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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Cuidado com o engate disfarçado de "poliamor"

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Acredito que muita gente pense que sou uma espécie de "evangelista" do poliamor, e que passo o meu tempo a tentar converter gente a "transformar-se" em poly. Acho que mais depressa investia o meu tempo a tentar falar com pedras, tinha mais piada.

Algo que passo bastante mais tempo a fazer é a tentar afastar pessoas que conheço e que vêm ter comigo pedir-me conselho, do poliamor. Ou, vá lá, de pessoas que usam o poliamor como desculpa para fazer valer o seu privilégio e os seus interesses pessoais.

Aconteceu algo do estilo há alguns dias. Uma rapariga que conheço veio-me pedir ajuda porque um rapaz, interessado nela, queria estar numa relação "poliamorosa" com ela, sendo que ela se identifica como pessoa monogâmica.

Primeira coisa que eu lhe disse: não entres numa relação poly por ele, entra por ti, porque tu queres. Poliamor não é um sacrifício que se peça a alguém, tal como a monogamia não o deve ser. Mas foi na segunda coisa que eu lhe disse que acertei de facto na mouche. Disse-lhe que ela tinha que perceber muito bem, na prática, o que é que ele entendia como uma "relação poliamorosa".

Vou parafrasear algumas das coisas que - segundo ela - ele usou como argumentos para expor o seu ponto de vista:
Trata-se de perceber que nós, como seres sexuais mas também como parceirxs, queremos muitas coisas. A versão que eu gosto é aquela em que se tem um/a namorado/a com quem se está plenamente, e socialmente também. Mas se houver atracção por mais alguém, pode-se chamar essa pessoa para se 'divertir' com o casal... ou então haver um interesse que seja diferente do que é pelo parceiro primário, e aí fala-se sobre isso e está tudo bem, e acontece algo entre duas das pessoas, mas nunca há ciúmes porque sabe-se sempre que és tu que és amada... e depois pode-se partilhar os detalhes todos do que aconteceu, ou nenhuns se se preferir.
 Eu quando li isto tive quase um ataquezinho de coração. E disse-lhe qualquer coisa do género: "POR AMOR DA SANTINHA, CORRE NA DIRECÇÃO CONTRÁRIA MUITO BUÉ HIPER-MEGA DEPRESSA". Com caps lock e tudo. (Pronto, está bem, disse só "hmm...". Mas juro que pensei isto tudo.)

Isto é o que acontece quando malta hetero sem sensibilidade nenhuma para privilégio de género começa a usar o poliamor como desculpa para querer fazer das suas.

Ora senão vejamos:
  1. "Nós [...] queremos muitas coisas" - O rapaz abre logo a salva com uma generalização total para tentar justificar que, pronto, ele é simplesmente igual a toda a gente, e que portanto os seus desejos são naturais, e acabou a conversa;
  2. "A versão que eu gosto" - Há muitas versões, mas ao invés de falarmos sobre o que é que poderia ser o nosso ponto de encontro, entra-se logo com uma visão redutora com uma série de pacotes incorporados, nomeadamente...
    1. Parceirxs primárixs: mantém-se o "privilégio de casal" e abre-se uma avenida para o tratamento de outras pessoas, fora do casal, como dispensáveis, secundárias; nos casos em que surge algum problema, a opção por definição é proteger "o casal" e o resto das pessoas que se... lixem;
    2. Aproveitamento sexual: a primeira preocupação do rapaz foi poder usar qualquer interesse que exista para ter o seu fornecimento de ménàges a trois... esqueçam lá o quão estranho ou assustador é alguém começar a fazer planos sexuais com terceiras pessoas que nem sequer são tidas nem achadas para o caso, mas já têm o seu lugarzinho reservado... e nenhum voto sobre se aquilo que farão sexualmente vai ou não ser relatado a terceiras pessoas...
    3. Opções extra: a haver um encontro que não seja a três, supõe-se/define-se logo que vai ser à partida diferente do que se sente pelx "primárix"... porque obviamente toda a gente pode logo adivinhar o que vai sentir por pessoas hipotéticas que ainda nem sequer conheceu!
  3. "E está tudo bem e não há ciúmes" - Esta é parecida à anterior: "poliamor" é estar sempre tudo bem... claro... porque, mais uma vez, toda a gente sabe à partida o que vai sentir e como vai reagir e toda a gente sabe que basta carregar num botão e, puff!, lá se vai toda a programação mononormativa com que levámos a vida toda, e os ciúmes e as inseguranças...
Estão a ver o potencial épico para manipulação psicológica? "Ah, estás a aparecer em público muito ligada a esta pessoa, mas o teu primário sou eu, não pode ser!" "Ah, aquilo que estás a sentir está demasiado próximo daquilo que sentes por mim, não pode ser!" "Ah,estás a sentir ciúmes? Mas uma boa pessoa poliamorosa não sente ciúmes! Não pode ser!"

Dis-pa-ra-te.

Não. Com pessoas "poliamorosas" destas, venham as relações monogâmicas saudáveis, críticas e auto-reflexivas.

PS - Não sou das pessoas que defende que "todas as formas de não-monogamia são fixes". Tal como nem todas as formas de monogamia são fixes. Qualquer estrutura relacional que sirva para roubar autonomia e entrar em jogos de manipulação (geralmente através de linhas hierárquicas, de privilégio, de "casal") não é fixe.

sábado, 2 de junho de 2012

Nunca

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Nunca o provérbio “se não os podes vencer, junta-te a eles” fez tanto sentido. Não que eu queira vencer alguém, mas é a frase que me vem à cabeça cada vez que penso no que aconteceu este último mês. Sempre fui ciumenta. Quando estava numa relação, essa pessoa era minha e só minha, eu dela e só dela. Compreendia o poliamor, lutava pelo direito a amar mais do que uma pessoa, mas tinha a certeza que nunca iria embarcar numa relação a três, quatro, muitos. Ah, não. Achava que não era para mim. Que os meus ciúmes não iam nunca permitir uma relação deste tipo.

Quando surgiu a oportunidade de passar umas semanas numa comunidade de amor livre (que por razões de privacidade não vou identificar, tal como não me vou identificar), a minha mente e o meu coração fecharam-se. “Estou numa relação, por isso não vou procurar nada nem deixar que aconteça”, foi a resposta que dei ao meu namorado. Ele pediu-me que deixasse as portas abertas, que se o meu coração se fechasse ao exterior também se fecharia a ele (talvez?). Eu, na minha posição de fazer finca-pé, assegurei-lhe que nada se iria passar, porque eu não queria.

Mas passou-se. Não se trata de uma questão de querer, as coisas simplesmente acontecem. As minhas defesas foram caindo umas a seguir às outras quando via uma certa pessoa da comunidade. Desejava-o, gostava de estar na companhia dele e cada pequena acção me parecia um sinal. O simples facto dele se vir sentar junto a mim na esplanada ao jantar, quando podia ter escolhido dezenas de outros lugares, era para mim uma espécie de vitória. E eu seduzia-o. Fazia-o, mas sempre pensando que não iria passar daí, “porque eu tenho namorado à minha espera lá fora”. Aos poucos, apaixonei-me.

Telefonei ao meu namorado e falei-lhe do que sentia. Ele apenas me perguntou “se gostas dele, porque é que estás com tantos receios? Tens medo da minha reacção? Então porque me ligaste a contar? Vai em frente. Eu apoio-te, o meu amor por ti não muda, tal como espero que o teu por mim não mude”. Mas alguma coisa estava presa na garganta. Queria falar com o outro homem, mas as palavras não saíam. Não foi preciso – naquele lugar basta ler a expressão corporal e a minha brilhava como um anúncio de néon quando ele passava. Deixei-me levar e, no dia seguinte, a primeira pessoa a quem contei foi ao meu namorado. Ficou felicíssimo por mim, porque sentia que, naquele momento, eu estava verdadeiramente feliz. Quando estamos apaixonadas, a paixão não se dirige só à última pessoa de quem começámos a gostar. Estava apaixonada pelo meu namorado novamente, de uma forma tão forte como se tivesse sido a primeira vez que falávamos.

Entretanto voltei. Não sem antes falarmos sobre o que se tinha passado. Ele sabe que eu tenho um relacionamento, eu sei que ele tem outros relacionamentos, mais ou menos fugazes. E sei que ele vai deixar a comunidade antes de eu lá voltar, que vai voltar ao seu país e ao seu trabalho. Que talvez nem nos voltemos a ver. Mas a experiência ensinou-me muito. Não se trata de dançar conforme a música que é tocada, mas sim de não fechar o coração nem a mente. Amo-os aos dois – sim, é possível. E tenho saudades dos dois, tenho mais saudades do meu namorado do que alguma vez imaginei ter, com ou sem uma terceira pessoa. Estamos mais unidos que nunca – a relação passou a prova da verdade, da transparência. Deixou de haver ciúme e desconfiança. E isso vale mais do que tudo.

K.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Sentimentos e controlo

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Ainda no rescaldo do debate aberto sobre poliamor de há umas semanas...

Uma das ideias que para lá se atirou, vinda de quem estava a assistir, é que o poliamor tem que ver com, fundamentalmente, libertarmos os nossos sentimentos. Logo na altura em que ouvi isto, levantaram-se-me os bichos carpinteiros para dizer alguma coisa em resposta mas, na falta de oportunidade, digo-o aqui que acaba por dar no mesmo.

Antes de mais: discordo. E discordo porque a frase, tal como está enunciada, é demasiado generalista e aponta para o lado docinho e feliz do poliamor, esquecendo convenientemente que nem só as coisas fofinhas e queridas fazem parte dos nossos sentimentos. Em segundo lugar, discordo porque, mais uma vez, este tipo de argumentação dá a ideia - convenhamos, não sei se era ou não o que a pessoa queria realmente dizer, e daí eu afirmar apenas que dá a ideia e não que implica tal coisa - que existem, lá no fundo sentimentos verdadeiros à espera de ser libertados, sentimentos cuja realidade é epistemologicamente una e inquestionável, essencial.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O tiro no pé

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Sem grandes deambulações, porque esta é simples.

De tanto ler imensos posts e e-mails de gente poly a contar as suas histórias, há um padrão que parece repetir-se bastantes vezes:

  1. Alguém fica em estado de ansiedade porque a outra pessoa tem uma 3ª pessoa
  2. A razão para esse estado de ansiedade está ligada a querer preservar essa relação, ter medo de a perder
  3. A ansiedade provoca comportamentos (desde insegurança in extremis, a atitudes controladoras, etc.) que afastam a pessoa que se quer manter por perto
  4. Esses comportamentos geram o tal afastamento, que faz aumentar a ansiedade
  5. A relação deteriora-se ou mesmo desfaz-se, e as culpas vão para cima do mais recente elemento, ou do "poliamor", ou daquelas conversas do "eu afinal não sou assim"
De onde se conclui, com os devidos abusos de extrapolação, que os ciúmes e demais comportamentos obsessivos são contraproducentes, na medida em que tornam a situação numa self-fulfilling prophecy...

Ora, qual é a questão mais importante destas profecias auto-realizáveis? O ciúme? A insegurança? "A culpa é da mãe"? Nah, não convence.

A questão mais importante é a relação que a pessoa tem com... a verdade. O problema do sujeito ansioso é o olhar para os seus medos e ver no seu estatuto de medos uma marca de verdade. Este sujeito vê-se a si mesmo como estando acima e para além da situação, dotado de poderes quase divinatórios, que lhe permitem aceder a uma suposta interioridade psicológica das outras pessoas envolvidas, que lhe possibilita, mais facilmente, ler a verdade acerca das intenções, sentimentos e motivações dessas outras pessoas.

De forma que o primeiro passo para lidar com este tipo de situações, parece-me, não é ir buscar a secção inteira de auto-ajuda da biblioteca, mas encarar o papel que o próprio sujeito tem em produzir uma determinada verdade que, a partir daí, toma valor de episteme, e vai condicionar todas as subsequentes considerações sobre o assunto, ao delimitar e estruturar a própria compreensão do que acontece. Questionar a nossa própria possibilidade de falar "a Verdade" é algo que me parece fundamental. Aquilo que os livros de auto-ajuda fazem é, na maior parte dos casos, o oposto. Insistem no sujeito que produz uma Verdade maior, mas limitam-se a trocar uma mensagem por outra, tentando obter o efeito inverso ao actual. Que é, no fim de contas, o mesmo que tapar o sol com a peneira, tratar os sintomas sem curar a doença, etc etc etc...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Ciúme

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Vou apenas resumir, brevemente, a análise que o Pepper Mint faz do ciúme como mecanismo de poder. Aqui, o ciúme será entendido como estando dentro de uma relação romântica. Abstractamente, o ciúme envolve três aspectos diferentes: os sentimentos de uma pessoa face às acções dx sua/seu parceirx, essas mesmas acções, e uma terceira pessoa, vista como rival.

O ciúme pode ser reclamado pela pessoa que o sente como forma de tentar controlar as acções dx parceirx.
O ciúme pode servir como arma de acusação pela outra pessoa envolvida na relação romântica.
O ciúme pode ser suscitado especificamente (ou tentar-se fazer isso) para tentar obter uma determinada reacção da pessoa a quem se está a tentar provocar ciúme.

sábado, 14 de agosto de 2010

Trilogia do ciúme

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Monogamia & Ciúme
Uma relação monogâmica pressupõe, obrigatoriamente, exclusividade: de amor, de (possível) “conjugalidade” entre dois seres. Essa exclusividade conduz, naturalmente, ao sentimento de posse. Se pretendemos exclusividade sobre determinada relação, sobre determinada pessoa/coisa, deveremos sentir-nos um pouco proprietários da mesma.
Embarcando no sentimento de posse, acontece não querermos partilhar. O ciúme bate à porta. Não queremos ser confrontados com o desejo de outras pessoas pelo que possuímos, nem pela disponibilidade de ser partilhado(a) que pode existir na nossa “propriedade”.
Por isso, o ciúme não surge apenas em relações amorosas nem sequer entre seres da mesma espécie.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Sobre o ciúme (3) - A minha torradeira

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Continuação dos posts:
Sobre o ciúme (1) - O medo é o seu alimento    e    Sobre o ciúme (2) - O frigorífico avariado


Sempre fui adepta da máxima “own your feelings”. Ou, como alguém diria, “I’m not your bitch, don’t hang your shit on me”. Quando li pela primeira vez o excerto do Ethical Slutaqui publicado, não só me identifiquei completamente com aquelas palavras, como passei a citá-lo em várias ocasiões. Nomeadamente quando alguém tentava “atirar-me as culpas para cima”. Nem sempre funcionou. Ou, para ser mais sincera, quase nunca. Sempre fui uma esponja da culpa. E de algum modo acho que sempre preferi sê-lo, para não perpetuar conflitos.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Sobre o ciúme (2) – O frigorífico avariado

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Continuação do post: Sobre o ciúme (1) - O medo é o seu alimento
No texto de que vos falei na semana passada, há uma metáfora poderosa que me ficou a dar voltas na cabeça até agora. O autor compara uma relação dominada pelo ciúme com um frigorífico avariado. A explicação para ter escolhido um frigorífico e não outra coisa qualquer, está no início do texto e tem a sua graça, como quase tudo o que este senhor escreve.
Imaginemos que um dia chegamos a casa e o frigorífico está avariado. Há uma poça de água no chão e comida a derreter por todo o lado. Depois de recorrermos à esfregona, há duas coisas que podemos fazer: ou arranjar o frigorífico, ou substituí-lo por outro. Qualquer das coisas requer uma certa dose de energia e organização para lidar com o problema. Por isso, o que a maior parte das pessoas (poly e não poly) faz, é optar por uma terceira solução: deixar o frigorífico ficar exactamente como está e alterar a sua vida (e a dos seus) em torno dessa condicionante. Decretar que lá em casa não entra mais comida que precise de refrigeração. Isto equivale a dizer "não quero ouvir falar de ex-namoradas", ou "tens namorado, não abraces os teus amigos". Criam-se regras mas não se resolve o problema.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Sobre o ciúme (1) – O medo é o seu alimento

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Ultimamente tenho andado a ler coisas sobre ciúme, a pretexto de preparar uma workshop sobre o tema, para a qual me convidaram já mais de uma vez. Recusei sempre, com o argumento de que sou a pessoa no mundo que menos sabe sobre o assunto. Mas ao pensar em alternativas, acabo sempre por bater com a cabeça no mesmo muro e apercebo-me de que o ciúme está de facto, para a maior parte das pessoas, no top of the tops dos entraves ao poliamor. Que é incontornável e mais vale começar por aí se pretendemos algum dia tirá-lo do caminho.
Resolvi partilhar convosco o meu trabalho de casa, que passou pela leitura na diagonal de alguns textos, e pela leitura integral de mais um texto sublime do Franklin Veaux (o tal autor das melhores FAQs sobre poliamor). O texto Jealousy Management for Love and Profit, or how to fix a broken refrigerator é coisa para encher seis páginas com letra muito pequenina, pelo que vos deixo aqui, em entregas semanais, uns resumos à laia de Europa-América. Mastigados e comentados por mim, para vosso uso e reflexão.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Foder e ir às compras

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É raro surpreender-me com teatro em português. Ou melhor dizendo, com os actores. Ver uma peça com quatro pessoas, em que todos são bons e alguns têm momentos brilhantes, não me acontece todos os dias. Esta está descrita como “uma metáfora da sociedade de consumo”. Mas ali, do alto daquela cadeira instalada no palco, vi metáforas para tudo e mais alguma coisa, ao melhor nível da minha professora de Português do nono ano. Para mim, tudo aquilo fala essencialmente da dependência que temos do amor, e do amor que temos às nossas dependências.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Verdades absolutas

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Unique shapes: Allan McCollum
Eu confesso. Não resisto a ler qualquer coisa que inclua a palavra sexo. Sou o alvo perfeito daqueles anúncios que punham nas paredes da faculdade, com SEXO em letras gordas mas que depois se percebia que só queriam vender um estirador ou um computador velho. Não resisto sequer aos milhentos artigos de revistas femininas ou masculinas sobre sexo, e mais concretamente às considerações sobre o sexo oposto, prescritas como verdades absolutas. Dependendo dos dias, não sei se rir ou chorar da insistência na guerra dos sexos e da eternização dessa polaridade.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

No meu tempo não era assim...

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Ouvido de passagem:
“Isto agora a malta nova… No outro dia estavam ali três sentados naquele muro, e ora beijava um, ora beijava o outro…”

Infelizmente não me lembro se “os três” eram dois rapazes e uma rapariga, ou ao contrário. Daria um matiz à história, mas não me parece que fosse relevante para quem a contava. O que lhe parecia realmente surpreeendente era o franquear dessa barreira última, a não-monogamia assumida, despreocupada e alegre.
De facto, se algo se pode dizer dos adolescentes de hoje em dia é que se estão a borrifar. Que ganharam em diversidade e descontração o que perderam em dotes ortográficos. E que um colega ser gay lhes parece tão escandaloso como ser fã do Star Trek e vestir-se de Darth Vader. Minto. A última parte seria bastante mais estranha.
Nas conversas que oiço dirarimente, diria que o ciúme e a posse vão perdendo cada vez mais protagonismo nas suas vivências. Os adolescentes assumem que estão num período de experimentação. Que as relações não duram para sempre e quem não tenha pais separados que atire a primeira pedra.
Ao contrário da minha geração que, sentada em frente à televisão, levou com estereotipos atrás uns dos outros, metidos pelos olhos adentro, esta geração senta-se em frente aos computadores. E na internet são eles que escolhem a informação que querem. Ou optam simplesmente por não querer saber e viver a afectividade como lhes apetece.

domingo, 29 de novembro de 2009

«Amor só dura em liberdade» — "A maçã" de Raul Seixas

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Antes de se tornar um sucesso de vendas à escala planetária, o escritor Paulo Coelho fez parceria, como letrista, com um músico que é considerado o pai do rock brasileiro: Raul Seixas.



Goste-se ou não de qualquer deles, vale a pena conhecer a música "A maçã", editada em 1975/76 no álbum Novo Aeon.


Se esse amor | Ficar entre nós dois | Vai ser tão pobre amor | Vai se gastar…

Se eu te amo e tu me amas | Um amor a dois profana | O amor de todos os mortais | Porque quem gosta de maçã | Irá gostar de todas | Porque todas são iguais…

Se eu te amo e tu me amas | E outro vem quando tu chamas | Como poderei te condenar | Infinita tua beleza | Como podes ficar presa | Que nem santa num altar…

Quando eu te escolhi | Para morar junto de mim | Eu quis ser tua alma | Ter seu corpo, tudo enfim | Mas compreendi | Que além de dois existem mais…

Amor só dura em liberdade | O ciúme é só vaidade | Sofro, mas eu vou te libertar | O que é que eu quero | Se eu te privo | Do que eu mais venero | Que é a beleza de deitar…

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

como vão ser os próximos 364 dias?

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em portugal, este ano:

morreram 26 mulheres vitimas de violência doméstica ou afectiva;

43 sobreviveram a tentativas de assassínio por parte de companheiros ou ex-companheiros...

milhares de mulheres são:

diariamente agredidas física e/ou psicologicamente;
muitas são também violadas nas suas casas...

tudo isto pelos homens que as amam!

grande número destes casos prende-se com a necessidade de controlo que os homens sentem que devem ter sobre as "suas" mulheres. isolam-nas por forma a exercer um poder que normalmente está na fronteira do patológico. fazem-nas pensar que não prestam e que, se eles as deixarem, ninguém mais as vai querer. têm ciúmes de tudo e todos.

este sentimento de posse, ainda "autorizado" pela sociedade patriarcal em que vivemos, é o cerne da questão. é preciso perceber-se que não temos direitos sobre os outros. as pessoas estão porque querem e se sentem bem.

aceitar as pessoas por aquilo que elas são e não tentar moldá-las à imagem que gostaríamos de ter delas é fundamental para a felicidade.

mas o que tem a haver esta questão da violência afectiva com o poliamor?

não temos estatística sobre a violência nas relações poliamorosas, claro, mas provavelmente serão muitíssimo baixas. não será por não existir ciúme... o ciúme também existe. a diferença está na forma de se lidar com os sentimentos.

converter o ciúme em compersão (compersion, feeling frubbly - energia oposta à do ciúme) é um bom começo.

hoje é o dia internacional contra a violência contra a mulher... como vão ser os próximos 364?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Tenho aqui uma dor...

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Às vezes tenho uns ataques agudos de “que lindo que seria um mundo poliamoroso”. E esta semana deu-me isto duas vezes. Apanha-me aqui esta zona toda, desde a boca do estômago até ao coração. Socos num e apertos no outro.
O primeiro ataque deu-me a ver a reportagem da SIC, “Filhos de pais em guerra”. Entre outras coisas, a prova de como o ciúme, a despeita e o medo irracional de ser menos amado se podem revelar completamente destrutivos. O final da reportagem pára qualquer digestão em curso.
O segundo achaque foi ontem na escola, a ouvir uma Directora de Turma informar-me do background dos alunos. Eu que acho sempre estas informações importantes, saí de lá sem saber se não preferia ter ficado na ignorância. O rol de desgraças e desamores que me foi desfiado sobre 27 criaturas que algum dia terão sido inocentes, deixou-me a engolir em seco. Quase todas as histórias passavam pelo capítulo “os pais divorciaram-se” e apenas uma incluía o “dão-se todos bem”. As outras incluíam episódios de abandono, alienação parental, instrumentalização e maus tratos psicológicos.

Num artigo que li há uns tempos, a jornalista imaginava como teria sido a história Clinton-Lewinski, se os envolvidos fossem poliamorosos:

“O presidente explica, com graça e dignidade, que ele e Monica estão apaixonados e que a primeira-dama tem conhecimento do relacionamento desde o início. Hillary diz à imprensa que aprova o relacionamento, com base na sua própria amizade e carinho por Monica. Esta junta-se a eles, e explicam que o seu relacionamento é uma tríade poliamorosa, em que os três são parceiros iguais, e que está aberta à inclusão de futuros parceiros.
Quando a imprensa, chocada, pretende saber como isso afectou a filha, Chelsea responde que agora tem três pais, que os ama a todos, e que tudo isto lhe ensinou muito sobre os benefícios de ser completamente honesta em todos os seus relacionamentos.”

E também eu dei por mim, nas duas ocasiões, a fantasiar como todas aquelas histórias podiam ser radicalmente diferentes. Com outros problemas, talvez. Porque o poliamor está longe de ser a panaceia para todos os males.
Mas a mera possibilidade de que as coisas possam ser diferentes, que nem todas as relações amorosas tenham que acabar em ódios militantes, não seria já um caminho pelo menos mais equilibrado? Se em vez de acabar, as coisas pudessem evoluir para outras formas, se as crianças deixassem de ter dois pais em casa para terem quatro ou mais, mesmo em casas diferentes.
Porque, como diz uma psicóloga na reportagem da SIC, a estabilidade provém da flexibilidade, e não de dormir todos os dias na mesma cama.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

eles são singles, senhor...

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há uns meses uma amiga de uma amiga teve uma rapidinha com um tipo que conheceu na rede... num sítio para swingers. diz ela que até não foi mau, mas... o gajo era casado. ok, era um sítio para swingers e é normal ser-se casado, só que o rapaz estava lá como single! se calhar é só ele, digo eu na minha ingenuidade.

agora esta amiga da minha amiga apresenta o moço à minha amiga (ela sim, uma single verdadeira) e não é que ela se encanta por ele! bem, depois de dar uma voltinha para experimentar...

e segue um "namoro"... bom sexo, muitas trocas de mensagens a todas as horas e a frequência de alguns clubes de swing... onde, surpresa das surpresas, o nosso rapaz começa a ter ciúmes da minha amiga quando a vê com outr@s... e só a beijar na boca.

não é que a minha amiga, um verdadeiro espírito livre, começa a ter um comportamento condicionado à vontade do "namorado"...? e tudo isto por detrás das costas da mulher, que nada sabia desta relação...

já ia na conversa do "mas eu deixo-a e venho viver para a tua casa", hipótese sempre afastada pela minha amiga, diga-se de passagem, quando eis se não que a mulher lhe "apanha" o telemóvel e lá estão as mensagenzitas "conta tudo".

bem! caiu o carmo e a trindade! e o tipo não vai de modas: conta tudo... lingerie, sexo, clubes e por aí fora.

moral da história: duas mulheres magoadas desnecessariamente e um gajo que sai quase como a vítima.

a minha amiga sabia ao que ia, claro, mas nunca escondeu que por ela seria muito mais sério se a relação fosse aberta a incluir a mulher dele.

a mulher, depois de saber os detalhes e de ter conversado longamente com a minha amiga, até mostrou abertura para a incluir na relação e... despertou para o sexo!

e ele, então?

lá está... em casa tem sexo como nunca teve, mas teima em tentar controlar a minha amiga. ela é que já não permite e faz a vida dela como sempre fez, livre de condicionalismos.

numa sociedade ainda muito patriarcal é muito difícil alterar mentalidades, mas observo que mesmo quando poderá haver alguma abertura para essa mudança por parte de alguns, existem sempre outr@s que preferem fazer as coisas às escondidas.

será que assim é mais estimulante?

será que as pessoas precisam da adrenalina proporcionada pela clandestinidade?

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Malabarismos amorosos

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Há uma dúvida recorrente nas cabeças poly: ao conhecer-se uma nova pessoa, qual é a altura certa para se anunciar que a monogamia não é para nós um dado adquirido? Deve-se dizer o mais rápido possível, quase a seguir ao “muito prazer”? Tipo “Olá, o meu nome é X e sou poly”? Ou na verdade não é da conta de ninguém a não ser que nos envolvamos com a pessoa? E se assim é, em que ponto do envolvimento se torna oportuno / aconselhável falar nisso?
Já tive várias opiniões e respostas a dar a estas perguntas. Ultimamente opto por dizer descontraidamente “o meu namorado” assim que surge a oportunidade. A reacção a isto normalmente determina se desenvolvo a explicação, e muitas vezes determina também o meu interesse na pessoa.
A frontalidade e a honestidade são para mim uma necessidade, ou um luxo a que me dou quando o interlocutor o permite. Mas o que é perturbador é pensar que essa postura, por se furtar à cumplicidade com outras menos abertas, pode convidar à falsidade alheia. Trocando por miúdos: a maior parte das pessoas percebe muito cedo que não me vai conseguir comer se houver outra que não possa saber da minha existência. Nem sequer se só houver dúvidas.
Ontem falei com uma pessoa com quem me envolvi há uns anos e a quem pareceu que a melhor altura para me dizer que tinha namorada seria precisamente meia hora depois me ter comido. Neste caso, teria a fraca desculpa de dizer que eu é que o comi, me abalancei sobre ele, sem lhe dar muito tempo para abrir a boca. Mas antes disso, horas de conversa sobre poliamor já lhe tinham dado essa oportunidade várias vezes.
A conversa de ontem era sobre uma experiência que tinham tido com outro casal. Encurtando o relato: eram grandes amigos e deixaram de o ser. O ciúme atacou forte e feio. Sério?? E isso era portanto uma surpresa para ele.
Se há coisa que aprendi logo nos primeiros namoros de adolescência é que não se mudam as pessoas. Ou se ama alguém por quem a pessoa é, ou mais vale procurar directamente o que nos faz mais felizes. A namorada deste rapaz é claramente monogâmica e até eu, que nunca tive a oportunidade de a conhecer, já o tinha percebido. O que não percebo é esta compulsão de enganar tudo e todos e persistir num auto-engano, insistindo em que se faz as coisas desta maneira por não haver outras opções.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Poly-simplex

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Eu ouço muitas vezes as pessoas a queixarem-se de uma coisa: da complicação. Ao que parece, é tudo complicado. A vida é complicada, o amor é complicado, o trabalho é complicado. As pessoas também.

Quando falo em poliamor, dizem-me "ai não, isso seria demasiado complicado para mim". E eu até entendo o que é que me querem dizer. Mas, ao mesmo tempo que entendo o que me querem dizer, também acho que é tudo uma questão de perspectiva.

Para mim, também me parece muito complicado o sistema de regras que penetram o mais possível a privacidade, pessoalidade e psique dos indivíduos e que, convenhamos, domina o funcionamento de muita pessoa ciumenta. Para mim, complicado é o conjunto de caixas, caixinhas e caixotes que arranjamos para encaixar (encaixotar) as pessoas num sistema de classificação, como se fôssemos todos adeptos e especialistas da taxonomia.


"Mas porque é que é complicado, para ti, uma classificaçãozinha toda bonita?" - podem perguntar. E eu respondo, calma... Então, é assim: sentimentos, paixões, desejos, seja o que for, operam sob contínuos (muitas vezes, sob vários contínuos ao mesmo tempo). E quando tentamos forçar algo contínuo a encaixar-se em espaços separados deparamo-nos com uma coisa: fendas. Vazios entre essas divisórias, que forçam as linhas contínuas a quebras. A complicações, portanto, especialmente sobre o que fazer com os bocados de linhas que ficam, ali, de fora.

Querem saber o que eu acho simples? Acho simples poder estar com outra(s) pessoa(s) e abraçá-la(s). Beijá-la(s). Fazer amor com ela(s), sem estar preocupado se é um amor-paixão, um amor-amizade, um amor-desejo ou outra coisa qualquer. Ou então simplesmente fazer sexo, porque não?! Acho simples ter a liberdade de navegar pelos meus sentimentos e sentir a paz de comungar com outras pessoas. De ser sincero, honesto, frontal. De deixar tudo em pratos limpos e ser o mais claro possível quanto às minhas certezas e incertezas, ao invés de tentar ler mentes e jogar subentendidos para o ar.

É tão singelo, tão simples, aquele momento em que se partilha o que se sente, sem exigências, sem contrapartidas e jogos de influências. Eu gosto dessa simplicidade, estou apaixonado por essa simplicidade há anos.

Portanto, se desesperam por simplicidade, tenham esperança! Ela não morreu! E cá eu, vou pelo poly-simplex...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

e ainda por cima no meu bmw!

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"então não é que o estafermo me anda a comer a vizinha?! ela vai com ele para o estacionamento na baixa e é mesmo ali no carro que aquela puta lhe faz o servicinho… ah! e o carro ainda por cima até está em meu nome… é um bmw, sabe?"


foi assim que fui abordado, há uns dias, por uma conhecida minha. a rapariga fumegava, danada com raiva do marido de há mais de trinta anos.

e continuou… "a puta é nossa vizinha no prédio, sabe? eu até já falei com o marido dela! disse-lhe que procurasse saber o que anda a fazer a mulher, mas parece que ele está a leste do paraíso e não vê nada. são uns tansos, estes homens! as mulheres põem-lhes os cornos e eles até acham que são umas santas! só me apetece dar-lhe uma sova, cabra manhosa!"

mal a conheço, mas tentei acalmá-la… perguntei-lhe se amava o marido… "aquele estúpido?! não, queria era vê-lo a milhas, mas o gajo não sai! bem em verdade não sei, são muitos anos.. se calhar até amo… estou confusa!"

aproveitando a confusão, disse-lhe que provavelmente eu não seria a pessoa mais apropriada a quem pedir conselhos nesta matéria. "mas porquê?" ripostou ela. "você parece uma pessoa sensata e de certeza que era incapaz de fazer algo deste género!"

ri-me e respondi-lhe que agora não seria capaz… bem pelo menos a parte da traição, o resto no carro, bem, ai já seria rapaz para… e tal…

ficou perplexa.

aproveitei e sugeri-lhe uma solução.

em vez de dar cabo de dois lares, porque não juntá-los num só e experimentar qualquer coisa de diferente. afinal ela até se dá bem com o marido da outra e está provado que a outra se dá bem com o marido dela…

nesse momento lembrou-se que ainda tinha muito para fazer e despediu-se de mim à pressa… nem olhou para trás!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Mostra e conta I: regras e valores

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Quer aqui quer no Our Laundry List, tenho evitado histórias pessoais, mas ando a chegar à conclusão que é exagero meu. Vou tentar começar uma série de "mostra e conta", em que me vou basear no arquivo de entrevistas que dei, ou em conversas que tive no Skype e "nerdices" semelhantes. O texto que se segue é uma adaptação das respostas às perguntas "Que regras é que tenho na minha constelação actual, e quais as regras e valores mais importantes" e "como se gere o tempo e o ciúme". Para quem não está completamente por dentro, há em meios poly a crença (sim, crença) muito espalhada que as relações poly funcionam bem quando há um bom e sólido sistema de regras, associado com a comunicação como um valor universal über alles, por isso é uma pergunta inevitável e pertinente (…).

Tive muitas relações com regras, principalmente no princípio desta aventura (aka a minha vida poly, há quase vinte anos). As regras ajudam porque definem o domínio, o espaço, muitas vezes maior do que pensamos, onde somos livres. Criam uma ideia em primeira aproximação (um pouco errónea) de segurança que ajuda a criar as bases para uma segurança de facto, a posteriori. Mas também pode acontecer que as regras podem estar mal definidas, por exemplo porque as pessoas conhecem mal as suas próprias necessidades, ou dos parceiros, ou porque numa altura precisam mais de segurança do que noutras, etc.
Neste momento, (...), mandámos a maior parte das regras pela janela porque simplesmente não estavam a trazer nenhum acréscimo de segurança ou bem-estar. A única regra neste momento é falar uns com os outros e avisar por exemplo se há ou vai haver "mouro na costa". Mantivemos esta regra não por ser uma "boa regra universal" mas porque no nosso caso particular não somos imunes a ciúme, e embora queiramos ser livres e que os outros sejam livres, não queremos surpresas (...). Fazemos regras pragmáticas para certas situações e janelas temporais (...) Há claro regras no que diz respeito a criar espaço para nos vermos, acerca de saúde (sexual e não só), dinheiro, férias, planta de um apartamento e distribuição dos móveis na casa (são poly friendly? geram privacidade? tornam processos e decisões transparentes?). (…)


Dito tudo isto, onde quero chegar é que o valor supremo para mim é a confiança, mais do que a comunicação. Como explicarei mais abaixo, a comunicação é uma óptima (mas não única) maneira de atingir confiança e respeito. Outros funcionarão de outra maneira. Por outras palavras, vejo a comunicação como ferramenta para a confiança e não como fim em si.
Ilustrando com a gestão do ciúme e do escasso tempo, vemos ad nauseam em discussões electrónicas a defesa da comunicação mas IMHO no geral o truque subjacente é criar confiança e ou evitar situações que são fragilizantes para outra pessoa. Se isso é feito através de diálogo, através de regras detalhadíssimas, ou de regras gerais, ou simplesmente de "eu não quero ver nem saber o que fazes mas tens a minha bênção" é uma questão pessoal. Não funcionamos todos da mesma maneira, não criamos confiança todos da mesma maneira, não somos felizes da mesma maneira.(...).

O texto completo (demasiado longo para publicar no polyportugal) está aqui:
http://laundrylst.blogspot.com/2009/08/mostra-e-conta-regras-e-valores.html