A tertúlia "(re)pensar a sigla", organizada pelo grupo NOVA Equality, teve lugar a 16/10/2015. Inês Rôlo esteve em representação do PolyPortugal.
Podem ouvir a sua intervenção inicial aqui!
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sábado, 17 de outubro de 2015
terça-feira, 13 de outubro de 2015
Ser poly e marginal
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Imagina isto: estás a conversar. Uma conversa banal sobre uma coisa qualquer. Estás, sei lá, a falar sobre cinema, num café com malta que conheces mais ou menos e com quem até te dás bem, mas não são o teu círculo íntimo de pessoas. Conhecem-se há relativamente pouco tempo, ou até há algum mas nunca falaram realmente umxs sobre xs outrxs e conhecem-se superficialmente. Sabes que uma das raparigas do grupo tem um namorado, sabes que a outra é de não sei onde e que tem uma licenciatura em não sei o quê, e um dos rapazes joga futebol e gosta de sci-fi. Tens ali colegas, amigxs de amigxs que conheceste numa noite qualquer, foste ali tomar um café porque calhou. Ou então são colegas de faculdade, ou colegas de trabalho, algo assim.
Estão a falar sobre cinema. E tu viste o filme no outro dia com a tua namorada. E alguém diz “ah, tens namorada? Fixe.” e passam à frente, porque a malta até é evoluída, e continuam a conversar. Até estás com sorte, porque não fizeram comentários menos agradáveis que já ouviste antes. Decidiste arriscar falar um bocadinho de ti e correu bem. Mas já estás a pensar estrategicamente, não sabes se é seguro falares muito mais de ti e estás, desde o início, a pensar se hás-de conversar à vontade ou não. Não que aches que as pessoas te vão atacar directamente, mas não sabes bem o que esperar.
Decides arriscar. Porque afinal estás ali com amigxs e faz sentido que fales de ti, certo? Gostas que partilhem coisas contigo e gostas de partilhar coisas sobre ti, porque é o que se faz quando se conhecem pessoas novas e estás a fazer amizades.
Então casualmente continuas a conversar, e contas que no outro dia foste ao cinema com a tua namorada e o namorado da tua namorada e mais algumas pessoas que fazem parte da tua vida e da tua família (que por acaso são companheiras do companheiro da tua companheira). Não te apetece propriamente dizer “fui ao cinema com amigxs”, porque isso não corresponde exactamente à verdade.
Isto tudo porque querias dizer que foste ao cinema, mas não querias estar a mentir ou ocultar coisas sobre ti e poder falar delas naturalmente. NATURALMENTE. Assim como a tua amiga entretanto disse que foi ao cinema com o namorado dela e a conversa passou à frente.
Mas, no teu caso, a conversa pára ali porque de repente as pessoas começam a perguntar-te coisas da tua vida privada, porque se esqueceram da conversa interessante que estavam a ter sobre cinema e a conversa passa a ser sobre ti. Aliás, não sobre ti: sobre a tua vida. A conversa na verdade gira à volta das pessoas que começam a fazer-te perguntas atrás de perguntas sobre a tua vida, não porque estejam interessadas nos teus sentimentos, mas porque querem satisfazer uma curiosidade mórbida qualquer que tenham sobre se lá em tua casa dorme toda a gente na mesma cama e se fazes orgias ao fim de semana. Não têm lá muita empatia. Começam a reduzir-te a ideias pré-concebidas e tu passas a ser vistx como um rótulo ambulante. Nada contra rótulos, atenção, mas tu sabes que és mais do que uma só coisa. Tens de fazer um esforço para descontruir na cabeça delas a imagem que criaram automaticamente de ti e que não tem nada a ver contigo só porque disseste uma coisa que, para ti, é simples de assimilar porque é a tua vida.
Não sabes exactamente o que fazer, porque a partir do momento em que falaste no assunto é como se tivesses uma espécie de dever de 1) provar que és uma pessoa decente APESAR DE TUDO; 2) responder a toda e qualquer pergunta que te façam sobre a tua forma “hippie” ou “hipster e contemporânea” (ou, pior, “promíscua e psicopata”) de viver.
E tu queres falar sobre isso. Queres, porque é a tua vida, e queres partilhá-la, e até te dá algum gozo falar de ti, falar de coisas não-normativas. É fixe dizeres que és diferente. Mas também não queres falar sobre isso. Porque te apercebes de que as perguntas que te fazem não são perguntas de pessoas que se preocupam com o teu bem estar, ou pessoas que gostam de ti pelo que és. Mas porque te transformas num objecto de estudo, de fetichização, de estranheza, de exotismo, o que for.
É giro. Até certo ponto. A partir de determinada altura, torna-se cansativo. Esgotante. Irritante… Ofensivo. Agressivo. Queres poder ter uma conversa sem teres de sair de um armário de todas as vezes. Sem teres de “admitir” alguma coisa. Sem haver uma pausa na conversa em que de repente tu dás uma aula sobre a tua forma de viver, de ser, de estar.
De todas as vezes, tens de fazer várias escolhas: 1) evitar assuntos sobre a tua vida ou 2) abordá-los, tendo a noção de que podes ter A) reacções activamente agressivas ou B) teres de explicar exaustivamente tudo o que se passa na tua vida e responder a perguntas que, por bem intencionadas que sejam, sejam invasivas e ofensivas. Ou C) não responder a absolutamente nada e passar à frente, e depois lidar com as reacções das pessoas que acham que lhes deves uma explicação.
Entretanto já nem te lembras do que estavam a falar. Ah, de cinema. Então tu foste ao cinema com a tua namorada, o namorado dela, as namoradas do namorado dela. A tua família. E falas do filme, mas parece que as pessoas nem te estão a ouvir porque, na cabeça delas, ainda estão a fazer uma série de perguntas.
Depois pensas que se calhar talvez não seja melhor mencionares outros aspectos menos normativos da tua vida, tipo questões de género, activismo, feminismo. Se calhar é melhor também não falares sobre coisas que tenham a ver com foder, porque provavelmente também vais ficar com o rótulo de galdéria (pelo qual tu até tens um certo carinho, mas é melhor não lhes responderes isso de qualquer das maneiras).
Tu só querias falar sobre a merda do filme.
Depois vais-te afastando lentamente das pessoas porque não encontras propriamente tema de conversa, uma vez que todos aqueles que são temas centrais da tua vida te passam pela cabeça e ficam presos no filtro de “é melhor não puxar este assunto”.
Voltas àquele círculo pequenino e bom e fofinho das pessoas que te são íntimas e são parecidas contigo e refilas com elas e queixas-te de que, pela quinquagésima vez, não te sentiste à vontade no café que tiveste. E elas abraçam-te e compreendem-te porque passaram exactamente pelo mesmo.
Isabel Martinez
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Amor num pedestal
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O nosso corpo veste o medo e de relação para relação somos pessoas mais distantes e ponderadas. As quedas influenciam a frieza. O afastamento. A forma como nos é dado o amor desde sempre torna o sentimento imaculado, frágil e delicado. Morrer por amor. Aceitar tudo por amor. Viver para amar. A forma como nos é colocada a possibilidade de amar, torna-nos também a nós imaculadxs, frágeis e delicadxs. Vivemos tão intensamente o que pensamos ser amor que nos esquecemos de equilibrar a beleza dos sentimentos com a possibilidade da razão. Depois dói. Parecem dores no peito. Parece o Mundo a acabar e o Universo a cuspir-nos para uma zona em que o ar é denso e os pulmões parecem de vidro. É o que vende: amar loucamente. E de forma igualmente louca - não sabemos amar. No fim de contas, parece uma constante destruição poética.
Enquanto pessoa extremamente romântica, foi difícil para mim tornar algo tão abstrato como o amor, uma eterna conversa. Uma eterna adaptação. Foi difícil olhar para o amor e ver nele uma construção que não me servia. Um modelo aplicado a todxs. Uma formatação. É algo que ainda me persegue. De cada vez que tenho que trabalhar o meu amar, é um desafio. Fazer da matemática poesia e da prosa ciência. A verdade é que o resultado das coisas mais improváveis pode ser surpreendentemente bonito se nos for dada essa possibilidade. Se não vivêssemos de e para amar da forma formatada que vivemos, da forma que nos foi ensinada, conseguíamos explorar o todo dos sentimentos de forma livre e plena. É o sexo mais tabu que o amor? O pedestal em que colocamos o amor da nossa vida - é uma mentira que nos faz esquecer, muitas vezes, que somos Pessoas individuais. Mas ninguém fala disso. É destruir o sonho do Mundo pegar no amor e falar dele de forma diferente dos finais felizes. Mexer nele. No fundo o que sabemos é que é algo tão profundo que só pode ser vivido intensamente por duas pessoas - é algo que nem é possível descrever mas que pode ser explorado quando não segue o padrão. Os filmes, os anúncios, as músicas e o que nos rodeia. Um homem e uma mulher que claramente se amam. Uma sociedade esculpida delicadamente para parecer perfeita. Depois tropeçamos nos defeitos desse amar. Um amor que justifica violência. Que justifica a traição. A nossa maior qualidade - o nosso maior defeito. É nos dado assim, em tom de paradoxo. Nem sempre correspondemos ao que está exposto no pedestal. Nem sempre é este amor correspondido. Nem sempre é a dois. Nem sempre é.
No fundo, se não amarmos, somos leituras solitárias e criticadas pela vida vazia que escolhemos para nós. Se amarmos mas fugirmos da heteronormativadade, enfrentamos dificuldades que podem muitas vezes ter consequências gravíssimas e um futuro anulado, em segredo e oprimido. Se amarmos muitxs, somos desenvergonhadas.
O amor não está num pedestal. Pelo menos o meu amor não está num pedestal. Não é delicado. O amor não é o que abraça o mundo e nos faz ter força para viver. O amor é uma construção social. É de mau tom que se agarre no que de mais bonito temos e seja colocado em vitrine para venda. Uma janela com vista para o todo. A única janela. O único todo. Um Universo que nos cospe. O meu amor não está num pedestal. Não é delicado. Pode magoar e exigir coisas de mim que nem sabia existirem - mas é forte. Enorme. Tem diferentes formas. Renasce. Não é justificação para tudo. É privado e é público. É a sós e é a muitxs. É o que escolho ser e o que me deixa feliz.
segunda-feira, 11 de maio de 2015
Se és (hetero-)mono, tens coisas mais importantes com que te preocupar
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ou, De como as pessoas poliamorosas estão fartas de perspectivas pseudo-“críticas” do mono-mundo
Já chega. Estamos fartxs.
Sabem o que acontece cada vez que uma pessoa poliamorosa, com uma perspectiva queer-feminista, reflecte sobre a mono-normatividade? Pois é: há (quase) sempre alguém que surge, muito rapidamente [haverá plantão?; haverá vigília?], a fazer uma de duas coisas (ou, mais comum, ambas ao mesmo tempo):
- A defesa da legitimidade da monogamia;
- A crítica ao poliamor e a outras formas de não-monogamias consensuais.
Isto cansa, porra.
Senão vejamos.
«Deixem a monogamia em paz, que chatxs!»
Está uma pessoa muito entretida com os seus botões, a reflectir sobre um sistema multi-milenar de opressão sistemática de sexo/género e de reprodução de papéis de género binários e normativos, e assim que abre a boca para falar logo alguém (que é legível ou se apresenta mesmo como mono) tem que vir dizer qualquer coisa do estilo “Ai que me estão a oprimir!”.
E a base desta brilhante argumentação é a de que todas as pessoas devem ser livres de escolher a estrutura relacional que mais se adapta ao seu projecto de vida e à forma como sentem e se sentem realizadas.
… Porque, como toda a gente sabe, “normatividade” quer dizer que todas as pessoas têm todas as escolhas possíveis colocadas à sua frente, sem constrangimentos legais, institucionais, sociais. Certo? … Certo? ... Ceeeeeertooooo?
E também quer dizer que lá no fundo, no fundo, todxs queremos ser felizes e basta escolhermos o que nos faz feliz e está tudo bem, não é? Porque a noção do que faz feliz e do que é a felicidade é perfeitamente pessoal e subjectiva e igual para todxs, certo?
Ou então não.
E vai daí, temos que perder novamente tempo - perder, porque este tipo de diálogos geralmente viram monólogos - a explicar, por exemplo, que a monogamia é menos uma “estrutura relacional” e mais um sistema político. Que a monogamia está associada ao surgimento, estabelecimento e fortalecimento do Estado-Nação capitalista. Que a hetero-monogamia se encaixa numa rede que pretende preventivamente erradicar a dissidência sexual lésbica. Que a monogamia colabora activamente para a manutenção do statu quo patriarcal.
E que não, não é simplesmente uma escolha subjectiva - «porque é assim que sou feliz e cada um tem direito a ser feliz como quer!» - ideia bonita mas que falha por não ter qualquer conexão com a realidade em que são socialmente vistos como felizes apenas os casais hetero, mono, casadxs ou juntos de forma semelhante, de classe média, brancxs, com casa, carro, 1,2 filhxs. E são miseravelmente infelizes ou falhadxs as pessoas sozinhas, as pessoas que não querem ter filhxs, as pessoas que têm sexo com toda a gente, as pessoas que não querem ter sexo com ninguém, as pessoas não-monogâmicas (tudo isto piora se forem mulheres e/ou minorias étnicas e sociais).
Que, como diz Brigitte Vasallo no primeiro link do anterior parágrafo, a postura “«cada um que faça o que quiser» é, na prática, «que cada um faça o que conseguir»”. E, numa sociedade hetero-mono-normativa, consegue-se realmente muito pouco e a muito custo.
Vêm geralmente depois os argumentos do excepcionalismo - “Mas eu sou diferente!”, que é como quem diz, «a minha monogamia não é igual à monogamia da vizinha».
Nós sabemos, nós sabemos: não estais habituadxs a que falar da vossa monogamia cause desconforto. Azar. Notícia de Última Hora: nós estávamos a falar de mono-normatividade e, espanto dos espantos!, não estamos interessadxs em saber como a tua monogamia é extra-diferente, extra-especial, baixa em heteropatriarcado e rica em realização pessoal. Tens uma monogamia dessas? Eh pá, que fixe!... Para ti. We really don’t care. Até porque a realização pessoal que retiras dela não apaga a tua performance pública (política!) de monogamia, nem o efeito de reforço de privilégio que isso tem (e que escapa largamente ao teu controlo).
«Isso do poliamor também tem muitos problemas!»
Então há bocadinho a tua monogamia era versão Extra-XPTO-Plus-Gold-Limited-Edition. Mas agora “o poliamor” - Sagrada Cona das Generalizações Abusivas! - já tem muitos problemas. [Notem, por favor, que novamente a conversa foi desviada para longe de qualquer crítica possível à mono-normatividade.] Claro que a implicação, subentendida, é que o nosso poliamor tem problemas. Mas não a tua monogamia. Não, isso nunca, céus!...
E então, a partir deste momento, vem o desfiar do argumentário… Que “o poliamor” serve é para beneficiar homens cisgénero, que o “poliamor” é usado como forma de manter as mulheres submissas e validar a falta de compromisso de homens cisgénero, que “o poliamor” não implica qualquer discriminação, que “o poliamor” é tão passível de ser ‘escolhido’ como a monogamia, que “o poliamor” não tem nada a ver com feminismo, e por aí em diante… Já para não falar naquela tendência irritante até mais não de achar que “poliamor” é sinónimo de todas as formas de não-monogamia consensual, e portanto tratá-las todas como um conjunto amorfo de categorias intermutáveis.
No fundo, descobrimos assim, para nossa infinita surpresa, que não existe maior especialista em poliamor do que… pessoas monogâmicas (e, em menor grau, pessoas que, sendo não-monogâmicas, ainda assim não são poliamorosas).
Vá, vamos ser honestxs: não, o poliamor não é uma espécie de paraíso perfeito de liberdade pura e absoluta onde todos os males da sociedade se evaporam em fumo e se atinge o nirvana.
Mas… calma, que isto pode ser chocante para algumas pessoas… o raio das generalizações abusivas com “boas intenções de Cavaleirxs Brancxs” acaba a ser mais tóxico que muitas das supostas coisas que tão magnanimamente querem evitar!
Porque, Notícia de Última Hora - parte 2: existem mais que dois géneros; existem relações poliamorosas só com mulheres, e só com homens, e com pessoas não-binárias, e com pessoas trans*... que não apreciam nada mais uma camada de apagamento feita, alegadamente, por uma preocupação com a igualdade de género! Infantilizar ou apagar mulheres, pessoas não-binárias e trans* através de críticas generalistas, abstractas e desinformadas à sua vida não é aceitável.
Aliás, não vos devia fazer um bocado de comichão o facto de que, recentemente - e de uma forma que talvez não tinham ainda imaginado! - quem mais se queixa do poliamor são os homens? Porque, lembremo-nos disso, aquilo que o poliamor procura fazer é precisamente retirar o privilégio que os bio-gajos têm de poder ter várias relações sem ter que responder por isso!
E não, não nos esquecemos de termos dito que o poliamor não é perfeito. Aliás, até há várias pessoas a fazer uma leitura crítica de vários elementos do poliamor, com base em considerações sobre feminismo, pós-colonialismo, classe, e por aí em diante… Sabem quem?
Uma pequena pista: não são vocês. Não. São, na sua maioria, pessoas que têm experiência e reflexão feitas sobre a questão, que não se encontram a falar a partir de uma posição de privilégio e que, em todos esses casos, não se limitam a fazer generalizações sobre “o poliamor”. Identificam problemas concretos com dinâmicas específicas, com balizas bem demarcadas.
Ou então, quando se trata de comentar a história do poliamor, não disparatar, confundindo “poliamor” com “relações abertas” ou com outras formas de não-monogamia consensual (sim, existem mais!, não, não são todas iguais!, sim, tens mesmo de te calar e ir ler se não sabes a diferença!), esquecendo que, sim, o poliamor tem um forte cunho feminista e de crítica à desigualdade de género na sua base [O que não quer dizer que uma pessoa, por chamar “poliamorosa” à sua relação, vá logo ser o paradigma da igualdade de género, né?; porque não há fiscais do uso do termo]...
E mesmo quem tem alguma experiência em relacionamentos não-monogâmicos em sentido lato (desde relações abertas a swing), ainda assim faria melhor, achamos, em ver que a sua experiência particular pode não ser - e geralmente não é - a melhor para comentar outro paradigma relacional diferente. Embora alguém nessa situação não esteja simplesmente a reproduzir o privilégio monogâmico, ainda assim e por uma questão de solidariedade, convém que possamos reconhecer a diversidade de posturas e também as limitações que vêm com estarmos num estilo relacional e não noutro.
Vá, para resumir: estamos fartxs do [atenção à palavra desconhecida] monosplaining. Que é como quem diz: estamos fartxs de ter pessoas monogâmicas a julgarem-se especialistas em poliamor e outras não-monogamias. Estamos fartxs de pessoas monogâmicas a quererem ‘expor’ publicamente os ‘males’ “do poliamor” mas que não são capazes de escrever dez linhas, publicamente, sobre o papel normativo da monogamia como sistema político opressor.
Querem ser umas pessoas muito socialmente conscientes? Que bom!
Primeiro passo: desconstruam a vossa própria monogamia.
Segundo passo: ver o primeiro passo.
Quê?! Achavam que esta coisa do “desconstruir” era como nos menus de instalação de programas? Chega aos 100% e ‘tá feito?
Ouvimos dizer… que não é assim que funciona!
Depois disso, e depois de investigarem a fundo ou de passarem de facto pelas experiências de uma não-monogamia feminista e crítica, cá estaremos para ouvir e trabalhar com as vossas/nossas críticas. Até lá, preferimos ouvir as vozes (críticas!) de quem reflecte sobre as suas experiências de não-monogamia, e não os gritos que nos querem afogar a expressão crítica das estruturas macro-sociais que pendem sobre as cabeças de todxs.
Nota: Vamos aguardar para ver se os comentários a este nosso rant confirmam a existência do mesmo; uma espécie de versão poly da Lei de Lewis.
Inês Rôlo
Isabel Martinez
Rumpelstilzchenriel
Daniel Cardoso
sexta-feira, 24 de abril de 2015
Tertúlia sobre Poliamor promovida pela ILGA - a gravação
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Cerca de duas horas e meia de tertúlia gravadas para todxs poderem ouvir, mesmo quem não esteve lá fisicamente!
Partilhem, divulguem e ouçam... sem esquecer de comentar, claro!
O PolyPortugal deseja agradecer à ILGA Portugal o convite feito e o espaço disponibilizado para uma conversa que mobilizou muita gente.
domingo, 19 de abril de 2015
Tertúlia sobre Poliamor no Centro LGBT
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O PolyPortugal vai estar presente em mais uma tertúlia sobre Poliamor, desta vez a convite da ILGA Portugal, já no próximo dia 23 de Abril às 19h30, no Centro LGBT em Lisboa.
Vem conversar connosco sobre como se ama no plural e pensar nas ligações entre poliamor e orientação sexual.
Com a participação de duas pessoas do PolyPortugal: Fátima Marques, terapeuta psico-corporal e promotora do projecto "Saúde para todos", e Inês Rôlo, poliamorosa e activista poly e LGBTQIA.
domingo, 23 de novembro de 2014
Tertúlia sobre poliamor na Mouraria já online!
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A quem não pôde estar ontem na Mouraria, a assistir e participar na tertúlia sobre poliamor, fica aqui o registo áudio!
O link para o ficheiro áudio está aqui, basta fazer click direito e 'Guardar como...'
Todos os comentários são bem-vindos!
O link para o ficheiro áudio está aqui, basta fazer click direito e 'Guardar como...'
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Tertúlia "Poliamor e o questionamento da mononormatividade"
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No âmbito da preparação da II Marcha pelos Direitos LGBT, o coletivo Braga Fora do Armário organiza a tertúlia “Poliamor e o questionamento da mononormatividade”, que decorrerá no próximo dia 9 de abril, às 21h30, no Estaleiro Cultural Velha-a-Branca, em Braga.
O evento visa promover a reflexão crítica sobre o poliamor e a desconstrução do sistema relacional mononormativo.
A iniciativa contará com a participação de Ana C. Pires, jornalista freelancer e poliamorosa, Daniel Cardoso, ativista do PolyPortugal, e Inês Rôlo, ativista do PolyPortugal e do Clube Safo.
Dirigido ao público em geral, o evento será moderado por Catarina Dias, ativista do Braga Fora do Armário.
A entrada é livre. EVENTO NO FACEBOOK.
Por favor partilhem o evento, inscrevam-se e passem palavra!
domingo, 7 de julho de 2013
PolyPortugal na Marcha do Orgulho LGBT Porto 2013
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O PolyPortugal marcou presença e esteve representado nas intervenções finais da Marcha do Orgulho LGBT do Porto de 2013.
Vejam abaixo o vídeo da intervenção!
Vejam abaixo o vídeo da intervenção!
domingo, 23 de junho de 2013
Discurso da Marcha do Orgulho LGBT Lisboa 2013
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Aqui fica a intervenção do grupo PolyPortugal no fim da Marcha do Orgulho LGBT Lisboa 2013!
terça-feira, 21 de maio de 2013
domingo, 3 de março de 2013
Aos novos rumos
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Este texto é uma história pessoal sobre activismo. Quem o faz sabe que a maioria de nós nunca leva só uma bandeira. Muitos têm vários bonés ou chapéus, outros vão alternando a bandeira que carregam com orgulho. No meu percurso ainda muito curto de activismo, tenho notado que luto sempre em várias frentes. Sou sócia da UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta), pela costela feminista. Faço parte do grupo PolyPortugal e este parece, ultimamente, ser o meu lado mais visível. Simpatizo com as Panteras Rosa, pela costela queer. Também por esta costela, faço parte do Bizarrias. Sou lésbica e há dois anos que desfilo na Marcha do Orgulho segurando a bandeira da bissexualidade e com um vestido bi. No entanto, este texto não é sobre nenhuma destas afiliações mais ou menos oficiais, mas sobre uma outra.
No dia 9 de fevereiro deste ano assinei o meu nome nos documentos oficiais, no final de uma Assembleia Geral do Clube Safo. Fundada em 1996, esta é a única associação em Portugal que tem como missão principal defender os direitos das lésbicas. O facto de ser a única diz muito sobre a visibilidade lésbica, assim como disso são testemunhas os anos difíceis que quase viram a sua dissolução. O risco real de desaparecimento da única associação centrada nas mulheres lésbicas foi, felizmente, superado. O convite para integrar a lista chegou no princípio de 2013 e eu aceitei quase de imediato por conhecer a história do Clube.
Fui convidada por alguém em quem tenho uma enorme confiança intelectual e que me disse que o Safo precisava de lésbicas como eu. Não apenas num sentido de renovação, mas também num sentido de alargamento de horizontes. O Safo convidou uma lésbica poliamorosa, numa relação com um homem e queer para ter um papel activo nos grupos de trabalho e nas actividades que vão ser desenvolvidas. Isto, para mim, representou um voto de confiança, mas também um sinal de que as pessoas que estão a trabalhar pelo Clube Safo querem ver mudanças e querem levantar questões importantes para as identidades lésbicas, mas também para a comunidade LGBTQ em geral e outras identidades não-normativas.
O Clube Safo está com os movimentos feministas, LGBT, anti-austeridade, pró-escolha, de ecossexualidade e sex-positive e contra todas as formas de discriminação de etnia, idade, género ou outras. A riqueza desta proposta é visível, mesmo ainda sem o que vou dizer em seguida. É que o Clube Safo tem, pela primeira vez na sua agenda, o tema do poliamor, das não-monogamias e da poliparentalidade como central para a comunidade LGBT. Temos em Portugal uma única associação de defesa dos direitos de mulheres lésbicas, uma associação que continua a renascer e a refazer-se, levando agora também na mão a bandeira poly, junto com tantas outras.
E eu não podia estar mais feliz por fazer parte disto e segurar, bem alto, a bandeira do Safo.
Este texto é de teor pessoal e não representa a opinião de cada uma das pessoas que compõe o Clube Safo nem pretende subsumir as opiniões de qualquer uma das sócias. As únicas opiniões aqui veiculadas são as minhas e esta é a minha pequena estória de activismo no Clube Safo.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Carta aberta do PolyPortugal à SIC Mulher
Publicado por
No passado dia 22 de Novembro
de 2012, a SIC Mulher emitiu, durante a sua programação, um curto segmento do
programa “Mais Mulher” que dedicou ao tema “Poliamor”. Durante este segmento,
Ana Rita Clara, a apresentadora, fez algumas perguntas a Pedro Lucas (director
da revista Men’s Health), que retirava e fornecia as respostas a partir de uma
fonte desconhecida.
O grupo PolyPortugal vem por
este meio apresentar o seu repúdio pelos conteúdos de desinformação veiculados
durante este programa, bem como pelo formato de apresentação dos mesmos.
Consideramos que a forma como o conceito foi apresentado não corresponde a um
mínimo de profissionalismo por parte dos profissionais de comunicação
envolvidos no programa, especialmente se tomarmos em consideração que até uma
rápida consulta pela Wikipédia teria trazido melhores e mais exactas
informações do que as apresentadas.
É particularmente grave – e
principal ponto de contenção desta carta – a perspectiva machista, patriarcal e
homofóbica de que poliamor é “quando um homem tem várias mulheres e elas não se
importam”. Esta suposta definição, que não encontra suporte em qualquer
dicionário ou exploração académica, ignora o facto de que existem mulheres –
muitas, proactivas e auto-determinadas, que fazem mais do que meramente
“aceitar” aquilo que um homem deseja – em relações poliamorosas com vários
homens, mulheres em relações poliamorosas com várias mulheres, mulheres em relações
poliamorosas com vários homens e mulheres, pessoas transexuais e transgénero
que não se identificam enquanto homens nem enquanto mulheres. Ignora também que
existem igualmente homens em relações poliamorosas apenas com outros homens, ou
com homens e mulheres. O que torna, por conseguinte, incompreensível o uso de
uma expressão como “homem poliamor”.
Na sua pressa de se dirigir
“às mulheres”, e de querer mostrar o que é ser “Mais Mulher”, o programa voltou
a utilizar imagens objectificantes, retirando às mulheres a sua voz e a sua
capacidade de auto-decisão; a usar o sarcasmo e a ironia ao mesmo tempo que
alega “respeitar as decisões de cada pessoa”; a patologizar e diminuir as
pessoas poliamorosas ao cruzar poliamor com “solidão”. Ser “Mais Mulher” parece
não passar, para a SIC Mulher, por perceber que uma mulher pode efectivamente
desejar estabelecer relações amorosas e/ou sexuais com mais do que uma pessoa
ao mesmo tempo (por vezes, até, independentemente do sexo ou género dessas
pessoas); e parece passar por falar do “verdadeiro homem” que “está só com uma
mulher”, convocando o binarismo de género para elidir as experiências de tantas
e tantos portuguesas e portugueses.
O PolyPortugal identifica-se
como um grupo heterogéneo e defende a liberdade e a diversidade, tanto a nível
sexual como relacional. O PolyPortugal esteve associado à organização da
primeira Marcha do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e
Transgéneros/Transexuais) do Porto, onde continuou a participar nos anos
subsequentes, bem como na de Lisboa. O PolyPortugal tem também vindo a
associar-se a outras iniciativas e grupos feministas. Por tudo o acima exposto,
e assumindo o seu feminismo, o PolyPortugal não se revê em nenhum do conteúdo
apresentado neste programa.
O PolyPortugal ademais
recomenda que neste, como em qualquer outro assunto, os profissionais a cargo
de contactar com o público assumam a responsabilidade ligada à sua actividade
profissional, e se informem, ou busquem quem seja capaz de fornecer informação
sobre um tema, ao invés de replicarem e alimentarem discriminação e
desinformação.
O
grupo PolyPortugal
quinta-feira, 29 de março de 2012
A Tertúlia sobre Poliamor com a PATH
Publicado por
Foi no passado dia 27 que se deu, no TAGV, a Tertúlia sobre Poliamor organizada pela PATH, com duas pessoas a representar o PolyPortugal: Daniel Cardoso e Fátima Marques.
Estiveram cerca de 40 pessoas a assistir àquilo que foi uma sessão extremamente animada. A quem não pôde ir, fica aqui o registo...
Estiveram cerca de 40 pessoas a assistir àquilo que foi uma sessão extremamente animada. A quem não pôde ir, fica aqui o registo...
Como sempre, todos os comentários são bem-vindos!
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Uma marca poliamorosa no activismo português
Publicado por
A organização Caleidoscópio LGBT lançou hoje uma publicação comemorativa do seu quinto aniversário, chamada "5 Anos 50 Nomes" onde se destacam 50 momentos notáveis do movimento social e activista LGBTQ em Portugal.
Foi com um enorme prazer que encontrámos, por entre esses 50 momentos, a tertúlia que o Caleidoscópio LGBT organizou sobre poliamor, para a qual foram convidadas duas pessoas do grupo PolyPortugal.
Leiam toda a publicação mais abaixo, e juntem-se aqui ao evento de lançamento no Facebook!
Foi com um enorme prazer que encontrámos, por entre esses 50 momentos, a tertúlia que o Caleidoscópio LGBT organizou sobre poliamor, para a qual foram convidadas duas pessoas do grupo PolyPortugal.
Leiam toda a publicação mais abaixo, e juntem-se aqui ao evento de lançamento no Facebook!
terça-feira, 25 de outubro de 2011
A Tertúlia é esta semana
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Já estão todxs prontxs para a Tertúlia, promovida pelo Clube Safo, esta semana?
A falar, em representação do PolyPortugal, estarão a Inês Rôlo e o Daniel Cardoso.
A propósito, a tertúlia recebeu tempo de antena no programa "Vidas Alternativas", de António Serzedelo! Ouçam aqui!
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Diálogo sobre Poder e Ética
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Finalmente, depois de uns quantos atrasos, está cá fora, e disponível para leitura, uma conversa que teve lugar entre o Pepper Mint e eu, sobre poder, ética, poliamor e teoria queer.
O Pepper Mint é um autor e activista poly/BDSM famoso, de São Francisco (EUA), que teve, entre outras coisas, um artigo publicado no Understanding Non-Monogamies.
LINK (em inglês)
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