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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Ondas na rede

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Tive ontem uma experiência interessante, daquelas que comprovam, agradavelmente, coisas que já sabemos mas que, na maior parte dos casos, ficam-se mais por um saber teórico do que por situações para as quais podemos apontar e dizer "Sim, aqui está o que vos tinha falado".
Note-se, por via de aparte, que eu sou daquelas pessoas que acha que uma determinada teoria ou visão sociológica só faz sentido se pudermos sair à rua e esbarrar com essa tal teoria em funcionamento. De certo modo, foi o que me aconteceu.

Estava eu muito bem no computador quando um amigo meu me disse que tinha encontrado um fórum com uma thread sobre poliamor; eu perguntei onde, e ele disse que tinha sido aqui. Ora, eu nem sequer sabia que este fórum existia, quanto mais!... De forma que, lá vou eu ler a conversa. Eis senão quando, logo muito ao princípio, me deparo com o terceiro post, contendo uma descrição que me encaixava que nem uma luva. Olhando para o nick da pessoa em questão, não faço ideia de quem pudesse ser, pelo que pergunto ao meu amigo se sabia quem era a pessoa. Ele tinha uma suspeita e - para encurtar a história - era efectivamente a pessoa que ele estava a pensar e com quem eu depois me pus à fala (como, de resto, se pode ver mais abaixo).

Ora, o que é que eu tenho a fazer ressaltar sobre esta questão? Em primeiro lugar, a tal questão da teoria que se verifica - aquela máxima, de uma certa ala feminista, que insiste em dizer que o pessoal é político está aqui manifesta. Eu vivo a minha vida - e esta pessoa, que nunca tinha lido nada escrito por mim, ou sobre mim, veio avançar um testemunho de como eu vivo, utilizando-o como argumento num debate sobre um tema que é necessariamente político, num sítio onde eu provavelmente nunca viria a falar dele (quanto mais não seja, porque não o conhecia). Aqui está o cerne da questão: cria-se sensibilização, espaço para a diferença, e promovem-se atitudes positivas perante outras formas de viver através desse simples acto de viver. Se esta não é uma convocatória geral, saliente e pertinente para uma vivência poliamorosa com o mínimo de ambiguidades e subterfúgios possível, então não sei o que poderá ser. É verdade que este acontecimento foi a uma escala microscópica, mas a dinâmica em qualquer outro contexto seria exactamente a mesma, e portanto o princípio mantém-se. Mais: aquele singular testemunho vem transformar um copy-paste da wikipédia numa experiência, com pessoas reais, com resultados positivos para acompanhar.

Além do mais, a conversa daquela thread é, no cômputo geral das coisas, relativamente positiva. Se é verdade que parece haver uma certa postura generalizada que impede o questionamento dos próprios limites pessoais - e, de certa forma, isso entristece-me de uma maneira que nada tem que ver com poliamor, mas sim com a falta de confiança que as pessoas têm em si mesmas, em serem capazes de se transformar, de se superar, como se fossem donas de uma qualquer verdade última, essencial sobre si mesmas e o que são ou não capazes de fazer, como se o que são ou não capazes de fazer não fosse uma coisa eminentemente contextual, mutável e sujeita a influências internas e externas - também é verdade que se reconhece a validade das experiências que são diferentes das normativas, que são diferentes daquelas que aqueles sujeitos online reclamam e advogam para si mesmxs.

Conforme a exposição e sensibilização para o poliamor for crescendo, vai ser cada vez mais difícil encontrar e acompanhar cada uma destas pequenas mini-discussões que se vão formando sobre o assunto. Vai ser cada vez mais difícil tomar o tempo para tentar influenciar a visão que outras pessoas têm sobre poliamor, ou sobre promiscuidade, ou sobre relações abertas, etc. E isso pode gerar alguma ansiedade para quem se dedica a isto, creio - a ideia de que um nosso "bebé" possa estar a escapar para além da nossa visão. Só que isto é, em última análise, uma coisa positiva. É através desta fuga discursiva que a pluralidade e o dinamismo se mantêm dentro e fora do mundo das ideias. Quem vive politicamente - e todos o fazemos, mesmo quando não nos apercebemos - vive numa teia de interpretações e leituras que não controla nem pode controlar. Aquilo que acontece a partir daí não é da nossa responsabilidade directa, mas ainda assim há a possibilidade/potencialidade de, como neste caso, portar a nossa marca, portar um pouco do que fizemos no mundo.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Dentro da onda do cinema poly

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Há uma série de recomendações que se podem fazer, de filmes que são, mais ou menos, poly-friendly. E a Joreth juntou-as e fez uma série de comentários a vários desses filmes. Como ainda está frio e vem aí o fim-de-semana, talvez valha a pena dar uma vista de olhos pela lista.

Digam-nos o que pensam dos que já viram!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O tiro no pé

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Sem grandes deambulações, porque esta é simples.

De tanto ler imensos posts e e-mails de gente poly a contar as suas histórias, há um padrão que parece repetir-se bastantes vezes:

  1. Alguém fica em estado de ansiedade porque a outra pessoa tem uma 3ª pessoa
  2. A razão para esse estado de ansiedade está ligada a querer preservar essa relação, ter medo de a perder
  3. A ansiedade provoca comportamentos (desde insegurança in extremis, a atitudes controladoras, etc.) que afastam a pessoa que se quer manter por perto
  4. Esses comportamentos geram o tal afastamento, que faz aumentar a ansiedade
  5. A relação deteriora-se ou mesmo desfaz-se, e as culpas vão para cima do mais recente elemento, ou do "poliamor", ou daquelas conversas do "eu afinal não sou assim"
De onde se conclui, com os devidos abusos de extrapolação, que os ciúmes e demais comportamentos obsessivos são contraproducentes, na medida em que tornam a situação numa self-fulfilling prophecy...

Ora, qual é a questão mais importante destas profecias auto-realizáveis? O ciúme? A insegurança? "A culpa é da mãe"? Nah, não convence.

A questão mais importante é a relação que a pessoa tem com... a verdade. O problema do sujeito ansioso é o olhar para os seus medos e ver no seu estatuto de medos uma marca de verdade. Este sujeito vê-se a si mesmo como estando acima e para além da situação, dotado de poderes quase divinatórios, que lhe permitem aceder a uma suposta interioridade psicológica das outras pessoas envolvidas, que lhe possibilita, mais facilmente, ler a verdade acerca das intenções, sentimentos e motivações dessas outras pessoas.

De forma que o primeiro passo para lidar com este tipo de situações, parece-me, não é ir buscar a secção inteira de auto-ajuda da biblioteca, mas encarar o papel que o próprio sujeito tem em produzir uma determinada verdade que, a partir daí, toma valor de episteme, e vai condicionar todas as subsequentes considerações sobre o assunto, ao delimitar e estruturar a própria compreensão do que acontece. Questionar a nossa própria possibilidade de falar "a Verdade" é algo que me parece fundamental. Aquilo que os livros de auto-ajuda fazem é, na maior parte dos casos, o oposto. Insistem no sujeito que produz uma Verdade maior, mas limitam-se a trocar uma mensagem por outra, tentando obter o efeito inverso ao actual. Que é, no fim de contas, o mesmo que tapar o sol com a peneira, tratar os sintomas sem curar a doença, etc etc etc...

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Porque falham as explicações

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Dou por mim, como devem imaginar, a explicar imensas vezes o que é o poliamor, e que sentido faz, etc etc etc. E nem sempre consigo estar a ter estas conversas na net, onde simplesmente envio um link para o site do Franklin Veaux e a partir dessa base tento rearticular algumas das perguntas que as pessoas me fazem.

Fora isso, e quando se está offline, há uma série de argumentos e mecanismos retóricos mais ou menos utilizados de forma generalista para tentar explicar ou desconstruir uma série de noções de base. Ainda assim, é um processo complicado. Complicado fundamentalmente porque esses tais pressupostos, esses dogmas de base que definem a própria definição do que é o amor ou do que são relações amorosas (ou do que é a fidelidade, and so on...) são, no poliamor, repensados.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Parrhesia

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A minha defesa da tese correu bem... uns belos 18 valores, e muita baba própria pelo caminho como devem imaginar.

A ideia principal é a de que, mais do que uma forma de fazer as relações amorosas, o poliamor é uma forma de pensar a ética nas relações - amorosas ou não. E aí, a parrhesia é fundamental. A franqueza, a honestidade. Esta honestidade é importante, não para a outra pessoa, mas para nós mesmos, para a nossa construção como pessoas, na nossa vida. Um assunto a discorrer mais tarde.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Efémero

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Estava aqui há uns dias a assistir a uma conversa online sobre a questão da duração das relações poliamorosas. O maior questionário alguma vez feito a essa comunidade, de forma não-representativa e online, foi o da Loving More Magazine. Um dos resultados é que a maior parte das relações reportadas por quem respondeu ficava abaixo dos cinco anos de duração.

Duas leituras que se podem fazer daqui: uma sobre o papel do poliamor, outra sobre os nossos conceitos de base sobre relações.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Vem aí mais um ano!

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Passou-se mais um ano, e todxs xs participantes deste blog desejam a todxs xs leitorxs um grande 2011! Vai haver mais PolyPortugal para o ano, prometemos!

Cá eu, vou passar o reveillon com xs minhxs companheirxs, e mais amigxs. E o resto, como se costuma dizer, é conversa!


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

A defesa - confirmada!

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Será mesmo no dia 12 de Janeiro, às 15h, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Torre B, Anfiteatro 1, 1º andar.

Deixo aqui, para quem estiver indecisx sobre se vai assistir ou não, o abstract / resumo.
Esta tese tem como objectivo principal determinar se os utilizadores da mailing list alt.polyamory, ao verterem as suas experiências pessoais em texto, estão ou não a incidir em práticas queer de questionamento da normativização monogâmica e heterocêntrica,

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Pensar para a frente

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O poliamor é algo que se pode considerar recente. Apesar de livros como o Polyamory in the 21st century fazerem uma genealogia de variadas práticas de não-monogamia responsável que datam de bastante antes da invenção da palavra 'poliamor', a verdade é que o poliamor não é apenas uma nova palavra engraçadinha para algo que já existia há muito tempo atrás. E apesar de se ver o poliamor como uma série de práticas diferenciadas entre si (sendo que as práticas mais contrastantes poderão ser a de uma relação efectivamente 'aberta' e uma relação em regime de polifidelidade), também é verdade que há exclusões e medos a serem levados a cabo. Isso leva algumas pessoas a pensar no que estará para além do poliamor, a sentirem-se constrangidos pelas limitações de algumas visões sobre o que é o poliamor.

Uma dessas limitações poderá ser, efectivamente, um certo receio em abordar a questão do sexo. Esse receio vem, claramente, de um medo bem-intencionado.
Se aceitarmos que o poliamor tem influências claramente feministas, se aceitarmos que o poliamor é feito, pensado e (às vezes) vivido tendo em conta preocupações com a questão da igualdade de género, então será relativamente fácil de entender como isto se verte numa preocupação com uma visão machista, patriarcal, que procura transmutar o poliamor numa mera busca por sexo (em que manipulação, mentiras e objectificação entram como personagens principais). Desde o princípio do conceito que há uma procura por afastar do poliamor a discussão sobre o sexo e o comportamento sexual. E eu concordo, claramente, que o comportamento sexual está longe de ser a faceta mais importante do poliamor - por outro lado, a preocupação quase obsessiva com o falar sobre sentimentos e em cima disso tentar afastar tudo o resto já me parece extremamente interessante!

Não sei se considerar o poliamor passé é a melhor forma de abordar a questão. Creio que ainda há um potencial muito grande de evolução para ser feito. Isso não nos impede de pensar para a frente. Mas pensar para a frente também não será trazer de volta ou centralizar o discurso sobre sexo. Antes, pensar em frente deve ser pensar de forma inclusiva. Não serve de muito procurarmos ou reivindicarmos uma postura inclusiva do geral da sociedade se depois nos afastamos dessa postura quando tomamos a palavra. Há uma série de discursos que podem formar sinergias fundamentais com o poliamor: o discurso queer, o discurso feminista, o discurso étnico, o discurso económico-político pós-capitalista, o discurso do safer sex. Temos que adicionar a esta lista o discurso da promiscuidade. Temos que entender que linhas de entendimento permitem a liberdade de comportamento sexual responsável a par de uma ou mais relações amorosas. Temos que entender que os lugares dentro dos quais circunscrevemos o sexo são arbitrários, mutáveis, e podem ser encarados de formas diferentes (diferentes da maioria, diferentes da minoria, diferentes de ambas as coisas). E, já agora, que definir sexo pode ser mais complicado do que parece...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Boas notícias

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É provisória ainda a data, mas deverei defender a minha tese, sobre Poliamor, no dia 12 de Janeiro. Marquem nas agendas!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Do outro lado

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Sempre tive uma pergunta, e gostava de saber se alguém que lê este blog me sabe responder...

Como é que uma pessoa que se identifica como monogâmica passa a encarar a monogamia, depois de tomar contacto com o poliamor? Há alguma diferença? Há algum questionamento, ou alteração de comportamentos, atitudes, etc., mesmo que a pessoa não passe a identificar-se como poliamorosa?

Respostas agradecem-se. :)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Olhares

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Sermos olhadxs é uma experiência boa ou má, indiferente ou perturbante. E é algo que acontece muito quando se anda de mão dada a mais de uma pessoa.

Mas olhar de volta retorna o poder a quem é olhado.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Poliamor e sexo

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Qual a relação entre as duas coisas? Quais as relações que se estabelecem, normalmente, entre estas coisas?

Será que os grupos poliamorosos estão preocupados com serem diferenciados de coisas como o swing, ou os grupos orgiásticos? Porquê? Com que vantagens e desvantagens?

Já agora, deixo uma leitura...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Ciúme

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Vou apenas resumir, brevemente, a análise que o Pepper Mint faz do ciúme como mecanismo de poder. Aqui, o ciúme será entendido como estando dentro de uma relação romântica. Abstractamente, o ciúme envolve três aspectos diferentes: os sentimentos de uma pessoa face às acções dx sua/seu parceirx, essas mesmas acções, e uma terceira pessoa, vista como rival.

O ciúme pode ser reclamado pela pessoa que o sente como forma de tentar controlar as acções dx parceirx.
O ciúme pode servir como arma de acusação pela outra pessoa envolvida na relação romântica.
O ciúme pode ser suscitado especificamente (ou tentar-se fazer isso) para tentar obter uma determinada reacção da pessoa a quem se está a tentar provocar ciúme.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A vida é simples? Not really!

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Ainda há quem acha que a vida é simples, e nós é que a complicamos, especialmente com esta coisa do poliamor.

Mas olhem lá como, com um bocadinho de esforço, complicamos ainda mais!


Compreendo que, com tanta complicação, não dá para ver bem a imagem. Portanto, aqui fica o original, para vosso prazer visual! Cortesia do grande Franklin Veaux!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Discriminação

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A maior parte dos posts deste blog sobre o poliamor vão no "bom" sentido. Vão no sentido de demonstrar o quão bem podemos estar, o quão bem conseguimos estar, no sentido de mostrar o quanto podem ser traçados pontos de contacto entre experiências de âmbito poliamoroso e de outros tipos de relação - monogamia, monogamia em série, etc. - e como assim podemos crescer todxs juntxs.

Mas também há um lado feio da coisa. Bem, vários. Um deles também já foi bastante explorado aqui: o que acontece quando a relação falha, o que acontece quando se confunde poliamor com outros tipos de relação não-monogâmica (especialmente aqueles tipos que de responsáveis têm pouco ou nada). E isso pode ser devastador, da mesma forma como qualquer fim de qualquer relação pode ser devastador, não interessa se somos poly ou não.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Finalmente mais leve

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Tenho andado um bocado calado, é verdade, mas é porque às vezes é preciso pausa e descanso. Entreguei na semana passada a minha tese de Mestrado - tanto quanto sei, a primeira em Portugal sobre poliamor - intitulada "Amando vári@s - Individualização, redes, ética e poliamor".




Depois disso, precisei de uma pausa para descansar, para fazer nada. (Não que a vida profissional permita isso, mas pronto, passei uns três dias a olhar literalmente para as paredes, a dormir - coisa rara nos últimos tempos - e a divertir-me um pouco.)

Olho para trás e reparo que passei dois anos a trabalhar e a reflectir sobre poliamor e que, ainda assim, mal raspei a superfície (resmungo pessoal: uma tese com 60 páginas não permite explorar nada com a devida profundidade). E apesar de o meu tema de doutoramento me levar para longe do poliamor, a verdade é que quero recuperá-lo noutra altura, noutro ponto da minha vida académica, para sobre ele pensar mais aprofundadamente.

Eu sou um cientista social. Isso não quer dizer, porém, que eu seja daquelas pessoas que se vê a si mesma como estando sentada no topo de um observatório impenetrável, através do qual penetra e perfura a realidade para obter uma episteme, uma Verdade. E portanto, aquilo que eu retiro de mais valioso do trabalho que levei a cabo foi a forma como esta investigação me mudou a mim. A forma como este trabalho me permitiu lidar comigo mesmo de uma maneira diferente, aperceber-me mais claramente dos processos dentro dos quais eu me movo; não necessariamente para fugir deles, mas para estar neles com atenção e cuidado, com discernimento.

A ideia central da tese é o conceito foucauldiano de cuidado de si. Cuidarmos de nós mesmos é, não um acto de egoísmo, mas um acto plenamente ético, plenamente justificado e que contribui para uma vida mais positiva para o sujeito. Digo que não é um acto de egoísmo porque não conseguimos cuidar de nós sem termos, connosco, um Outro. Não conseguimos cuidar de nós se não cuidarmos, também, de manter e alimentar as nossas relações com o Outro que nos define, que nos permite definirmo-nos. Na prática, isso implica coisas como estas. Porém, e tendo em conta que venho da área das Ciências da Comunicação, estou relativamente menos interessado no conjunto das práticas, e mais interessado em entender porquê estas e não outras, e de que foram é que elas agem sobre o indivíduo e o constituem como sujeito, com identidade(s) e ética(s), com valores e princípios a seguir.

Ser poliamoroso não é um estado natural. Ser poliamoroso não é um comportamento tipificado. Ser poliamoroso não é simplesmente ser não-monogâmico de forma responsável. Ser poliamoroso é corresponder a uma identidade, é adaptarmo-nos de forma a obtermos reconhecimento. As razões pelas quais necessitamos desse reconhecimento, pelas quais inventamos palavras para em torno delas nos aglutinarmos e a forma como isso nos afecta, à nossa ideia de nós mesmos e à ideia que os outros têm de nós: isso fascina-me, e é na sociologia e na filosofia que procuro encontrar combustível para alimentar estas reflexões.

Quando a tese estiver para ser defendida, procurarei partilhar esta paixão convosco.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Best of...

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Para informação geral, e para recordar o que já por aqui foi escrito, gostava de homenagear xs colegas de blog. E, para isso, recolhi os posts que foram mais acedidos individualmente, aqui no PolyPortugal! Para quem chegou recentemente, vai poder tomar contacto com alguns dos escritos mais famosos que aqui passaram... quem já conhece, vai poder reencontrar textos interessantes, emocionais, pessoais... e plurais. :)
Dados recolhidos pelo Google Analytics, entre 24 Agosto 2009 - 9 de Maio de 2010 e 14 de Julho de 2010 a 17 de Setembro de 2010. Sim, tivemos um pequeno soluço que passou despercebido quando trocámos de layout.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Amizades

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Intimidade. A amizade tem que ver com intimidade. A amizade tem que ver com amor. A palavra está lá, um bocadinho escondida... mas está.

Ouço dizer, à boca cheia, que as amizades têm que ser protegidas (do sexo, entenda-se). E que só assim é que se salvam as amizades. De contrário, as pessoas confundem tudo. Mas porquê? A confusão vem de se ultrapassar essa barreira arbitrária? Ou de pormos em jogo, por questionar, pressupostos sobre o bom sexo e o mau sexo? O bom carinho e o mau carinho?

Não pode um (ou dez) orgasmo(s) ser(em) (apenas????) uma demonstração de carinho? Quem traça a linha do sexo?

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Mutatis mutandis...

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"Eu reclamo a independência da mulher, o seu direito a sustentar-se a si mesma; a viver sozinha; a amar quem quiser, e quantos quiser. Eu reclamo liberdade para ambos os sexos, liberdade de acção, liberdade no amor e liberdade na maternidade” - Emma Goldman, 1930

E agora, mais de oitenta anos depois, uma mulher ainda é mal vista e insultada - por outras mulheres! - por gostar de fazer sexo, ou por se apaixonar, com/por mais de uma pessoa.

E a monogamia ainda é Lei.

E ainda há pessoas que querem casar.

Porquê?