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terça-feira, 25 de outubro de 2011

A Tertúlia é esta semana

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Já estão todxs prontxs para a Tertúlia, promovida pelo Clube Safo, esta semana?

A falar, em representação do PolyPortugal, estarão a Inês Rôlo e o Daniel Cardoso.

A propósito, a tertúlia recebeu tempo de antena no programa "Vidas Alternativas", de António Serzedelo! Ouçam aqui!









sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Diálogo sobre Poder e Ética

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Finalmente, depois de uns quantos atrasos, está cá fora, e disponível para leitura, uma conversa que teve lugar entre o Pepper Mint e eu, sobre poder, ética, poliamor e teoria queer.

O Pepper Mint é um autor e activista poly/BDSM famoso, de São Francisco (EUA), que teve, entre outras coisas, um artigo publicado no Understanding Non-Monogamies.

LINK (em inglês)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Tertúlia "Poliamor"

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Apareçam e divulguem - Dia 29 de Outubro, pelas 17h!

Quando duas pessoas têm uma relação, será que não se sentem atraídas por outras? E quando tal acontece, o que se faz?

a)    Põe-se a relação acima de tudo e refreiam-se interesses e desejos em nome do amor, ficando com a frustração e muitas vezes a amargura de ter abdicado de algo por causa de outra pessoa…?
b)    Entra-se numa relação “extra-conjugal”, num ciclo de mentiras, segredos  e sentimentos de culpa, que muitas vezes envenenam todas as relações?
c)    Termina-se a primeira relação e inicia-se uma nova, muitas vezes sabendo que se deixa alguém com quem se era feliz e sem ter a certeza de que o que se faz é o melhor para todos os envolvidos?
d)    Procura-se uma alternativa? … existe uma alternativa????

Afinal,
  •   é possível sentir amor e atracção por mais do que uma pessoa?
  •   é aceitável relacionar-se com mais do que uma pessoa ao mesmo tempo?
  •   é positivo ser capaz de ter mais do que uma relação amorosa?
  •   A honestidade é compatível com a fidelidade?
Eis algumas das questões que nos surgem quando se fala de Poliamor? Mas afinal o que é “poliamor”, quem são os “poliamorosos”? Serão as pessoas que assumem de forma honesta e consentida que uma relação amorosa e /ou sexual pode incluir mais do que duas pessoas? E como se relacionam entre si essas pessoas?

Vamos reflectir, descobrir, debater todas estas questões na Tertúlia do Clube Safo.
Dia 29 de Outubro, pelas 17h.
(Acede ao evento no facebook!)

Projecção do documentário Férias em Vale Galdérias.


Conversa com Inês Rolo e Daniel Cardoso, do PolyPortugal, disponíveis para responder a todas as questões da assistência.

Inês Rolo, investigadora em Estudos sobre as Mulheres, falará sobre o que é ser poliamorosa, lésbica, queer, jovem e feminista.
Daniel Cardoso, Doutorando em Ciências da Comunicação e com uma tese de mestrado sobre Poliamor, tentará explicitar o lugar do poliamor na crítica feminista à monogamia, na crítica feminista à mono-normatividade, no potencial da não-monogamia lésbica como prática de luta contra o sistema patriarcal…

Vamos animar o debate?

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Vira o disco

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...e toca o mesmo.

Foi há uma semana que, na sequência de uma conversa via Facebook, Manuel Damas (presidente da CASA) decidiu utilizar o seu programa no Porto Canal (cujo tema já antes tinha sido definido como sendo "poliamor", para essa semana) para, à falta de melhor termo, avacalhar. Que é como quem diz: falou-se pouco (e mal) de poliamor, mas falou-se bastante de mim, das Panteras Rosa, bem como de outras pessoas que andam metidas no activismo.

Não vou pôr-me aqui a desmontar os argumentos simplistas do M.D. (quando se ataca alguém pela forma como anda vestido, já se está a raspar o fundo do barril) porque isso seria aborrecido (para vós e para mim). Mas vou aproveitar a questão para fazer um pouco de meta-análise a algumas coisas que por lá se ouviram, e que julgo serem dignas disso.

Primeira questão - tamanho.
A ideia está repetida até à exaustão que xs poliamorosxs são meia dúzia de gatxs pingadxs que por aqui andam, numa coisa que não tem visibilidade nem credibilidade. Mas a realidade permite-se discordar. Está neste momento, nos EUA, a ser discutido o fim do Defense of Marriage Act e, como não podia deixar de ser, o poliamor está a ser mencionado (explicitamente) como um dos grandes perigos caso se cometa o inominável crime de deixar as pessoas do mesmo sexo casarem entre si (alerta de ironia para quem está a dormir) - por virtude de um argumento slippery slope, "se fazemos X, vamos acabar com Y; logo, não podemos fazer X". No Canadá, a coisa está e tem estado nos tribunais, e mobilizado bastante atenção, criando uma espécie de movimento de avalanche de workshops e reconhecimento social. Nada disto é típico de um tema que, supostamente, só diz respeito a meia dúzia de pessoas... Indirectamente, a oposição ao poliamor (e, já agora, a quaisquer outras formas de não-monogamia consensual e responsável, ou a outras sexualidades ainda menos mainstream) é também a oposição ao avanço dos direitos civis em contexto geral - porque se estão a fornecer argumentos e força às pessoas que supostamente queremos evitar.

Segunda questão - identidade.
Foi atirada a ideia de que o poliamor não é uma identidade. Que é apenas um comportamento relacional ("como a violência doméstica" - que exemplo tão isento, não é?). Mas, agora perguntam vocês, afinal o que é uma identidade? Vamos simplificar: uma identidade é uma coisa com a qual nos identificamos. Algo que dizemos que somos. É um conjunto de atitudes, crenças, valores, padrões morais, hábitos - que são socialmente construídos em interacção connosco. Assim, ser do Rio Ave é uma identidade, ser mulher é uma identidade, ser homossexual é uma identidade e, espanto dos espantos, ser poliamorosx é uma identidade. A sério, isto não é ciência de foguetões. E não me venham com a coisa das identidades essenciais que nunca se mudam e já nascem connosco, porque senão eu zango-me e vou fazer queixinhas à Lisa Diamond.

Terceira questão - amor ou virar mesmo o disco.
Amor... Ah, o amor... essa coisa inefável, indefinível, incomportável... [som de disco riscado].
Alto lá com isso. O "amor" é, como tudo o resto, socialmente e culturalmente variável. Não se ama aqui da mesma maneira que se ama ali. É possível até historiografar a forma como amamos (ou amámos?). O amor, e as relações afectivas, são historicamente variáveis, culturalmente variáveis, espacialmente variáveis... acham que se ama da mesma maneira em todo o mundo, que se vivem as famílias da maneira como nós as vivemos, em todo o mundo? Então acham muito mal... O amor, como qualquer palavra, é polissémico. Muda. E, para não estar a repetir o último link, vai continuar a mudar. Se há coisa que me incomoda é aquele pessoal que acha que pode chegar e dizer: "O Amor Verdadeiro (TM) é assim, assim e assado" [tradução: heterossexual, monogâmico e monoamoroso]. Ou então, o pessoal que tira um dos assins ou assados, mas quer deixar o resto. Porque convém. Porque a cabecinha não dá para mais. Porque não vêem a parvoíce de fazer de conta que as coisas mudam mas não mudam... enfim.

Questão agregada
Porque é que o discurso do M.D. é tão significativo que lhe dedico mais um post? Precisamente pela sua falta de originalidade. O discurso do M.D. é importante na medida em que representa uma determinada postura mental, e não um trabalho de reflexão pessoal criativo. O M.D., com a sua postura contra o poliamor, representa a luta pela institucionalização normativa de algumas afectividades e algumas sexualidades, dentro de um quadro de trabalho essencialista, que defende um conjunto restrito de valores ao mesmo tempo que pretende deixar outros elementos (inseparáveis) intocados. Só que não dá para escolher. A vida não funciona assim - se nós questionamos umas coisas e não outras, eventualmente alguém vai dar pela contradição, pela incoerência, e começar a fazer força nesse sentido.
O M.D. afirma-se herói dos fracos e oprimidos, canta a Ode da Ascensão contra os poderes instituídos - mas o M.D. não quer eliminar a lógica dos poderes instituídos, quer ocupar a posição dos poderes instituídos (ou, vá lá, fazer parte do panteão). M.D. quer um lugar na História, e repetirá para isso o mesmo discurso de quem o queria deixar fora da História. Ele próprio afirma a importância da seriedade, da sobriedade. M.D. deseja comandar respeito, admiração.
M.D. esquece-se que a seriedade e a sobriedade vêm da estrutura patriarcal, machista, homofóbica, misógina e hierarquizante. (Ou não se esquece, e apenas não se importa.) M.D. quer dar cabo dessa estrutura - mas só de um bocadinho...

Vou-me armar em Nostradamus: não. serve. de. nada. A sério. Não serve de nada. As coisas mudam. E ou o pessoal faz parte da mudança, ou o pessoal acaba como este fulano. O paradigma está a mudar. A Gayle Rubin (porra, que eu farto-me de a citar!) já dizia que precisamos de uma nova ética sexual, baseada na forma como as pessoas se tratam mutuamente, e não baseada nos actos que praticam. E sabem que mais? Há quem ande aí a lutar por isso. Não importa o número de pagens que se tem à volta, a repetir o mesmo discurso em eco... Porque, carxs leitorxs, eu vou fundir a Emma Goldman e a Beatriz Preciado e dizer que o sistema patriarcal se caga todo quando se lhe apresenta uma revolução à queer, com dança, festa e sem sobriedade nenhuma. Ou então sou eu que me cago para ele.

Porque o sistema patriarcal É o sistema homofóbico É o sistema capitalista É o sistema racial É o sistema falogocêntrico É o sistema monogâmico É o sistema nacionalista É o sistema de género/sexo binarista... e É uma grande cagada.


Agora, inspirado por uma amiga, deixo-vos uma reflexão profunda, que requer, no entanto, algumas mudanças de apelido...

Continue o senhor Dantas a escrever assim que há-de ganhar muito com o Alcufurado e há-de ver que ainda apanha uma estátua de prata por um ourives do Porto, e uma exposição das maquetes pró seu monumento erecto por subscrição nacional do "Século" a favor dos feridos da guerra, e a Praça de Camões mudada em Praça Dr. Júlio Dantas, e com festas da cidade plos aniversários, e sabonetes em conta "Júlio Dantas" e pasta Dantas prós dentes, e graxa Dantas prás botas e Niveína Dantas, e comprimidos Dantas, e autoclismos Dantas e Dantas, Dantas, Dantas, Dantas... E limonadas Dantas- Magnésia.

E fique sabendo o Dantas que se um dia houver justiça em Portugal todo o mundo saberá que o autor de Os Lusíadas é o Dantas que num rasgo memorável de modéstia só consentiu a glória do seu pseudónimo Camões.

- "Manifesto Anti-Dantas", José Almada de Negreiros

sábado, 18 de junho de 2011

PolyPortugal na Marcha do Orgulho LGBT Lisboa 2011

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O PolyPortugal fez parte da Marcha do Orgulho LGBT Lisboa em 2011, e por isso mesmo o Daniel Cardoso falou em representação do grupo. Fica aqui, para memória futura, e para quem não pôde ir por alguma razão.







E, já agora, aqui fica a transcrição do manifesto:


Pela 12ª vez estamos aqui, a marchar. Pela 12ª vez procuramos uma coisa tanta vez negada: uma voz, uma imensidão de vozes. Pela 12ª vez estamos aqui, não para sermos toleradas, mas para sermos reconhecidas.

Os últimos tempos têm visto conquistas importantes para a quebra das normalidades. Mas ainda as relações são policiadas, ainda os amores e os desejos são mantidos sob a alçada do Estado, e ainda o Estado adjudica privilégios à heterossexualidade e, ainda mais explicitamente, à monogamia.

O PolyPortugal está aqui não só pela liberdade sexual mas pela liberdade de viver como desejamos sem sofrer com isso. Pela liberdade de amar mais do que uma pessoa. Pelo poliamor.

O PolyPortugal marcha pelo reconhecimento da legitimidade de todos os actos consensuais, de todas as vidas consensuais, de todas as intimidades voluntárias — enfim, de todas as possibilidades. Reclamamos o reconhecimento de que o Amor e o Desejo não têm um padrão-ouro, heterossexual, monogâmico, desigual e patriarcal. De que a normalidade é uma ferramenta de repressão e violência, que seca as diferentes opções e estilos de vida. Reclamamos o direito de multiplicar os nossos afectos sem que isso faça de nós vítimas, sem nos escondermos ou termos medo.

O poliamor é mais uma ponte que nos une — uma reivindicação de possibilidades que atravessam todas as orientações (e todas as desorientações também!), todas as preferências (incluindo a monogamia), todas as configurações corporais, de identidade, ou de desejo (e de ausência de desejo, também!).

O amor não se divide, multiplica-se. O amor não se gasta, refina-se.

Vamos amar, amar para lá das normalidades, e deixar amar com pluralidade! Deixar viver com pluralidade!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Vamos marchar!

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É já amanhã! Marcha do Orgulho LGBT, com o PolyPortugal a fazer-se representar!

Vemo-nos lá? :)

sábado, 11 de junho de 2011

Debate sobre Poliamor n(um)a Escola

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Olá. Sou finalista numa escola secundária do distrito de Braga, e os direitos LGBT, o Feminismo e o Poliamor são dos meus principais interesses. Este ano, tanto na disciplina de Sociologia (em que debatemos a questão de género e a questão da discriminação e das diferenças entre seres humanos e as suas relações) como na disciplina de História (onde nos são ensinadas as duas primeiras vagas do Movimento Feminista e a Revolução Sexual) decidi abordar, por diversas vezes, estes temas.

O que vos venho hoje aqui contar é sobre um pequeno debate que teve lugar na disciplina de História, sobre poliamor. Ao falarmos sobre a literatura existencialista, surgiu o debate sobre a relação entre Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir. Sendo grande fã de Beauvoir, decidi dar a minha opinião e falei da sua relação amorosa – uma coisa levou à outra e começou um debate bastante aceso sobre poliamor.


Apesar de ter 18 anos e já ter ouvido imensas coisas, fiquei extremamente chocada com a opinião de muitos jovens da minha turma quanto ao assunto. Frases como “o poliamor é como a prostituição, não ganham dinheiro mas…” e os típicos argumentos de que só se consegue amar uma pessoa e é impossível amar mais do que uma e que é apenas uma forma para esconder a traição, etc.

Existe uma enorme falta de tolerância mas o pior nem é essa falta de tolerância. É falta de vontade de aprender a tolerar. Porque, para além de não tolerarem e respeitarem os estilos de vida de outras pessoas, não se dão ao trabalho de entender ou de tentar perceber.

Tanto eu como outras colegas nos esforçámos para dar a entender um ponto de vista diferente e defender o poliamor como uma escolha legítima e alternativa à monogamia. Foram, porém, tentativas falhadas; foi “falar para as paredes”, pois as pessoas nem se davam ao trabalho de ouvir, apenas queriam defender as suas opiniões, que consistiam em afirmar que era uma falta de vergonha e uma forma de libertinagem e de fazer “sexo com qualquer um”.

Infelizmente não posso dizer que este (ou outros debates que ocorreram ao longo do ano lectivo sobre Feminismo, Direitos LGBT, Identidade de Género, etc.) tenham tido grande impacto na maioria das pessoas da minha turma. A maioria manteve-se com a sua mente fechada e preconceituosa. Mas houve algumas mudanças. Algumas pessoas, apesar de poucas, mudaram opiniões e tornaram-se mais tolerantes face a estes assuntos.

Ainda há um longo caminho até à tolerância e igualdade, mas acredito que conseguiremos lá chegar. São necessários mais debates e uma maior presença destes temas nas nossas escolas de forma a sensibilizar os jovens e promover uma maior igualdade.

Eu fiz a minha parte, mostrei novos pontos de vista às pessoas com quem convivo e tentei mostrar uma forma diferente de ver o Mundo. Espero que outros o façam também, pois este é um esforço de grupo e um objectivo para o qual temos de lutar todos juntos.

Boa sorte e vamos lutar pela igualdade e pela tolerância para todos!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Tiquetaque

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E já lá vão 7 anos, hoje, de não-monogamia responsável e consensual.

domingo, 1 de maio de 2011

Depois do Arraial

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Fotografia de Sofia Correia


O PolyPortugal esteve no Arraial do 25 de Abril, a 29 e 30 de Abril e, esperamos, muitas pessoas passaram a conhecer este conceito, este movimento e este grupo.

A essas pessoas, que poderão já ter vindo aqui ou ainda estarão para vir, convidamos a deixar o vosso feedback - sobre o conceito, sobre o bolo de chocolate que lá se vendeu, ou sobre tudo e mais alguma coisa!

domingo, 10 de abril de 2011

Debate sobre Poliamor na FLUL

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Aqui ficam as intervenções principais dos convidados para o debate sobre poliamor da semana passada:


Espero que gostem! E toca de promover discussão!

sábado, 2 de abril de 2011

Reequilíbrio

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Em termos de poliamor, de amor e intimidade, ou relações no geral, não sei o que é melhor ou pior, normal ou anormal, e isso cada vez me interessa menos. Por outro lado, saber o que é autêntico e me faz sentir viva, interessa-me cada vez mais.
É difícil escrever sobre a minha identidade afectiva. Quero, mas bloqueio. Há demasiada emoção e as palavras não conseguem corresponder. Tenho medo de ser mal compreendida, mal interpretada. Aprendi pela experiência que isso é possível, até provável, e sobretudo doloroso.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Interface

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Há uma coisa que me foi sendo incutida ao longo da minha breve experiência dentro do mundo da academia: o pensamento mais frutuoso não é aquele que se concentra sobre as continuidades, mas sobre as descontinuidades. Talvez essa seja uma diferença importante entre as Ciências ditas exactas e as Ciências Sociais e Humanas: a procura da tipificação (das continuidades) da primeira leva à criação de grandes sistemas teóricos; a procura das descontinuidades, das ligações e desligamentos leva à criação de grandes sistemas teóricos na segunda.

O começo de uma nova relação (ou da modificação dos termos de uma relação pré-existente) - algo que pode ser tão simples como um sim dito num café, numa resposta de reconhecimento e anuência de algo que parecia já prenunciar-se - traz consigo, antes de novas continuidades, a inauguração de uma ruptura, de uma mudança, de um interface. Não deixa de ser curioso: estou a escrever sobre poliamor, e a lembrar-me simultaneamente de uma aula que dei sobre o conceito de cyborg, onde insistia que a importância estava no interface, naquele espaço aparentemente vazio (mas não realmente vazio) onde não habita nem a tecnologia nem a biologia, precisamente porque é a zona de cruzamento e confluência entre as duas coisas, e não alguma delas ou sequer ambas. Esta ruptura, esta mudança é, numa relação poliamorosa que não esteja associada ao modelo 'don't ask, don't tell', vertical. Vertical no sentido em que, ao se iniciar primordialmente nessa relação que começa ou muda, espalha-se a todas as relações, impõe um ponto de corte sobre tudo o que está à sua volta. Aquela relação surge não apenas como momento paradigmático (por minúsculo ou até invisível que esse paradigma possa ser) para as pessoas directamente envolvidas, mas também para todas as outras à volta, que se relacionam com essas pessoas centrais.

Isto quer dizer que o princípio de uma nova relação, ou a alteração de uma relação existente, vai fazer parte da cronologia de todas as relações, vai implicar mudanças em todas as relações. Aquela ideia, que às vezes nos sentimos tentadxs a usar («não te preocupes, vai ficar tudo exactamente igual») é fundamentalmente impossível de ser verdade. Mas se há um elemento que inicia esse corte, ao iniciar uma nova relação ou modificar uma relação existente, não é apenas a esse elemento que pertence a responsabilidade do que se processa ao longo dessa linha de corte, especialmente no que diz respeito à intersecção entre essa linha de corte e as linhas das outras relações. Essa linha, ou essa zona, é a instauração da possibilidade de interface: de um ponto de conexão (de [re-]criação de sentido) entre o antes e o depois dessa linha. E o que está em jogo é a forma que esse interface adopta. Na medida em que uma relação existe entre pelo menos duas pessoas, ambas as pessoas são responsáveis pela forma como irão realizar esse acto de interface. Longe disto está, por exemplo, essa outra (distante) pessoa com quem a tal nova relação foi começada. Se essa pessoa pode parecer, ficticiamente, o nexo de origem, na verdade ela não é mais do que um nódulo possível de entre outros, uma coordenada para o desenhar desse espaço de interface.

E aqui, como é que cada pessoa ajuda a desenhar esse espaço de conexão? Como se realiza a ponte entre um antes e um depois desses eventos? À base do medo, da insegurança, da fragilidade, da dependência? É, sem dúvida, a via mais automatizada para responder, fruto de anos ou décadas de condicionamento, fruto de um contexto social que privilegia a aceitação acrítica do paradigma mono-amoroso, mesmo no meio da mais espampanante hipocrisia. Mas que tipo de interface é este? Não será esta uma forma de bloquear a criação de um espaço de interface? Não será esta uma forma de deixar cair as várias ligações que se podem manter e estabelecer dentro da própria área do interface? Há aqui o fantasma da 'crise', também. Da crise nas relações existentes quando a nova relação surge. Mas não será esta noção de crise (que nos aponta para um algo que temos que ultrapassar) uma forma de bloquear o pensar do momento em si? Do interface em si como ponto de acção, inter-acção, alteridade, transformação?

Deixo um apelo a que se pense a mudança-em-si-mesma, ao invés de nos concentrarmos num antes e num depois, numa comparação que elide, como se de algo unidimensional se tratasse, o processo da ruptura.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Valentim a 3

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Pelo terceiro ano consecutivo, o meu Dia dos Namorados foi... diferente daquilo que é suposto ser "a norma". Sabem, aquela coisa romântica do casal, as flores, o jantar à luz das velas.
Bem... Houve flores. E houve jantar. E havia velas, sim.
Só não éramos simplesmente um casal.
Éramos três.

Foi, portanto, a três, o meu Dia dos Namorados. Três, a nossa pequena constelação familiar; três: eu, namoradx, e punalua. Três. Três que lanchámos juntos, apanhámos chuva juntos, jantámos juntos, dormimos juntos. E, pelo meio, sabem o que houve, para estes três? Risos, divertimento, felicidade. Conversas sobre amigos. Planos para o futuro. Umas quantas fotografias tiradas. Uma tarte de limão merengada absolutamente deliciosa, para mim. Waffles, para elxs.
E, por algum motivo estranho (quem me dera poder achar isso normal!), não houve nem um olhar suspeito na nossa direcção. A noite inteira. Enquanto ríamos, nos beijávamos e chamávamos nomes carinhosos uns aos outrxs. Ninguém nos seguiu com os olhos, ninguém agiu como se fossemos algo de estranho. E não éramos, de facto. Éramos apenas pessoas a celebrar o Dia dos Namorados.

Foi... quase perfeito, o meu Dia dos Namorados. E o que faltou à sua perfeição não esteve, em nada, relacionado com sermos 3 e não 2. Sermos 3 é, para nós, motivo de felicidade.

Sabem uma coisa? Não somos "a norma". Não pertencemos a ela. Pode ser que sejamos sempre vistos como diferentes, como "o outro" perigoso que deve ser temido. Pode ser que haja sempre discriminação à nossa volta. Ainda assim, não quero voltar ao Dia dos Namorados normal, mono-heterocêntrico. Gosto que sejamos 3. Gosto de partilhar este dia com o meu amor e o amor do meu amor. E o meu desejo é que venham a haver mais amores com quem o partilhar. Amores com quem possa estar assim, amores que achem que a norma é, afinal, isto. Um Dia dos Namorados a 3, 4, 5. Um Dia dos Namorados a quantos o coração quiser.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Poliamor na Notícias Magazine

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Mais um artigo sobre poliamor, desta vez na Notícias Magazine, a revista de suplemento do Diário de Notícias. Saído hoje mesmo, e podem ler - e comentar! - aqui. O que acharam do artigo? O que vos chamou mais a atenção?


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Festival de Poliamor

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Este fim-de-semana vou andar por Madrid metida nestas andanças:

Sexta, 10.dez.2010
- Conversa sobre Poliamor
- Projecção do filme "Wilde Side
- Conversa aberta com o grupo PoliamorMadrid
Sábado, 11.dez.2010
- Workshop de Pansexualidade e Poliamor
- Workshop Poli-lúdico: Dinâmicas dentro das relações
- Workshop de Poli-Tango
Domingo, 12.dez.2010
- Workshop Poli-lúdico: Os ciúmes
- Conversa com advogada sobre os aspectos legais relacionados com o Poliamor
- Grande festa de Poliamor

Depois conto como foi...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Olhares

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Sermos olhadxs é uma experiência boa ou má, indiferente ou perturbante. E é algo que acontece muito quando se anda de mão dada a mais de uma pessoa.

Mas olhar de volta retorna o poder a quem é olhado.

domingo, 31 de outubro de 2010

«The price of freedom is death...»

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Foi precisamente há uma semana atrás que apareci numa peça da TVI, dois minutos e quarenta e cinco sobre poliamor. Dei a cara e o nome, a minha voz por uma identidade. Uma minha identidade. As duas frases que disse nos segundos que me foram reservados nestes dois minutos e quarenta e cinco tiveram muito pouco a ver directa e especificamente com poliamor. Tiveram mais a ver com a minha posição política como feminista, com uma luta que tem vindo a ser a minha por muitos anos, a luta pela visibilidade, pela quebra do silêncio. Foi como feminista que falei da minha vida, das minhas opções pessoais, da relação que escolhi. Falei em meu nome, falei pela minha relação. No fundo de mim, eu queria falar por todxs xs que estão em silêncio. Falar é sempre político e eu sabia que o impacto para mim seria grande. E foi.

sábado, 24 de julho de 2010

Tema de polyamor: MEDO

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Medo de nos expormos, de expor a fragilidade; de nos perdermos, de perder a individualidade; de nos controlarem, de querer controlar; de dar sem receber, de nos darmos, de receber uma coisa que não conhecemos: uma pessoa, uma ideia, uma coisa externa que nos pode danificar. Medo de sermos nós mesmos e de que isso não seja o suficiente, de fazer figura de parva; de que não estejas a trabalhar e de telefonar. Medo. Medo de perder, de não estar à altura da situação, da solidão, de partilhar, de que nos achem feios ou estúpidos ou simplesmente vulgares. Medo de perder o momento, medo de o forçar. Medo do amor e todas as estratégias que temos para o evitar. Medo das mentiras, mas não tenho medo das verdades.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O meu coração é uma casa de mil quartos

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Chego a casa depois de uma noite altamente estimulante, no plano sexual e intelectual. Poiso as coisas no meu quarto e hesito. São quatro da manhã. Apetece-me partilhar este momento com os meus amores, que a esta hora já dormem.
Entre o quarto da esquerda e o da direita, acabo por escolher o segundo. Mas toda esta liberdade é responsabilidade dos dois. E a felicidade que irradio chegará em ondas crescentes a ambos.
Esta noite, amanhã, e nos dias que se seguirem.