Mostrar mensagens com a etiqueta ˖lara˖. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ˖lara˖. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Já tinha saudades...

Publicado por 

Depois de uns meses de alguma acalmia, eis que o calendário poly se enche de novo de eventos. Confesso que me tem sido complicado acompanhar o ritmo, lembrar-me de datas, responder e corresponder a tudo o que se espera do PolyPortugal.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

No meu tempo não era assim...

Publicado por 
Ouvido de passagem:
“Isto agora a malta nova… No outro dia estavam ali três sentados naquele muro, e ora beijava um, ora beijava o outro…”

Infelizmente não me lembro se “os três” eram dois rapazes e uma rapariga, ou ao contrário. Daria um matiz à história, mas não me parece que fosse relevante para quem a contava. O que lhe parecia realmente surpreeendente era o franquear dessa barreira última, a não-monogamia assumida, despreocupada e alegre.
De facto, se algo se pode dizer dos adolescentes de hoje em dia é que se estão a borrifar. Que ganharam em diversidade e descontração o que perderam em dotes ortográficos. E que um colega ser gay lhes parece tão escandaloso como ser fã do Star Trek e vestir-se de Darth Vader. Minto. A última parte seria bastante mais estranha.
Nas conversas que oiço dirarimente, diria que o ciúme e a posse vão perdendo cada vez mais protagonismo nas suas vivências. Os adolescentes assumem que estão num período de experimentação. Que as relações não duram para sempre e quem não tenha pais separados que atire a primeira pedra.
Ao contrário da minha geração que, sentada em frente à televisão, levou com estereotipos atrás uns dos outros, metidos pelos olhos adentro, esta geração senta-se em frente aos computadores. E na internet são eles que escolhem a informação que querem. Ou optam simplesmente por não querer saber e viver a afectividade como lhes apetece.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Qual é o problema?

Publicado por 

História deliciosa ouvida na sala de professores. Um colega meu, que dá aulas de Expressão Plástica ao 1º Ciclo, contraria um puto de sete anos. A reacção é de birra, berros, e enquanto esperneia, o miúdo solta “O professor é gay!” Sustenho a respiração por um segundo, tal como provavelmente o fizeram todos os que assitiram à cena. Mas a resposta do meu colega é rápida e certeira: “Qual é o problema?? Queres ofender-me? Isso não é ofensa! Tens de arranjar uma ofensa!

Imagino o desconcerto e frustação do miúdo. E apercebo-me que, realmente, grande parte da discriminação está do lado do discriminado. Que é preciso assumir a ofensa para que ela tenha efeito.

O mesmo colega perguntou-me, numa conversa casual, se tinha namorado. Respondi “Tenho vários” e a conversa continuou sem sobressaltos. Cada vez menos os meus ‘coming out’s são seguidos de exaustivas palestras sobre poliamor, em que tento justificar as minhas opções. Falar frontalmente e sem receios próprios retira ao ouvinte a legitimidade para fazer julgamentos. Ou dá-lhe a esperança de ver que outros caminhos são possíveis.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Multicare

Publicado por 
Já aqui muito se falou de tempo. E das dores de cabeça que é gerir várias relações e a dedicação a cada uma delas. Mas hoje dei por mim a pensar no contrário. Que ser poly me dá mais tempo para mim e me permite dar com tranquilidade mais tempo aos outros.
Se souber que os meus amores têm outras pessoas para cuidar deles, não sinto a pressão de ser tudo para alguém, em todos os momentos. E por ter eu própria várias pessoas, não sobrecarrego cada uma delas com todas as minhas necessidades.
Há pouco tempo comecei uma relação com uma pessoa, que poucos dias depois se viu atolado de trabalho e complicações. E a intensidade, a urgência, a ânsia de estarmos juntos, deu rapidamente lugar a momentos mais espaçados e mais fugazes. Felizmente tenho a sorte de o ver quase todos os dias, e isso chega-me.
Uma mensagem hoje prometia-me que em breve tudo voltará ao normal, mas não sei o que isso é, nem me preocupa. Não me sinto negligenciada porque não dependo de uma única pessoa para me dar felicidade e estabilidade emocional. Sinto-me rodeada de amor, em todas as suas formas de expressão.
Apesar das possíveis complicações logísticas, no geral o poliamor dá-me este fundo de segurança e de tranquilidade em relação ao futuro. E é isto que me parece “normal”. Este dar e receber sem pressões, sem angústias e sem obrigações.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Taras perdidas

Publicado por 
Acontece-me muitas vezes gostar de pessoas. É das poucas certezas que tenho. Que qualquer que seja a actividade que me ocupe os dias, tem de ter a ver com pessoas. Várias, variadas e muitas. Com diferentes backgrounds, abordagens e opiniões.
Quando conheço uma pessoa interessa-me perceber como pensa e como sente. E quando me envolvo sexualmente, interessa-me (muito) saber que taras tem. O que é que realmente toca cada pessoa, o que a faz suspirar, arrepiar-se, ficar tensa ou descontraída. Em que é que pensa no segundo antes de se vir, ou quando se masturba, ou se cruza com alguém atraente. E que tipo de pessoas acha atraente.
Este é um dos maiores gozos de começar uma nova relação. Todo este manancial de novas associações, imagens, fantasias e loucuras que vai na cabeça de cada um e que muitas vezes achamos que são exclusivos nossos. Tudo isto me parece digno de ser explorado e desenvolvido. Ampliado pela experiência e troca de ideias.
Ao longo das minhas relações, tenho encontrado pessoas habituadas a estas trocas. Que hesitam a princípio, mas que rapidamente desatam a trocar galhardetes assim que se lhes abre uma nesga de oportunidade. E às vezes os nossos interesses são radicalmente opostos. O que nos entusiasma é diametralmente oposto e possivelmente incompatível. Mas vale pelo momento e pelo conhecimento.
O que me frustra ou pelo menos desinteressa, são as pessoas que afirmam não ter taras. E sei bem do que falo porque já fui uma delas. Quando aos 18 anos conheci um dos gajos mais deliciosamente tarados com que a vida me presenteou, também eu me dizia “destarada”. Mas ele lá me foi falando das suas ideias e aos poucos fui identificando padrões, tirando do baú coisas que lá estavam desde tenra infância, que me interessavam desde sempre e continuam a interessar. E com base nisso fui formulando novos interesses, querendo experimentar coisas novas, e aumentando a minha tolerância aos interesses dos outros.
O que me parece essencial neste processo, é esta comunicação que nem todos se sentem preparados ou com possibilidade de ter com o outro. Uma tara não partilhada é uma tara perdida, e isso é realmente uma pena.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Meu, só meu, meu até ao fim

Publicado por 
Esta semana peguei num livro que aqui andava por mesas alheias. Comecei a ler o artigo sobre poliamor que abre logo desta maneira brilhante (sempre tive um fascínio por inícios que agarram o leitor):

«Tinha dezassete anos quando a minha educação sexual começou. “És responsável pelo teu próprio orgasmo”, disse-me o meu namorado. Ele foi o tipo com quem perdi a virgindade, com quem tive o meu primeiro orgasmo, e cujas palavras viriam um dia a ser o meu mantra: Sou responsável pelo meu próprio orgasmo. Acredito nisso literal e figurativamente. Na cama, assumo um papel activo em obter o que quero. Mas também me encarrego de conseguir o que quero ao longo da minha vida sexual. É por isso que, para além de um marido que amo, tenho outros amantes.»
Texto 1. “And Then We Were Poly” – Jenny Block

Estas palavras remeteram-me imediatamente para uma cena do filme Shortbus (das coisas mais bonitas e envolventes a que alguma vez assisti). Sofia, uma terapeuta sexual que nunca teve um orgasmo, fala sobre a sua própria situação ao marido, usando uma história sobre um suposto casal da clínica. E quando o marido lhe diz qualquer coisa sobre o outro não conseguir dar um orgasmo à mulher, Sofia corrige-o dizendo que não é ele que não dá, é ela que não o consegue ter. Que é ela que o tem de reclamar para si própria. Encontrar uma maneira de ter o seu próprio orgasmo, e não esperar que alguém lho dê, facilite ou arranje.


Tal como Jenny Block, considero que estas palavras têm um grande poder, literal e simbólico. Ser poly também passa por ouvir os outros dizer “Mas essa tua postura não é nada comum, blá, e a sociedade blá blá blá” e responder “E então?” O que tem a sociedade a ver com aquilo que quero para mim própria, e ao qual tenho direito, desde que não prejudique ninguém pelo caminho? Porquê esperar sentada e a queixar-me em vez de procurar activamente aquilo que me faz feliz?

Tudo isto vem também a propósito de esta semana ter resolvido deixar-me de merdas e ter ido, forte e feio, atrás de algo que desejava há muito.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ainda há bocado estava tão bem...

Publicado por 
Uma das coisas que o poliamor nos dá é a possibilidade de crescer enquanto pessoas e desenvolver a nossa maturidade emocional. Ter várias relações, às vezes ao mesmo tempo, lidar com inícios, finais e crises, dá-nos uma capacidade de gestão surpreendente. E ao mesmo tempo, em confronto com o Outro, descobrimos coisas sobre nós que desconhecíamos por completo, ou tínhamos simplesmente escondido muito bem debaixo do tapete.

É quase sempre uma montanha-russa de emoções, variando entre picos de alegria, paixão, comunhão, e vales profundos de angústia e medos. E possivelmente os picos tornam-se cada vez mais altos e os vales cada vez mais profundos. Mas quando saímos do outro lado do túnel, sentimos que nos é cada vez mais fácil discernir o essencial do acessório, arrumar e assimilar.

Não recomendado a cardíacos.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Sentindo-me como alguém "em amor"

Publicado por 

You'll be given love | You'll be taken care of | You'll be given love | You have to trust it | Maybe not from the sources | You have poured yours | Maybe not from the directions | You are staring at || Twist your head around | It's all around you | All is full of love | All around you || All is full of love | You just ain't receiving | All is full of love | Your phone is off the hook | All is full of love | Your doors are all shut | All is full of love.

Há uns dias conversava com alguém que acabava de conhecer e que por sua vez acabava de conhecer o poliamor. E ouvi-me a mim própria falar de amor e relações como há muito não o fazia. Qualquer coisa entre aquela esperança idiota de quem continua a voar alto com asas partidas, e o realismo objectivo de quem sabe que às vezes é mesmo tudo muito fácil e rápido. O dia era de chuva e frio, como aliás se tem repetido todos os dias desta semana, e no entanto tudo me parecia perfeito, banhado de uma luz reveladora.

Ultimamente vou trabalhar a cantar. E sorrio às pessoas do carro ao lado... “Hearing guitars, like someone in love”... Nestes momentos de abundância, parece-nos de facto que o mundo e as pessoas estão cheias de amor para dar, e temos sido nós quem se tem fechado a esse fluxo.

Hoje é o aniversário de alguém que me tem iluminado os dias. E em vez de me sentir dominada pela ansiedade do reencontro ou do futuro, sinto-me apenas a flutuar numa nuvem de auto-confiança, amor-próprio e alegria.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

"Poly" Pocket

Publicado por 
Todos os anos por altura do Natal fico doente com esta coisa dos brinquedos para as crianças. Nem tanto com a febre consumista de que todos nos queixamos, e para a qual volta e meia nos descai o cartão de débito, mas com outra questão que, apesar de tudo, me parece mais chocante. A ideia de que há brinquedos para meninos e para meninas. Por mais que se ache que se fizeram já progressos enormes na dissipação de papéis de género, torna-se quase impossível para uma criança escapar a esta ditadura dicotómica de haver toda uma lista de coisas com as quais pode e não pode brincar. Todo um código de cores, tipos de letra, formas de embalagem, que no seu conjunto se referem a uma coisa ou outra. Nada de confusões ou ambiguidades.
Era assim há vinte anos, quando eu era criança, e continua a ser assim agora, sem tirar nem pôr. E depois venham-me com milhares de estudos, cientificamente comprovadíssimos, de que as mulheres são assim e os homens são assado. E venham-me pais com a conversa de que o filho e a filha foram educados exactamente da mesma maneira e olha, vá-se lá saber porquê, um tem mais raciocínio matemático e a outra tem mais propensão para a literatura. Enquanto não se mudarem estas condicionantes fortíssimas, qualquer estudo com base no género é tão sério como uma brincadeira de crianças.
Quando há uns anos a minha sobrinha tentava assimilar o divórcio dos pais, um dos conselhos da brilhante psicóloga da infantário, foi que lhe oferecessem no Natal famílias de bonecos tipo Barbie, que contivessem obrigatoriamente mamã, papá e filhotes. Para a criança não perder a referência de família. Ou seja, toma lá isto que não tem nada a ver com a tua realidade nem, mais cedo ou mais tarde, com a de quase nenhum dos teus amigos. Não vás tu lembrar-te de ser feliz de outra maneira.
Já eu, felizmente, tive a sorte de ter um irmão, o que nos possibilitou ter todo o espectro de brinquedos em casa. E o discernimento de os misturar todos, brincando em conjunto e multiplicando as possibilidades. Pessoalmente sempre desejei ter comboios, pistas de carrinhos e carros telecomandados. E uma das vantagens que o meu irmão via em ter uma irmãzinha, era poder brincar com as miniaturas de electrodomésticos que via nas montras.
Este Natal, enquanto lamento o facto de até as peças Lego (haverá coisa mais universal que o Lego?) virem numa caixa cor-de-rosinha para meninas, ponho-me a olhar para a embalagem da Polly e a fantasiar que se trata de uma personagem poliamorosa, com vários Ken’s e suas respectivas Skipper’s, que por sua vez são amigas da Barbie e fazem corridas de carros com os Legos do Espaço.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Uma carga de trabalhos

Publicado por 
Ontem almocei com colegas de trabalho. Um grupo de gente bem-disposta, com muito sentido de humor (coisa que acho sempre uma rara bênção) e, julgava eu, de mente aberta. Vinham de uma conversa com outro colega, sobre homossexualidade(s). Os comentários foram curtos e não me chegaram para formar uma opinião, mas diria assim de repente que grassa por ali muita ignorância e falta de experiência. Percebi que estive em silêncio durante esses minutos, e que parte da minha cabeça estava ocupada a pensar quais seriam os comentários, se soubessem de metade da minha história de vida.
O único confronto do género que tive foi depois da minha entrevista no Rádio Clube, que o meu então chefe ouviu e imediatamente reconheceu a minha voz, que mesmo rouca é, pelos vistos, inconfundível. A conversa decorreu mais ou menos assim:
— Então como é que está a andar o projecto?
— Está a correr bem. Já fiz (blá blá blá…) e estava a pensar enviar (blá blá) até ao fim da semana, para depois (blá)..
— Muito bem… (pausa) Gostei muito de a ouvir ontem.
— De me ouvir? Como assim?
— Sim, na rádio.
(Dois milésimos de segundo para escolher entre “Vou negar tudo até à morte” ou “Vou pôr as tripas em cima da mesa, seja o que Deus quiser”. Mais um milésimo para me decidir pela segunda opção, lembrar-me que não acredito em Deus e que sou eu que vou ter de enfrentar todas as consequências, que podem ir da chacota ao assédio sexual ou ao despedimento. Meio milésimo para pensar “Que se lixe!”)
— Não foi ontem, foi na quarta.
E já estava. Não fui despedida. Quanto ao resto não garanto, mas o que ouvi depois disso foram apenas elogios e frases de admiração e incentivo. Não voltei a repetir a experiência, por falta de oportunidade ou pelo meu natural recato em ambientes de trabalho. Mas qualquer coisa me diz que nem sempre teria a mesma resposta.
Que o diga o actor Ernie Joseph, que interpreta Ben na série Family, sobre uma família poly, e que no início deste ano viu um belo contrato anulado, por participar em tão infame coisa. Parece que o desgraçado nem sequer é poliamoroso. É apenas um actor a interpretar um papel. No fim de contas, somos todos.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

"Isso é uma teima?"

Publicado por 
Os últimos dias têm sido de stress constante. Não é que seja grande novidade na profissão que escolhi. Mas hoje senti-me mesmo a quebrar. O conflito é algo que me desgasta. E que evito muitas vezes a todo o custo, provavelmente mais do que deveria. Se tiver de escolher, prefiro o silêncio ao conflito. E houve bastante dos dois nos meus anos de crescimento.
Em quase todas as relações profundas que tive, surgiram momentos de confronto, para mim bastante dolorosos e angustiantes. E quando terminam, sinto-me como se tivesse corrido uma maratona. Um cansaço físico e psicológico que se torna incapacitante.
Nestas alturas lembro-me muitas vezes de um capítulo do livro “The Ethical Slut”, que se chama “Embracing Conflict”. Pelos vistos é normal que haja conflito numa relação. E quando essa relação inclui várias pessoas, personalidades e vontades, a coisa pode multiplicar-se na mesma proporção que se multiplica o amor e a felicidade.
Uma das coisas que as autoras preconizam é que se use o que chamam de “I sentences”, ou frases começadas por “eu”. Que se diga “Eu sinto-me…” em vez de “Tu fazes-me sentir…”. Porque os sentimentos são nossos e no limite somos nós os únicos responsáveis por eles.
Há vários conselhos nesse capítulo que considero bastante úteis (descontando o carácter de auto-ajuda de livro de aeroporto). Não funcionarão com toda a gente nem em todas as circunstâncias. Mas pelo menos ajudam a desmontar esta ideia romântica de que os sentimentos são algo de completamente irracional e incontrolável, pretexto para os mais descuidados atropelos da saúde emocional de quem se ama.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Tenho aqui uma dor...

Publicado por 
Às vezes tenho uns ataques agudos de “que lindo que seria um mundo poliamoroso”. E esta semana deu-me isto duas vezes. Apanha-me aqui esta zona toda, desde a boca do estômago até ao coração. Socos num e apertos no outro.
O primeiro ataque deu-me a ver a reportagem da SIC, “Filhos de pais em guerra”. Entre outras coisas, a prova de como o ciúme, a despeita e o medo irracional de ser menos amado se podem revelar completamente destrutivos. O final da reportagem pára qualquer digestão em curso.
O segundo achaque foi ontem na escola, a ouvir uma Directora de Turma informar-me do background dos alunos. Eu que acho sempre estas informações importantes, saí de lá sem saber se não preferia ter ficado na ignorância. O rol de desgraças e desamores que me foi desfiado sobre 27 criaturas que algum dia terão sido inocentes, deixou-me a engolir em seco. Quase todas as histórias passavam pelo capítulo “os pais divorciaram-se” e apenas uma incluía o “dão-se todos bem”. As outras incluíam episódios de abandono, alienação parental, instrumentalização e maus tratos psicológicos.

Num artigo que li há uns tempos, a jornalista imaginava como teria sido a história Clinton-Lewinski, se os envolvidos fossem poliamorosos:

“O presidente explica, com graça e dignidade, que ele e Monica estão apaixonados e que a primeira-dama tem conhecimento do relacionamento desde o início. Hillary diz à imprensa que aprova o relacionamento, com base na sua própria amizade e carinho por Monica. Esta junta-se a eles, e explicam que o seu relacionamento é uma tríade poliamorosa, em que os três são parceiros iguais, e que está aberta à inclusão de futuros parceiros.
Quando a imprensa, chocada, pretende saber como isso afectou a filha, Chelsea responde que agora tem três pais, que os ama a todos, e que tudo isto lhe ensinou muito sobre os benefícios de ser completamente honesta em todos os seus relacionamentos.”

E também eu dei por mim, nas duas ocasiões, a fantasiar como todas aquelas histórias podiam ser radicalmente diferentes. Com outros problemas, talvez. Porque o poliamor está longe de ser a panaceia para todos os males.
Mas a mera possibilidade de que as coisas possam ser diferentes, que nem todas as relações amorosas tenham que acabar em ódios militantes, não seria já um caminho pelo menos mais equilibrado? Se em vez de acabar, as coisas pudessem evoluir para outras formas, se as crianças deixassem de ter dois pais em casa para terem quatro ou mais, mesmo em casas diferentes.
Porque, como diz uma psicóloga na reportagem da SIC, a estabilidade provém da flexibilidade, e não de dormir todos os dias na mesma cama.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Simplesmente... não casados

Publicado por 
Numa altura em que o casamento e o seu alargamento a casais do mesmo sexo está na ordem do dia, dou por mim a pensar porque é que as pessoas ainda se casam. Pessoalmente não tenho nenhuma vontade de promover uma cerimónia que oficialize qualquer uma das minhas relações. Não quero casar, creio que nunca quis, e agradeço que não me convidem para casamentos.
No entanto, é para mim claríssimo que quem o queira fazer deve ter essa liberdade. E só alguém com grandes palas nos olhos consegue acreditar que a homossexualidade tem alguma coisa a ver com a capacidade ou não de formar uma família funcional. Mas toda esta discussão sobre o casamento me parece sempre limitada, truncada, abafada pela polémica homo, que não é mais que uma falsa questão, já desde os gregos, ou desde que saímos da fase de ameba.
Mais do que discutir o sexo dos anjos casadoiros, interessar-me-ia discutir o próprio conceito de família. E dentro dessa linha discutir problemas pragmáticos e prementes, como a relação do Estado com a família, e consequentemente a grande injustiça que subsiste na diferença de tratamento entre pessoas casadas e “os outros”.
Nos Estados Unidos existe uma organização cujo trabalho se centra precisamente em combater estas injustiças. No site da Alternatives to Marriage Project, o poliamor surge na lista de “maneiras de ser não-casado”, na qual se incluem também outras alternativas importantes.
A associação promove acções em torno de assuntos como cuidados de saúde, segurança social, impostos, habitação, adopção e imigração. Todas elas ligadas aos direitos básicos de qualquer cidadão, atropelados diariamente por um Estado que se diz laico, mas cujas leis seguem uma definição muito própria e limitada do que é uma família.
É bem verdade que já temos uniões de facto, que eu própria usufruo de um belo seguro de saúde pago pela empresa onde o meu “unido” trabalha, mas não me agrada que haja regras específicas quanto à quantidade e qualidade dessas uniões. Que se criem outras regras, que se pague um extra por cada pessoa que usufrui de um determinado benefício, … Arranjem-se como entenderem, mas não me digam com quem, nem com quantos, é que posso formar uma família.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Ainda sobre a falta de tempo...

Publicado por 
Ora cá está. A prova de que uma pessoa poly tem muito pouco tempo, é o podcast que ouvi hoje.
Cunning Minx, de quem aqui falei há três semanas, é uma rapariga tão ocupada que nem teve tempo de ir descobrir que raio de língua se fala num país chamado Portugal.
Mas a gente perdoa-lhe, e de boa vontade, porque a moça é gira, trabalha que se farta, e à pala dela temos tido visitas de leitores de todo o mundo.
Para quem não tem tempo de ouvir o podcast (como eu vos entendo!), cá vai a transcrição e tradução do que vos falo:

"E há também um novo blog, o PolyPortugal. É verdade. Estamos espalhados por todo o lado!! Há poliamor por toda a parte!
(Como quem diz... Qualquer dia ainda aparece um blog poly no Burkina Faso!! Awsome!!) Vou também disponibilizar um link sobre um post que foi escrito sobre eles... Está em espanhol, mas podem sempre utilizar aquilo do Google Translate"...

Na verdade fui eu que escrevi sobre ela, e por acaso até hablo español, só que neste caso era mesmo português. Mas quem sou eu para criticar... Só tenho é a aprender com ela, que consegue gerir tanta coisa! Ou então já arranjou o tal secretário, cujo único defeito é nunca ter provado um pastel de nata...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Comer o bolo e ficar com ele

Publicado por 
Escrevo este post com uma semana de atraso, e espero não voltar a repetir a gracinha. Têm acontecido muitas coisas, todas boas, mas realmente o tempo não dá para tudo, e ultimamente os dias têm passado com uma velocidade alucinante.
Entre tudo o que poderia comentar, escolho um artigo com que me cruzei numa altura bastante conveniente. É grande e requer uma leitura cuidadosa, com o tempo que agora não tenho. Mas só o tema e uma leitura na diagonal me suscitam de imediato algumas ideias.
O conceito de self-care, que se aplica a toda a gente que tenha mais de uma actividade na vida (trabalho, família, amigos, amores, hobbies, etc.), faz ainda mais sentido quando se trata de gerir uma vida poly. Como diz Meg Barker, a dificuldade está em adaptarmo-nos a novas realidades trazidas por novas relações, em alturas em que temos tão pouco tempo para nós, precisamente devido ao tempo que essas relações nos ocupam.
A ideia é levarmos em conta a nossa relação com nós próprios. Considerá-la, se não como a nossa principal relação, pelo menos como mais uma, com as mesmas necessidades de tempo e dedicação que qualquer outra. Pensarão alguns que uma pessoa poly é alguém que tem muito amor para dar, e capacidade para o receber em igual proporção. Mas capacidade não implica necessidade. E imersos na cultura reinante de que estar sozinho é estar infeliz ou ser incapaz, acabamos por não conseguir explicar a alguém porque é que preterimos um jantar estimulante, seguido de noite escaldante, em favor de um serão em casa, com rolos na cabeça e esponjas entre os dedos dos pés.
Pessoalmente tenho tendência para me esquecer de (quase) tudo o resto quando começo uma nova relação. Deixa de haver tempo para ir ao ginásio, para ler, família e amigos começam a interrogar-se se terei sido atropelada. E dizer “não” começa a ser cada vez mais difícil, gerir todos os horários e sobreposições torna-se um quebra-cabeças, até ao ponto em que só me apetece desaparecer do mapa e não fazer absolutamente nada com absolutamente ninguém.
Fico cansada, durmo pouco, como mal e, basicamente, torno-me uma chata insuportável, susceptível a pequenos conflitos que requerem ainda mais tempo para serem sanados, e mais investimento nas relações para não sofrerem com isso.
Passei os últimos anos a tentar desenvolver esta capacidade de dizer “não” sem culpa, a esquivar-me à chantagem emocional, e a tentar ser clara quanto aos meus desejos. Mas a verdade é que a maior parte das vezes não digo que “não”, porque quero mesmo dizer “sim”. Quero estar com essa pessoa, e com a que me liga a seguir, e com a que já tinha ligado a semana passada, e ao mesmo tempo quero estar no ginásio, e quero ler, e quero dormir, não fazer nada, trabalhar e ir ao cinema.
Resumindo: Está aberta uma vaga para secretári@. Paga-se em tempo e dedicação a quem me conseguir encaixar isto tudo em 24 horas.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Malabarismos amorosos

Publicado por 
Há uma dúvida recorrente nas cabeças poly: ao conhecer-se uma nova pessoa, qual é a altura certa para se anunciar que a monogamia não é para nós um dado adquirido? Deve-se dizer o mais rápido possível, quase a seguir ao “muito prazer”? Tipo “Olá, o meu nome é X e sou poly”? Ou na verdade não é da conta de ninguém a não ser que nos envolvamos com a pessoa? E se assim é, em que ponto do envolvimento se torna oportuno / aconselhável falar nisso?
Já tive várias opiniões e respostas a dar a estas perguntas. Ultimamente opto por dizer descontraidamente “o meu namorado” assim que surge a oportunidade. A reacção a isto normalmente determina se desenvolvo a explicação, e muitas vezes determina também o meu interesse na pessoa.
A frontalidade e a honestidade são para mim uma necessidade, ou um luxo a que me dou quando o interlocutor o permite. Mas o que é perturbador é pensar que essa postura, por se furtar à cumplicidade com outras menos abertas, pode convidar à falsidade alheia. Trocando por miúdos: a maior parte das pessoas percebe muito cedo que não me vai conseguir comer se houver outra que não possa saber da minha existência. Nem sequer se só houver dúvidas.
Ontem falei com uma pessoa com quem me envolvi há uns anos e a quem pareceu que a melhor altura para me dizer que tinha namorada seria precisamente meia hora depois me ter comido. Neste caso, teria a fraca desculpa de dizer que eu é que o comi, me abalancei sobre ele, sem lhe dar muito tempo para abrir a boca. Mas antes disso, horas de conversa sobre poliamor já lhe tinham dado essa oportunidade várias vezes.
A conversa de ontem era sobre uma experiência que tinham tido com outro casal. Encurtando o relato: eram grandes amigos e deixaram de o ser. O ciúme atacou forte e feio. Sério?? E isso era portanto uma surpresa para ele.
Se há coisa que aprendi logo nos primeiros namoros de adolescência é que não se mudam as pessoas. Ou se ama alguém por quem a pessoa é, ou mais vale procurar directamente o que nos faz mais felizes. A namorada deste rapaz é claramente monogâmica e até eu, que nunca tive a oportunidade de a conhecer, já o tinha percebido. O que não percebo é esta compulsão de enganar tudo e todos e persistir num auto-engano, insistindo em que se faz as coisas desta maneira por não haver outras opções.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Estava mesmo à espera!

Publicado por 
Sou fã desta senhora por várias razões. Cunning Minx tem um podcast semanal sobre poliamor, que mantém desde Abril de 2005, e só isso já é motivo de reverência. Como qualquer um dos colaboradores deste blog concordará, ter o que dizer sobre poliamor uma vez por semana nem sempre é fácil.
Há uns dias pus-me a vasculhar com mais pormenor no site Polyamory Weekly e fui parar ao Slideshare, onde Minx tem algumas das apresentações que faz em conferências e encontros poly.
A que mais me chamou a atenção e me deixou a pensar, foi uma com o título "How to Get Some". Basicamente, o que ali se explica é como uma pessoa se pode organizar para engatar numa dessas conferências. O que implica algum trabalho antes, durante e depois.
Alguém me dizia um dia que, por norma, as mulheres só se envolvem sexualmente com alguém por "descuido". Ou seja, que passam sempre a mensagem "Eu nem queria, mas estávamos bêbados e...". Mesmo quando não têm nenhum compromisso nem explicações a dar a ninguém, parece que as coisas acontecem sempre casualmente, que as apanham de surpresa, como no anúncio do Tide em que o actor lhes entra pela casa adentro e lhes sai aquele "Ah, não estava nada à espera!".
Infelizmente, esta atitude não é um exclusivo feminino. Há toda uma moral reinante de que é politicamente correcto não querer, não esperar, nem fazer nada para conseguir ter sexo com alguém. "As coisas simplesmente acontecem", foi o que nos ensinaram nos filmes e romances. E às vezes é verdade. Mas outras vezes não. Outras vezes a felicidade e uma vida recheada de amor e pessoas bonitas é o resultado de muita pesquisa, procura, disponibilidade e atenção.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Outra vez, Maria Inês?

Publicado por 
Há uns dias voltei a ter uma longa conversa com aquele meu amarado espanhol, que serviu entre outras coisas para lhe pedir desculpa pelo meu estado rabugento dos últimos meses. Às vezes passamos muito tempo sem falar, de vez em quando por alguma rabugice de uma das partes, ou das duas, mas esta é uma daquelas pessoas que eu incluiria na resposta à pergunta “quantas relações tens”. Apesar de não nos vermos há não sei quanto tempo e não termos sexo há ainda mais.

Uma das coisas de que gosta é de se manter actualizado quanto à evolução do poliamor em Portugal, mas principalmente quanto à minha evolução pessoal dentro do poliamor. E quando lhe falo dos meus desaires amorosos (que já acompanhou alguns), acaba sempre por dizer aquela frase que me irrita ligeiramente: “Não é a primeira vez que te acontece e não será a última”. Prefiro interpretar isto como algo do género “Um nómada nunca tem um tecto sólido. O preço de andar a conhecer mundo é ser o primeiro a levar com a chuva na tola”. Mas angustia-me o imperceptível tom de “Outra vez o mesmo erro? Será que não aprendes?”.

Penso muito nisto, até porque ele não é o único a dizer-me coisas do género, de cada vez que ando mal de amores, ou aliás, mal com algum amor. Um dos meus “erros” recorrentes é envolver-me com grandes amigos, que passam a amarados. Infelizmente, o final de quase todas essas histórias é enjoativamente o mesmo.

Começa com “olha que linda amizade que ficou ainda melhor com sexo, amor, carinho e partilha”, passa inevitavelmente pelo momento “anda com quem quiseres e continua a contar-me, que gosto de saber”, e por fim embate de frente no obstáculo “tenho uma nova namorada que acha isto do poliamor uma coisa muito estranha e ainda está a pensar sobre isso”. E lá se vai a amizade para o galheiro, precisamente porque houve sexo e, em vez de ser uma boa amiga, já estou irremediavelmente no rol das “ex”.

Este é um dos meus medos de estimação, que também os tenho. Mas, como já aqui disse, continuo a levantar-me e a acreditar sempre que desta vez é que é, ou pelo menos a acreditar que a viagem vale pelo caminho e não pelo destino. Até porque outra das coisas que ouvi nessa conversa, em resposta às últimas novidades e planos próximos, foi: “É um risco, mas é algo que tens de fazer, para saber o que acontece”. O que no fundo é uma confirmação da teoria do nómada.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Ainda cabe mais um?

Publicado por 
Ontem dei por mim a tentar explicar a alguém que tinha acabado de conhecer algo que, por me ser tão visceral, me custa pôr em palavras. Porque é que me faz sentido que uma pessoa, que já tem uma casa e um namorado com quem vive, considere abdicar dessa privacidade para ir viver com mais pessoas. Todas elas com casa própria, coisas próprias, gostos e personalidades próprias. Suspeito que esta pergunta, como outras, surja regularmente. E suspeito que me vá engasgar mais vezes. Que as palavras que me saiam da boca me pareçam sempre insuficientes para descrever o que talvez tenha sido sempre o meu sonho de família e comunhão.

Hoje vi um programa da TV3 no qual entram duas pessoas que conheci de perto e mais duas que espero conhecer em breve. Formam uma família. Duas mães, um pai e uma bebé. Conhecendo alguns pormenores de como a relação evoluiu, primeiro a dois, depois a três e por fim a quatro (e acredito que não se fiquem por aqui), não posso deixar de me emocionar com a felicidade deles.

Acredito mesmo que há vida para além do modelo pai-mãe-filhos, ou casal, ou viver-sozinho, e que pode ser uma vida feliz. Acredito que o ser humano possui uma capacidade infinita de partilha e de aprendizagem com os outros. E que cada um de nós se pode tornar todos os dias melhor pessoa se rodeado de amor, apoio e estímulos variados.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Diário de Maria

Publicado por 
Esta semana andei a vasculhar no meu arquivo de notícias sobre poliamor. E cheguei à conclusão de que, de todos os artigos que já se publicaram, se tivesse que eleger o mais imparcial, objectivo e esclarecedor, teria que optar pela revista Maria. Mónica Nascimento, responsável por este artigo, terá sido talvez a jornalista que menos trabalho deu para acompanhar e esclarecer.
De muitos outros não se pode dizer o mesmo. Depois de horas de entrevistas, envios de documentação, dúzias de e-mails para trás e para a frente, os artigos saem com incorrecções grosseiras e linguagem mononormativa, insistindo que o poliamor está centrado na figura do casal (hetero, por supuesto). Ou com pérolas como "poliamor é uma relação entre três ou quatro pessoas que vivem juntas". É o que dá ir perguntar coisas aos psicólogos em vez de as perguntar a quem as vive há anos e está à distância de um click.
Bem sei que as pessoas não são perfeitas e todos estamos condicionados pela própria experiência. Mas sempre me habituei a pensar em psicólogos e jornalistas como pessoas que se desviam do seu caminho para, pelo menos em relação ao seu trabalho, serem imparciais e abertas a novas ideias.
Mas o que constato é que tentar explicar a um jornalista o que é o poliamor é o mesmo que dizer à minha mãe (ou sogra) "Quando o Jorge estava a estender a roupa...", e elas a replicarem "Ai tu estendes a roupa cá dentro?". Ou seja, eu a dizer uma coisa e a outra pessoa a ignorá-la e a encaixá-la imediatamente na sua realidade.
Diz-se a um jornalista "é tudo às claras, todos sabem de todos e estão confortáveis com isso", e eles vá de meter fotos com amantes debaixo da cama. Diz-se "é transversal a todas as orientações sexuais, não há geometrias fixas e as relações são igualitárias". E eles vá de embarcar na imagética típica de um homem com o seu harém.
Justiça seja feita à Máxima e à já referida Maria, que puseram nos seus artigos fotos de uma mulher com dois homens (as malucas!!). Mas um de cada lado e sem se tocarem... Que isto do poliamor, será rebaldaria, mas não há cá porcarias!

a a a