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sábado, 10 de outubro de 2009

Amore interruptus

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Há pouco tempo, a minha vida levou uma sacudidela. Durante dois anos, tinha estado envolvida numa relação semi-poly — «semi» porque, se bem que o meu marido conhecesse e aprovasse a minha relação com o David, nenhum deles tinha qualquer outra relação além de mim. O David, divorciado há pouco tempo, falava muitas vezes comigo sobre o que poderia acontecer se ele conhecesse outra pessoa. Convenceu-me de que era mais naturalmente poly do que eu — mais capaz de amar várias pessoas em simultâneo — e que havíamos de encontrar uma forma de lidar com isso. E eu acreditei.

O David vivia do outro lado do mundo mas usávamos constantemente o Skype e o email, e eu tinha a sensação de que ele estava sempre comigo, mesmo que não estivesse fisicamente presente. Encontrámo-nos três ou quatro vezes por ano para fazer caminhadas na natureza ou passear por cidades europeias. Isto para mim era um equilíbrio feliz. Para ele nem tanto, porque havia grandes períodos de solidão pelo meio.

Era inevitável, assim, que ele encontrasse outra pessoa. Este Verão, durante uma caminhada na Noruega, cruzou-se com uma mulher, também divorciada. Em menos de um mês, arranjaram maneira de passar uma semana juntos na Grécia. O David estava decidido a falar-lhe aí da nossa relação, na esperança de que ela concordasse em ser poly também. Estávamos ambos iludidos, é claro: as pessoas poly são ainda muito raras.

Foi no Facebook que descobri que ele tinha mudado o «estado civil». No dia seguinte, recebi um email a explicar-me que teve de escolher entre mim e ela — um amor ocasional, ou um amor com compromisso e vida em comum. Escolheu-a a ela, como seria de prever. Ela não gostou muito da ideia do poliamor e disse-lhe que eu e ele poderíamos ser amigos mas «sem amor, sem paixão».

Gostava de saber se há outros polys que tenham passado por uma situação semelhante: uma relação cujo equilíbrio tenha mudado do dia para a noite sem ser por escolha própria. Nada disto é surpreendente, evidentemente. Primeiro, eu não estava numa relação verdadeiramente poly, nem ele — não havia compromissos, nem regras específicas. Além disso, tentando ver do ponto de vista da nova companheira do David, qual é a mulher que embarca num casamento sabendo que há «outra»? O David e eu, de resto, nunca tínhamos feito promessas um ao outro. Ele nunca me pedia para eu passar mais tempo com ele, e eu nunca o convidei a vir a minha casa.

O que me deixou desfeita foi a parte do «sem amor, sem paixão». Quem é que tem o direito de dizer a alguém por quem pode ou não apaixonar-se, quem pode ou não amar, com quem pode ou não ter uma relação íntima? Renunciar a um parceiro sexual é uma coisa, mas ser impedido de amar alguém parece-me de uma proporção tal que nem eu nem o meu marido alguma vez pensaríamos impor a alguém, e muito menos aceitar.

O David teve de escolher e escolheu-a a ela, numa relação monogâmica, não-poly, comigo em fundo como grande amiga mas não mais do que isso.

Não tenho a certeza como vou aguentar esta passagem de amante poly para amiga. O David parece ter lidado bem com a situação. Com o tempo, talvez eu consiga também. E não tenho dúvidas de que quero conseguir.

Scarlet Choche

sábado, 3 de outubro de 2009

Sobre a intimidade

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Cada qual terá a sua visão de poliamor e em última instância "poliamor" também significa livre e ilimitada diversidade de filosofias amorosas ou práticas amorosas, o que poderia (ironicamente) até incluir a tourada, já que quem a pratica jura a pés juntos que "ama" as criaturas aparentemente torturadas. Enfim, isto era só um aparte, que serve sobretudo para mostrar a potencial ambiguidade da coisa.
Para tentar contrariar esta ambiguidade e "objectivizar" o mais possível a minha ideia pessoal, gostaria de (re)afirmar o que me parece essencial: a intimidade. A intimidade deriva certamente da confiança, que está directamente ligada à honestidade ou transparência. No entanto, gostaria de lembrar que podemos facilmente passar a vida a magoar os outros com a nossa honestidade, o que à partida não garante nada.
Para mim é como se houvesse duas tendências primordiais e ao mesmo tempo contraditórias:
1) a conservadora: quando conquistamos a confiança de alguém (em termos amorosos, com tudo o que isso pode incluir) convém sermos capazes de a manter.
2) a expansiva: quando temos zero ou mais parceiros, convém não descansarmos eternamente à sombra da bananeira e tentar a "conquista" de outros.
Tenho a muito forte sensação de que quanto melhor formos capazes de eficácia integrada nestas duas tendências, (que como já disse são de certa forma contraditórias, o que não significa inconciliáveis - tratam-se apenas dos termos opostos de um processo dialéctico) mais nos tornamos atractivos (a Caren gosta da expressão "capazes de criar entusiasmo") para os nossos parceiros efectivos e potenciais.
Também considero que direccionar este processo integrado de forma a progressivamente diluir o dogmatismo, a hierarquia e a propriedade privada é condição necessária à edificação da intimidade; por outras palavras, diria que a intimidade é (também) a construção e o desenvolvimento progressivos duma comunidade tendo à vista um horizonte desprovido de dogmas oficiais, hierarquias institucionais e propriedade privada (o que não significa ausência de privacidade - bem pelo contrário).
Haveria muito mais para dizer, mas fico-me por aqui...
Álvaro Maia

sábado, 12 de setembro de 2009

Mais do que um: contra as relações Nesquik

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Segue-se uma abordagem possível a uma questão que, para mim, é relativamente recente, e que disfarça alguma hesitação brincando um pouco. Sem a moralina do costume, sem as vacinações institucionais a que nos vamos sujeitando, na fúria classificatória que nos desvia de ser pessoas para nos transformar em coleccionadores de borboletas, a intenção que aqui se oculta passa pela denúncia da imposição de modelos, que oprime, exclui — e não brinca em serviço. Peço que leiam, pois, este post como uma espécie de foreplay a qualquer coisa mais séria; como um pré-texto escrito para mais do que um/a… E que poliamorosamente vos dedico.
Desde a passagem do poli…teísmo para o monoteísmo, o culto fetichista ao número Um cresceu exponencialmente. Fantasma fundador, a unidade começa a confundir-se com perfeição; e porque uma relação pressupõe sempre mais do que um (sendo o meio uma evidente limitação biológica), o dois, por proximidade numérica e facilidade fusional, lá se institui. O sacrossanto Um, reinando então sobre tudo, vai de confundir as relações entre pessoas com uma espécie de leite achocolatado: quanto mais uniforme, indistinto — concordante e enjoativo — melhor se amanha a beberagem! E com o alto patrocínio da Igreja, lá se encorajam as relações Nesquik, mexidas com a ampla colher do sr. Bispo, que homem nenhum pode apartar. Mais do que o poli, o que perturba este esquema instituído é mesmo a liberdade.
A liberdade tem esta propriedade incomodativa de enguia esquiva, que coloca em perigo qualquer finalização institucional. Numa passagem que sempre me intrigou, Sartre alerta, com acutilância quase cínica, para a impossibilidade do amor realizado devido a este absoluto a que se chama “liberdade”.
Se eu desejo alguém (ainda mais quando esse desejo ganha o qualificativo difuso a que chamamos “amor”), eu admiro e ambiciono a sua liberdade, não para a reduzir mas para que ela permaneça. Ora isto coloca a relação num limbo difícil. É que se eu conquisto realmente essa liberdade, acabo por anulá-la, perdendo-se o desejo numa lógica de subjugação; se ela persiste, o desejo lá se mantém, combativo e difícil, sem fusão ou solução. Poli ou não poli, o que cai aqui por terra é a chamada relação Nesquik, tão propalada pela cristandade, pelo reino das consciências casamenteiras e pelas samaritanas parteiras que por aí pululam, dizendo sins à vida. Ainda por cima a partir de um livro intitulado Ensaio de ontologia fenomenológica, escrito por uma das pessoas que mais realizadamente viveu numa relação aproximada ao “modelo” poli — très chic, não é verdade?!
Independentemente do argumento de Sartre, gostaria de vos dizer, agora um pouco mais a sério: Sou professor de Filosofia, assumindo desde logo uma responsabilidade pública no combate aos vários autoritarismos encapotados pelo bom nome da “moral”. Não que ela não seja necessária, mas porque o sentido de uma moral passa pela sua refundação. Que ela se exalte, pois — poliamorosamente ou não —, contra as relações Nesquik, cujo carácter modelar todos os dias constrói vítimas. Entre elas, em acto ou em potência, estamos todos: eu e vocês.
Hugo Monteiro

sábado, 5 de setembro de 2009

Os meus medos...

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Não, não tenho medo de cães grandes, só dos que mordem mesmo.
Ou melhor, há coisas que nos mordem e magoam mas talvez o pior seja o medo das coisas, que nós achamos, que nos podem magoar. Isto será específico de pessoa para pessoa.

Nas minhas poli-relações, pelo menos nas que são "full time", surgem-me alguns receios que não estão na relação em si mas no mundo que me rodeia.

Fazendo uma introspecção e analisando as coisas que me preocupam quando vivo as minhas relações, há claramente duas coisas que se destacam. Ambas se relacionam com a maneira como as pessoas que considero próximas podem encarar esta realidade poliamorosa na minha vida. Uma está relacionada com os amigos e outra com a família "tradicional" (biológica).
Estes medos são mais óbvios nestas relações "full time", e tenho duas neste momento, o que me tem feito pensar um pouco mais neste assunto. Tenho outras pessoas que amo, e com quem tenho intimidade, mas que vejo esporadicamente e cujas relações são vivenciadas de outras formas...

Nos meus amigos receio o tratamento e a hierarquização que podem dar às pessoas que amo, às minhas relações. Já o disse antes, não tenho relações primárias ou secundárias, não faço comparações e cada uma vale por si.
Mas os meus amigos podem não o fazer! E isso, vá lá, aborrece-me...
Resumindo, temo o dia em que alguém que me seja próximo trate um dos meus amores de forma diferente baseado nestes pressupostos com os quais não me identifico.

Na minha família "tradicional" temo a não aceitação. Penso que este problema será mais transversal e alcança muitos outros tipos de relações. Mas para quem vem de uma família super-tradicional e católica como a minha, estes medos intensificam-se!
Tudo bem, eu não devo explicações a ninguém, sou maior e vacinado... Mas a última coisa que quero é ver sofrer alguém de quem gosto, que amo.
Se puder evitá-lo, faço-o. E é o que tenho feito, ocultando a realidade, o que não me tem sido muito difícil pois não vivemos perto.

Não sei como costumam lidar com os vossos medos, eu não gosto de os ter à perna, e um dia destes, se tiver de ser, cai o Carmo e a Trindade!

sábado, 29 de agosto de 2009

Reminiscências

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Tenho 23 jovens aninhos, o que faz de mim um dos mais novos membros do grupo. Descobri o poliamor quando tinha 18 anos, na minha primeira relação, que se mantém ainda hoje. Já tinha lido o famoso Um Estranho numa Terra Estranha, de Heinlein, mas não me tinha feito nenhum clique – vi tudo aquilo como normal, talvez porque fui criada de uma forma que me habituou a respeitar as escolhas de vida dos outros.

Foto por Sofia Duarte

Quando me apaixonei, foi uma história algo caricata, e na primeira conversa um/@ d@s actuais companheir@s fez questão de me deixar bem claro que era poliamoros@ – muito embora nenhum de nós conhecesse na altura a palavra. Não me “assustei”, mas confesso que fiquei espantada – afinal, era realmente a primeira conversa, nunca tínhamos trocado sequer um casual bom dia.

Quando, cerca de um mês depois, começámos a nossa relação, nunca me passou pela cabeça outra coisa que não fosse respeitar aquilo que el@ tinha tido o cuidado de me informar logo desde o início. Quem era eu, afinal, para tentar alterar a forma de viver del@? Resolvi experimentar. A teoria fazia sentido para mim, embora soubesse que só quando tomasse contacto com a prática ia perceber realmente se conseguia ou não viver assim.

Cerca de cinco meses depois, tive o primeiro contacto com a realidade. Não foi um contacto agradável – houve erros de parte a parte, a pessoa não era a mais indicada e não soube expressar de forma clara aquilo queria, de tal forma que só anos depois conseguimos perceber realmente as suas intenções na altura.

Foi duro. Não foi fácil, e eu chorei, e pensei em desistir. Parecia demasiado difícil viver aquilo, e não me sentia apoiada. Mas amava-@ verdadeiramente, e por isso lutei. Acabei por ter momentos menos inteligentes, tanto aí como em outras relações ao longo do tempo em que se repetiram os mesmos erros. Desesperei várias vezes, pensando que não sabia se ia conseguir viver com tanta hipocrisia, com tanta falsidade.

Entretanto, conhecemos a palavra poliamor, conhecemos o grupo Poly Portugal, e crescemos. E, há pouco mais de um ano, surgiu uma nova pessoa. Com ela tudo foi, finalmente, senão fácil, pelo menos claro e límpido. Honestidade, finalmente. Respirei fundo, e foi mais fácil vivê-lo – embora continuasse a ter as minhas inseguranças, pelo menos sabia realmente com o que estava a lidar. El@ tornou-se não só fuck buddy del@, mas também amig@ do coração. E isso foi bom.

O tempo foi passando, e amb@s nos apaixonámos. Pela mesma mulher. Que também se apaixonou por nós. E agora somos três, o que faz de mim, segundo a minha irmã, alguém “muito à frente”. E somos felizes assim. Ainda não tivemos problemas, mas havemos de ter, claro. Não vivemos nenhum conto de fadas.

E pronto, esta é a minha história. A história de alguém que nunca teve uma relação monógama, embora nunca tivesse imaginado ter uma relação que não o fosse.
Texto da autoria de Sophia

sábado, 22 de agosto de 2009

Juntatudoísmo

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Acabadinha de participar numa conferência mundial lgbt de direitos humanos, enquanto voluntária (porque os direitos humanos esqueceram-se de incluir o "direito à participação em conferências de direitos humanos para todos, independentemente da situação financeira", facto que, aliás, deu direito a tarde DIY meio-separatista de resposta).
Grandes discussões e representações, embora, se até os bissexuais estiveram muito pouco representados, o poly ainda menos. Mas em jeito de discussão, valeu a pena lembrar que poly e bi não são bem a mesma coisa. Que são eixos diferentes. Um na não limitação do género, e outro na não limitação do número.
Mas houve quem insistisse - "não se pode ser bi, sem se ser poly". Mas pode, bem pode. O que não se pode é andar a lutar por direitos tão de base, quando uma das grandes guerras ainda é a interna.
O bi desafia a dicotomia da monossexualidade, e por isso, não é muito bem-vindo nos movimentos lgbt. A não ser quando tem uma representação forte, como no BiCon em Inglaterra, e o próprio movimento bi é o inclusivo, abraçando todos quantos são bi-friendly, e daí, também, à escolha, kinky, fetichistas, BDSMs, ou polys. Fora daí, não é de surpreender que os bis estejam também mais representados no poly, por este ser um movimento mais inclusivo.
Muitas guerras se têm feito à custa de diferenças e de marcar essas diferenças - with us or against us - mas haverá de certo formas de fazer direitos humanos, como o meu amigo brasileiro chama a estas ideias de juntar quem se gosta, de comer e ficar com o bolo (na barriga), haverá decerto formas de luta que sejam mais no estilo do "juntatudoísmo".
Di Ponti

sábado, 15 de agosto de 2009

Fingir sentimentos para sobreviver?

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(continuação do post da semana passada)
Afinal aquela historinha, tão ligeira para mim, tinha sido um drama. Ele gostava de mim (não o mostrou para se proteger) e eu magoei-o muito. Ele começou a namorar com a ex do meu "namorado" para se vingar dele (ãh?!?!?!?!) E eu estava mesmo muito apaixonada (só eu é que não sabia) pelo macho, e até queria casar e ter filhos (mas eu não quero ter filhos e sou contra o casamento!)!!!
(what the f***!?!?!?!?!)

Pronto. Dei por mim a pedir desculpas e a explicar que não, não tinha estado assim apaixonada e que aquilo não tinha sido importante. Percebi que um conto foi aumentado para novela e que precisávamos conversar tête-à-tête, mesmo não me agradando a ideia de a companheira dele não poder saber.
E de repente

— Eles já estão outra vez separados. Vais voltar para ele?
— Não!!!!!!!!!
(que parte do eu não estava apaixonada é difícil de perceber?!)

Há anos, ele não me mostrou que gostava de mim, para se proteger. Hoje não gosta da companheira com quem vive. Está arrependido de não ter lutado por mim. Eu magoei-o, mas ainda gosta de mim. Quer-se encontrar comigo às escondidas.

A companheira dele faz-se de porreira em público e finge gostar de mim. Por uma questão de sobrevivência.

Os outros dois, que até já estão outra vez separados… bom, pelo menos um mentia quando ambos diziam não gostar um do outro ou quando se desdisseram ou quando disseram que gostavam de nós, e até mentem quando falam de mim.

"E o pirata sou eu!"
Nunca disse estar apaixonada, porque não estava. Não assumi compromissos que não queria ter. Pensava que tinha sido sempre bem explícita e transparente. Estava de consciência tranquila.
Mas sou a má da fita. Magoei quem gostava de mim. Menti. E continuo a mentir quando digo que não estava apaixonada, para não assumir a minha dor.

Pode ser de estar sem os óculos, mas para mim esta história só existe porque esta sociedade nos impinge uma monogamia hipócrita e uma fidelidade teórica. Abusa-se do pronome possessivo até quando se fala de pessoas. És um coitadinho se não tens namorado ou se "ficas para tia", tens de "cuidar do teu território" para não perder "a tua presa", tens de te proteger, de ser astuto…
Muito do que chamei mentira pode ter sido inconsciente, porque é assim que toda a gente faz.
Mas não era mais fácil eles não terem mentido? Para todos?
Por que razão é tão difícil pararmos, olharmos bem para nós, e tentarmos perceber o que queremos, em vez do que a sociedade diz que é bom para nós? Por que raio é tão difícil sair das relações que já não nos fazem felizes?
Por que temos de esconder o amor?
Ou as lágrimas?

sábado, 1 de agosto de 2009

Will you swing with me?

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Há uns dias atrás desafiaram-nos para escrevermos umas palavritas para este vosso cantinho. Sendo assim, deixaremos um pouco da nossa vivência.
Nós simpatizamos muito com a opção de vida poliamorosa, embora sejamos um género de "polyswingers".
Sinceramente, não sei que nome dar-nos! ;)
Somos um casal muito feliz há imensos anos. Como sempre tivemos uma relação muito erotizada e pouquíssimo possessiva, a partilha de emoções e sensualidade com outras pessoas foi um passo natural na nossa vida. Inicialmente, sendo a parte feminina bissexual, o nosso primeiro ímpeto foi integrar outra rapariga na nossa intimidade. Digo-vos que não foi fácil e que rapidamente os sentimentos possessivos que víamos em muitas das pessoas com quem tentámos relacionar-nos nos levaram a escolher casais estáveis e com relações sólidas de amor e de companheirismo como a nossa.
Neste momento, confesso que não equacionamos um projecto de vida a mais de dois. O dia-a-dia impõe-nos desafios e constrangimentos que apenas quem já teve relações poliamorosas conhece bem.
Já vivemos alguns tempos com uma terceira pessoa na nossa casa. Gostámos da vivência, porque sobretudo gostamos muito da pessoa em causa. Aprendemos muito, mas mesmo assim o núcleo central da relação continuou a ser a nossa relação a dois. Já são muitos anos juntos, muitos entendimentos vividos, olhares silenciosos que dizem tudo. Muita partilha. Não é fácil encaixar na vida de todos os dias romances com outras pessoas, pois parece que entram num comboio em andamento. :)
Mas concordamos com o facto de que a nossa capacidade de amar extravasa aquilo que temos a dois.
Já tivemos vários relacionamentos diferentes, a solo ou com casais, tanto em conjunto como de uma forma separada.
Na sua forma "em separado", ou seja, a parte feminina sair, conviver e namoriscar a outra parte masculina, (sem a presença do seu cônjuge), e a outra parte fazer o mesmo, foi muito interessante e intenso. Mas muito, muito complicado. Harmonizar feitios, desejos, emoções e expectativas a 4 não é coisa simples. E esse é um desafio que mesmo no meio swinger é olhado de lado.
Não desejando que todos os nossos dias sejam a mais do que dois - pois temos muitos momentos em que queremos mesmo apenas estar sozinhos - existem outras pessoas com quem partilhamos mais do que sensualidade e marotices.
São pessoas com quem partilhamos carinho, momentos bons e os menos bons também. Com quem saímos para ir ao cinema, ao teatro ou para dar um passeio à beira-mar. Com quem passamos férias. Que visitamos no hospital se estão doentes. A quem levamos uma sopinha ou fazemos as compras se têm algum problema que os impossibilite. A extensão à sexualidade dos sentimentos que nos unem a essas pessoas é um chamamento natural, a nosso ver.
Temos as nossas regras, que dizem respeito à delimitação voluntária de algumas fronteiras para não magoar aqueles que amamos. São regras de convivência que definimos a dois e sem pensar muito no socialmente mais correcto ou aceite. São regras dinâmicas que se adaptam à nossa vida e desejos. Porque nós estamos sempre a mudar e a aprender um bocadinho mais cada dia.
Contudo, mantemos um projecto central de vida a dois: a decisão de onde moramos, o encaixe das nossas profissões e ambições pessoais, contas e pagamentos, planos de ter filhos, como os educar ou outros campos decisivos como estes são restringidos apenas aos dois.
Admiramos muito quem consegue construir uma verdadeira família poly, com filhos comuns, com todas as suas derivações e consequências, mas sabemos que de momento não é algo que desejemos para nós.
Mas o que sabemos também é que desta partilha surgiu um património de amor e carinho que nos ultrapassa enquanto casal. Património afectivo este que continuaremos a alimentar e a mimar, tal como lutamos todos os dias pelo amor que nos une.
Só nos reconhecemos e crescemos em confronto com a alteridade e é nos outros que nós, enquanto casal, temos também feito descobertas sobre nós mesmos e sobre a nossa própria relação.

Beijinhos com ternura a todos os nossos amigos poly que por aqui escrevem e que contribuem cada dia para uma sociedade mais tolerante e amorosa.
Marte&Vénus

sábado, 25 de julho de 2009

Espelho espelho meu, existe alguém mais apaixonado do que eu?

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Olho ao espelho e sei que sou muitas. Uma só pessoa com muitos papéis que contribuem para a unidade da minha condição humana, social e económica. Sou filha, tia, amiga, colega de trabalho, amante. Sou um número de contribuinte no sistema económico, um número de BI ou de cidadão que me identifica com a nacionalidade portuguesa, mas quem sou eu emocionalmente ninguém pensou à partida. O espólio emocional é coisa em que ninguém pensa e que um indivíduo tem de construir sozinho, mais ou menos baseado em referências familiares e colectivas, por onde se vai parametrizando.
Eu sou como aqueles eléctricos nos quais os construtores pensaram em tudo menos na usabilidade dos carris. Eu podia ter ido pelos caminhos esperados, mas não fui.
Se sou ou não poly não sei, nem tão pouco me preocupo com isso. Há quem diga que sim e eu sorrio.
Entendo o amor como uma partilha. Uma partilha comprometida emocionalmente, compartimentada, mas não limitada. Não acredito que se ame menos por amar mais, seria estranho. Um pai não ama menos cada filho à medida que vai tendo mais. É um amor diferente, único e especial.
Gosto de dizer que amo.
Claro que às vezes me sinto cansada e se torna complicado gerir todas as pessoas que amo e com quem tenho relacionamentos, gerir expectativas de presença sobretudo. Gostava de poder ser mais, para dar mais e estar mais presente ainda. Por vezes tenho receio de ter uma ou outra acção leviana e magoar sentimentos. Encaro isso com a naturalidade de quem está num processo de aprendizagem, não procuro a perfeição, apenas a felicidade.
Por vezes tenho receio de encontrar um colega de trabalho ou simplemente um conhecido e estar a dar um beijo ao João e depois o encontrar noutro dia dessa semana e estar em igual situação com a Ana ou com o Pedro. São receios que me atravessam o pensamento com raios, não que me preocupe muito com o que pensam os outros, mas... há sempre um mas por alguns instantes.
Não sei como foi que comecei a viver de forma poliamorosa, não foi nenhuma decisão racional, foi uma evolução natural da minha vida. Era swinger e o envolvimento físico não me parecia satisfatório, não procurava variedade sexual na verdade, mas sim o amor nas suas mais diversas expressões e cada amante na sua unicidade me revelava tanto de mim como da vida e como de uma nova e intensa relação. Esta é uma evolução que assusta um pouco a maioria dos swingers porque têm receio que o relacionamento do casal seja abalado e que um dos seus membros se apaixone pelo de outro casal e haja uma ruptura. Por isso, na maioria dos casos ,apesar de haver algum relacionamento de amizade-festa-camaradagem, evita-se o envolvimento amoroso com o outro. Estranho se pensarmos que são pessoas que fazem sexo umas com as outras, mas muito legítimo do ponto de vista da auto-preservação quer pela maturidade que existe, quer por todas as inseguranças escondidas que implica trazer ao de cima e ultrapassar.
Sou feliz hoje e sobretudo livre. É libertador viver de acordo com o que acreditamos, rodeados de quem nos ama e partilha dos mesmos valores.
Os problemas, quando os há, considero-os desafios e todos os casais os têm, seja qual o modelo que tenham escolhido viver. Poucos há que falam tanto dos seus desejos, sexualidade e individualidade como nós, não que sejamos melhores, simplesmente porque nos preocupamos em incorporar no nosso ser as aprendizagens que vamos tento e em nos tornarmos pessoas livres, abertas e apaixonadas.

domingo, 19 de julho de 2009

Poly-cidadania

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Para Charles Fourier (1772-1837), tal como posteriormente para Wilhelm Reich, as necessidades individuais mais privadas de cada ser humano são parte do respectivo “eu” social. Devem, portanto, ter uma resposta também social, vinda dos representantes da colectividade. Fourier propõe a difusão do poliamorismo ao serviço do aumento da felicidade colectiva, aumento que por sua vez resulta da máxima atenção à satisfação dessas necessidades.
Na ordem social imaginada por Fourier a erradicação do ciúme, por exemplo, aconteceria naturalmente porque toda a gente saberia assegurada por lei a sua felicidade privada - consistisse essa felicidade em relações exclusivamente sexuais, exclusivamente afectivas ou um misto das duas. O individualismo combater-se-ia exercendo a cidadania… mas este exercício incluiria prestar favores afectivos e sexuais a outrem sob a forma de impostos.
Fourier concebe um “eu” em que os impulsos privados se colocam ao serviço do colectivo; em contrapartida, o “eu” tem a garantia de que o colectivo lhos satisfará. Postulando por assim dizer que a administração pública assegure “quotas mínimas individuais de felicidade sexual e/ou afectiva” , Fourier antecipa e inspira uma visão mais complexa dos direitos fundamentais .
Para Fourier uma vida social de qualidade pressupõe - para além do usufruto dos direitos de expressão e associação, de uma quota mínima de subsistência material, etc - a satisfação de necessidades quer afectivas quer sexuais. E, assim como cada indivíduo tem o direito a que a sociedade lhe satisfaça essas necessidades, tem obrigação de contribuir para que a sociedade por seu intermédio as satisfaça a outrem.
O complexo sistema social que Fourier inventa para assegurar o equilíbrio dessa troca de serviços usa o poliamorismo como o instrumento mais adequado de “engenharia social” - e compreende-se porquê. Os serviços sexuais e afectivos são um “capital”, uma “riqueza”. Para além das relações sexuais e afectivas gratuitas (sobretudo, as inseridas no vínculo monogâmico em que dois seres se “possuem” mutuamente de forma exclusiva), as relações transaccionam-se: há tabelas de preços para trabalhadores/as do sexo, assim como para profissionais de acompanhamento da saúde mental ou personal trainers no domínio da auto-confiança ou de qualquer fragilidade do eu....
O poliamorismo é um tipo de vínculo tendencialmente não-comercial, inclusivo e mais alargado do que a monogamia. Aparece coerentemente em Fourier como a forma mais “justa” e “generosa” de distribuição da riqueza sexo-afectiva numa sociedade, ontem como hoje, carente.

sábado, 18 de julho de 2009

Somos assim tão diferentes?

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Uma noite dessas perguntaram-me:

Alex, achas que isso de poliamor é realmente possivel? Viver dessa forma no meio da sociedade onde estamos e que quem procura isso terá sucesso ?

Eu, já no segundo gin tónica, soltei a língua mais ou menos assim:

Sim é possivel, conheço pessoalmente alguns casos de sucesso, cada um com seu formato. Por exemplo, uma familia com dois pais e uma mãe, um casal que tem uma relação de muitos anos em que de tempos em tempos vivem juntos ou individualmente suas novas paixões, um triângulo, swingers que vão além do sexo mas sempre em numeros pares, estrelas e vês em que todos sabem da não exclusividade e alguns são bons amigos até... e por aí vai. E mais, tu já conheces todos eles, podes não associar os casos às caras, o que ratifica que são pessoas integradas e na mesma sociedade em que tu vives! Se acertaram à primeira? Alguns com muita sorte sim, descobriram essa forma de estar juntos e isso tornou-os ainda mais unidos. Outros, como eu, passam de relação em relação, cada uma com seu tempo e valor, mas não é assim também com os hetero monos? Tu mesmo? Quantas namoradas já tiveste? Quantos erros cometeste? Quantas relações começaste sem ter encerrado a anterior?

Por isso mesmo pergunto, parece-me fazer todo o sentido, mas não saberia como conduzir isso, uma namorada minha nunca aceitaria. Já aconteceu de eu gostar de mais de uma mulher ao mesmo tempo, cada uma a sua forma sem isso interferir no que eu sentia pela outra...

E já perguntaste a alguma delas? Acredita que há muita gente que pensa nisso mas acha que é um devaneio seu, uma coisa sem fundamento. Se é possivel optar entre tantas coisas nessa vida, estilo de vida, religião, orientação sexual, por que não optar sobre a forma como se quer viver as relações? Para tudo existe opções, menos para isso? Estranho não achas? Traz o assunto à mesa! Como? Quando vires uma refência gay pergunta "até que ponto tu gostas de pessoas do teu sexo?" Quando vires algo a três "não achas curioso que é quase sempre duas mulheres com um homem? Um bocado machista não?" aluga um dvd do genero Vicky Cristina Barcelona ou Closer, que são mainstream e dão espaço para uns comentários sobre o tema.

Resumindo, faz pela vida! Vais errar como todo mundo erra em qualquer coisa que se propõe a descobrir, mas tenta! Não fiques a imaginar que és o único, que é coisa da tua cabeça e que ninguem mais pensa assim.

Nem todos são carneiros como tu presumes.

domingo, 12 de julho de 2009

4ª Marcha do Orgulho LGBT do Porto: entre a Família-Fortaleza e Charles Fourier

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O manifesto da ontem realizada 4ª Marcha do Orgulho LGBT do Porto apela ao casamento civil para tod@s, ou seja, ao direito dos indivíduos do mesmo sexo a adoptarem valores familistas, mas articula isso com o apelo ao reconhecimento de modelos familiares alternativos. Equilibra o desejo de adesão a um universo binário de 'respeitabilidade burguesa' com a dessacralização desse universo, salvaguardando a crítica ao familismo.
O familismo assenta numa representação do casamento (em Portugal, monogâmico e maximamente 'proprietário') como o vínculo social básico, a par com a parentalidade. Propõe o modelo da ‘família-fortaleza’- uma estrutura poligâmica ou monogâmica, 'alargada' ou 'nuclear'. Caracteriza-se pela hierarquia e promoção da ajuda inter-membros à custa da redução da autonomia individual. No interior da 'fortaleza' o poder distribui-se de acordo com o sexo e a idade: o homem, marido, é cabeça-de-casal e ganha-pão; a(s) mulher(es), esposa(s), cuida(m) de tod@s e coloca(m) as necessidades próprias em último lugar; filhos e filhas são obedientes e dependentes de pai e mãe(s). Os adultos activos dominam os restantes membros e responsabilizam-se pela sua educação e/ou apoio.
A família-fortaleza cria um espaço claustrofóbico que propicia o abuso de poder e a violação de direitos. No seu interior acontece a violência doméstica, tipicamente exercida pelo marido contra a(s) esposa(s); acontece o abuso de menores por familiares adultos, que constituem a categoria mais comum de abusadores sexuais de menores. Desde o ‘home-schooling’ ao ‘cárcere privado’, os membros, sujeitos a pressões, perdem, mais ou menos gravemente, a privacidade e autonomia.
Mas o sentimento de responsabilização de tod@s por tod@s (‘um por todos, todos por um’) também pode ser visto como aconchegante e até como cada vez mais necessário face a um exterior crescentemente hostil, onde grassa o desemprego, pobreza e desinformação. E a família-fortaleza é, nalgumas sociedades, o apoio mais importante, se não único, de crianças e seniores.
A população LGBT portuguesa vive numa sociedade duplamente agressiva. Além dos problemas da imensa maioria da população hetero, os LGBT jovens ou seniores, em especial, correm risco de suicídio aumentado pela solidão e/ou falta de apoio; a esse risco acresce, em todas as idades, o de doenças mentais socialmente induzidas - sobretudo sobre aquel@s LGBT que contrariam os códigos de aparência. Em suma, os LGBT precisam, ainda mais que os hetero, do suporte emocional e pragmático que ainda hoje a estrutura familiar dá. E isso implica um regresso à família-fortaleza? Talvez não.
As ideias de Charles Fourier (1772-1837) eram o tema original deste post. Fourier imaginou um modelo de família centrado no poliamor (hetero e homo), na livre escolha, na partilha de objectivos e interesses e, sobretudo, na criação de estruturas de apoio (inclusive sexual) aos membros desfavorecidos. O Manifesto da Marcha de ontem termina com: ‘Na felicidade e na dor, o que faz a família é o amor’. Ele subscreveria essa frase.
No próximo Domingo veremos se as ideias de Fourier podem ou não inspirar o manifesto da Marcha de 2010.

sábado, 11 de julho de 2009

Um conto

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Vou contar um conto de descoberta da palavra “polyamory”.

Era uma vez um casalinho muito apaixonado. Esse casalinho, na altura ainda à moda antiga com menino e menina, havia já uns anitos antes decidido que essa coisa de exclusividade não era para ele. Tudo bem. Acontece ainda que a menina do casal começou a sentir que afinal gostava era de meninas, ainda que continuasse a gostar da outra metade do casal. Ora, o menino sempre foi muito curioso e pensou, “Pá, eu gostaria de aprender mais sobre isso de meninas que gostam de meninas e de meninos ao mesmo tempo.”
Infelizmente, 0s nossos heróis não conheciam ninguém que falasse dessas coisas. Os amigos e colegas ou só gostavam do sexo oposto, ou então estavam bem no fundo do armário. Havia até uma certa hostilidade de fundo acerca de 'fufas', 'paneleiros' e 'gilettes' por entre a malta conhecida. “Hum”, pensou o menino, “o melhor é ir à net e ver o que há para aí, afinal os newsgroups já me ensinaram muita coisa.”
Isto foi em meados dos noventa, altura em que a net explodia em Portugal.
O menino depressa aterrou no soc.bi, grupo muito fofinho e cheio de informação não só útil, como divertida acerca de bissexualidade. Aí o menino viu como havia gente que era bissexual e orgulhosa disso, gente muito positiva que apoiava quem vinha com dúvidas e gente que se organizava em grupos de apoio e reivindicação. O menino também ouviu muitas histórias de discriminação não só da sociedade em geral, mas da própria comunidade homossexual, mas isso é um outro conto. E vejam lá, um dia o menino discerniu um grupinho de gente no soc.bi que também estava noutro grupo, o alt.polyamory.
Esse grupinho, com múltiplas orientações sexuais, falava de relações amorosas com mais do que dois, vividas responsavelmente. O menino resolveu visitar esse tal de alt.polyamory, porque lhe pareceu cortado à sua medida. E foi aí que viu, gravada a ouro na parede da sua vida a palavra “polyamory”. Afinal já havia uma palavra que descrevia a forma como vivia com a sua menina, e melhor ainda, havia gente que falava disso sem medo e abertamente, e que falava de outras sexualidades. A grande revelação não foi a forma de viver, que já era conhecida do casalinho, mas sim as incontáveis variações possíveis, e a diversidade dos que assim viviam, e como essa forma de vida as aproximava.
E alegre por ter um nome para o seu viver, aliviado por saber que não estava sozinho no mundo, o nosso casalinho deixou de ser à moda antiga e passou a ser de geometria variável e viveu feliz para todo o sempre.
Fim!

domingo, 5 de julho de 2009

Apresentação: 13a

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Viva! Obrigada por vir conhecer-nos.

Em jovem tinha por lema “dar/tomar devoção total”. Amuava, ouvia a mesma música dezoito vezes seguidas e esvaziava o frigorífico caso não monopolizasse o corpo, tempo e espírito de alguém preferido - não importava quantas outras provas de afeição recebesse.

E conto pelo menos QUATRO cenas de ciúmes expressos. Claro que é pouco pelos padrões portugas. Mas para alguém tão certinho como eu, foram em grande.
Por sorte, presto atenção a ferramentas emocionais que me melhorem e estimulem. Além disso, adoro conhecer o passado e aplicá-lo ao que vejo hoje. Isso ajuda-me a resistir às convenções do momento e a imaginar-lhes alternativas.
E foi assim: à medida que eu estudava a evolução da vida privada, percebia que o poliamorismo tinha características que o capacitavam a aumentar a felicidade individual e colectiva. Apliquei... e vai resultando. Hoje, o meu lema é de Guimarães Rosa: “Pão, pão, beijo, beijo”.

Quanto a“13a”, significa “treza” ou “Teresa”. Ser poly é simplificar nome e vida :D

sábado, 4 de julho de 2009

Serei louco?!?

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Esta pergunta serve para introduzir um pequeno texto que está na Wikipédia e que me fez sorrir... "Estudos têm demonstrado que o escaneamento dos cérebros dos indivíduos apaixonados exibe uma semelhança com as pessoas portadoras de uma doença mental. O amor cria uma atividade na mesma área do cérebro que a fome, a sede, e drogas pesadas, (...)" [A tradução é literal, não liguem à ortografia...]

Mas afinal o que é o Amor?
Não, não devia entrar por aqui... Mas às vezes dá-me para isto. Alguém sabe exactamente?!?
Tenho a certeza que já foram dadas inúmeras definições. Tenho a certeza que varia conforme a pessoa a quem perguntarem.
O amor é infinito, o amor não tem limites, é o sentimento mais forte que existe em nós. Como alguém canta(va)... [A letra não é do Marco Paulo.]
"Eu tenho dois amores
Que em nada são iguais
Mas não tenho a certeza
De qual eu gosto mais"

E é mesmo aqui que está o cerne da questão!
Dois amores, amar duas pessoas que em nada são iguais, mas isso é possível?
Claro, estamos a falar de Amor...
É infinito, não se esgota, não se mede, e portanto podemos dá-lo à vontade que nunca se acaba.

Eu dou o meu amor às pessoas de quem gosto e por quem me apaixono, e para mim amar alguém é simplesmente querer a felicidade dessa pessoa!!
É a minha maneira de ver as coisas, a minha maneira de estar.
Para mim qualquer opção que tomemos deve ser respeitada desde que não interfira com terceiros, por isso eu respeito todos os tipos de relações que existem e gostaria que respeitassem a minha também.

Mas aquela letra, apesar de levantar uma questão interessantíssima, não reflecte a minha maneira de pensar. Teria de a alterar para algo como:
Eu tenho poli amores
Que em nada são iguais
Mas tenho a certeza
De qual eu gosto mais

Ora, poli porque podem ser vários e não apenas 2.
Que em nada são iguais, mantenho e é óbvio, não há duas pessoas iguais! Quando amo alguém é pelo conjunto, por todas as peças que constituem aquele ser, incluindo os seus "pequenos" defeitos.
E eu tenho a certeza de qual gosto mais!
Sabem de qual gosto mais?
De todos!!
(E de mim também, acho importante o amor próprio!)
Amar não é para mim uma competição. Eu gostar mais ou menos de alguém não interfere em nada com o que eu gosto de outra pessoa. Não há para mim, melhores nem piores, primários nem secundários, cada um é como é, cada relação tem as suas características próprias, uma identidade própria.
Uma relação pode conter duas ou mais pessoas. Eu posso estar numa ou mais relações.

E muito mais havia a dizer sobre tudo isto, mas tem de ficar para outra altura!

Serei louco?!?
Sou, julgo, apenas humano.