
O penúltimo número da revista
Sábado (nº 272 — 15 a 22 de Julho de 2009) trazia a seguinte frase solta de cabeça de página:
"Maridos e ratos fiéis partilham o mesmo gene, diz um estudo sueco" FOLHA ONLINE
Não encontrei na Folha Online nenhum artigo sobre o assunto mas de qualquer forma acabei por perceber que nem sequer é notícia recente. No Globo, por exemplo, a notícia saiu de facto apenas uma semana após a publicação do artigo original, e já lá vai quase um ano. Quem quiser pode ler o artigo original na revista científica americana PNAS.
Estive a ler sem estudar detalhadamente — até porque não tenho traquejo para isso — e o
paper referido parece-me sério. O único problema está na interpretação que dele fez o Globo e depois quem veio atrás, incluindo a
Sábado: é que isto não tem nada a ver com fidelidade mas sim com
estabilidade.
Resumindo, o que lá se conclui é que, quando existe um determinado gene nos humanos (ou pelo menos nos
suecos de classe média que têm um gémeo e estão casados ou em união de facto — ufff) aumenta a probabilidade de envolvimento numa relação com maior índice de
pair-bonding, de acordo com uma escala. E o que é que mede essa escala, exactamente? A
qualidade e
estabilidade da relação, e o
nível de envolvimento com o outro.
Nada, mas nada, se pode concluir quanto à fidelidade, no sentido tradicional do termo: exclusividade emocional e ou sexual. Nem no sentido etimológico: confiabilidade, honestidade. E nada se pode concluir quanto à monogamia. Ora vejam as
perguntas que são feitas à população estudada e verão se não tenho razão.
Em conclusão:
Existe um gene que favorece as relações íntimas. Espero ter esse gene. Eu e todos os meus putativos parceiros.
Nota: desculpem mas não resisti; tinha o sonho antigo e infantil de escrever a palavra "putativo".