terça-feira, 25 de outubro de 2011
A Tertúlia é esta semana
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Diálogo sobre Poder e Ética
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Tertúlia "Poliamor"
- é possível sentir amor e atracção por mais do que uma pessoa?
- é aceitável relacionar-se com mais do que uma pessoa ao mesmo tempo?
- é positivo ser capaz de ter mais do que uma relação amorosa?
- A honestidade é compatível com a fidelidade?
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Vira o disco
Foi há uma semana que, na sequência de uma conversa via Facebook, Manuel Damas (presidente da CASA) decidiu utilizar o seu programa no Porto Canal (cujo tema já antes tinha sido definido como sendo "poliamor", para essa semana) para, à falta de melhor termo, avacalhar. Que é como quem diz: falou-se pouco (e mal) de poliamor, mas falou-se bastante de mim, das Panteras Rosa, bem como de outras pessoas que andam metidas no activismo.
Não vou pôr-me aqui a desmontar os argumentos simplistas do M.D. (quando se ataca alguém pela forma como anda vestido, já se está a raspar o fundo do barril) porque isso seria aborrecido (para vós e para mim). Mas vou aproveitar a questão para fazer um pouco de meta-análise a algumas coisas que por lá se ouviram, e que julgo serem dignas disso.
Primeira questão - tamanho.
A ideia está repetida até à exaustão que xs poliamorosxs são meia dúzia de gatxs pingadxs que por aqui andam, numa coisa que não tem visibilidade nem credibilidade. Mas a realidade permite-se discordar. Está neste momento, nos EUA, a ser discutido o fim do Defense of Marriage Act e, como não podia deixar de ser, o poliamor está a ser mencionado (explicitamente) como um dos grandes perigos caso se cometa o inominável crime de deixar as pessoas do mesmo sexo casarem entre si (alerta de ironia para quem está a dormir) - por virtude de um argumento slippery slope, "se fazemos X, vamos acabar com Y; logo, não podemos fazer X". No Canadá, a coisa está e tem estado nos tribunais, e mobilizado bastante atenção, criando uma espécie de movimento de avalanche de workshops e reconhecimento social. Nada disto é típico de um tema que, supostamente, só diz respeito a meia dúzia de pessoas... Indirectamente, a oposição ao poliamor (e, já agora, a quaisquer outras formas de não-monogamia consensual e responsável, ou a outras sexualidades ainda menos mainstream) é também a oposição ao avanço dos direitos civis em contexto geral - porque se estão a fornecer argumentos e força às pessoas que supostamente queremos evitar.
Segunda questão - identidade.
Foi atirada a ideia de que o poliamor não é uma identidade. Que é apenas um comportamento relacional ("como a violência doméstica" - que exemplo tão isento, não é?). Mas, agora perguntam vocês, afinal o que é uma identidade? Vamos simplificar: uma identidade é uma coisa com a qual nos identificamos. Algo que dizemos que somos. É um conjunto de atitudes, crenças, valores, padrões morais, hábitos - que são socialmente construídos em interacção connosco. Assim, ser do Rio Ave é uma identidade, ser mulher é uma identidade, ser homossexual é uma identidade e, espanto dos espantos, ser poliamorosx é uma identidade. A sério, isto não é ciência de foguetões. E não me venham com a coisa das identidades essenciais que nunca se mudam e já nascem connosco, porque senão eu zango-me e vou fazer queixinhas à Lisa Diamond.
Terceira questão - amor ou virar mesmo o disco.
Amor... Ah, o amor... essa coisa inefável, indefinível, incomportável... [som de disco riscado].
Alto lá com isso. O "amor" é, como tudo o resto, socialmente e culturalmente variável. Não se ama aqui da mesma maneira que se ama ali. É possível até historiografar a forma como amamos (ou amámos?). O amor, e as relações afectivas, são historicamente variáveis, culturalmente variáveis, espacialmente variáveis... acham que se ama da mesma maneira em todo o mundo, que se vivem as famílias da maneira como nós as vivemos, em todo o mundo? Então acham muito mal... O amor, como qualquer palavra, é polissémico. Muda. E, para não estar a repetir o último link, vai continuar a mudar. Se há coisa que me incomoda é aquele pessoal que acha que pode chegar e dizer: "O Amor Verdadeiro (TM) é assim, assim e assado" [tradução: heterossexual, monogâmico e monoamoroso]. Ou então, o pessoal que tira um dos assins ou assados, mas quer deixar o resto. Porque convém. Porque a cabecinha não dá para mais. Porque não vêem a parvoíce de fazer de conta que as coisas mudam mas não mudam... enfim.
Questão agregada
Porque é que o discurso do M.D. é tão significativo que lhe dedico mais um post? Precisamente pela sua falta de originalidade. O discurso do M.D. é importante na medida em que representa uma determinada postura mental, e não um trabalho de reflexão pessoal criativo. O M.D., com a sua postura contra o poliamor, representa a luta pela institucionalização normativa de algumas afectividades e algumas sexualidades, dentro de um quadro de trabalho essencialista, que defende um conjunto restrito de valores ao mesmo tempo que pretende deixar outros elementos (inseparáveis) intocados. Só que não dá para escolher. A vida não funciona assim - se nós questionamos umas coisas e não outras, eventualmente alguém vai dar pela contradição, pela incoerência, e começar a fazer força nesse sentido.
O M.D. afirma-se herói dos fracos e oprimidos, canta a Ode da Ascensão contra os poderes instituídos - mas o M.D. não quer eliminar a lógica dos poderes instituídos, quer ocupar a posição dos poderes instituídos (ou, vá lá, fazer parte do panteão). M.D. quer um lugar na História, e repetirá para isso o mesmo discurso de quem o queria deixar fora da História. Ele próprio afirma a importância da seriedade, da sobriedade. M.D. deseja comandar respeito, admiração.
M.D. esquece-se que a seriedade e a sobriedade vêm da estrutura patriarcal, machista, homofóbica, misógina e hierarquizante. (Ou não se esquece, e apenas não se importa.) M.D. quer dar cabo dessa estrutura - mas só de um bocadinho...
Vou-me armar em Nostradamus: não. serve. de. nada. A sério. Não serve de nada. As coisas mudam. E ou o pessoal faz parte da mudança, ou o pessoal acaba como este fulano. O paradigma está a mudar. A Gayle Rubin (porra, que eu farto-me de a citar!) já dizia que precisamos de uma nova ética sexual, baseada na forma como as pessoas se tratam mutuamente, e não baseada nos actos que praticam. E sabem que mais? Há quem ande aí a lutar por isso. Não importa o número de pagens que se tem à volta, a repetir o mesmo discurso em eco... Porque, carxs leitorxs, eu vou fundir a Emma Goldman e a Beatriz Preciado e dizer que o sistema patriarcal se caga todo quando se lhe apresenta uma revolução à queer, com dança, festa e sem sobriedade nenhuma. Ou então sou eu que me cago para ele.
Porque o sistema patriarcal É o sistema homofóbico É o sistema capitalista É o sistema racial É o sistema falogocêntrico É o sistema monogâmico É o sistema nacionalista É o sistema de género/sexo binarista... e É uma grande cagada.
Agora, inspirado por uma amiga, deixo-vos uma reflexão profunda, que requer, no entanto, algumas mudanças de apelido...
Continue o senhor Dantas a escrever assim que há-de ganhar muito com o Alcufurado e há-de ver que ainda apanha uma estátua de prata por um ourives do Porto, e uma exposição das maquetes pró seu monumento erecto por subscrição nacional do "Século" a favor dos feridos da guerra, e a Praça de Camões mudada em Praça Dr. Júlio Dantas, e com festas da cidade plos aniversários, e sabonetes em conta "Júlio Dantas" e pasta Dantas prós dentes, e graxa Dantas prás botas e Niveína Dantas, e comprimidos Dantas, e autoclismos Dantas e Dantas, Dantas, Dantas, Dantas... E limonadas Dantas- Magnésia.
E fique sabendo o Dantas que se um dia houver justiça em Portugal todo o mundo saberá que o autor de Os Lusíadas é o Dantas que num rasgo memorável de modéstia só consentiu a glória do seu pseudónimo Camões.
- "Manifesto Anti-Dantas", José Almada de Negreiros
sábado, 18 de junho de 2011
PolyPortugal na Marcha do Orgulho LGBT Lisboa 2011
E, já agora, aqui fica a transcrição do manifesto:
Pela 12ª vez estamos aqui, a marchar. Pela 12ª vez procuramos uma coisa tanta vez negada: uma voz, uma imensidão de vozes. Pela 12ª vez estamos aqui, não para sermos toleradas, mas para sermos reconhecidas.
Os últimos tempos têm visto conquistas importantes para a quebra das normalidades. Mas ainda as relações são policiadas, ainda os amores e os desejos são mantidos sob a alçada do Estado, e ainda o Estado adjudica privilégios à heterossexualidade e, ainda mais explicitamente, à monogamia.
O PolyPortugal está aqui não só pela liberdade sexual mas pela liberdade de viver como desejamos sem sofrer com isso. Pela liberdade de amar mais do que uma pessoa. Pelo poliamor.
O PolyPortugal marcha pelo reconhecimento da legitimidade de todos os actos consensuais, de todas as vidas consensuais, de todas as intimidades voluntárias — enfim, de todas as possibilidades. Reclamamos o reconhecimento de que o Amor e o Desejo não têm um padrão-ouro, heterossexual, monogâmico, desigual e patriarcal. De que a normalidade é uma ferramenta de repressão e violência, que seca as diferentes opções e estilos de vida. Reclamamos o direito de multiplicar os nossos afectos sem que isso faça de nós vítimas, sem nos escondermos ou termos medo.
O poliamor é mais uma ponte que nos une — uma reivindicação de possibilidades que atravessam todas as orientações (e todas as desorientações também!), todas as preferências (incluindo a monogamia), todas as configurações corporais, de identidade, ou de desejo (e de ausência de desejo, também!).
O amor não se divide, multiplica-se. O amor não se gasta, refina-se.
Vamos amar, amar para lá das normalidades, e deixar amar com pluralidade! Deixar viver com pluralidade!
sexta-feira, 17 de junho de 2011
sábado, 11 de junho de 2011
Debate sobre Poliamor n(um)a Escola

sexta-feira, 27 de maio de 2011
domingo, 1 de maio de 2011
Depois do Arraial
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| Fotografia de Sofia Correia |
domingo, 10 de abril de 2011
Debate sobre Poliamor na FLUL
sábado, 2 de abril de 2011
Reequilíbrio

segunda-feira, 28 de março de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
Interface
O começo de uma nova relação (ou da modificação dos termos de uma relação pré-existente) - algo que pode ser tão simples como um sim dito num café, numa resposta de reconhecimento e anuência de algo que parecia já prenunciar-se - traz consigo, antes de novas continuidades, a inauguração de uma ruptura, de uma mudança, de um interface. Não deixa de ser curioso: estou a escrever sobre poliamor, e a lembrar-me simultaneamente de uma aula que dei sobre o conceito de cyborg, onde insistia que a importância estava no interface, naquele espaço aparentemente vazio (mas não realmente vazio) onde não habita nem a tecnologia nem a biologia, precisamente porque é a zona de cruzamento e confluência entre as duas coisas, e não alguma delas ou sequer ambas. Esta ruptura, esta mudança é, numa relação poliamorosa que não esteja associada ao modelo 'don't ask, don't tell', vertical. Vertical no sentido em que, ao se iniciar primordialmente nessa relação que começa ou muda, espalha-se a todas as relações, impõe um ponto de corte sobre tudo o que está à sua volta. Aquela relação surge não apenas como momento paradigmático (por minúsculo ou até invisível que esse paradigma possa ser) para as pessoas directamente envolvidas, mas também para todas as outras à volta, que se relacionam com essas pessoas centrais.
Isto quer dizer que o princípio de uma nova relação, ou a alteração de uma relação existente, vai fazer parte da cronologia de todas as relações, vai implicar mudanças em todas as relações. Aquela ideia, que às vezes nos sentimos tentadxs a usar («não te preocupes, vai ficar tudo exactamente igual») é fundamentalmente impossível de ser verdade. Mas se há um elemento que inicia esse corte, ao iniciar uma nova relação ou modificar uma relação existente, não é apenas a esse elemento que pertence a responsabilidade do que se processa ao longo dessa linha de corte, especialmente no que diz respeito à intersecção entre essa linha de corte e as linhas das outras relações. Essa linha, ou essa zona, é a instauração da possibilidade de interface: de um ponto de conexão (de [re-]criação de sentido) entre o antes e o depois dessa linha. E o que está em jogo é a forma que esse interface adopta. Na medida em que uma relação existe entre pelo menos duas pessoas, ambas as pessoas são responsáveis pela forma como irão realizar esse acto de interface. Longe disto está, por exemplo, essa outra (distante) pessoa com quem a tal nova relação foi começada. Se essa pessoa pode parecer, ficticiamente, o nexo de origem, na verdade ela não é mais do que um nódulo possível de entre outros, uma coordenada para o desenhar desse espaço de interface.
E aqui, como é que cada pessoa ajuda a desenhar esse espaço de conexão? Como se realiza a ponte entre um antes e um depois desses eventos? À base do medo, da insegurança, da fragilidade, da dependência? É, sem dúvida, a via mais automatizada para responder, fruto de anos ou décadas de condicionamento, fruto de um contexto social que privilegia a aceitação acrítica do paradigma mono-amoroso, mesmo no meio da mais espampanante hipocrisia. Mas que tipo de interface é este? Não será esta uma forma de bloquear a criação de um espaço de interface? Não será esta uma forma de deixar cair as várias ligações que se podem manter e estabelecer dentro da própria área do interface? Há aqui o fantasma da 'crise', também. Da crise nas relações existentes quando a nova relação surge. Mas não será esta noção de crise (que nos aponta para um algo que temos que ultrapassar) uma forma de bloquear o pensar do momento em si? Do interface em si como ponto de acção, inter-acção, alteridade, transformação?
Deixo um apelo a que se pense a mudança-em-si-mesma, ao invés de nos concentrarmos num antes e num depois, numa comparação que elide, como se de algo unidimensional se tratasse, o processo da ruptura.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Valentim a 3
Bem... Houve flores. E houve jantar. E havia velas, sim.
Só não éramos simplesmente um casal.
Éramos três.
Foi... quase perfeito, o meu Dia dos Namorados. E o que faltou à sua perfeição não esteve, em nada, relacionado com sermos 3 e não 2. Sermos 3 é, para nós, motivo de felicidade.
Sabem uma coisa? Não somos "a norma". Não pertencemos a ela. Pode ser que sejamos sempre vistos como diferentes, como "o outro" perigoso que deve ser temido. Pode ser que haja sempre discriminação à nossa volta. Ainda assim, não quero voltar ao Dia dos Namorados normal, mono-heterocêntrico. Gosto que sejamos 3. Gosto de partilhar este dia com o meu amor e o amor do meu amor. E o meu desejo é que venham a haver mais amores com quem o partilhar. Amores com quem possa estar assim, amores que achem que a norma é, afinal, isto. Um Dia dos Namorados a 3, 4, 5. Um Dia dos Namorados a quantos o coração quiser.
domingo, 16 de janeiro de 2011
Poliamor na Notícias Magazine
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Festival de Poliamor

sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Olhares
domingo, 31 de outubro de 2010
«The price of freedom is death...»
sábado, 24 de julho de 2010
Tema de polyamor: MEDO

quinta-feira, 15 de julho de 2010
O meu coração é uma casa de mil quartos




