Mostrar mensagens com a etiqueta monogamia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta monogamia. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Religião

Publicado por 
Desde a segunda metade do séc. XIX que as pessoas se têm andado a tornar agnósticas no que toca à monogamia. [...] Se Deus está morto, então tudo é permitido; mas, se a monogamia morrer, o que iremos então fazer? - Adam Phillips


E que tal poliamor?

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Casamento proibido por lei no Texas

Publicado por 
(Por um bloqueio criativo, sacado directamente da lista das Panteras para aqui. Obrigada, Stef e Laetitia!)

O Texas terá, por ter tentado fazer uma lei à prova de bala que não pudesse dar a mínima "desculpa" a qualquer casamento entre pessoas do mesmo sexo, proibido o casamento. De todo.

A cláusula em questão deveria abolir os casamentos entre pessoas do mesmo género mas na verdade, do modo como ficou formulada, proíbe toda a forma de casamento, ou seja, mesmo o casamento heterossexual!

Será sem dúvida uma questão interessante de seguir, e ver qual a cor política que defenderá que forma de casamento, ou o casamento de todo, e porquê!

Em Francês:
Le Texas aurait accidentellement interdit le mariage hétérosexuel

Em Inglês:
Texas marriages in legal limbo due to 2005 error, Democrat says

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

E se saíssem à rua?

Publicado por 
Se fosse aprovada uma lei segundo a qual ninguém pudesse ser monógamo durante mais do que três semanas, as pessoas sofreriam uma imensa pressão. Mas pressão para fazer o quê, exactamente? [...] O que diriam as suas pancartas, quando saíssem para a rua em protesto? - Adam Phillips, 1996

É uma excelente pergunta. Mas, e olhando para o estado actual das coisas, pelo menos uma coisa constaria dessas pancartas - um apelo à necessidade intrinsecamente humana (?) de haver pureza e compromisso. Porque, espante-se, cada vez se ouve como mais óbvio que uma relação aberta é aquela em que o compromisso não existe. Ou, ao invés disso, que uma relação aberta não é uma relação.

Parece-me a mim que isto germina de um profundo desconhecimento do que é a Língua Portuguesa. Ligação afectiva ou sexual. É isso que é uma relação. Portanto... é praticamente impossível escapar-lhe. Que seja claro: a normativização de um determinado conceito não esgota, nem constitui, a definição desse mesmo conceito.

Não roubem palavras.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Mundos de ideias

Publicado por 

Vou pegar no post de há uns dias, da antidote, porque me fez lembrar uma coisa muito boa sobre formas não-normativas de pensar relacionamentos.

É verdade que pensar se há mais polys no meio hetero ou no meio LGBT... é um exercício estatístico engraçado. Mas o fundamental, creio, não passa por aí. Passa antes por uma espécie de história das ideias sobre igualdade e luta contra a discriminação.

E identifico no poliamor a inclusão de dois pólos fundamentais: as lutas feministas e as lutas queer. Convenhamos — formas não-normativas de relacionamentos podem ser usadas como ponto de partida (ou podem constituir, inversamente, um ponto de chegada) para o questionamento de outras coisas. Claro que esta não é uma relação de causa-efeito, não é uma relação unívoca. Mas é, creio, um ponto de partida. Porque custa começar a fazer perguntas, mas também custa parar de as fazer.

E o que formas de não-monogamia consentida vieram fazer foi destruir o binarismo/polarismo relacional. O padrão normativo monógamo e o padrão normativo heterossexual têm ambos um grande problema — o binarismo. Ambos supõem dois pólos opostos mas complementares, cuja intersecção não é senão tangencial. Isto facilita papéis de género, isto facilita papéis sexuais, isto facilita papéis de poder. O dominador e a dominada, o ganha-pão e a cuidadora, o poderoso e a submissa.

Como se operacionaliza isso no poliamor? Muitas pessoas, muitas facetas, muita mobilidade. A mobilidade, seja espacial, económica, profissional ou emocional é um espinho muito grande no statu quo. Porque a manutenção do statu quo é a manutenção da imobilidade. Porque é que a mulher não podia viajar livremente sem o marido? Porque é que a sua fuga estava nas cartas, que por ela viajavam? Porém, com tanta mobilidade, torna-se muito difícil amarrar pessoas a sítios, amarrar pessoas a papéis. E se isso serve para mudar a mulher, muda também o homem, sem dúvida. E abre a porta à (con)fusão para os géneros.

Da mesma forma, orientações, comportamentos, desejos e sentimentos (e aqueles a quem estes se dirigem) precisam de ser alvo de questionamento — perigoso será assumir que a pessoa com quem estamos naquele momento deseja apenas alguém do mesmo sexo que eu. Ou presumir que o comportamento sexual e o comportamento emocional têm a mesma orientação. E esse acto, o acto de questionar, o acto de recusar presumir, é o acto que é conquistado, não duvidemos, pelos movimentos feministas e queer. Porque só com o perguntar como hábito é que quebramos a normatividade — que é, por outras palavras, a presunção da irrelevância do acto de questionar.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Saltitando entre o sexo e o amor

Publicado por 

Mostraram-me, há uns dias, um texto que queria partilhar convosco, uma pequena coluna de opinião no i, de Francesco Alberoni.

Nomeadamente, as várias e até perigosas ideias que lá se encontram, de forma mais ou menos disfarçada, e que correspondem a um ideal relacional e a uma lógica que se pode considerar, em última instância, sex-negative, hetero-centrista e até discriminatória.

Entre retoques editoriais e a opinião em si, o título começa por ser, por si mesmo, perigoso: “O amor é um risco, o sexo não”. É claro que, mais tarde, percebemos que isto se pretende referir ao aspecto psico-social da questão. Mas, hoje em dia, será que queremos dizer realmente que o sexo não é um risco? Será que podemos generalizar assim tanto?

Alberoni segue dizendo que, no século XIX, se escondia e proibia o sexo, mas se falava e escrevia sobre amor sem quaisquer limites. Corrijam-me se estou errado, mas este livro, ex libris de toda uma corrente literária, parece negar essa ideia. Ou então as contradições presentes durante a era Vitoriana, se preferirem. Ou até mesmo a extensa análise que Foucault faz da questão.

Mas passemos adiante. O adiante são umas linhas abaixo – os jovens “que aos trinta anos” “não encontraram a pessoa certa”.

E o perigo da sexualidade vinha, segundo o autor, do “risco de uma maternidade indesejada”. O que, suponho eu, deixaria de lado a população que seja estritamente homossexual, no que toca a esta análise, fornecendo portanto para o autor um excelente contraponto. Mas ultrapassado esse risco, então... olha, agora já não há grande insegurança!

E, seguindo a lógica freudiana, tal como a histeria era a substituição do desejo sexual proibido, também agora as discotecas, “falta de regras das raves” e as drogas são o substituto do amor apaixonado reprimido. Ah, e não esquecer, “a anulação da pessoa nas festas e orgias”! Para contrariar esta anulação da pessoa, o texto incita-nos a tomar um risco: ironicamente, o risco de “abandonarmo-nos ao amor”. Parece que, afinal de contas, fazemos o mesmo por outros meios.

Por fim, o sexo que se torna fácil “depois de dissociado do amor” (alguém devia receitar isto, ao invés de Viagra!) constitui, com outras coisas – psicofármacos, neste caso – um empobrecimento da humanidade. Porque “o amor é um risco” – e aqui, fala-se explicitamente do amor apaixonado – mas quem não o corre não vive. Até porque se corre também o risco que desapareça o “amor exclusivo”!

O que dizer? A pessoa certa. A desumanização quando o sexo é tomado como um valor positivo em si mesmo. A fusão disso com o consumo de drogas e outros comportamentos. A ideia de que a pessoa, sozinha, é menos alguma coisa, que só vive quando ama romanticamente. E, para fechar, o temor pelo desaparecimento do “amor exclusivo”. Leia-se “do amor que exclui”. Que deixa de fora. Que afasta.

Porquê?

(Desde já, perdões pelo áudio manhoso. A letra da música.)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Mostra e Conta II: Monogamia x Poliamor, 0-0

Publicado por 
Continuando o "mostra e conta", vamos pegar na pergunta "o que achas da Monogamia?" Vou pegar apenas num aspecto particular e não elaborar longamente sobre o pano para mangas, colarinhos e tendas multifamiliares que isto pode dar.

A primeira coisa que me veio à cabeça ao desenterrar alguns textos que li ou mesmo que escrevi (mea culpa, sim, minha grande culpa) sobre o assunto, é que muitas vezes são textos duma injustiça, ingenuidade e falta de rigor incríveis, pois comparam muitas vezes, digamos assim, os falhanços práticos da monogamia, ou aquilo que muita gente chama de monogamia e não é, com uma versão idealizada e infalível do poliamor, ou, por outras palavras, o que o poliamor ideal e teoricamente deveria ser.


Por outras palavras, é como se eu comparasse a História do Cristianismo com as suas Cruzadas, os massacres, a Inquisição, o colaboracionismo, com a definição e objectivos do Budismo (e varresse para debaixo do tapete as guerras em nome do Budismo, e igualmente as definições e objectivos do Cristianismo ocidental). (...)

Para mim a monogamia é apenas mais uma solução possível (…) que funciona para muita gente (falo de monogamia ppd e não de monogamia com traição e, digo sem ironia, mesmo esta funciona, curiosamente, para muita gente). Acho que podia funcionar para mim, mas sou mais feliz e ocupada vivendo poly. Na verdade é possível também viver em monogamia e em poliamor (deixo esta frase como trabalho de casa). Eu defendo, pessoalmente e como activista, o reconhecimento de que há mais formas de amar do que a "oficial", e que o poliamor, na sua variedade, merece respeito e é legitimo, mas que talvez não funcione para toda a gente, e não, não quero acabar com a monogamia. O que eu combato é a Monogamia como único modelo, a monogamia "de Estado", ou a monogamia como o único modelo que merece respeito.

Uma palavra acerca do casamento, uniões de facto e monogamia de Estado... não é justo que numa sociedade que se diz baseada no indivíduo livre (...), dois indivíduos casados tenham mais privilégios do que os não casados. Refiro-me ao poder testamentário e ao poder de procuração (...). Entendo que isso deveria ser regulado por cada indivíduo por si só e não pelo Estado e suas leis. Não percebo sequer qual a lógica de ser, digamos assim, o meu cônjuge-parceiro-amor a tomar uma série de decisões quando eu não as posso tomar. Consigo pensar numa série de pessoas sensatas que eu preferia pôr a tomar esse tipo de decisões (o desligar da máquina, (...) a amputação da perna, (...), etc.) que não são minhas relações e sem que isso queira dizer que gosto menos das minhas relações. (…) na verdade acho o casamento injusto contra não só todos os que vivem outros tipos de relações para além do par paradigmático, mas todos os celibatários, voluntários ou não. Na verdade, a única coisa justa a fazer seria a abolição do casamento civil.
(Texto longo e completo aqui)

domingo, 20 de setembro de 2009

Citações (2)…

Publicado por 
Saki, numa foto de E. O. Hoppe, 1913, ©

Monogamia: «o hábito ocidental de ter
uma mulher e quase nenhuma amante.»

Saki (1870-1916), "A Young Turkish catastrophe",
in Reginald in Russia and Other Sketches

O escritor britânico H. H. (Hector Hugh) Munro, conhecido como "Saki", é, infelizmente, pouco familiar em Portugal. Os seus contos de humor macabro foram poucas vezes traduzidos. No entanto, a Relógio d'Água fez uma edição recente de contos escolhidos, traduzidos por Manuel Resende, ISBN 9789727089581, à venda online na Almedina, Wook e Bertrand. Quem preferir ler os contos na língua original, encontra-os todos disponíveis na web, aqui.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

igualdade ou comemos tod@s

Publicado por 
o movimento pela igualdade no acesso ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo (mpi) tem hoje mais um momento na sua existência. realiza-se esta noite, no hotel ibis saldanha, um encontro com representantes dos partidos com assento parlamentar. o objectivo deste encontro/debate é, naturalmente, clarificar as posições dos partidos em relação ao casamento civil para tod@s na próxima legislatura.

desde o seu início, em abril deste ano, que o mpi tem na lista de subscritores inúmeros nomes de pessoas poliamorosas ou polisimpatizantes, independentemente de estarem a favor, ou não, do casamento entre duas pessoas.

já experimentei o casamento e não o quero repetir. gosto de ter a liberdade de poder viver com quem quero e nas condições que escolher para esse relacionamento, seja ele qual for.

no entanto apoio o mpi.

a razão é muito simples e clara: quero viver numa sociedade inclusiva onde tod@s temos a liberdade de poder casar, querendo... pelo menos enquanto essa mesma sociedade insistir em manter a instituição casamento.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A magia de falar

Publicado por 
Infidelity is as much about the drama of truth-telling as it is about the drama of sexuality. [...] The successful lie creates an unnerving freedom. [...] Lying, in other words, is not so much a way of keeping our options open, but of finding out what they are. Fear of infidelity is fear of language. - Phillips, 1996

A experiência da mentira é uma experiência traumática. A criança, ao se aperceber pela primeira vez que o acto falado não encerra em si uma predição, mas apenas uma subjectividade, é confrontada com a possibilidade de que tudo seja - ou que tudo possa ser - mentira. E, portanto, qualquer fé que pudesse ter na linguagem, qualquer esperança que a linguagem fosse transparente, óbvia, totalmente eficiente, etc..., desaparece. Não obstante, é a linguagem que usamos para pormos coisas em comum. Apesar da dificuldade que temos, fundamentalmente, em acreditar no acto de comunicar e no que daí advém, comunicamos.

Comunicamos porque não podemos deixar de o fazer, comunicamos porque é na comunicação que encontramos esse mesmo medo primordial mas também as ferramentas para o sanar, para o atenuar.


No poliamor, como na monogamia, a infidelidade existe. Mas é uma infidelidade que se centra principalmente na honestidade, e que implica a existência de comunicação frequente. Ainda assim, ambas as coisas se relacionam com a linguagem. E a liberdade perturbante que a infidelidade monógama permite, e de que fala o texto, pode perfeitamente ser substituída por uma liberdade fiel, por uma liberdade em que a honestidade pode permitir o mesmo que a infidelidade promete.

Ainda assim, resta um problema. Em relações poly, como em relações mono, a infidelidade também tem os seus atractivos linguísticos. Como a traça para a chama, o poder "mágico" da linguagem d@ infiel - o poder de fazer acreditar no que não existe - pode mesmerizá-l@. Porém, de forma diferente, a relação poliamorosa não requer (ou não é coadjuvada com) a mentira como forma de descobrir "que opções existem" - porque as opções que existem podem ser descobertas introspectivamente, relacionalmente, comunicacionalmente. Com honestidade.

domingo, 23 de agosto de 2009

Citações (1)...

Publicado por 

«Hard work and monogamy are highly overrated.»

(O trabalho duro e a monogamia são muito sobrestimados.)

atrib. a Oscar Wilde (1854-1900)

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Supostos

Publicado por 
Infidelity is such a problem because we take monogamy for granted; we treat it as the norm. - Adam Phillips, 1996

Qual o problema de tratar a monogamia como um dado adquirido? O silêncio.

No pressuposto da monogamia, encerra-se um guião que a imaginação quer estável. Na presunção de uma uniformidade, anulam-se as diferenças pessoais, subjectivas, os interesses específicos, e tudo o que mais seja.

Na pressuposição da monogamia ignora-se a inexistência de uma Monogamia (assim mesmo, com "M" maiúsculo) - porque se o poliamor pode ser vivido de milhentas maneiras, com milhentas nuances, o mesmo é aplicável sem pôr nem tirar à monogamia (muito embora as nuances sejam diferentes entre si, claro).

O oposto da monogamia não é a poligamia. Nem é o poliamor. O oposto da monogamia é a infidelidade. Porque a monogamia é muitas vezes construída como demonstração (e como teste!) da fidelização de alguém, o que se lhe opõe é precisamente a infidelidade. E, como diz a citação que abre este post, a infidelidade torna-se tanto mais problemática quanto a monogamia segue a via do dogma. Questionar a monogamia não tem que conduzir necessariamente a um comportamento poly, ou não-monógamo. Mas leva à redefinição da monogamia em si e, por conseguinte, à redefinição e relativização da infidelidade. Atenção, porém: este processo só pode ser realizado de forma dialógica.

Porque o silêncio cria a Monogamia, só o barulho do diálogo pode criar a monogamia. Ou o poliamor.