sim, estou conscientemente a ser "activista". Mas não pretendo arcar com a missão de espalhar o evangelho poly, apesar de acreditar — mais do que os outros bloguistas, creio — que o poliamor é o futuro das relações, e só não é o passado porque andámos enganados. Há uns meses perguntei à Lara o que a fazia empenhar-se na manutenção do site e nas restantes actividades que tem levado a cabo (divulgação, panfletos, participação em marchas, entrevistas, etc). Deixou-me feliz ficar a saber que o que a move é tão simples como o que a mim faz também mexer: o desejo de conhecer gente que esteja no mesmo comprimento de onda e a quem não seja necessário reexplicar exaustivamente o que é isto de ser poliamorista. E pelo meio poder encontrar amigos, amantes, amores. E tenho-os descoberto amiúde.

Por sorte posso descontraidamente publicar o meu nome e a minha foto sem que por isso ponha em causa o meu posto de trabalho ou o meu lugar na família. Quem quiser saber mais sobre mim, de resto, pode sempre começar no meu Perfil Google.

Nas próximas mensagens que assinar, no entanto, falarei muitas vezes na terceira pessoa. E vou sempre chamar N. a tod@s @s protagonistas das histórias que contar. Mesmo que alguns dos N. sejam eu próprio. E vou baralhar o género propositadamente. Faço isso apenas porque algumas das histórias que me apetece contar envolvem amigos e amigas minhas cuja privacidade respeito; ou amig@s deles e delas cuja privacidade tenho de respeitar.

Para terminar: ShortOkapi porquê?

Quem me conhecer sabe porquê "Short". Sou um dos mais baixos não-anões da Península Ibérica. É apenas descritivo, portanto.

"Okapi" não, é wishful thinking, um quem-me-dera. O ocapi é uma espécie de girafa enfezada com uma característica invulgar: é o único mamífero capaz de lamber as suas próprias orelhas. Por dentro e por fora.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Apresentação: Perfil Antidote

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Antidote é uma activista LGBT e do poliamor, escreve há alguns anos sobre poliamor e outros temas libertários em blog próprio, o Our Laundry List. Está muito contente de poder finalmente escrever em equipa com pessoas de igual background e motivação galdéria... Antidote mantém anonimato na blogosfera porque lhe permite escrever com liberdade sem que isso comprometa emprego ou a imagem do mundo de pessoas que lhe são queridas mas que ela já não procura converter. No entanto, apresenta-se consistentemente, e por uma questão de responsabilidade, com a sua verdadeira identidade em workshops, gatherings, mailing lists, etc., que organiza ou frequenta....